quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Nick Yarris passou 22 anos no corredor da morte por engano

Estados Unidos da América
Nick Yarris era um jovem como tantos outros, cujo único crime era consumir drogas. No entanto, foi condenado e esteve 22 anos no corredor da morte por um crime que não cometeu.
"O mais difícil quanto te magoam é continuares a ser boa pessoa"
Getty Images
Autor
  • Rita Inácio
Nick Yarris passou 22 anos no corredor da morte por engano. Nick foi acusado de violar e matar uma agente da polícia. Mas nunca tinha visto a mulher na vida e conseguiu agora provar que estava inocente.
Nick nasceu na Filadélfia e teve uma infância feliz, junto dos seus cinco irmãos. Mas aos sete anos um evento traumático mudou-lhe a vida: foi atacado por um adolescente, que lhe bateu com tanta força na cabeça que lhe casou danos cerebrais e que, em seguida, o violou. Nunca contou aos pais. Mas nunca mais seria o mesmo. Até que entrou numa espiral de auto-destruição que o levou ao consumo de drogas e álcool. Em 1982, com 20 anos, foi acusado de violar e matar uma agente da polícia, Linda Mae Craig.
Estava tão desesperado por sair da prisão — e consumir drogas — que inventou uma história. Disse à polícia que sabia quem tinha morto Linda. Mas a verdade é que nunca tinha visto a mulher na vida, apenas soubera da história pelo jornal. Nick disse que o assassino era um homem com quem vivera por um tempo (que lhe tinha roubado dinheiro), e que pensava que já tinha morrido. No entanto, ele continuava vivo e a mentira foi rapidamente descoberta. A situação piorou ainda mais.
Em 1988, tornou-se o primeiro homem no corredor da morte nos EUA a pedir testes de ADN a fim de provar a sua inocência. Mas a resposta demorou anos e da primeira vez as provas foram, acidentalmente, destruídas. Nick estava cansado de lutar e as suas esperanças diminuíam de dia para dia. A determinada altura estava pronto a desistir da recorrer da decisão. Não tinha dúvidas de que seria executado.
Finalmente, os resultados chegaram e provaram que existiam vestígios de ADN de dois outros sujeitos no carro e nas roupas de Linda. Nada que incriminasse Nick.
Nick foi libertado em 2003 e recebeu uma indemnização pelo equívoco. Mas os 22 anos que passou na prisão ninguém lhos devolve. E nunca houve um pedido de desculpas. Os assassinos de Linda nunca foram descobertos.

A vida na prisão

Nick passou muito tempo na solitária e foi espancado pelos guardas. “O mais difícil quanto te magoam é continuares a ser boa pessoa“, explicou à BBC.
Não me importava de passar 23 horas por dia sozinho porque depois dos primeiros anos na prisão, quando deixei de estar zangado e comecei a gostar de mim e a perceber-me, era ok. Ainda aprecio a minha própria companhia às vezes.
Para passar o tempo, lia até três livros por dia e ouvia rádio. Aprendeu direito — com o intuito de entregar uma declaração eloquente dias antes da sua execução — e psicologia, que agora aplica a si mesmo. Nunca consultou um psicólogo.
Escreveu o livro “The Fear of 13”, que já deu origem a um filme, e dedica-se à luta pela abolição da pena de morte. Considera a prisão como a maior aventura da sua vida por ter sobrevido a ela.
Se eu não tivesse sido preso a minha vida não tinha sido tão boa como é agora. Nunca olhei para isto de uma forma negativa”
A página Innocence Project apresenta o caso de Nick Yarris como um de muitos casos de pessoas inocentes que são condenadas por crimes que não cometeram.

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