sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Dono da aeronave fala em erro humano, gelo e gasolina



Acidente aconteceu na tarde de quarta-feira
Presidente do Aeroclube de Torres Vedras enumera as possíveis causas para o acidente que vitimou duas pessoas. Instrutor e aluno indiciados por homicídio por negligência
O dono da aeronave que aterrou de emergência, na praia de São João, na Costa da Caparica, e que provocou dois mortos no areal aponta três possíveis causas para o acidente. Salientando que cabe ao Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF) "apontar os cenários possíveis", o comandante João Carlos Francisco, presidente do Aeroclube de Torres Vedras, indica ao DN que "há três vetores que são possíveis: a operação da tripulação, fatores externos e parte técnica". Dito de outra forma: "Falha dos tripulantes, combustível contaminado, gelo no carburador ou um problema técnico."
Ontem, o instrutor e o aluno que iam a bordo da aeronave acidentada, na quarta-feira a meio da tarde, foram ouvidos pelo Ministério Público de Almada. No final do interrogatório, que durou o dia inteiro, os dois homens mantiveram o termo de identidade e residência, medida de coação que lhes tinha sido aplicada logo na quarta-feira depois do interrogatório policial. A Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu um comunicado em que confirma que os dois estão indiciados pela "eventual prática de crime de homicídio por negligência". O inquérito está em segredo de justiça.
Paralelamente à investigação judicial, segue a investigação técnica que é feita pelo GPIAAF. E é nesse campo que João Carlos Fernandes admite a hipótese de se terem tratado de condições naturais a afetar a aeronave. "Já aconteceu, há muita humanidade no ar, e o combustível como é volátil pode condensar e causar problemas no motor do aparelho", aponta. Também pode dar-se o caso de a humidade ter ajudado à formação de gelo no carburador, acrescenta.
Hipóteses que o piloto de aeronaves Fernando Rodrigues admite como possíveis, mas pouco prováveis, dado o nível de manutenções a que as aeronaves são sujeitas e à atenção que é dada às condições do combustível. "É regra, é para cumprir e toda a gente cumpre. Todos os dias há dezenas de viagens que acontecem a partir do Aeródromo de Tires [onde é instrutor e de onde partiu a avioneta], e naquele dia houve outras aeronaves que abasteceram no mesmo tanque e não houve problemas. Por isso digo que é possível, mas pouco provável".
O Aeródromo de Tires e a escola de aviação a quem o Cessna 152 estava alugado - a Aerocondor - remeteram informações sobre o caso e a investigação para o GPIAAF. Já em relação ao combustível que é monitorizado pela empresa distribuidora, o DN contactou a BP Portugal que apenas confirmou ser a empresa "responsável pelo abastecimento de aeronaves no Aeródromo Municipal de Cascais, localizado em Tires, onde a aeronave acidentada terá feito o seu abastecimento" e afirmou estar "totalmente disponível para colaborar" na investigação. Segundo, o dono da aeronave, o tanque de combustível em causa terá sido selado para análise.
João Carlos Francisco explicou ainda que o Aeroclube de Torres Vedras tem um "protocolo de cedência há 3 ou 4 anos" com a escola de aviação. E que "a aeronave em concreto tem uma manutenção que é 99% feita pela escola e nós só fazemos em caso de necessidade". O comandante esclareceu ainda que o aeroclube só usa a aeronave acidentada "quando há algum evento, provas desportivas, quando precisamos para uma ação em concreto". "Em 1000 horas de voo por ano fazemos cinco ou seis."
Recorde-se que os dois tripulantes aterraram de emergência, reportando falha no motor, no areal da praia de São João, e dessa manobra resultaram dois mortos: um homem de 56 anos e uma menina de 8.

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