segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A disputa de tratamentos contra o HIV em Moçambique



Na cultura Tsonga, saberes locais e políticas hegemônicas não dialogam na hora de tratar a doença
14/07/2017 15:41
No trabalho que moveu sua dissertação de mestrado, defendida no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFRGS, a pesquisadora Nosta da Graça Mandlate focou-se na etnia Tsonga, de Moçambique, para explorar os conflitos existentes entre as abordagens e os tratamentos do HIV na medicina convencional e na tradicional. “A minha proposta era estudar a doença a partir do meu país, e eu não queria abrir mão de contribuir nesse sentido”, diz a moçambicana, que atualmente reside no Brasil, onde realiza seu doutorado em Antropologia.
Nosta passou oito meses em seu país natal realizando a pesquisa de campo. Acompanhou cerca de 60 pacientes HIV positivo no distrito de Xai-Xai, capital da província de Gaza. Realizou entrevistas individuais e acompanhou os tratamentos tanto na rede tradicional quanto na convencional, observando a relação entre clínicos e pacientes, e conversando com médicos das duas redes. Uma das principais questões levantadas nas entrevistas era se os pacientes em tratamento com antirretrovirais utilizavam, em paralelo, outros medicamentos, possivelmente vindos da medicina tradicional.
Apesar de os pacientes serem alertados de que misturar os tratamentos recebidos na clínica e nas redes de cura é proibido, não há como os médicos monitorarem sua conduta. Por essa razão, Nosta busca ressaltar em seu trabalho a falta de diálogo que existe entre essas correntes e como ela é potencializada, tendo por um lado a hegemonia da medicina convencional e, por outro, as configurações sociais da cultura Tsonga.
“Muitos escritos, ainda hoje, tratam o HIV sob uma lente ocidental, culpando a falta de conhecimento das pessoas sobre o tratamento biomédico [aquele praticado de forma institucionalizada] pelo crescimento da doença”, conta a pesquisadora. Para Nosta, o que esses estudos falham em perceber é que as políticas adotadas pela medicina convencional não são inclusivas, pois deixam de levar em conta a cultura local.
A matéria completa pode ser acessada no UFRGS Ciência.

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