domingo, 8 de novembro de 2015

O mérito de proibir docentes leccionarem em mais do que uma instituição de ensino superior


Esta a ser difundida a informação segundo a qual o Ministério da Ciencia e Tecnologia, Ensino Superior e Tecnico-Profissional (MCTESTP) vai, a partir do próximo ano, proibir os docentes do ensino superior de leccionarem em mais do que uma instituição. Esta proibição visa garantir qualidade do ensino superior, que tem sido frequentemente questionada por estudantes, docentes, pais, encarregados de educação e empregadores do sector público e privado.
À partida, a proibição do MCTESTP deve ser aplaudida pela sociedade, no geral, pois trata-se de uma acção para alcançar um objectivo nobre, a qualidade. Entretanto, os aplausos não são generalizados, porquanto existem vozes discordantes que ja estão a condenar a proibição ao fracasso, usando o nobre argumento financeiro.
Assim, o debate sobre a proibição do MCTESTP está lançado e reflecte o seguinte dilema: como garantir qualidade do ensino superior, sem afectar negativamente os rendimentos financeiros dos docentes que leccionam em mais do que uma instituição de ensino superior? Como garantir que o docente que lecciona em mais do que uma instituição de ensino superior continue a leccionar, sem prejudicar a qualidade do ensino? Se fizermos um exercício colectivo de bainstorming, teremos várias respostas. Mas, com certeza, o resultado vai colocar, sempre, em destaque, a questão financeira. Isto é, na minha opinião, reflexo do tipo de sociedade capitalista, consumista que, inquestionavelmente, está a crescer no seio da classe média, urbana, em ascensão. Todos queremos viver bem, agora, pois está popularizada a ideia segundo a qual “a vida é urgente”. Por este motivo, é mais facil sacrificar a qualidade para satisfazer interesses financeiros, materiais. 
Portanto, por causa de dinheiro, por interesses particulares, estamos a sacrificar o interesse colectivo. Estamos a sacrificar a qualidade do futuro de uma colectividade chamada, Moçambique.


Problema do “docente turbo”
Os “docentes turbo” estão a contribuir para tornar a actividade docente, no ensino superior, algo disprestigiante. Neste contexto, os “docentes turbo” fazem do ensino superior um local unica e exclusivamente para “dar aulas”. O mais grave de tudo é que o “docente turbo” sabe tudo, pois é capa de “dar aulas” de quatro matérias diferentes em diferentes instituições. Além disso, o “docente turbo” não tem tempo para orientar ou para supervisionar as actividades académicas dos estudantes.
O “docente turbo” não desenvolve pesquisa, não publica e nem tem tempo para a crítica de seus pares. Neste contexto, o “docente turbo” não acrescenta valor na produção de conhecimento, nem contribui para a elevação do rating de qualidade das instituições do ensino superior, muito menos para o rating de qualidade académica de Moçambique. 
O “docente turbo” não tem tempo para investir na sua própria formação académica dentro e fora de Moçambique. este problema acontece, principalmente, com os casos de “docentes turbos” turbos jovens que estão com pressa de iniciar uma nova fase de vida social e como os “docentes turbo” mais velhos que ocupam cargos de chefia e de direcção que não querem ir continuar os seus estudos no exterior para não ficarem longe dos seus bens patrimoniais, nem das suas redes de contacto económico financeiras.


Mérito da proibição de leccionar em mais do que uma instituição de ensino superior
O primeiro grande mérito da medida de proibição de leccinar em mais do que uma instituição de ensino superior está na abertura do debate, pois toca com a questão financeira. Onde a questão financeira está em causa, a predisposição para debate é sempre elevada, sob o risco de se auto-excluir e sofrer prejuizos. Resta saber se o MCTESTP tem infra-estrutura e plena disposição para conduzir o debate de forma permanente, sistemática, abrangente e, acima de tudo, bem estruturado.
A proibição que o MCTESP pretende lançar tem, igualmente, o mérito de promover a qualidade dos docentes, garantir a qualidade das instituições de ensino superior, fortalecer, sobretudo, a qualidade do capital humano e da colectividade. Deste modo, o docente passa a concentrar mais as suas energias e as suas atenções a sua instituição e, principalmente, aos seus estudantes. O docente deixa de passar mais tempo na estrada a sair de uma instituição para outra, o que implica mais segurança, pois passa a expôr-se menos aos riscos de condução, cada vez mais mortífera, para chegar a tempo às aulas.
O docente deixa de ser apenas um simples dador de aulas. O docente passa a ter tempo e obrigatoriedade de se cultivar na pesquisa e na produção de conhecimento para o benefício do desenvolvimento sócio-económico, cultural e político de Moçambique. O próprio docente terá mais tempo para investir na sua própria formação académica no debate crítico entre pares, dentro e fora de Moçambique.
Por último, a medida de proibição de leccionar em mais do que uma instituição de ensino superior vai permitir descobrir os docentes por vocação, dispostos a viver na academia, da academia e para a academia.
Cenários
O MÉRITO da proibição que o MCTESTP está a lançar vai ser subvalorizado, sobretudo pelos “docentes turbo”. Além disso, a condução do debate vai ser influenciada por uma forte carga emocional e paternalista. Neste contexto, as CAUSAS da existência de “docentes turbos” serão fortemente evocadas, o que, por conseguinte, vai desviar o foco no MÉRITO da proibição. As CONSEQUÊNCIAS, principalmente os danos colaterais, da aplicação da proibição que o MCTESP pretende lançar, também vão subvalorizar o MÉRITO.


O MÉRITO da proibição vai ficar apenas na letra, nas intenções. Neste contexto, a proibição vai ser lançada, mas a aplicação prática vai ser irrealistica, a curto e médio prazo, principalmente se a capacidade fiscalizadora e a coragem de sansionar não fôr demonstrada.
Sugestão
A medida proibitiva é uma acção corajosa de investimento na qualidade de ensino, no nível superior, mas não é suficiente para elevar a qualidade do ensino superior em Moçambique. É preciso que se continue a investir na formação académica e psico-pedagógica dos docentes, dentro e fora de Moçambique.


Com efeito, a questão de salário é, de facto, um problema que não deve ser ignorado na aplicação da proibição de leccionar em mais do que uma instituição de ensino superior. Neste sentido, é preciso canalizar muitos recursos financeiros para pesquisa e para desenvolvimento, numa base competitiva. Deste modo, os docentes terão um incentivo para passarem mais tempo a criar e a robustecer propostas de pesquisas para aceder a recursos financeiros.
É preciso elevar as premiações materiais e não materiais (que também custam dinheiro) para servirem de incentivo para os docentes se concentrarem apenas numa instituição de ensino superior. Neste caso, as instituições de ensino superior devem ser capazes de pagar pequenas quantias, mas muitas vezes, por actividades de supervisão e de avaliação de trabalhos de fim de curso de estudantes; e premiar trabalhos de pesquisa académica desenvolvidas pelos docentes.


Contudo, é preciso aprofundar o MÉRITO da proibição de um docente leccionar apenas em uma instituição de ensino superior. Além disso, é preciso analisar, igualmente, o DEMÉRITO desta medida. Para o efeito, é preciso que o MCTESP partilhe com a sociedade as bases empíricas usadas para tomar a decisão de proibir que os docentes leccionem em mais do que uma instituição de ensino superior. É preciso que o MCTESTP mostre evidências de casos similares para fazermos, em conjunto, uma análise comparativa e contextualiada a realidade de Moçambique. neste exercício é preciso que todos nós, em algum momento, assumamos a posição de “advogado do diabo”, de modo a percebermos a d^or do outro lado, em vez de ficarmos presos a nossa dôr (do MCTESTP e do “docente turbo”).
42 people like this.
Comments
Osh Macamo Volto.
Filipe Nhatuguês Eu mudaria o título desta postagem.
Bitone Viage Meu caro Filipe Nhatuguês, não basta apenas pensar em mudar, também é preciso levantar as razões para o efeito.

312 hrs
Leo D. P. Viegas Calton Cadeado penso que o post deveria ser devidamente enquadrado ou reformulado destacando pelo menos as duas faces do mesmo problema (méritos vs deméritos) sob o risco de degenerar num debate pouco produtivo voltado a esclarecimentos.

211 hrsEdited
Latino Mc Latino Meu caro, estou muito satisfeito mas deixe me reflectir sobre este poste, lembrar que estive atento que a quase 6 meses fizeste uma crítica sobre os docentes turbos aqui mesmo nesta plataforma. vamos reflectindo porque mexe connosco

111 hrs
Latino Mc Latino resumindo. VOLTO
Francisco S. Mate Acho que limitar um professor a uma instituição é um erro se olharmos a coisa na prespectiva de que o país possui limitados quadros para as mais de 40 instituicoes de Ensino Superior em Moçambique. Esta limitaçao significa que algumas instituicoes se vao beneficiar dos melhores professores do país e outras, dos piores.O Sistema turbo cria equilibrio, mas exagerado, abre espaço para formacoes sem qualidade. O limite devia ser de duas a tres instituicoes, isso é aceitavel. Não é apenas uma questao financeira mas sim de formaçao equilibrada.

411 hrsEdited
Acacio Chacate Prof. Calton Cadeado a minha pequena experiencia manda me dizer que nao eh a primeira vez que os professores/docentes sao culpados pelos problemas desta sociedade...o problema da qualidade se tem no professor uma das suas causas deve ser das ultimas causas...alias ha muita coisa coisa que acontece no ensino e aprendizagem hoje que os professores sao contra mas nao tem poder de mudar...muita coisa anda mal mas nao por culpa dos professores...o estado e a sociedade distancia se do ensino e pensa se que o professor vai garantir a qualidade...alguns exemplos so do ensino superior: as universidades que populam por ai e atribui diplomas de pouca qualidade quem lhe da licenca quem as supervisiona sao os docentes!? Quem decidiu que curso a tempo inteiro eh igual a curso nocturno ou o chamado pos laboral!? Quem recruta os professores turbos!? Qual eh a diferenca entre o bom e o mau estudante hoje em dia; o que eh feito dos bons!? E dos maus!? Para terminar quantos professores turbos existem e onde estao!? E estamos a dizer que esta futura medida pode ser aplicada de forma uniforme em todo pais!? Acho eu que antes de falarmos de qualidade vamos falar de quantidade: nrs de universidades, vagas, racio professor aluno, tempo lectivo, materiais de apoio, bibliotecas laboratorios...ainda falta muita quantidade para se clamar pela qualidade...

610 hrs
Edgar Barroso Muito bem escrito. Leitura fácil e fluída. Argumentos sólidos. Tal como o ISRI nos deixou como legado. Estou ainda dividido nos posicionamentos, mas seria interessante ler a sensibilidade de um ilustre amigo. Tony Ciprix.

410 hrs
Circle Langa Já o ia chamar, também.
Leo D. P. Viegas Calton Cadeado Uma vez que estamos numa economia de mercado por quê não liberalizarmos efectivamente o ensino superior? Deixar ao cuidado das forças do mercado e com menor intervenção do estado? Sabes que nas universidades britânicas, canadianas, americanas tanto as instituições superiores públicas e privadas disputam no mercado de forma livre para atraírem e recrutarem os melhores professores oferecendo pacotes salariais vantajosos bem como condições de trabalho e pesquisa favoráveis. Para reterem os melhores professores e investigadores as universidades devem alici-a-los constantemente e estes têm opção de ficarem ou optarem pelas melhores ofertas. Se fores de visita a Brandeis de certo alguns dos teus ex-professores não estarão lá. A mesma coisa ocorre do lado dos estudantes. Dependendo da sua situação financeira (recursos pessoais, familiares, bolsas, empréstimos para estudar, etc. ) podem também fazer as suas opções para frequentar o ensino superior tendo por exemplo as seguintes opções: a) optar por uma universidade mais acessível às vezes pública ou privada com ou sem professores altamente qualificados e de renome ; b) optar por uma universidade mais prestigiada com professores altamente qualificados e de renome, mas cara; etc. Isto já está acontecer em alguns dos subsistemas anteriores do ensino (primário e secundário) com alguns pais e encarregados de educação a colocarem os seus filhos na Escola Portuguesa, Escola Internacional, Willow, etc. Claramente notámos que as leis de oferta e procura estão a acontecer nos outros níveis de ensino e não há barulho! Vamos permitir a mobilidade do corpo docente e estudantil alargando a oferta e procura. Problemas de qualidade não se resolvem com decretos, leis, etc. Isso são coisas como se diz aqui para o boi dormir! Fugas para a frente!

210 hrs
Gerson Mechisso E agora, continuar ou não o "turbonismo"?

18 hrsEdited
Bitone Viage Nunca constitui constituiu problema, um docente deixar de ser turbo, pois esta claro que o problema reside na falta da resolução do que torna o professor um turbo.

15 hrsEdited
Júlio Mutisse Ilustre, a fraca qualidade de ensino deve se ao professor turbo?

Condeno a decisão por partir de um pressuposto falso que nem se quer questiona a razão da proliferação dos ditos professores turbo. Pior ainda, nem avalia o que as universidades pagam aos professores (hora disponível medida pela disponibilidade na sala de aula, como se tudo se resumisse a isso). Vamos pensar nosso ensino com seriedade e sem pomadas para dar lustro a podridão.

15 hrs
Júlio Mutisse Os professores primários na sua maioria não são turbos.... mas temos o problema que temos. Vamos atacar os problemas e não as consequências. Dar aulas em mais do que uma escola pode até ser reflexo de competência, afinal (em princípio) só se contratam os bons. 

Não podemos aplaudir medidas como estás que claramente estão a margem do que faz o nosso ensino fraco. Neste caso este ministro devia trabalhar com o da educação e fazerem um caminho comum na busca de soluções... mas isso só seria possível numa realidade de trabalho em equipe que evite a situação actual em que o Governo parece um coro desafinado
Calton Cadeado Ilustre Júlio Mutisse! Concordo com o seu posicionamento! Mas, peco, por favor, que veja o meu alerta, pois nao estou a resumir o problema da educacao ao professor turbo. O que eu estou a fazer eh convida-lo a reflectir sobre o assunto de forma estruturada. Primeiro coloque-se do lado do ministerio. Perceba o merito da ideia. Seja advogado do diabo. nao corra para posicoes defensivas. Depois vamos analisar o demerito! Assim vamos perceber muitas coisas. Leo D. P. Viegas! Concordo contigo. Mas, preferi comecar o debate pelo merito. estou a convidar ao brainstorming estruturado e focalizado. Depois podemos fazer um post so e so dedicado ao demerito da ideia.

23 hrs
Sandra Matusse Docente universitario a leccionar numa unica universidade, penso que devia-se rever o que se paga a um docente. Por outro lado, ha casos em que eu concordo, mas noutros, como de um prof. doutor, por exemplo, porque deve leccionar num so estabelecimento?! Enfim!

23 hrs
Zacarias Tsambe Quando eh que o MCTESPTP, realizou este estudo cujos resultados defeniam "dar aulas em mais de uma Universidade" como o centro de qualidade de educaçao?


Eu acho que tudo devia começar por aqui: fazer-se um levantamento serio dos problemas para que possamos tomar decisoes serias equivalentes a cada problema. Os estudantes que chegam as Universidades hoje, mal sabem escrever seu proprio nome, que o foram aprendendo em 12 anos de carteira (se nao ter havido reprovaçoes). Sera que foram leccionados por Professores turbos la na Escola Secundaria de Majune, Montepuez ou Mandimba?

O MCTESTP questionou este facto ao MEDH sobre porque recebem estudantes "sem qualidade"?

Estes Professores que dao aulas na Universidade de Bolonha, que tem vindo dar aulas nos mestrados em Universidades Moçambicanas tambem serao abrangidos por esta medida?


22 hrsEdited
Júlio Mutisse Calton não consigo ver mérito nessa decisão companheiro. É um disparate como pagar 5mt de notário por POS. A qualidade do ensino passa, em grande medida, pelo professor sim mas ele não é o único factor. Essa medida apenas contorna o grande trabalho que o Ministério não quer fazer com auxílio de outros sectores. Repensar a educação como um todo. Penaliza, aos olhos da sociedade, o professor como causa da má qualidade quando há outros factores a considerar e que nunca se consideram. 

Esta medida pode ser bem vinda depois de se considerarem os demais factores e depois de o próprio ministério avaliar o que significa ser professor universitário e como é que isso é exercido aqui. Antes disso é mais um disparate.
Borges Nhamirre Parabéns Professor Calton pelo texto brilhante, discutindo o centro do problema.

Concordo que é fundamental acabar com a “turbodocência”. Tive a sorte de estudar em duas universidades públicas. Se no ISRI o fenómeno turbo não me afectou tanto, na outra universidade, muitos dos docentes regentes das cadeiras sequer aparecem. Jovens assistentes é que asseguram aulas, enquanto os docentes experientes priorizam o ISCTEM, A Politécnica, ISTEG, onde se paga melhor e há mais controlo da presença do docente.
Mas é claro que a eliminação da “turbodocência” deve ser acompanhada, como o Professor bem disse, da fiscalização e da devida compensação financeira. Afinal é legítimo o anseio dos jovens docentes de ganhar o mesmo que os seus antigos colegas da universidade foram ganhar noutros sectores. 
Obrigado pelo texto. Aprendi.


11 hr
Borges Nhamirre E você Júlio acha que este companheiro aqui abaixo eh mesmo docente nestas três universidades, sendo apenas licenciado? Haja corragem de assumir o problema. Este, tal como tantos outros são "biscateiros" nas universidades.
Júlio Mutisse Borges eu não concordo com o turboprofessorado mas, a nossa educação e o ensino superior em particular, não podem de forma nenhuma ser abordadas com leviandade assim. O problema é mais profundo e ultrapassa a boa vontade dos docentes. Não são só os professores que causam a má qualidade. e os outros factores? Quem os aborda? De que forma.

Meu governo parece um maestro a reger uma orquestra de costas para essa orquestra, virado para o público. Só que esse público anda informado, já não se contenta com incentivos aos aplausos.
Calton Cadeado Borges Nhamirre, my friend! Uma das coisas super boas que o antigo Reitor do ISRI, Patricio Jose, fez eh o combate ao turbismo. Por esse motivo nao sentiste! Quanto ao amigo Júlio Mutisse, devo dizer que eu tambem nao sou adepto de factor unico. E, sobre esta materia, o debate esta so a comecar com novos condimentos. Ainda ha espaco para aprofundarmos os todos lados da moeda! Entretanto, acho estranho que nao veja nenhum merito na decisao. Esforce-se para se colocar como advogado do diabo. Depois vamos comvidar o ministerio para se colocar, igualmente, na posicao de advogado do diabo, de modo a ver o demerito da proibicao. Eh apenas um exercicio para o debate. Aquele abraco

124 mins
Dércio Alfazema O problema do ensino superior tem muitas pontas. A qualidade estudantes que frequentam a universidade hoje, mesmo que os docentes sejam cientistas a tempo inteiro o problema não vai ficar resolvido. Esta medida vai ser penosa para os docentes a tempo inteiro. Os de tempo parcial vão continuar a receber no Ministerio, banco, ONG, etc e a dar aulas para um extra na universidade. Mais do que uma medida administrativa, o Ministerio deve encomendar uma pesquisa, lançar um amplo debate para aprofundar as raizes do problema. Carece de uma análise mais profunda do problema e uma análise das diferentes opções. No ensino temos estudantes, professores, a instituição de ensino, politicas que norteiam o funcionamento das instituições de ensino, politicas internas, etc.
Calton Cadeado Dércio Alfazema! Nos somos especialistas em identificar problemas. Passamos a vida a fazer estudos para identificar os mesmos problemas. Os outros, de outros cantos do mundo, sao especialistas em produzir e experimentar solucoes. Agora que temos uma solucao para ser experimentada estamos, a partida, a condena-la ao fracasso, sem, sequer, pararmos para ver o merito. Coloque-se como advogado do diabo e veja o outro lado da moeda. Depois convide o ministerio a ser advogado do diabo da sua propria proposta. Por ultimo, meu caro amigo, eu concordo consigo que este assunto mexe com muitas coisas. Concordo consigo que ha muitos outros factores associados. Alias, no meu texto ja adianto algumas. Mas, por agora, o foco eh ver o merito. Depois vou ver o demerito...!
Dércio Alfazema E de onde vem as soluções que os outros estão a implementar? Eu não acho que o problema da qualidade do ensino superior vai ser resolvida por medidas isoladas como esta. Alias, tenho duvidas que isto possa trazer algum resultado na solução do problema. Gostei do texto, esta muito bom mas não concordo que para a academia sejam tomadas medidas sem fundamento.

Sem comentários: