PRM faz campanha do diabo
Quando falta uma semana para o dia da votação e em plena campanha eleitoral, a Polícia da República de Moçambique aparece a dar a grande novidade, no seu ponto de vista, sobre o caso Amurane, tendo dito haver 10 membros do MDM indiciados, de entre os quais existem alguns quadros seniores e membros da Assembleia Municipal que, em público, diziam querer sacar o malogrado edil.
Interessa saber as motivações que pesam para a polícia sair a público. O país está em campanha e é sobejamente conhecido a ausência de separação entre o partido Frelimo e o Estado moçambicano, a PRM inclusive.
Sempre que a Frelimo, partido altamente interessado nas eleições, entender chama a polícia para chamuscar, perseguir, bater e prender membros da oposição.
Sempre que a Frelimo, partido altamente interessado nas eleições, entender chama a polícia para chamuscar, perseguir, bater e prender membros da oposição.
O pronunciamento da polícia é, facilmente, entendido como um "empurrão" que está a dar ao partido governamental. Não cabe a polícia dizer quem está implicado no caso Amurane ou não. Se a polícia já elaborou o processo que o entregue à procuradoria sem fazer qualquer ruído.
Ao fazer o tal pronunciamento, a polícia está a ajudar o partido Frelimo a fazer campanha eleitoral, desmobilizando membros do MDM, quase à boca das urnas e transmitindo a ideia de que o MDM é composto bandidos e assassinos.
É um segredo aberto que as Forças de Defesa e Segurança sempre saem em socorro do partido Frelimo quando se encontra em perigo. E desta vez constitui nenhuma excepção ao modus faciendi da nossa PRM. Saiu em socorro de quem acha que seja o seu patrão.
Uma polícia imparcial não procede de tal modo. Uma polícia de todos deve manter-se equidistantes das questões políticas e, sobretudo, serenidade. Porém, a nossa PRM está altamente politizada e trabalha sob as ordens do partido no poder.
A PRM ainda não esclareceu, tudo dá a entender não vai a tempo, o caso do assassinato do professor Gilles Cistac. Não explicou à sociedade quem mandou raptar e torturar o professor Jaime Macuane. A diligente PRM não disse nem uma palavra sequer quem ordenou o rapto e tortura do jornalista e jurista Ercino de Salema. A PRM ainda não esclareceu quem mandava raptar, assassinar centenas de moçambicanos e jogados em vala comum em Gorongosa e Manica. Para terminar mesmo, quem raptou e assassinou o empresário português Américo Sebastião, a 29 de Julho de 2016, em Nhamapaza, província de Sofala?
Não temos nenhuma dúvida de que a PRM recebeu ordens políticas do partido no poder para fazer o que fez porque conhecemos a polícia que temos. A PRM tem que aprender a ser um órgão auxiliar da justiça e deixar de ser um pau-mandado da Frelimo.

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