sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Prestações da dívida em 2017 valem 35% das receitas de Moçambique, indica agência Fitch



A agência de 'rating' Fitch considera que Moçambique vai ter de usar mais de um terço das receitas fiscais só para pagar a dívida pública externa durante o próximo ano, mantendo o país em risco de 'default'.
"Em percentagem da receita, o Governo espera que o serviço da dívida pública externa aumente para cerca de 35% em 2017, vindo de uma estimativa de 3,4% em 2014", lê-se num relatório divulgado esta semana e que serve como comentário à proposta avançada pelo Executivo aos credores relativamente a uma reestruturação dos pagamentos da dívida externa, no valor de cerca de 2,1 mil milhões de dólares.
No comentário à proposta, os analistas da Fitch dizem que é possível que a alteração defendida pelo Ministério das Finanças de Moçambique, de alargar os prazos de pagamento da dívida, seja equivalente a um incumprimento financeiro, uma vez que altera as condições de pagamento com prejuízo para os credores.
"Uma reestruturação potencial da dívida externa poderia cumprir os critérios de Troca de Dívida Problemática [Distressed Debt Exchange, no original em inglês]", diz a Fitch, notando que "o anúncio reflecte as significativas obrigações com a dívida que pendem no curto prazo e a abrupta deterioração nas condições orçamentais e macroeconómicas que se seguiram à divulgação de 1,4 mil milhões de dólares de dívida adicional garantidos pelo Estado sobre empresas públicas opacas".
Nestas condições, continua a agência de notação financeira, Moçambique está em "dificuldade extrema", enfrentando pagamentos de 803,8 milhões de euros em 2017, dos quais 591 milhões são de dívidas comerciais.
Para já, a agência de notação financeira mantém o 'rating' do país em 'CC', considerando que "um 'default' [incumprimento financeiro] é provável".
A Fitch antecipa uma "inflação média de 20% este ano, a maior em duas décadas" e um abrandamento do crescimento económico para 3,5%, o mais reduzido dos últimos 15 anos, para depois subir para 5% em 2017, "mas isto está dependente de uma retoma gradual do apoio externo".
SAPO – 04.11.2016

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