quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Afinal, qual é o significado e o impacto real da CRISE de que tanto falamos?


É que está na moda, hoje, usar-se a crise como desculpa de tudo: O governo não paga salários aos funcionários e agentes do Estado a tempo e horas. Causa? Crise! Não constrói escolas e nem hospitais públicos. Causa? Crise! Não estanca a criminalidade à vulsa e sindicalizada. Causas? Claro, crise! Os crentes não dão dízimos; crise! Os pastores provavelmente já não dão homilias; os pais não trazem os míseros salários para casa por causa da crise; o bezerro da vizinha já não brama, o sol provavelmente deixou de brilhar hoje, tudo por conta da crise!?!? Aliás, os vizinhos já não se cumprimentam quando se cruzam no átrio do edifício onde vivem há dêcadas; os colegas estão quase a esquecerem-se dos nomes e das idades de uns e de outros. Crise!!! Crise#”$”!??!!, maldita praga que afecta tudo e todos. Mas será que é realmente assim? Quando se questiona que crise é esta, tão poderosa, tão devastodora, tão contundente e tão completa e abrangente que paralisa e anestesia as mentes, os corpos e as almas das pessoa, a resposta conveniente é sempre esta: Crise Económica! Existem outros autores criativos que chamam de Crise Económica e Financeira e outros mais ousados ainda internacionalizam o fenómeno numa escala global. Ora, muito bem. Mas em que consiste, exactamente, a tal crise? Quando alguns membros do Governo de Moçambique decidiram, clandestinamente e atropelando todos os procedimentos legais e administrativos, contrair e desviar a aplicação de cerca de 3 bilões de Doláres Americanos era por causa de quê mesmo? Quando o Conselho Constitucional sistemática e reiteradamente validou resultados eleitorais dúbios e com comprovadas reservas sobre a sua integridade e transparência, era por causa de quê? Quando, na mesma senda e durante quarenta anos de governação, alguém andou a dizer que a Agricultura era a base de desenvolvimento mas que na realidade criava orçamentos miseráveis para esse sector, indicava auxiliares de pedreiros para dirigirem o Ministério e levava o resto dos recursos para os meios de repressão e ajudas de custos e mordomias, era por causa de o quê? Todos anos e num inquebrantável ciclo ominoso, ou há cheias devastadoras ou há seca e estiagem avassaladoras. Com tanta água que até mata, não conseguimos reter nem alguns metros cúbicos para irrigar um quadrado. Não pensamos. Quando o governo assiste calmamente a produção nacional a afundar todos os dias sem fazer nada até ao ponto de as pessoas recorrerem ao estrangeiro para importar tomate, cenouras, beterraba, cebolinhas e alface pensa que vamos terminar onde? Quando, igualmente impavido e sereno, o Banco Central deixa que o Dólar e o Rande circulem à vontade no território nacional mais do que faz nos Estados Unidos e na África do Sul, está a espera que isso leve para onde? Quando uma Assembleia da República inteira aprova, de legislatura em legistara, planos quinquenais ou octogenais insipientes e vagos, numa altura em que é imperioso definir acções concretas de desenvolvimento do País, espera-se que terminemos aonde? Por todas estas e mais ineficiências na direcção e gestão dos destinos do País, caimos num abismo. Chamem a isso crise, se quiserem, mas é tudo menos CRISE ECONÓMICA. Isto é CRISE GOVERNATIVA! Má gestão, má governação, corrupção, incompetência, prepotência, nepotismo, apadrinhamentos, favorecimentos, esbanjamentos, exclusão arrogante, falsidade e pretensiosimos estúpidos levaram-nos á quase falência. Quando uma empresa é mal gerida, entra em bancarrota. E estamos a gerir mal o nosso País. Então é natural que afundemos. A crise que enfretamos hoje, está em todos os lados, nos bolos, nos valores morais, nos princípios políticos e patrióticos, na cultura, na educação, na saúde, na economia, nas finanças, na defesa e segurança, nos transportes, em fim, em todos os sectores da nossa vida. Isto, não é crise económica nem financeira e muito menos internacional. É uma gestão falhada da República de Moçambique. Vamos sentar com cabeça fria, identificarmos serenamente o nosso problema e resolvê-lo sem preconceitos nem subterefúgios. Se continuarmos com a política da avestruz, não sairemos daqui com a sanidade necessária.

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