Lapso do Presidente da República provocou confusão em relação aos exemplos que Cavaco pretendeu utilizar para mostrar que o País já viveu com governos de gestão.
A Presidência da República esclareceu hoje que Cavaco Silva, ao apontar crises políticas anteriores em que outros Governos ficaram em gestão, se referia a situações ocorridas em 1987 e 2011.
Questionado se não considera urgente que decida sobre a crise política, o chefe de Estado recomendou hoje, na Madeira, que se verifique o que aconteceu em casos anteriores: "Vá ver nos dois casos de crises anteriores que aconteceram - um foi em 1987 e um em 2009 [sic] - quantos dias esteve o Governo em gestão, o que é que fez o Presidente da República de então e quais foram as medidas importantes que esse Governo de gestão teve que tomar".
Num primeiro momento, fontes de Belém esclareceram que o Presidente da República se referia, além do caso de 1987, ao Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Santana Lopes, tendo, por lapso, referido 2009 e não 2004.
No entanto, as mesmas fontes retificaram, ao final da tarde, que Cavaco Silva se referia, afinal, a 2011, quando o então primeiro-ministro socialista José Sócrates se demitiu.
Em 2011, José Sócrates apresenta a sua demissão a 23 de março, aceite 10 dias depois pelo Presidente da República, Cavaco Silva. A 7 de abril, o chefe de Estado anuncia a dissolução do parlamento e marca eleições antecipadas para 5 de junho. A 21 de junho, o Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho toma posse.
Em 1987, o X Governo Constitucional, liderado pelo então primeiro-ministro Cavaco Silva, foi derrubado a 03 de abril com a aprovação de uma moção de censura ao Governo apresentada pelo PRD.
O XI Governo Constitucional, também liderado por Cavaco Silva, tomou posse cerca de quatro meses e meio depois, a 17 de Agosto. As eleições legislativas antecipadas aconteceram a 18 de Julho. O executivo entrou em plenitude de funções 28 de Agosto, depois do debate do programa de Governo na Assembleia da República.
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