domingo, 20 de novembro de 2016

Ronaldinho Gaúcho: “Deus foi muito bom comigo”


Antes de Messi e Ronaldo, era ele o melhor do mundo. Há mais de um ano sem jogar, o craque brasileiro esteve na Web Summit, em Lisboa, e confessou ao Expresso que não tem vontade de ficar ligado ao futebol

Getty Images
A entrevista tinha sido pedida com mais de um mês de antecedência, mas a resposta chegou apenas no próprio dia, a menos de uma hora do encontro com o futebolista brasileiro. Ronaldinho de Assis Moreira, conhecido em todo o mundo como Ronaldinho Gaúcho, estava em Lisboa para falar da Zoome TV, uma aplicação para smartphone onde vai ter o seu próprio reality show, mas o que queríamos mesmo saber era se, a poucos meses de completar 37 anos, estava pronto para pendurar as chuteiras. Como nos bons velhos tempos, o futebolista fintou a questão com mestria, mas confessou que parar não é um drama e revelou que não tem qualquer desejo de ficar ligado ao futebol. E confessou a admiração por Messi e Deco, dois amigos que fez no Barcelona, no melhor período da sua carreira. Foi lá que foi considerado por duas vezes o Melhor Jogador do Mundo pela FIFA (2004 e 2005) e venceu a Liga dos Campeões (2005/2006).
Vieste à Web Summit falar da Zoome TV, uma app onde vais ter o teu próprio reality show. Porque é que aceitaste este desafio?
Foi com a intenção de me aproximar ainda mais dos meus fãs, mostrar um pouco mais dos bastidores de tudo o que vou fazendo agora. Mas se precisar de mais esclarecimentos pode perguntar a ele [aponta para Ricardo Kurtz, o diretor-geral da Zoome TV, sentado ao seu lado], ele conhece tudo...
E o que é que tens feito? Estás sem clube há mais de um ano.
É, acho que estou sem jogar há um ano já... Tenho muitos projetos, mas ainda não decidi o que vou fazer. Vamos pegar esse final do ano para definir o que é que eu vou fazer a seguir, se vou me aposentar ou se vou jogar mais uns meses.
Depois de tantos títulos, de tantas conquistas, onde é que vais buscar motivação para continuar a jogar?
Olha, jogar futebol foi o que eu fiz a minha vida toda, a coisa que mais me alegrou. Devo tudo ao futebol. Se tiver de jogar mais alguns meses é devido à gratidão e à alegria que eu sinto por jogar futebol.
É difícil parar?
Não. Eu sou realizado com o futebol.
Que momentos da tua carreira recordas com mais orgulho?
Tive muita sorte, Deus foi muito bom comigo. Em todos os clubes por onde passei tive a sorte de ser campeão [na Europa, conseguiu-o no Barcelona e no AC Milão, mas não no Paris Saint-Germain], em todos eles vou lembrar algo bonito. A minha carreira foi muito abençoada.
Com que jogadores gostaste mais de jogar?
Ah, são muitos! [risos] Joguei com os meus ídolos. Eu comecei tendo um ídolo dentro de casa, que era o meu irmão [Roberto Assis, que jogou no Sporting e no Estrela da Amadora e hoje é empresário de Ronaldinho], assisti ao Maradona, depois o Ronaldo, Rivaldo, Romário, Bebeto, Rijkaard, Gullit... Pude conhecer todos os meus ídolos, trabalhar com eles. Por isso digo que sou realizado. Pude realizar os meus sonhos.
Não falaste do Messi. Foi saudável a convivência com ele?
Foi maravilhoso! Ele estava apenas começando, tive essa oportunidade de ver o começo da carreira dele. A nossa amizade vai além do futebol, sou amigo da família, ele é amigo da minha família, então não tem nada melhor do que ver os amigos felizes.
E o Deco?
O Deco é meu amigo, meu irmão, um cara que respeito e admiro muito, e acho que em qualquer lugar do mundo que ele passa as pessoas sabem quem é o Deco e o que ele conseguiu. O mundo reconhece o talento dele. Saiu muito jovem do Brasil, naturalizou-se por outro país [Portugal], fez história.
Foi dos melhores jogadores com quem jogaste?
Sem dúvida! Sem sombra de dúvida um dos melhores com quem joguei.
Tiveste pena de não jogar com ele na seleção do Brasil?
Olha, é difícil... Eu fico com o lado bom, porque jogámos muitos anos no Barcelona, ganhámos muitos títulos, escrevemos uma história linda dentro de um grande clube. Eu vi ele realizado jogando por Portugal, então fico com o lado bom de ter tido o prazer de jogar com ele no Barcelona.
Foi noticiado que o Benfica se interessou duas vezes pela tua contratação, em 2003, quando Camacho era o treinador, e em 2010, com Jesus. Foste contactado alguma vez?
Não, não... O meu irmão jogou em Portugal, mas comigo essa possibilidade não se colocou.
Jérôme Leroy, um ex-colega teu no Paris Saint-Germain, disse recentemente numa entrevista que quando estiveste em França não treinavas durante a semana. Chegavas ao clube de óculos de sol, direto das festas à noite, e ias dormir na sala de massagens. Nunca te livraste da fama de noctívago.
É mentira. Ganhei títulos em todos os clubes e na hora de jogar, joguei. Dá para ir na internet e ver como foi o Ronaldinho.
Gostavas de ficar ligado ao futebol?
Não. Sempre gostei de jogar, mas nunca gostei de assistir. Quando vejo futebol é para ver os melhores momentos e os golos. Os 90 minutos não. [Ricardo Kurtz, o responsável da Zoome TV, faz sinal com as mãos para pôr fim à entrevista, dois minutos antes do acordado. Há tempo para uma última pergunta]
Qual foi o melhor golo que marcaste?
Ah, não tem nem como escolher. Graças a Deus tive sorte de fazer muitos golos. Bom, nem tantos, mas os que fiz a maioria foram bonitos. [risos]

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