domingo, 13 de dezembro de 2015

Moçambique deve apostar numa planificação mais racional dos investimentos públicos

OFundo Monetário Internacional (FMI) qualifica como inevitáveis reformas estruturais visando conter os perigos que se apresentam à economia moçambicana, apesar de considerar conjunturais as actuais dificuldades. A necessidade de alterações de fundo na economia moçambicana foi defendida pelo representante do FMI em Moçambique, Alex Segura, durante a recente apresentação do relató- rio da entidade “Lidando com nuvens negras”. De acordo com Segura, o país terá de embarcar num pacote de reformas fiscais e abrandamento na concessão de crédito, para enfrentar a acentuada desaceleração do metical, baixa de preços das matérias-primas e retracção da procura chinesa. Pautar por um endividamento sustentável, uma inflação moderada e estabilização do metical são algumas das acções a ter em conta pelas autoridades moçambicanas. Para Alex Segura, Moçambique deve apostar numa planificação mais racional dos investimentos públicos, reforço da capacidade de análise do risco fiscal, diversificação da economia, gestão da dívida e redução das importações. Apesar de ainda estar num patamar sustentável, prosseguiu Alex Segura, a dívida de Moçambique tem vindo a aumentar e pode atingir níveis de risco elevado, dado que parte do stock da dívida está denominada em dólares. O representante do FMI saudou as recentes medidas implementadas pelo Banco de Moçambique, nomeadamente o aumento das taxas de juro, considerando que essas decisões se impunham como forma de estancar a espiral inflacionista. “A depreciação do metical, como outras moedas da África subsariana, era necessária como instrumento para gerir este choque externo, mas no caso moçambicano atingiu níveis excessivamente elevados quando ultrapassou a barreira dos 45 meticais para um dólar”, frisou Alex Segura. Para o FMI, com base nos resultados do relatório “Lidando com nuvens negras”, Moçambique posiciona-se como uma economia de rápido crescimento, com um Produto Interno Bruto (PIB) superior a 6%. A inflação é ainda moderada, apesar de uma pressão sobre os preços projectada para os próximos meses, enquanto o fluxo de divisas no país decresceu substancialmente, o que significa que há menos dólares a entrar e uma forte redução das reservas internacionais líquidas. No entendimento do FMI, as dificuldades que assolam a economia moçambicana têm um carácter provisório e as perspectivas de médio prazo são encorajadoras. O oxigénio que poderá vir do gás Nas previsões daquela entidade internacional, a economia do país voltará a ser catapultada com o início do desenvolvimento dos projectos de gás da bacia do Rovuma. Num outro desenvolvimento, o representante do FMI considerou que o Orçamento do Estado (OE) 2016 terá de ser sujeito a modificações, para acomodar a revisão em baixa do PIB. “Algum ajuste será necessário no Orçamento do Estado, para rever parâmetros macro-econó- micos e níveis de despesa pública”, afirmou Alexa Segura. A posição do FMI surge após a organização ter baixado o PIB para 6,3% contra 7% defendidos pelo Governo, que no início do ano previu um crescimento económico de 7,5%. “Quando se preparou o orçamento, a conjuntura era diferente, mais positiva”, observou Alex Segura. O relatório “Lidando com nuvens negra”s destaca que a África Subsariana entrou num ciclo de abrandamento, depois de mais de uma década de crescimento consistente, apesar de o cenário de declínio não ser uniforme ao longo do sub-continente. “Alguns países foram negativamente afectados pela queda de preços das suas principais matérias-primas de exportação. Países exportadores de petróleo, incluindo Nigéria e Angola, foram duramente atingidos por uma baixa nas receitas e pelos ajustamentos fiscais infligidos pela conjuntura”, diz o documento. Países de rendimento médio como o Gana e a África do Sul e a Zâmbia também enfrentam condições desfavoráveis, realça a análise do FMI. Contanto que a actividade económica tenha arrefecido, a África Subsariana vai registar este ano um do mais altos crescimentos económicos entre Moçambique precisa de reformas estruturais – alerta FMI as economias emergentes, com cerca de 3% este ano e 4% em 2016, estima aquela instituição. A análise observa que os elevados níveis de integração do comércio na região não se traduziram numa melhoria substantiva da balança comercial da África Subsariana com o mundo. Para manter a sustentabilidade do seu crescimento económico, a África Subsariana vai ter de reduzir a dependência em rela- ção às matérias-primas, focar-se na sofisticação das suas exportações e promover a integração na cadeia de valor global. (Por Ricardo Mudaukane)

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