sexta-feira, 6 de maio de 2016

Uma camisola da seleção para a despedida e uma mão cheia de desafios

MOÇAMBIQUE
Marcelo oferece ao PR moçambicano a camisola de Eusébio, Coluna, Vicente e Hilário e depede-se com uma série de avisos sobre a necessidade de Portugal e Moçambique se manterem parceiros próximos.
Marcelo no jantar que ofereceu no Polana, com Nyusi e o ex-jogador Hilário
JOÃO RELVAS/LUSA
O Presidente da República anunciou, esta sexta-feira, que vai oferecer ao presidente moçambicano Filipe Nyusi a camisola que a seleção portuguesa de futebol vai usar no próximo Europeu de futebol, que é uma réplica da que foi usada há 50 anos, no mundial de 1966, em que Portugal ficou em terceiro lugar, com quatro moçambicanos na equipa. Em troca, Marcelo recebeu também uma camisola da equipa moçambicana, oferecida pelo português Abel Xavier, selecionador da equipa de Moçambique. Entre a festa, deixou avisos.
“Eusébio, Coluna, Vicente e Hilário”, elencou Marcelo para concluir que, no mundial de 66, “Portugal conseguiu o que nunca tinha conseguido graças a Moçambique”. Nyusi agradeceu e prometeu pôr a camisola no museu da Presidência. O Presidente começou desta forma o jantar de despedida que ofereceu em Maputo, no hotel Polana.
No seu último discurso oficial em Maputo, Marcelo deixou ainda ficar avisos para o futuro da relação entre os dois países, chamando Moçambique a “incrementar” a relação ao nível empresarial, de investimento, cultural e académico, juntamente com Portugal. “Em abstrato, todos concordamos que sim, que é desejável para ambos os povos incrementarmos a relação”. E questionou: “Será que a nossa relação atingiu o potencial máximo?”.
Aliás, o presidente português recorreu mesmo a um ditado africano: “Se queres ir verdadeiramente longe tens de ir acompanhado”. E explicou:”Sozinho não irei longe, sozinho não passarei das intenções da retórica, da simpatia e dos afetos”. Para Marcelo, o objetivo em relação a Moçambique passa por “elevar o patamar de relações”, mas isso, avisa, “exige ambição mas também liderança. Para não nos deixarmos enredar num emaranhado burocrático que mais não é do que uma maneira educada de manifestar indiferença”.
A Moçambique, Marcelo jurou ter prestado mais do que a conta: Nestes dias, “como podem imaginar dormi pouco. Já durmo pouco, dormi agora ainda menos, muito pouco”. De Nyusi ouviu a manifestação de porta aberta para voltar. Afinal esta sexta-feira Marcelo recebeu a chave da cidade de Maputo.
Durante estes dias na capital moçambicana, o Presidente português viu rebentar a notícia da suspensão dos apoios diretos ao orçamento do grupo de doadores, na sequência da ocultação de dívida nas contas públicas. O FMI já tinha feito o mesmo na semana anterior. Mas a decisão do grupo de doadores acontece numa altura em que Portugal está na presidência, o que criou um ruído imenso na visita de Estado, a primeira desde que o Presidente é Marcelo Rebelo de Sousa.
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