Lama arrastou carros e caminhões, encobriu casas da região e deixou moradores ilhados
HELOÍSA MENDONÇA São Paulo 6 NOV 2015 - 20:06 BRST
Após rompimento de barragem, lama inundou casas da região. / REPRODUÇÃOTV GLOBO
O rompimento de duas barragens da mineradora Samarco no distrito de Bento Rodrigues, entre a cidade de Mariana e Ouro Preto, na região central de Minas Gerais, deixou, nesta quinta-feira, um cenário de destruição na região. A lama arrastou caminhões, encobriu casas e deixou pessoas soterradas e ilhadas, segundo relatos de moradores ao Corpo de Bombeiros de Ouro Preto. Existe a possibilidade de que tremores de terra de baixa intensidade ocorridos pouco antes do rompimento tenham provocado a tragédia, segundo a imprensa. Jornais locais informaram que a mina não possuía uma sirene para alertar os moradores do entorno em caso de acidente, o que pode ter atrasado a evacuação da população.
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Até o momento existe apenas uma morte confirmada no acidente que devastou o distrito de Bento Rodrigues, que possui cerca de 600 habitantes e aproximadamente 200 casas. O Corpo de Bombeiros de MG chegou a confirmar uma segunda morte na sexta mas depois voltou atrás. O corpo informou também que quatro feridos (um homem, uma mulher e duas crianças) foram resgatados e levados ao Hospital João XXIII. A corporação confirmou ainda que 13 pessoas estão desaparecidas. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Mariana (Metabase), entre 15 e 16 pessoas teriam morrido e 45 estão desaparecidas. Cifras variadas de vítimas eram citadas na imprensa local.
Ao menos 500 sobreviventes foram resgatados pelos Bombeiros e passaram por um "processo de descontaminação de ferro com água e sabão". Em nota, no entanto, a Samarco afirmou que o rejeito de minério de ferro é composto em sua maior parte de areia e não apresenta nenhum elemento químico que seja danoso à saúde. Um químico que estudou a barragem afirmou ao EL PAÍS que os resíduos não oferecem riscos. O Hospital Monsenhor Horta, de Mariana, está recebendo os feridos.
O secretário de Defesa Social de Mariana, Brás Azevedo, disse ao siteG1 que a situação é muito grave e há riscos de desmoronamentos. Na noite desta quinta, a lama também já tinha atingido o distrito de Paracatu de Baixo e destruído ao menos 30 casas, segundo informações da Guarda Municipal de Mariana. Nesta manhã, a enxurrada já tinha chegado à Barra Longa, cidade a 70km do povoado de Bento Rodrigues.
O acidente ocorreu por volta das 15h30 desta quinta na Barragem do Fundão e na de Santarém que pertencem à mineradora Samarco e ficam a 25 km do centro de Mariana e a 100 km de Belo Horizonte. Em nota, a empresa, uma joint venture da Vale com a australiana BHP, confirmou primeiramente, o rompimento ocorrido em apenas uma barragem na mina Germano. À noite, o diretor-presidente da empresa, Ricardo Vescovi, informou através de um vídeo publicado na página da empresa no Facebook que havia uma segunda barragem rompida, a de Santarém. “A organização está mobilizando todos os esforços para priorizar o atendimento às pessoas e a mitigação de danos ao meio ambiente”, afirmou. A Samarco afirmou ainda que não é possível, neste momento, confirmar as causas e extensão do ocorrido, bem como a existência de vítimas. A Samarco produz principalmente pelotas de minério de ferro, cerca de 30 milhões de toneladas anuais, segundo informação do site da empresa.
Tanto a empresa como a prefeitura de Mariana pediram que as pessoas deixem o local e “que não haja deslocamentos de pessoas para o local do ocorrido, exceto as equipes envolvidas no atendimento de emergência”. O Ministério Público de Minas Gerais instaurou inquérito na tarde de quinta-feira para investigar as causas e responsabilidades no rompimento da barragem.
Na manhã desta sexta-feira, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, sobrevoou a área afetada pelo desastre e se reuniu com funcionários da Samarco e diversas autoridades, segundo a assessoria do governo do Estado.
A mineradora afirmou que o conjunto de barragens no município de Mariana, em Minas Gerais, foi alvo de fiscalização em julho deste ano e encontrava-se em "total condição de segurança". Segundo comunicado da Samarco, todas as barragens possuem Licenças de Operação concedidas pela Superintendência Regional de Regularização Ambiental (SUPRAM). Ainda de acordo com o comunicado, a "Samarco também realiza inspeções próprias, conforme Lei Federal de Segurança de Barragens, e conta com equipe de operação em turno de 24 horas para manutenção e identificação, de forma imediata, de qualquer anormalidade".
Abrigo e doações
Em Mariana, a prefeitura preparou o ginásio esportivo Arena Mariana e um colégio para os desabrigados. A defesa Civil municipal pede para que voluntários não doem mais colchões, cobertores e roupas, já que há um grande volume deste tipo de material. Segundo a prefeitura da cidade, a prioridade agora é a doação de materiais para uso pessoal, como escova de dentes, toalhas de banho e, também, água potável. Para doações fora do município, a prefeitura disponibilizou dados de sua sua conta bancária para quem quiser contribuir com doações em dinheiro: Prefeitura Municipal de Mariana / Banco do Brasil/ Agência 2279-9/ CC 10.000-5.
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