domingo, 22 de maio de 2016

Desportivo já joga à Barcelona

- Uzaras Mohomed, técnico principal dos “alvi-negros”
O treinador principal do Desportivo de Maputo, Uzaras Mohomed, considera que a sua equipa já começou a jogar ao seu estilo e convida todos adeptos do futebol-espectáculo a seguirem as próximas jornadas que não se vão arrepender.
A despeito do início titubeante a nível de resultados, Uzaras Mohomed manifesta-se feliz com o nível competitivo de sua equipa, lembrando que é um conjunto jovem que bem cuidado daqui a dois ou três anos vai atacar os primeiros lugares do campeonato nacional.
Reconhece que “ a equipa está um pouco longe da pontuação que eu esperava disputadas nove jornadas, mas também devo dizer que me sinto tocado no orgulho porque durante estas jornadas o Desportivo fez o suficiente para ter uma pontuação melhor”.
No entender do técnico, a pontuação só não é melhor porque os árbitros interferiram a seu desfavor, nomeadamente nos jogos perdidos contra o Maxaquene e Liga Desportiva e ainda no empate cedido diante do Ferroviário de Nacala.
- Sentimo-nos prejudicados em vários jogos, contra o Maxaquene fizemos um golo limpo e fomos prejudicados. Se tivesse sido validado talvez a história teria sido outra. No jogo contra a Liga Desportiva sofremos um golo de fora-de-jogo, teríamos feito pelo menos um ponto, e temos ainda esse jogo escandaloso contra o Ferroviário de Nacala, no qual marcamos um golo limpo, toda gente viu. São esses pontos que o Desportivo perdeu que já eram suficientes para não ter defraudado as minhas expectativas.
O técnico insiste que o Desportivo foi a equipa que nestas nove jornadas foi mais prejudicada pelos árbitros em todo Moçambola, mas sente-se feliz e satisfeito porque a sua formação já se apresenta com um modelo de jogo que sempre implementa nas suas equipas.
- O Desportivo já está com um formato quase pronto a ser consumido. Hoje posso convidar a toda família do Desportivo, aqueles que não tem ido ao campo, que gostam de ver o Desportivo a jogar à tiki-taka, ao estilo do Barcelona, a irem ao campo. A minha equipa, semana após semana, vai consolidando os seus níveis de confiança e pode nos proporcionar tardes lindas de futebol.
Perguntamos ao treinador o que se pode esperar do Desportivo nas próximas jornadas, tendo respondido nos seguintes termos:
- O Desportivo vai trazer espectáculos, vamos ter futebol de primeira água. O futebol convidativo que praticamos vai obrigar muita gente a ir ao campo para assistir ao Desportivo. E ainda bem que a Televisão de Moçambique já reparou nesse pormenor e tem filmado quase todos os jogos do Desportivo. Esta equipa do Desportivo é a maior propaganda do Moçambola em jogo jogado, o toma lá dá cá, à Barcelona, que toda gente gosta de ver jogar, podem vir ver, sejam adeptos do Desportivo ou doutras equipas, vão sair satisfeitos, porque o Desportivo joga um futebol doutro nível.
Ainda assim, assume ineficácia dos seus atacantes. Aliás, entende que é aí onde reside a diferença dos clubes integrantes do “Moçambola”. “As equipas equivalem-se, não há pequenas nem grandes. As que vão marcar diferença ou que já começaram a marcar diferença, são aquelas que tem tido níveis de finalização muito bons, mas o que produzem está aproximado às outras. Algumas se destacam como o Desportivo, que vem jogando um futebol à Desportivo que eu tinha prometido”.
Instado a comentar os afastamentos de técnicos em vários clubes ainda na primeira volta do campeonato, Uzaras referiu não perceber as decisões dos dirigentes porque as aspirações de todas equipas ainda estão intactas.
“As direções de alguns clubes estão a ser precipitadas. Se reparar, do último ao primeiro classificados, está tudo em aberto, considerando os investimentos e os objectivos dos clubes. Portanto, não vejo motivos para que as direcções tomem essas decisões de afastar treinadores duma forma precoce. Infelizmente este futebol continua a ter dirigentes paraquedistas, e quando assim é acontecem estas coisas que assistimos”, comentou.
Ajuntou que espera maior sensatez dos dirigentes porque o presente “Moçambola” merece ter os treinadores moçambicanos que tem, tem seu valor, sua qualidade, é uma questão de apoiá-los a fazerem o seu trabalho e certamente vão provar do que são capazes.
Falou de si próprio afirmando que já foi apupado pelos adeptos insatisfeitos por alguns resultados, mas felizmente tem-se apercebido da qualidade do futebol que a equipa pratica e dos níveis de evolução que regista.
Os adeptos vão se apercebendo que esta equipa é do futuro e que eles têm de ter paciência com este treinador que é de casa e que o Desportivo vai conseguir o seu principal objectivo que é a manutenção. Pelo investimento que teve só pode pensar na manutenção e procurar ganhar esta equipa jovem para daqui a mais dois ou três anos, quando tiver um equilíbrio financeiro, atacar os primeiros lugares, referiu.
Direcção faz esforço tremendo
Em tempos de crises e dívidas, o Desportivo não escapa e a equipa de futebol tem passado por dificuldades de salários e prémios. Obviamente que a situação afecta o rendimento no campo, mas Uzaras Mohomed prefere concentrar-se no esforço que a Comissão de Gestão do clube tem desenvolvido à busca de soluções.
- Quando há situações de atrasos salariais cria-se certa instabilidade nos jogadores, mas a Comissão de Gestão tem feito um esforço tremendo. Se reparar, são só três pessoas que estão a dirigir um clube grande como o Desportivo, com várias modalidades, tem feito enorme esforço. É de louvar o trabalho que os senhores Danilo Correia, Manhiça e Ângelo Matenene têm realizado para manter o clube.
O técnico apela aos simpatizantes do clube para não atirarem pedras e juntarem-se àqueles três dirigentes que são poucos para as dificuldades que o clube atravessa. 
“Esse apoio é importante, aproximem-se a esses senhores que estão a agarrar o clube. Nós colegas da equipa técnica, somos da casa, estamos a dar o nosso máximo para sermos um conjunto equilibrado e contribuirmos para os objectivos do clube”, anotou.
- Uzaras Mohomed, técnico principal dos “alvi-negros”
O treinador principal do Desportivo de Maputo, Uzaras Mohomed, considera que a sua equipa já começou a jogar ao seu estilo e convida todos adeptos do futebol-espectáculo a seguirem as próximas jornadas que não se vão arrepender.
A despeito do início titubeante a nível de resultados, Uzaras Mohomed manifesta-se feliz com o nível competitivo de sua equipa, lembrando que é um conjunto jovem que bem cuidado daqui a dois ou três anos vai atacar os primeiros lugares do campeonato nacional.
Reconhece que “ a equipa está um pouco longe da pontuação que eu esperava disputadas nove jornadas, mas também devo dizer que me sinto tocado no orgulho porque durante estas jornadas o Desportivo fez o suficiente para ter uma pontuação melhor”.
No entender do técnico, a pontuação só não é melhor porque os árbitros interferiram a seu desfavor, nomeadamente nos jogos perdidos contra o Maxaquene e Liga Desportiva e ainda no empate cedido diante do Ferroviário de Nacala.
- Sentimo-nos prejudicados em vários jogos, contra o Maxaquene fizemos um golo limpo e fomos prejudicados. Se tivesse sido validado talvez a história teria sido outra. No jogo contra a Liga Desportiva sofremos um golo de fora-de-jogo, teríamos feito pelo menos um ponto, e temos ainda esse jogo escandaloso contra o Ferroviário de Nacala, no qual marcamos um golo limpo, toda gente viu. São esses pontos que o Desportivo perdeu que já eram suficientes para não ter defraudado as minhas expectativas.
O técnico insiste que o Desportivo foi a equipa que nestas nove jornadas foi mais prejudicada pelos árbitros em todo Moçambola, mas sente-se feliz e satisfeito porque a sua formação já se apresenta com um modelo de jogo que sempre implementa nas suas equipas.
- O Desportivo já está com um formato quase pronto a ser consumido. Hoje posso convidar a toda família do Desportivo, aqueles que não tem ido ao campo, que gostam de ver o Desportivo a jogar à tiki-taka, ao estilo do Barcelona, a irem ao campo. A minha equipa, semana após semana, vai consolidando os seus níveis de confiança e pode nos proporcionar tardes lindas de futebol.
Perguntamos ao treinador o que se pode esperar do Desportivo nas próximas jornadas, tendo respondido nos seguintes termos:
- O Desportivo vai trazer espectáculos, vamos ter futebol de primeira água. O futebol convidativo que praticamos vai obrigar muita gente a ir ao campo para assistir ao Desportivo. E ainda bem que a Televisão de Moçambique já reparou nesse pormenor e tem filmado quase todos os jogos do Desportivo. Esta equipa do Desportivo é a maior propaganda do Moçambola em jogo jogado, o toma lá dá cá, à Barcelona, que toda gente gosta de ver jogar, podem vir ver, sejam adeptos do Desportivo ou doutras equipas, vão sair satisfeitos, porque o Desportivo joga um futebol doutro nível.
Ainda assim, assume ineficácia dos seus atacantes. Aliás, entende que é aí onde reside a diferença dos clubes integrantes do “Moçambola”. “As equipas equivalem-se, não há pequenas nem grandes. As que vão marcar diferença ou que já começaram a marcar diferença, são aquelas que tem tido níveis de finalização muito bons, mas o que produzem está aproximado às outras. Algumas se destacam como o Desportivo, que vem jogando um futebol à Desportivo que eu tinha prometido”.
Instado a comentar os afastamentos de técnicos em vários clubes ainda na primeira volta do campeonato, Uzaras referiu não perceber as decisões dos dirigentes porque as aspirações de todas equipas ainda estão intactas.
“As direções de alguns clubes estão a ser precipitadas. Se reparar, do último ao primeiro classificados, está tudo em aberto, considerando os investimentos e os objectivos dos clubes. Portanto, não vejo motivos para que as direcções tomem essas decisões de afastar treinadores duma forma precoce. Infelizmente este futebol continua a ter dirigentes paraquedistas, e quando assim é acontecem estas coisas que assistimos”, comentou.
Ajuntou que espera maior sensatez dos dirigentes porque o presente “Moçambola” merece ter os treinadores moçambicanos que tem, tem seu valor, sua qualidade, é uma questão de apoiá-los a fazerem o seu trabalho e certamente vão provar do que são capazes.
Falou de si próprio afirmando que já foi apupado pelos adeptos insatisfeitos por alguns resultados, mas felizmente tem-se apercebido da qualidade do futebol que a equipa pratica e dos níveis de evolução que regista.
Os adeptos vão se apercebendo que esta equipa é do futuro e que eles têm de ter paciência com este treinador que é de casa e que o Desportivo vai conseguir o seu principal objectivo que é a manutenção. Pelo investimento que teve só pode pensar na manutenção e procurar ganhar esta equipa jovem para daqui a mais dois ou três anos, quando tiver um equilíbrio financeiro, atacar os primeiros lugares, referiu.
Direcção faz esforço tremendo
Em tempos de crises e dívidas, o Desportivo não escapa e a equipa de futebol tem passado por dificuldades de salários e prémios. Obviamente que a situação afecta o rendimento no campo, mas Uzaras Mohomed prefere concentrar-se no esforço que a Comissão de Gestão do clube tem desenvolvido à busca de soluções.
- Quando há situações de atrasos salariais cria-se certa instabilidade nos jogadores, mas a Comissão de Gestão tem feito um esforço tremendo. Se reparar, são só três pessoas que estão a dirigir um clube grande como o Desportivo, com várias modalidades, tem feito enorme esforço. É de louvar o trabalho que os senhores Danilo Correia, Manhiça e Ângelo Matenene têm realizado para manter o clube.
O técnico apela aos simpatizantes do clube para não atirarem pedras e juntarem-se àqueles três dirigentes que são poucos para as dificuldades que o clube atravessa. 
“Esse apoio é importante, aproximem-se a esses senhores que estão a agarrar o clube. Nós colegas da equipa técnica, somos da casa, estamos a dar o nosso máximo para sermos um conjunto equilibrado e contribuirmos para os objectivos do clube”, anotou.
A visita do Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, que terminou ontem à China traz um rol de esperancas numa cooperação que poderá aproximar ainda mais os dois países a avaliar pelo interesse manifestado entre si na aproximação de quase todos os sectores de desenvolvimento que Mocambique precisa para crescer e o gigante oriental se predispôs a participar.
Para lá da parte meramente politico-diplomática, o interesse de Mocambique pode ser avaliado pelo tipo de empreendimentos económicos, empresariais, em geral, de geração de desenvolvimento que Filipe Nyusi elegeu na sua visita.
O estadista moçambicano esteve na sede do Shandong Hi-Speed Group, localizada na cidade de Jinan, onde teve a oportunidade de observar o funcionamento de um sistema de monitoria e controlo de tráfego rodoviário na província chinesa de Shandong.
O Shandong Hi-Speed Group é uma empresa do Governo Provincial de Shandong. Embora a sede esteja localizada em Jinan, o Grupo também constrói e faz a gestão da infra-estrutura de transportes em todo o país.
Nyusi e delegação que o acompanhava na visita oficial que teve a duração de cinco dias, tiveram a oportunidade de sentar atrás de uma fila de operadores que monitoravam atentamente osécrans que mostram o estado do tráfego rodoviário nas estradas daquela província.
Talvez a obra mais impressionante seja a Ponte da Baia Jiaozhou, que liga Quingdao ao distrito de Huangdao, em Shandong, que abriu ao tráfego em 2011. Com uma extensão de 36,48 quilómetros, esta é a ponte mais longa do mundo inteiro.
O Grupo engloba várias especialidades, incluindo construção civil, ferrovias, aeroportos e transportes marítimos, e actualmente é considerada uma das 500 maiores empresas do mundo.
O Grupo também opera em 106 países. Os projectos em que está envolvido incluem auto-estradas na Argélia, Vietname e Sérvia, instalações petrolíferas no Sudão, um hospital de câncer no Nepal, e opera o aeroporto de Toulouse, na França.
Perante o fórum empresarial Mocambique-China, Filipe Nyusi, disse quinta-feira, em Beijing, capital chinesa, que aquele órgao expressava claramente a vontade de ambos os países de consolidar a cooperação económica bilateral.
Nyusi fez esta afirmação durante o evento que tinha como objectivo apresentar as oportunidades de negócios existentes em Moçambique, organizado pelo Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional e pela Embaixada de Moçambique.
Tratou-se da segunda vez em que Nyusi passava pela oportunidade de participar em reunião similar durante a visita de Estado à China, se bem que o primeiro encontro teve lugar terça-feira, na cidade de Nanjing, capital da província de Jiangsu.
A participação de Moçambique neste Fórum, disse Nyusi, ' é uma indicação inequívoca da primazia que conferimos à uma diplomacia económica que gera ganhos para o empresariado chinês e moçambicano e contribui para a implementação da nossa agenda de desenvolvimento'.
Explicou que na viragem para o novo milénio, as relações económicas entre ambos os países sofreram um novo impulso caracterizado por uma maior vaga de investimento chinês, que coloca esta nação entre os dez países que mais investem em Moçambique.
O testemunho disso é o facto de ao longo dos últimos cinco anos terem sido aprovados para Moçambique 92 projectos, correspondentes a um valor de cerca de 823 milhões de dólares norte-americanos de investimento directo chinês, susceptíveis de criar cerca de 14 mil postos de trabalho.
Segundo Nyusi, os sectores mais promissores para o investimento chinês são a agricultura e agro - processamento, recursos minerais e energia, turismo, serviços financeiros e desenvolvimento de infra - estruturas, incluindo os de telecomunicações e de transporte. Estas são áreas catalisadoras para o desenvolvimento económico do país.
Nyusi ressaltou que a pirâmide empresarial de Moçambique tem uma base dominada pelas Pequenas e Médias Empresas (PMEs), que “representam cerca de 98 por cento de um universo de 26.624 empresas registadas em todo o território nacional, empregando 24 por cento da força de trabalho formal total do país”.
O Turismo está a ganhar o seu lugar e Moçambique recebeu cerca de 1,63 milhão de turistas no ano passado, que deixaram uma receita calculada em 193 milhões de dólares, anunciou hoje o Presidente da República, Filipe Nyusi.
Falando na Conferência Internacional sobre o Desenvolvimento do Turismo, um evento actualmente em curso na cidade de Beijing, capital chinesa, Nyusi disse que em 2015, os projectos de investimento no turismo atingiram 139 milhões de dólares, e o sector emprega directa ou indirectamente mais de 50.000 pessoas.
O Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Turismo, elaborado pelo governo para a próxima década, de acordo com o presidente, prevê que “em 2025, Moçambique será o destino mais vibrante, dinâmico e exótico em África”.
Porém, “ actos de terrorismo, a ausência de uma paz efectiva e violência têm vindo a afectar significativamente a actividade turística”, sublinhou.
Parceria estratégica
para a cooperação global
A China compromete-se a apoiar a industrialização de Moçambique, no quadro daquilo que ambos os países consideram como sendo “o estabelecimento de uma Parceria Estratégica para Cooperação Global”.
A decisão nesse sentido foi tomada durante as conversações havidas entre as delegações de ambos os países chefiadas pelos respectivos presidentes, Filipe Nyusi e Xi Jinping, que tiveram lugar no Grande Salão do Povo, na capital chinesa.
Esta parceria deverá incluir a cooperação em todas as áreas, política, segurança, económica, comercial, cultural, entre outras, bem assim pretende-se “reforçar a cooperação política em áreas de importância vital”.
Cinco acordos foram assinados visando o desenvolveimento da capacidade produtiva em Moçambique, com o objectivo de incentivar mais empresas chinesas a investir em Moçambique particularmente na indústria de manufacturação, agricultura e desenvolvimento de infra-estruturas e um que visa a criação de zonas económicas especiais.
Os restantes três acordos referem-se à construção de um Centro Cultural Sino-Moçambicano, em Maputo, cooperação entre Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique (ENH) e a companhia China National Petroleum Corporation (CNPC), bem como a oferta de um donativo de trigo à Moçambique.
Ajudar Mocambique
é ajudar a nós mesmos
Os governantes chineses dizem de viva voz que a cooperação nos moldes em que está a ser orientada pelo executivo moçambicano é para “mútuo benefício”, sabendo-se, conforme afiansaram que “ajudar Moçambique é ajudar a nós mesmos”.
A visita à Academia Militar de Nanjing, uma das mais prestigiadas instituições militares da China, foi um dos marcos da deslocação de Nyusi a China. Possui 451 instrutores para os principais 14 cursos leccionados naquela instituição, incluindo cursos de 12 meses de comando e Estado-maior, cursos de comando de batalhão com uma duração de seis meses e seminários sobre segurança militar ou comando com duração de um a três meses.
Por outro lado, acolhe oficiais estrangeiros e já treinou mais de 5.000, entre os quais moçambicanos. Aliás, esteve presente um oficial moçambicano que se encontra a receber formação neste centro, Major Ribeiro Sabonete, no meio de outros de vários países do mundo inteiro, entre os quais do Zimbabwe, Tanzânia, Sudão do Sul, República Centro Africana, Líbano, México, Paquistão e Bangladesh.
Adaptado do Serviço da AIM
A cidade chinesa de Shenzhen é uma surpreendente urbe que faz casar o que há de mais moderno em termos de tecnologia, arquitectura e ordenamento territorial. Entretanto, a maior parte dos seus residentes nunca tinha visto gente de raça negra ao vivo. Quando chegamos, uns ficaram boquiabertos, outros se assustaram, houve até quem se riu e outros se afastaram. Mas, também houve gente que pediu para fazer fotos. É um lado da China que a maior parte dos moçambicanos não faz ideia de que existe.
Viajar para a China é ir ao encontro de uma realidade completamente diferente em todos os aspectos, a começar pelo básico que é a comunicação. A fala e os gestos são totalmente diferentes. Por exemplo, para enumerar de um a cinco, eles fazem como nós. Um dedo, dois, três quatro e cinco dedos. Porém, de seis em diante, é preciso fazer figurinhas com os dedos e aí “a vaca torce o rabo”.
Logo a seguir, vem a gastronomia que requer uma adaptação do paladar que pode levar muitos dias. Alguns pratos, particularmente saladas, são de difícil ingestão. São escorregadios, com um sabor fora do comum e com um cheirinho pouco convidativo.
Mas, o primeiro contacto com a cultura chinesa começa no voo de ligação para um dos destinos daquele país. No nosso caso, a acoplagem foi feita a partir da cidade de Adis Abeba, na Etiópia, tendo como destino a cidade de Hong Kong.
Aqui, as instruções de segurança para os passageiros são dados em chinês, inglês e em etíope e o sotaque da tripulação começa a revelar o que vamos encontrar mais adiante. A leve refeição servida a bordo, também é um bom indicador do que nos aguarda. Carne ou peixe com molho agridoce para começar. No nosso grupo, poucos conseguem saborear, apesar do esforço empreendido.
Depois de cerca de nove horas de voo, a grande Hong Kong aparece entre as nuvens e se revela uma cidade com um movimento frenético, o porto tem um movimento intenso e o aeroporto é de tráfego estonteante. É um sobe e desce ininterrupto. Mas, isso é o que se vê lá de cima.
Depois da aterragem, segue-se o exercício de protocolar os passaportes para o acesso ao território. Os agentes de migração e os passageiros de outros voos são os primeiros a olhar com estranheza para o nosso grupo. Onze negros em Hong Kong fazem toda a diferença num aeroporto cheio de chineses.
No balcão, o agente olha para o passaporte, folheia, volta a folhear, fita-nos nos olhos, revê a fotografia e tecla no computador. A seguir franze a testa e chama pelo colega do lado enquanto aponta para o ecrã do computador que está à sua frente. Ambos parecem não encontrar uma resposta para um suposto enigma e chamam mais colegas que se juntam à volta do computador e fitam-nos.
Com aquele inglês arranhado como o nosso perguntam de onde a gente vem e o que vai fazer na China. Explicamos os motivos da nossa deslocação e eles procuram sossegar-nos dizendo que vão fazer uma consulta manual do código do nosso passaporte porque não existe no “sistema” deles.
Felizmente, um dos chefes se aproxima e mostra um pedaço de papel onde se vê um “MOZ” e umas letras em chinês. O passaporte é carimbado e o sinal de aceitação é dado. Já estamos em território chinês onde é verão e, por isso, sentimos algum suor na testa. O dia vai a meio.
PENTE FINO
Arrastamos as malas e seguimos pelos corredores do aeroporto, enquanto percebemos que somos fitamos por todos. Ainda no interior do aeroporto, tem dois pontos distintos onde dois grupos com cerca de 10 agentes da polícia cada estão perfilados. Estes olham para os passageiros, bem no fundo dos olhos, que dá um certo calafrio.
Alguns não escondem o espanto e fazem sinais discretos entre si. Nos corredores, adultos, jovens e crianças agem da mesma maneira. Arregalam os olhos, pasmam-se e outros se assustam. Alguns sorriem e saúdam. Tudo muito estranho para nós.
Das janelas do aeroporto percebemos que o movimento de táxis na área de embarque e de desembarque é fora de série. Dá também para ver que há aviões de grande porte a aterrar a cada instante. Sentimos que estamos perante um colosso económico.
Lá fora, quatro viaturas parecidas com Noah e El Grand nos aguardam e os motoristas gesticulam que em cada carro devem seguir quatro passageiros e respectivas malas. Pena é que a comunicação com os tripulantes é limitada a gestos ineficazes para ambos os lados.
Abandonamos o aeroporto e, enquanto circulamos pelo estacionamento vemos os últimos gritos da indústria automóvel parqueados. Entre Mercedes, BMW e VW, sobressaem Porches, Ferrari, Lamborghini e Bugatt. É assim naquele parque de estacionamento e assim é nas estradas.
Em cerca de uma hora, percorremos as vias que cruzam o acesso ao porto. Tem gigantescas pontes, edifícios altos e envidraçados que são intercalados por áreas verdes e repletas de flores, por vezes pequenas florestas com um verde intenso.
Chegamos então a um posto de fiscalização de polícia de Migração e das Alfândegas, na separação entre Hong Kong, que é uma região autónoma, e Shenzhen, que é uma Zona Económica Especial (ZEE) da República Popular da China (RPC).
Aquele local de fiscalização tem uma configuração que lembra a Portagem de Maputo. Ali, os agentes recolhem nossos passaportes, observam rosto por rosto, conferem a autenticidade das fotografias, carimbam e nos mandam seguir.
Poucos metros depois, mais um posto de controlo. Desta vez, estamos perante agentes da polícia do lado de Shenzhen. Aqui, o controlo é mais apertado. Puro pente fino e cara de poucos amigos. O porta-malas é aberto a metros de distância e a bagagem é verificada por um sistema electrónico não intrusivo.
Para os viajantes, a polícia reserva um exame que visa o controlo de febres que resultem dos vírus do ébola, gripe e do zika para o interior daquele imenso país. O controlo é tão apertado que até as fotos constantes nos passaportes são examinadas.
Em caso de suspeita de falta de autenticidade, o viajante é fotografado novamente para se fazer a comparação presencial. Um dos nossos colegas passou por isso, o que nos levou a um atraso de cerca de uma hora, sem contar com a verificação electrónica e manual de algumas malas que a polícia desconfiou que tivessem algo anormal. Em vão.
AVENTURA GASTRONÓMICA
Depois do pequeno, mas stressante contacto com a polícia, estamos na jovem cidade de Shenzhen, uma das mais novas da China, cuja construção iniciou há cerca de 30 anos e que ainda tem bairros inteiros a serem erguidos. Os prédios são altos, autênticos arranha-céus. As estradas são largas, com múltiplas pistas, pontes entrelaçadas e muitos túneis que esventram montanhas.
Na componente infra-estruturas, Shenzhen não perde nada com as cidades mais modernas do mundo. Nada mesmo. Esta cidade ombreia e bem com as grandes metrópoles do mundo ocidental, pois os edifícios são de ousada arquitectura, o verde está sempre presente, tem locais específicos para a circulação de viaturas, autocarros, velocípedes, ciclistas e peões.
No quesito limpeza, os cerca de 20 milhões de habitantes desta cidade (quase a totalidade dos moçambicanos) são uma verdadeira escola. Nem um papel, saco plástico ou garrafa no chão. Também não há buracos no asfalto e nos passeios.
Não há agentes da polícia armados de AKMs, ninguém pede Bilhete de Identidade ou passaporte a ninguém, anda-se à vontade de dia e de noite e apesar do intenso movimento de pessoas, a vida flui tranquilamente. Em suma, é outro nível.
Ainda nos refazíamos do cansaço da longa viagem, de cerca de 14 horas de voo entre Maputo e Hong Kong, e mais cerca de três horas de Hong Kong a Shenzhen, e os anfitriões decidem oferecer-nos um jantar típico. Com aqueles pauzinhos que eles usam como talheres, o infalível chá e os diminutos pratos (autênticos pires).
A mesa circular, com um centro giratório, vai recebendo travessas com o manjar. Pão a vapor, peixe frito coberto de um molho doce, vegetais diversos, massa chinesa, tiras de pato e de frango, e arroz chau-chau. Com chá e mais chá. Também nos oferecem refrigerantes, mas nota-se claramente que “os donos da casa” não se simpatizam muito com refrescos. Preferem o chá mesmo e sem açúcar.
A ceia decorre em clima de aprendizagem sobre a utilização dos talheres, sequência de pratos, associação dos molhos, sabor do chá, enfim. É um jantar-aula, ou se preferirmos, jantar-escola. Aliás, foi assim em toda a estada. A cada refeição uma aventura pela diversa e abundante gastronomia chinesa. 
FAMOSOS NA Shenzhem
No contacto que tivemos com a realidade da cidade de Shenzhen, saltou à vista o facto de haver vários canais de televisão chineses que versam sobre a realidade local nas línguas deles, excepto o canal CCTV News que extravasa um pouco e fala do que se passa um pouco por todo o mundo, mas numa perspectiva chinesa, mas em inglês.
Também saltou à vista o facto de não se usar o Google como motor de busca, não ser possível aceder a correio electrónico (e-mails) por via do Gmail. De Facebook nem se fala. Eles têm redes sociais próprias. Assim sendo, limitamos a nossa comunicação com familiares, amigos e colegas vis whatsapp e e-mails alternativos.
Apesar dessa limitante, os residentes de Shenzhen estão permanentemente conectados. Onde quer que estejam tem os seus telemóveis à mão. Parecerá exagero dizer que pedalam a teclar, mas é facto. Até à mesa, a jantar em família teclam. Se são 10 pessoas à mesa haverá 10 telefones a serem usados. Incrível. Nos autocarros, idem. Todos de cabeça curvada a teclar.
Mas, tudo isto não espantou mais do que ver os chineses a se surpreenderem com a nossa presença naquela cidade. Por onde quer que fossemos, havia gente pasmada.
O auge desta realidade foi percebido no Centro Cultural de Shenzhen, local de grande afluência de turistas de toda a China e arredores. No lugar de observar as belezas ali expostas, os turistas concentraram a sua atenção no nosso grupo. Uns pediram para se deixar fotografar connosco, mas outros optaram por “roubar” fotos. Um espectáculo incomum.
Apesar da sensação desagradável, decidimos facilitar a vida de todos e os cliques se sucederam onde quer que fossemos naquele parque. Pelo interesse manifestado naquele recinto, por estas alturas devemos ser famosos na China. Foram muitas imagens captadas por muitos chineses.
Conforme referimos antes, naquela cidade chinesa não há negros à vista, pelo que nós éramos os únicos. O pior quadro ocorreu quando o autor deste texto foi levado a visitar o Happy Valley, uma espécie de Disneylândia de Shenzhen.
O parque estava repleto de crianças e adolescentes provenientes das escolas primárias das cercanias que, a dada altura, perguntaram ao nosso guia se o cidadão que viam eram norte-americano, australiano ou britânico, isto por causa dos negros que aparecem como estrelas desportivas e de cinema.
A dada altura, todas as crianças e acompanhantes queriam captar uma foto ao lado do “american”. Outros tocavam, apertavam a mão, saudavam, enfim, um momento esquisito, mas que nos fez perceber que estávamos perante um povo fechado em si.
CIDADE CARA
Depois de perceber um pouco da vida dos chineses, a nossa Reportagem procurou perceber como é o quotidiano naquela cidade que acolhe uma das indústrias mais poderosas do mundo, a Huawei Technologies Corporation. O que percebemos, logo à primeira, é que os funcionários desta empresa são os mais bem pagos.
Aliás, numa entrevista concedida recentemente pelo fundador desta empresa, Ren Zhengfei, de 71 anos de idade, ele afirma que a empresa quase teve um colapso há cerca de três anos justamente porque os trabalhadores eram ricos e não se sentiam dispostos a fazer aventuras.
Chegamos a um ponto em que nos era difícil mandar os nossos colaboradores para trabalharem fora da China. Todos queriam comprar casas na capital, Beijing, e na cidade de Xangai, e permanecerem o mais próximo possível das suas famílias”, disse.
Porque são milhares de trabalhadores com bons ordenados, a vida na cidade é feita um pouco em redor das exigências destes ou ainda na perspectiva de tirar deles o maior bolo possível das algibeiras. Circular com o crachá daquela empresa é se oferecer a preços especulativos.
A título de exemplo, nos acessos aos condomínios onde estes residem, há sempre grupos de promotores de venda de empresas imobiliárias e de bancos a anunciarem produtos e serviços que, pelo que soubemos, custam os olhos da cara.
Procuramos saber quanto custa um dos apartamentos modernos de tipo dois (T2), com 6/16 metros e soubemos que o metro quadrado é vendido a preços que variam de 10 e 20 mil dólares, convertidos para a moeda local, o yuan ou Renmimbi (RMB), o que é uma fortuna para muitos.
À semelhança de Hong Kong, a cidade de Shenzhen tem muitos cidadãos titulares de viaturas topo de gama. É comum ver Ferrari, Porche, Lanborghini e Bugatti a circularem pelas diferentes artérias.
Naquela cidade, é escusado pensar em adquirir vestuário ou outros bens que possam servir de recordação porque os preços são altos e, se o comprador é claramente um estrangeiro, como era o nosso caso, nem há discussão possível.
A maior parte dos residentes da cidade com quem conversamos, recomendaram uma viagem à cidade de Guanzhou, que fica a norte de Shenzhen, alegando que é lá onde se reúnem os centros comerciais mais baratos e mais frequentados por compradores africanos e não só.
Aliás, testemunhamos a qualidade de vida elevada dos residentes de Shenzhen quando visitamos os centros comerciais, incluindo um moderníssimo conhecido por KiKi. Ali só perfilam grandes marcas de roupa, sapatos e acessórios. Os preços eram de tirar os olhos da cara. É este o lado B da China.
Texto de Jorge Rungo, em Shenzhen
jorge.rungo@snoticicas.co.mz

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