OFundo Monetário
Internacional (FMI)
qualifica como inevitáveis
reformas estruturais
visando conter os perigos
que se apresentam à economia
moçambicana, apesar de considerar
conjunturais as actuais
dificuldades.
A necessidade de alterações de
fundo na economia moçambicana
foi defendida pelo representante
do FMI em Moçambique,
Alex Segura, durante a
recente apresentação do relató-
rio da entidade “Lidando com
nuvens negras”.
De acordo com Segura, o país
terá de embarcar num pacote
de reformas fiscais e abrandamento
na concessão de crédito,
para enfrentar a acentuada
desaceleração do metical, baixa
de preços das matérias-primas
e retracção da procura chinesa.
Pautar por um endividamento
sustentável, uma inflação moderada
e estabilização do metical
são algumas das acções a
ter em conta pelas autoridades
moçambicanas.
Para Alex Segura, Moçambique
deve apostar numa planificação
mais racional dos investimentos
públicos, reforço da capacidade
de análise do risco fiscal, diversificação
da economia, gestão
da dívida e redução das importações.
Apesar de ainda estar num patamar
sustentável, prosseguiu
Alex Segura, a dívida de Moçambique tem vindo a aumentar
e pode atingir níveis de risco
elevado, dado que parte do stock
da dívida está denominada
em dólares.
O representante do FMI saudou
as recentes medidas implementadas
pelo Banco de
Moçambique, nomeadamente
o aumento das taxas de juro,
considerando que essas decisões
se impunham como forma de
estancar a espiral inflacionista.
“A depreciação do metical,
como outras moedas da África
subsariana, era necessária como
instrumento para gerir este
choque externo, mas no caso
moçambicano atingiu níveis
excessivamente elevados quando
ultrapassou a barreira dos 45
meticais para um dólar”, frisou
Alex Segura.
Para o FMI, com base nos resultados
do relatório “Lidando
com nuvens negras”, Moçambique
posiciona-se como uma
economia de rápido crescimento,
com um Produto Interno
Bruto (PIB) superior a 6%.
A inflação é ainda moderada,
apesar de uma pressão sobre os
preços projectada para os próximos
meses, enquanto o fluxo de
divisas no país decresceu substancialmente,
o que significa
que há menos dólares a entrar e
uma forte redução das reservas
internacionais líquidas.
No entendimento do FMI, as
dificuldades que assolam a economia
moçambicana têm um
carácter provisório e as perspectivas
de médio prazo são encorajadoras.
O oxigénio que poderá vir
do gás
Nas previsões daquela entidade
internacional, a economia do
país voltará a ser catapultada
com o início do desenvolvimento
dos projectos de gás da
bacia do Rovuma.
Num outro desenvolvimento, o
representante do FMI considerou
que o Orçamento do Estado
(OE) 2016 terá de ser sujeito
a modificações, para acomodar
a revisão em baixa do PIB.
“Algum ajuste será necessário
no Orçamento do Estado, para
rever parâmetros macro-econó-
micos e níveis de despesa pública”,
afirmou Alexa Segura.
A posição do FMI surge após a
organização ter baixado o PIB
para 6,3% contra 7% defendidos
pelo Governo, que no início
do ano previu um crescimento
económico de 7,5%.
“Quando se preparou o orçamento,
a conjuntura era diferente,
mais positiva”, observou
Alex Segura.
O relatório “Lidando com nuvens
negra”s destaca que a África
Subsariana entrou num ciclo
de abrandamento, depois de
mais de uma década de crescimento
consistente, apesar de
o cenário de declínio não ser
uniforme ao longo do sub-continente.
“Alguns países foram negativamente
afectados pela queda
de preços das suas principais
matérias-primas de exportação.
Países exportadores de petróleo,
incluindo Nigéria e Angola, foram
duramente atingidos por
uma baixa nas receitas e pelos
ajustamentos fiscais infligidos
pela conjuntura”, diz o documento.
Países de rendimento médio
como o Gana e a África do Sul
e a Zâmbia também enfrentam
condições desfavoráveis, realça
a análise do FMI.
Contanto que a actividade
económica tenha arrefecido,
a África Subsariana vai registar
este ano um do mais altos
crescimentos económicos entre
Moçambique precisa de reformas estruturais
– alerta FMI
as economias emergentes, com
cerca de 3% este ano e 4% em
2016, estima aquela instituição.
A análise observa que os elevados
níveis de integração do comércio
na região não se traduziram
numa melhoria substantiva
da balança comercial da África
Subsariana com o mundo.
Para manter a sustentabilidade
do seu crescimento económico,
a África Subsariana vai ter de
reduzir a dependência em rela-
ção às matérias-primas, focar-se
na sofisticação das suas exportações
e promover a integração
na cadeia de valor global.
(Por Ricardo Mudaukane)
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