sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Indústria de 60 milhões deixa de produzir


MOÇAMBIQUE


Na província de Gaza, no sul de Moçambique, um complexo agroindustrial que custou 60 milhões de dólares deixou de produzir. O complexo foi inaugurado há dois anos e já mostra sinais exteriores de degradação.
Mosambik Agro-Industrial Complex Chókwè (DW/C. Matsinhe)
Unidade industrial visa processar e conservar os cereais e hortícolas no vale do Limpopo e arredores
O complexo milionário não tem matérias-primas suficientes e os custos de produção são grandes, por isso um analista moçambicano avisa: em tempos de crise, fazer grandes projetos não chega. É preciso que esses projetos tenham futuro e sejam rentáveis.
O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, inaugurou o Complexo Agro-Industrial de Chókwè (CAIC), em abril de 2015, com pompa e circunstância. Na província de Gaza, Filipe Nyusi cortou uma fita vermelha gigante junto ao complexo e destapou a placa de inauguração ao lado do embaixador da China, porque o CAIC é um financiamento chinês.
Problemas desde a inauguração
Mosambik Agro-Industrial Complex Chókwè (DW/C. Matsinhe)
O complexo agroindustrial só funcionou a 12% da sua capacidade. Esperava-se que os parceiros indianos investissem na agricultura na região, para fornecer os produtos necessários para o complexo funcionar: arroz, tomates e castanha de caju. Porém, segundo o diretor da fábrica, Mamed Abacar, os investidores nunca mais apareceram e o CAIC ficou sem matéria-prima.
"Eles tinham dois modelos desenhados: um de fomento e outro modelo de produção própria. No fim das contas os parceiros nunca apareceram, então os gestores da fábrica foram obrigados a procurar alternativas para poder gerir a fábrica", explica o diretor.
A alternativa, segundo Mamed, foi investir diretamente na produção das matérias-primas, mas a colheita ficou aquém do que se esperava, por causa da seca. Além disso, o complexo tinha de importar embalagens de África do Sul, o que encarecia os custos de produção.
Grandes projetos são erros comuns
Agora, o complexo agroindustrial deixou de produzir. As despesas – por exemplo, com funcionários e energia elétrica – atingem os 180 mil meticais por mês (cerca de 2.500 euros).
 
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Indústria de 60 milhões deixa de produzir

O CAIC tornou-se um fardo para o Estado, pois a maioria das participações no complexo são do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE).
Este não é um caso único, diz Carlos Mhula, um analista na província de Gaza. Mhula comenta que, em Moçambique, há uma tendência para repetir erros ao conceber grandes projetos. "Ainda continuamos a montar complexos, ao invés de os complexos se montarem. Esse é um erro repetitivo que nós temos tido", afirma Carlos Mhula.
Segundo o analista, "primeiro, é preciso ter uma produção intensiva dos cereais, para depois usar os recursos existentes, e só depois se constrói uma infraestrutura".
O analista aponta, a título de exemplo, o Centro de Investigação e Transferência de Tecnologias Agrárias, no distrito de Mandlakazi, no sul de Moçambique, e o futuro aeroporto de Chongoene, em projeção – projetos que, segundo Carlos Mhula, vão trazer ao Estado mais despesas do que lucros.

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