quarta-feira, 4 de maio de 2016

Abramos olho para sermos plenamente soberanos



Joaquim Chissano aceitou engolir todos os sapos que lhe obrigaram a engolir para terminar com a guerra de desestabilização. A guerra terminou só quando fingimos que aceitamos viver num ciclo da dependência do capital ocidental, para serem os donos desse capital a ditar como devemos viver. Numa palavra, ficamos em paz em troca da nossa soberania. Foi necessário aceitar isto para encurtar o sofrimento do povo moçambicano.
Armando Guebuza (Presidente da República), Filipe Nyusi (Ministro da Defesa Nacional), Aberto Mondlane (Ministro do Interior), Gregório Leão (Director-Geral do SISE) e Manuel Chang (Ministro das Finanças) urdiram um plano para a recuperação da soberania de Moçambique. Eles decidiram ignoraram as regras do Fundo Monetário Internacional (FMI) e contrair empréstimos financeiros no mercado paralelo de capitais para o apetrechamento das forças de defesa e segurança, e criar empresas para assegurar a protecção e defesa da costa e águas marítimas moçambicanas de forma sustentável. Isto foi feito assim:
Empresa 1 smile emoticon EMATUM)
Actividade(s): Pescar atum e fazer vigilância.
Empresa 2 ( = Proindicus)
Actividade(s): Prestar serviços de protecção para a Empresa 1, as plataformas de exploração de hidrocarbonetos e outras embarcações nas águas marítimas moçambicanas.
Empresa 2 (MAM)
Actividades(s): Prestar serviços de assistência técnica às empresas 1 e 2 (acima) e outras empresas operando nas águas marítimas moçambicanas.
A criação destas empresas visava principalmente assegurar que os empreendimentos económicos estrangeiros que operam nas águas marítimas moçambicanas exportassem apenas os seus lucros e o dinheiro para o pagamento dos custos operacionais ficasse retido em Moçambique. Ideal genial, por fazer o país ganhar mais com a exploração dos seus recursos offshore!
Quando o FMI tomou conhecimento disto não gostou, porque uma das funções suas funções é gerar oportunidades de negócios para as companhias empresariais ocidentais. Esta é, aliás, a razão por detrás da exigência para a liberalização dos mercados nos países que recebem o financiamento do FMI. Claramente, a criação das empresas 1, 2 e 3 indicadas acima fecha ou diminui oportunidades de negócio para as companhias empresariais estrangeiras nas águas marítimas moçambicanas e isto é motivo bastante para o FMI não colocar dinheiro em Moçambique, contanto que não cumprirá com um dos mais importantes objectivos do empréstimo a dar a este país, nomeadamente abrir oportunidades de negócios para as companhias empresariais ocidentais que permitam a exportação do grosso do capital investido no país recebedor do "empréstimo" de volta para a origem dos investimentos.
Deste modo, os países que recebem empréstimos do FMI não podem desenvolver indústria local e vivem de vender os seus recursos naturais em bruto e ao preço determinado pelos mercados ocidentais. É isto que Armando Guebuza e o seu "team" projectavam evitar que continuasse a partir de algum momento lá no futuro. Um bom sonho, de dúvidas, mas que poucos de nós entendemos bem, preferindo ficar na preferia do desenvolvimento. É lógico que cada um deles deve ter tido a tentação de sair com ganhos individuais desta brilhante iniciativa. Mas isso não faria o povo moçambicano pobre. Antes pelo contrário, Moçambique ia produzir alguns ricos entre os seus filhos. Isso está "Ok"! Não vejo como possamos ficar todos ricos ao mesmo tempo. Do mesmo modo, não vejo razão para que aceitemos ser todos pobres.
Vamos abrir o olho e sermos sensatos. O barulho sobre a dívida oculta, que divide a nossa opinião pública, não tem razão de ser como está sendo. Alguém urdiu isto para nos dividir e nos pôr a brigar entre nós. Enquanto brigamos, não prestamos atenção ao facto de que a nossa soberania está a ser usurpada por quem nos divide e nos põe a brigar.
Não me vou cansar de repetir isto para tu que me lês. Agora volta a apreciar aquele meu diagrama, a ver se compreendes e apreendes a mensagem que ele veicula. Se não abres olho, nunca serás plenamente soberano.
Abraço.
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8 comments
Comments
Ali Juhute Não entendi porque diz que as empresas visavam? AFINAL NÃO VISAM FAZER O TRABALHO PELO QUAL FORAM CRIADAS?
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Rafael Mandlate Lamentável pois eu analisei isto apesar de pouco enteder de economia. Mas sempre tive o estinto de dizer que e criação destas empresas visava salvaguardar o benefício para o nosso país. E isso directo ou indirectamente daria altos benefícios aos filhos deste terra amada. Pena que somos poucos que vamos isto.
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Frederico Pereira afinal? essas empresas cusatm 2.2 bilioes ?
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Frederico Pereira grande gestor, e nao dao lucro????
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Rafael Mandlate Olha o que havia sido projectado nao Sei certo mas que era um grande negócio isso sim era
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Raúl Nhagumbe E tendo se gasto o dinheiro a EMATUM ja esta a pescar?
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Sergio Rafael O FMI o FMI....sob ponto de Vista mercantilista estamos feitos ao bife
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Josue Mucauro Na visão de Senhor prof quer dizer que as empresa era interligadas? Se eram vou ter de ficar triste, pois se ematum for fiasco, pela interligação as duas outras serão também fiascos. Pessoalmente acho que o mal está feito, agora temos de aranjar solução... Uma delas seria vender ou devolver uma parte dos materiais adquirido

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