segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Jovem confessa morte de menor que queimou e enterrou com ajuda da mulher com quem tinha um relacionamento


Miguel Brito, de 19 anos, confessou ao tribunal ter morto, queimado e enterrado Tiago Gonçalves, de 14 anos. Miguel alega que foi a mulher com quem tinha uma relação que o obrigou a cometer o crime.
A vítima era de Peniche e estava institucionalizada no Lar de Infância e Juventude, de onde fugiu para viver com Miguel na garagem da casa de Sónia, onde esta residia com o marido
NUNO VEIGA/LUSA
Autor
  • Agência Lusa
Um jovem confessou, esta segunda-feira, ao tribunal de Vila Real ter matado um menor e depois, com a ajuda de uma mulher, ter queimado e enterrado o cadáver num quintal em Chaves.
Os dois arguidos, Miguel Brito, de 19 anos, e Sónia Mendes, de 31 anos, chegam a tribunal acusados pelo Ministério Público (MP) da coautoria de 13 crimes, designadamente de homicídio qualificado, profanação de cadáver e ainda oito crimes de roubo, um crime de furto qualificado e dois de incêndio.
Na primeira sessão do julgamento, segunda-feira, no Tribunal de Vila Real, o arguido confessou todos os crimes, incluindo o homicídio de Tiago Gonçalves, de 14 anos.
No entanto, Miguel Brito disse ter matado o jovem “devido à insistência” de Sónia para “fazer desaparecer” o menor e com o objetivo “de agradar” à mulher com quem mantinha um relacionamento amoroso.
O crime aconteceu em outubro de 2015, numa vivenda de Chaves, e depois de Tiago ter ameaçado denunciar os arguidos à polícia pelos crimes de furto e ainda o relacionamento ao marido da arguida.
Miguel assumiu ter espancado, batido com uma frigideira e estrangulado com um cinto o rapaz.
Disse ainda ter mandado duas mensagens de telemóvel à companheira, uma antes a dizer que ia matar o rapaz e outra depois a informar “já está”.
Posteriormente, segundo Miguel Brito, os dois queimaram o corpo com gasolina, na banheira da vivenda, e enterraram o cadáver no quintal da casa que pertence a um casal que tem também residência em Espanha.
Esta segunda-feira, Miguel Brito disse ao coletivo de juízes estar “muito arrependido” do crime, classificando-o “como um erro”.
Por sua vez, Sónia Mendes negou ter mandado “matar”, “desaparecer” ou “resolver o problema” do menor e afirmou ainda que achava que a mensagem a dizer “já está” era “uma brincadeira”.
No entanto, confessou ter ajudado depois Miguel Brito a ir comprar gasolina, a retirar o corpo queimado da banheira e a enterrar o cadáver.
A vítima era de Peniche e estava institucionalizada no Lar de Infância e Juventude, que pertence à Santa Casa da Misericórdia de Chaves, de onde fugiu para viver com Miguel na garagem da casa de Sónia, onde esta residia com o marido.
A filha da arguida, de 13 anos, acompanhou os suspeitos em vários assaltos, tal como nas “manobras” de incineração e enterramento do corpo da vítima, que era seu namorado.
O cadáver foi localizado no dia 4 de novembro de 2015, enterrado no jardim de uma vivenda, em Santa Cruz, na cidade de Chaves. O alerta foi dado à polícia pelo proprietário da habitação, depois da sua cadela ter desenterrado um pé no quintal da sua casa.
Miguel Brito e Sónia Mendes foram detidos pela Polícia Judiciária em janeiro.
Os dois arguidos são ainda acusados de terem feito vários assaltos na rua para obter dinheiro, abordando sempre mulheres e roubando-lhes, por esticão, carteiras e objetos em ouro.
Os roubos foram realizados em 2015, entre o Peso da Régua, Vila Pouca de Aguiar, Lamego, Chaves e Vila Real.
Os arguidos encontram-se em prisão preventiva, medida de coação mais gravosa.

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