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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O neocolonialismo, as terras do Kuando Kubango e o MPLA - Vitorino Nhany

Em http://club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=13622:o-neocolonialismo-as-terras-do-kuando-kubango-e-o-mpla-vitorino-nhany&catid=17:opiniao&Itemid=124

Luanda – Depois de termos denunciado graves violações dos direitos humanos na província do Kuando Kubando por parte da cleptocracia, o Partido-Estado veio a público apresentar centenas de angolanos rendidos ou convertidos ao MPLA. As autoridades coloniais fascistas que durante séculos ocuparam Angola para explorar os seus recursos seguiam o mesmo método: depois de denúncias das suas políticas segregacionistas, obrigavam os autóctones a negar a sua identidade, em troca de fuba podre, peixe podre ou um trabalho qualquer de sobrevivência nas suas plantações.

Fonte: Club-k.net

Depois, colocavam-nos em paradas, diante do Governador, com as vestes da bandeira “nacional” e obrigavam-nos a declarar a sua lealdade a ela para a televisão filmar e o mundo ver que, afinal, Angola toda era Portugal.

Os novos ricos, por sinal descendentes do colonial-fascismo – quer na sua identidade política, quer na sua génese cultural – fazem pior: utilizam os dinheiros públicos, os contratos públicos e os cargos públicos para explorar o trabalhador angolano e também o trabalhador chinês, forçadamente enviado para Angola para trabalho de escravo, sem direito sequer a cama e mesa condignas. Mas querem também que o mundo veja que, afinal, Angola toda é MPLA.

O fenómeno que vimos no Kuando Kubango constitui apenas um dos exemplos vergonhosos da exploração capitalista selvagem que ainda vitima o povo angolano. Por ser feita por angolanos na sequência do colonial-fascismo e com a cobertura dos poderes públicos, denomina-se neocolonialismo.

Tal como o povo angolano, o povo chinês é trabalhador. Disso não temos dúvida. A UNITA também defende os seus legítimos interesses e os seus direitos humanos enquanto estiverem em Angola, legal ou ilegalmente. Eles mais não são do que vítimas indefesas de interesses privados em concluio.

A seu tempo, quando a investigação que se impõe for concluída, iremos trazer a público elementos adicicionais para provar o envolvimento de governantes angolanos e do Partido-Estado, nessa exploração neocolonial de angolanos.

Utilizar a imprensa de uma só voz para reconstituir paradas do tempo do Governador Rebocho Vaz, onde os indígenas tinham de envergar as cores da bandeira lusitana e falar bem da exploração humilhante a que estavam sujeitos, sem apresentar o contradiditório, já não convence ninguém.

O conflito que hoje assola Angola é entre a opulência de uns poucos e a miséria de milhões; é o combate à exclusão económica com base na identidade política dos cidadãos; é a luta por direitos e oportunidades iguais para todos. É a luta entre o republicanismo e a cleptocracia.

O povo angolano rejeitou há muito o regime das desigualdades, venha ele na forma de Partido-estado, latifúndios, trabalhado forçado, colonialismo ou neocolonialismo. Mesmo que os neocolonos utilizem como agentes jovens incautos para branquer os seus feitos; ou contratos públicos para branquer capitais roubados; ou ainda a imprensa de uma só voz para abafar as gritantes violações dos direitos humanos, a verdade virá ao de cima, mais cedo do que muitos imaginam.

Quanto ao crescimento do número de pessoas que rejeitam o MPLA ou a UNITA, os factos falam por si. Não precisamos de utilizar os números verdadeiros que o MAT, a TPA, o Jornal de Angola e a CNE não divulgam. Utilizando os números falseados pela própria CNE, tidos como resultados eleitorais oficiais das eleições de 2008 e de 2012, qualquer pessoa conclui que, em 2012, em virtualmente todo o país, a preferência dos angolanos pela UNITA cresceu e a preferência dos angolanos pelo MPLA diminuíu.

Por exemplo, no Bengo, a preferência pela UNITA cresceu 141%, ao passo que a preferência pelo MPLA registou uma variação de -33%. No Kwanza Norte, a UNITA teve uma variação positiva de 160% e o MPLA teve uma negativa de -17%. Em Malange, a UNITA teve mais 143% de votos do que em 2008, ao passo que o MPLA teve -17%. Na Lunda Sul, a UNITA subiu 224%, o MPLA desceu 4%.

No Kuando Kubango, a preferência pelo MPLA desceu em -14% ao passo que a preferência pela UNITA cresceu 8%. Em Luanda, o MPLA desceu -35%, a UNITA subiu 52%. Em síntese, como revela o quadro em baixo, em relação a 2008, no país todo, a preferência dos angolanos pela UNITA cresceu em 58%; a preferência pelo MPLA diminíu em -21%.


Estes números ainda não reflectem a vontade real dos angolanos expressam nas urnas, porque esta não foi, de facto, apurada, nem 2008, nem em 2012. Mas servem pelo menos para provar a quem os fabricou, que o episódio das paradas como aquela que vimos no Kuando Kubango, é falso. Servem também para informar aos incautos que o que dói aos angolanos, não é certamente a liberdade política ou económica dos cidadãos. Tomara que existisse.

Nem a prosperidade de uns poucos - Quão belo seria se pudessemos chamar legítima a sua titularidade. O que dói aos angolanos, é a falsidade, a corrupção, a pilhagem gangrenosa dos recursos públicos; o atentado contra a dignidade humana; o sequestro da angolanidade e da irmandade.

O povo angolano sabe que o MPLA foi sequestrado por um grande capitalista auto-investido de monarca, que o transformou de Partido dos trabalhadores para Partido dos patrões, de Partido da classe operária para Partido dos capitalistas sem capital próprio, auferido ou herdado. São capitalistas de capital roubado, que já foram rejeitados pelo povo como governantes.

É por causa dessa rejeição que o MPLA utiliza a imprensa pública de uma só voz para desinformar a sociedade e manipular a vontade do povo, por privá-lo de uma comunicação social livre e imparcial.

Muito ainda terá de ser dito e escrito sobre o processo de expoliação de terras dos angolanos, no Kuando Kubango, no Kwanza Sul e pelo país fora. As forças do continuísmo estão identificadas. As forças democráticas também estão identificadas.

O problema que levantamos relativo aos negócios em curso no Kuando Kubango, encerra as seguintes questões: há ou não há exprorpiação de terras no Kuando Kubango? Há ou não trabalhadores forçados a ganhar Kz 300.00 por dia? Cidadãos que militam na UNITA ou a ela ligados foram ou não obrigados a rejeitar a sua identidade política em troca do direito a um emprego?

Quem são os reais beneficiários dos empreendimentos agrícolas e turísticos que o OGE vai financiar para o Kuando Kubango? Há ou não interesses privados mesclados com interesses públicos nos negócios em curso no Kuando Kubango e não só?

Estas são algumas das perguntas que irei dirigir ao Senhor Governador daquela província, ou ao seu Chefe, quando se dignarem comparecer no Parlamento para o efeito.

Esperamos que a TPA apresente o debate ao público para que todos saibam que esta prática neocolonial nada tem a ver com o número de militantes da UNITA, pois, como ilustra o gráfico a seguir, esse número tem crescido em todo o país. Os votos no MPLA é que têm descido. E vão descer muito mais quando for dada ao povo a oportunidade de saber a verdade.

UNITA CRESCE ENQUANTO MPLA DESCE (∆% 2008-2012)

Desafio por isso, os detentores reais dos interesses económicos violadores dos direitos humanos no Kuando Kubango a vir a público debater conosco as questões suscitadas, porque elas são mesmo de interesse público.

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