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Moçambique já foi um país bom para se viver. Tinha uma indústria metalo-mecânica invejável e uma agricultura que produzia alimentos para si e exportação. Tem condições agro-climáticas que permitem mais de duas produções por ano. Possui 36 milhões de terra arável e quase 60 rios de água permanente. Tem cinco portos de águas profundas para receber navios de grande calado. A indústria téxtil, de calçado e curtume foi extinta.
A batata, cebola, couve, cenoura e o repolho eram produzidos em grande escala. A laranja, toranja e a banana abundavam. O complexo ferroportuário colocava o país em destaque na região SADC (Comunidade para Desenvolvimento da África Austral).
O que aconteceu para batermos com a testa no no chão? Como chegamos ao descalabro económico? Alguma coisa anda mal.
Devemos ter a suficiente coragem para apontar os erros que foram sendo acumulados na governação do país. Limitar-se a atirar a culpa apenas para a conjuntura internacional é uma fuga para frente. É esquivar-se das responsabilidades. A resposta pode ser encontrada nas políticas perversas seguidas pelos governos da Frelimo e no modo de estar dos detentores do poder. Sempre se pensou que governar um país é fazer comícios populares, à mistura de “viva este” e “abaixo aquele”. Desprezou-se o rigor e a competência foi substituída pela amizade, pelo compadrio, pelo nepotismo e pela camaradagem.
Como resultado destas mazelas, temos hoje, um país em caos político, social e económico. A subida da dívida pública e externa deve-se ao endividamento com a EMATUM, Estrada Circular de Maputo, Ponte sobre Catembe, dos aeroportos de Maputo e Nacala. A construção dos edifícios como o Gabinete da Presidência da República, do Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Procuradoria-Geral da República, do Palácio da Justiça, do Bairro Militar, entre outros, que são empreendimentos sem efeito directo na economia. Os elevados benefícios fiscais às multinacionais são uma calamidade.
O governo da Frelimo não tem coragem para agir de modo contrário à prática que se recorreu para atrair os investidores momentos a seguir a guerra civil. Agora, essas facilidades servem para se obter chorudas comissões e recebimentos debaixo da mesa.
A secundarização da agricultura durante décadas resulta na falta de produção interna. Assim, na falta de produtos alimentares, principalmente nas cidades, que tem que recorrer à importação de tomate, batata, cebola, pimento, couve, etc. Tudo isso poderia muito bem ser produzido localmente, se houvesse vontade política de relançar a economia. Os agricultores precisam de incentivos para se lançarem às machambas, mas isso não acontece porque as políticas governamentais não ajudam. Temos um enorme potencial agrícola que é desperdiçado em nome da economia de mercado, como se isso significasse deixar de produzir.
Como falta tudo porque nada produzimos, temos um bando de violadores de fronteiras à procura de qualquer coisa como de chinelos, fraldas descartáveis, chouriço, queijo, manteiga, uma caixa de fósforos e enlatados, produtos que não produzimos na nossa terra, por nossa culpa. Fomos ensinados que liberdade significa não trabalhar, é esbanjar. Por isso, vemos os nossos governantes a viajarem de aeronaves em classe executiva enquanto os doadores, donos do dinheiro que esbanjam, viajam em classe económica.
O governo é campeão em gastar fundos públicos. Não podemos ficar admirados quando o nosso metical cai em queda livre.

1 comentário:
Os do governo vivem as mil maravilhas,a custa dos nossos impostos. Enquanto a população vive na miséria, o antigo presidente falava na "erradicação da pobreza Absoluta" pelo visto, na verdade ele queria dizer" deixei-me enriquecer " sinceramente é uma vergonha.
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