terça-feira, 25 de outubro de 2016

Rafik Sidat irá processar Semedo por calúnia e difamação


Dirigentes fez uma exposição à LMF
Rafik Sidat, Presidente da Liga Desportiva de Maputo, vai processar criminalmente Artur Semedo, treinador da União Desportiva do Songo, por calúnia e difamação.

Artur Semedo disse, ontem, que o campeão nacional de futebol é decidido pelos irmãos Rafik Sidat e Shafee Sidat. 

24 horas depois das declarações de Artur Semedo, Rafik Sidat fez uma exposição à Liga Moçambicana de Futebol (LMF), organismo que gere o Moçambola, na qual informa que irá apresentar uma denúncia contra o técnico pela prática, em autoria moral, de um crime de difamação agravada de calúnia.

Na carta, a qual deu entrada igualmente no Ministério da Juventude e Desporto, Sidat apela ainda à Liga Moçambicana de Futebol a instaurar um processo disciplinar a Artur Semedo e a puni-lo exemplarmente. Pois, refere Sidat na exposição, que passamos a citar, “concluímos que o senhor Artur Semedo, sabendo que o que dizia não corresponde a verdade, imputou um facto ao signatário, ofensivo da sua honra e consideração”.

Num outro ponto, Sidat refere: “o senhor Artur Semedo actuou de forma livre, voluntária, deliberada e consciente, bem sabendo que a sua supra descrita conduta era proibida e punida por lei e regulamentação. Atento todo o sobredito, verificamos que se encontram preenchidos todos elementos (objectivo e subjectivo) do ilícito penal e disciplinar”.

Rafik recorda, igualmente na exposição, que “nos termos legais comete o crime de difamação e calúnia quem dirigindo-se a terceiro, imputar a outra pessoa, mesmo sob a forma de suspeita, um facto ou formular sobre ela um juízo, ofensivos da sua honra e consideração ou reproduzir uma tal imputação de juízo”.

Acrescenta Sidat: “se a ofensa for praticada através de meios ou em circunstâncias que facilitem a sua divulgação, neste caso através de rádios e televisões com público nacional e internacional as penas devem ser ainda mais agravadas”.

Numa outra passagem da carta, Rafik Sidat refere que: “por todo o exposto, o signatário sugere que seja instaurado procedimento disciplinar contra o senhor Artur Semedo para que este tenha oportunidade de cabalmente demostrar que o que afirmou é verdadeiro e, não conseguindo, deverá ser punido com pena exemplar”. 

   “São pronunciamentos graves que colocam em causa o esforço de empresas públicas”, Ananias Couana


Presidente da Liga Moçambicana de Futebol reagia às declarações de Artur Semedo

O presidente da Liga Moçambicana de Futebol, Ananias Couana, diz que os pronunciamentos de Artur Semedo são “muito graves”, na medida em que não afectam apenas Rafik e Shaffe Sidat, mas o desporto moçambicano no geral. Couna refere, ainda, que as declarações do treinador da União Desportiva do Songo afectam “todo o esforço que é feito ao nível das empresas públicas em Moçambique, assim como aquilo que os clubes têm feito para competir”.
Cauteloso, o número um da Liga Moçambicana de Futebol é da opinião que Artur Semedo deve, para já, provar o que disse no final do encontro entre a União Desportiva do Songo e o Ferroviário da Beira, embate que terminou com a vitória da segunda formação por um a zero. “Agora, ele tem de provar  que estas duas pessoas – Rafik e Shaffee Sidat – é que controlam o futebol em Moçambique”, desafiou Couna.

O dirigente recordou, por outro lado, que existe um órgão competente, o Conselho de Disciplina da Liga Moçambicana de Futebol, que irá analisar o caso. “O que está claro é que o nosso regulamento é regulado. Portanto, os pronunciamentos contra os dirigentes desportivos e árbitros estão regulados. Já se sabe o que deve ser feito”. 

Quando questionado sobre as penalizações previstas no caso de pronunciamentos que vão contra o regulado pelo Conselho de Disciplina da Liga Moçambicana de Futebol, Ananias Couna pronunciou-se nos seguintes termos: “Estão previstas várias penalizações, que vão desde o pagamento de uma multa, suspensão até mesmo ao banimento”.

Recuando no tempo, Ananias Couna lembrou que “alguns treinadores foram banidos do futebol”. Disse, igualmente, que “já tivemos jogadores que foram banidos do futebol. Nós temos que nos comportar como desportistas”.

De recordar que, na passada quinta-feira, o presidente da Liga Moçambicana de Futebol apelou a todos os intervenientes da 29ª jornada do Moçambola a pautarem por fair-play, civismo e imparcialidade. “Nós sabemos que esta jornada reserva-nos jogos importantes, que decidem muita coisa. O nosso apelo aos desportistas é no sentido de os mesmos olharem para o futebol como uma festa e campo de fair-play e civismo”, apelou, na altura, Ananias Couana.

   O que disse Artur Semedo no passado sobre os mesmos dirigentes desportivos?

Semedo disse, em 2012, que teve todo o apoio de Rafik Sidat na então Liga Muçulmana, equipa com a qual foi campeã nacional
Em 2012, após a sua saída da então Liga Muçulmana de Maputo, Semedo disse, no programa Grande Entrevista da Stv, que apenas Rafik Sidat, a quem hoje acusa de ser o “dono do futebol”, era um dos únicos que o apoiavam enquanto técnico do clube.
Semedo disse, ainda, que havia respondido apenas ao convite pessoal de Rafik Sidat para treinar o clube na altura. “Foram dois anos e meio de ligação à Liga, a convite do presidente do clube. Na verdade, o apoio a minha pessoa estava apenas vinculado ao presidente do clube e, eventualmente, ao Sheik Cássimo David”, disse na referida entrevista.

Ainda assim, Semedo apontava Zuneid Sidat e Shaffee Sidat como as pessoas que interferiam no seu trabalho, facto que tinha contribuído para o seu afastamento do comando técnico da então equipa “muçulmana”. O agora técnico da União Desportiva de Songo dizia serem pessoas que tinham cumplicidade com o clube, ou seja, “ligação afectiva ao clube”. E justificava a sua posição com o facto de achar que “não fosse uma pessoa grata, simpática para essas duas pessoas, desde o início” da sua ligação com a Liga (Muçulmana). “Portanto, eles deviam ter outro tipo de interesses, desde a integração de jogadores no plantel, planificação da época, constituição do plantel, inviabilização de contratação de jogadores, entre muitos outros factores”, só para citar alguns exemplos dados por Artur Semedo. E acrescentou que “usavam até métodos subversivos e algumas vezes profanos contra a equipa de futebol” que resultaram na sua saída do clube.

Na mesma entrevista, Artur Semedo acusou Zuneid Sidat, agente FIFA, e Shafee Sidat, actual presidente da Federação Moçambicana de Atletismo, de terem influenciado a sua saída do clube, pois não se justificava que um “casamento” de dois anos e meio fosse interrompido sem que tenha sido por maus resultados. Disse, na ocasião, há quatro anos, que a sua ruptura foi por influência de alguém. “Não faz sentido que, decorridos estes anos, tendo eu inclusivamente proposto ao clube que escolhesse um outro treinador, por termos tido algumas desavenças, que foram públicas, isso não tenha sido aceite. É claro que o clima de alguma instabilidade estava criado e as relações estavam cada vez mais a deteriorar-se. E chegámos a um desfecho que é ocultado pelos resultados. Sublinho, uma vez mais, ocultado pelos resultados”, para justificar não ter sido problema de resultados que o tenham afastado do clube.
A referida entrevista concedida à Stv foi veiculada no dia 11 de Julho de 2012 e transcrita para o jornal “O País”, na edição do dia 12 do mesmo mês. 

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