sábado, 21 de maio de 2016

Liga dos Direitos Humanos de Moçambique protege membro da Renamo após dois alegados ataques


A Liga dos Direitos Humanos de Moçambique retirou nesta sexta-feira, com escolta policial, um membro da Renamo do Hospital Central de Maputo, onde alegadamente sofreu uma tentativa de ataque quinta-feira à noite, após ter sido baleado no centro do país.
A transferência do membro da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) para uma clínica privada em Maputo contou com a presença de representantes de organizações internacionais, jornalistas e uma escolta policial, após contactos da Liga dos Direitos Humanos com a Procuradoria-Geral da República e representações diplomáticas acreditadas na capital moçambicana.
Segundo Alice Mabota, presidente da Liga dos Direitos Humanos, homens armados procuraram Bento Sabão na quinta-feira à noite quando estava internado no hospital, depois de ter sido atingido a tiro a 09 de Maio, numa alegada tentativa de execução, na província de Manica, no centro de Moçambique, relacionando os dois casos com o ambiente de violência política que se vive no país.
No relato de Alice Mabota, o membro da Renamo apercebeu-se de movimentações de homens armados nas instalações de Ortopedia do Hospital Central e fugiu do seu quarto.
Funcionários do Hospital Central de Maputo presentes na transferência do homem da Renamo não quiseram prestar declarações sobre este caso à Lusa, mas outros doentes testemunharam que homens armados entraram nas instalações da unidade de saúde.
A Lusa procurou ouvir o Comando-Geral e o Comando provincial de Maputo da Polícia, mas sem sucesso, e a Renamo também não se pronunciou sobre o caso.
"Eu não sei o que eles querem deste pobre homem, devem pensar que ele sabe de alguma coisa muito importante", observou Alice Mabota, acrescentando que a Liga pediu apoio a algumas embaixadas e conseguiu a ajuda da Protect Defenders, uma organização internacional de direitos humanos apoiada pela União Europeia, e que está custear as despesas da vítima.
Segundo Alice Mabota, Bento Sabão foi levado para uma clínica privada da capital moçambicana, onde se encontra sob protecção de agentes policiais, e será brevemente retirado do país, como forma de garantir a sua segurança até ao esclarecimento do incidente.
Nos últimos meses, Moçambique tem conhecido um agravamento da violência política, com relatos de confrontos entre a Renamo e as Forças de Defesa e Segurança, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados.
Apesar da disponibilidade manifestada esta semana pela Renamo para retomar o diálogo com o Governo, os últimos dias foram marcados por várias emboscadas no centro do país contra alvos civis e assassínios de dirigentes da administração local na província de Tete e que as autoridades atribuem ao maior partido de oposição.
No final de Abril, 15 corpos largados ao abandono nas matas foram descobertos por jornalistas, no centro do país.
Os cadáveres, entretanto sepultados sem que tenham sido identificados, estavam próximos de um local onde camponeses dizem ter visto uma vala comum com mais de cem corpos, mas sem confirmação ainda por outras testemunhas numa região de conflito e com forte presença de militares.
Lusa

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