quarta-feira, 9 de agosto de 2017

"DAVIZ Simango acaba de dar o mote. O homem colocou o dedinho na ferida e exerceu sobre ela forte pressão"


XÍCARA DE CAFÉ POR Salvador Raimundo
DAVIZ Simango acaba de dar o mote. O homem colocou o dedinho na ferida e exerceu sobre ela forte pressão.
Eufóricos, os líderes políticos de um protagonismo do costume, andam tão fingidos que já nem sabem inventar disfarce que se adeque ao momento.
Pior, a comunidade internacional e os ‘maker opinion’ da praça, sabe-se lá por conveniência ou pura e simplesmente movidos por desconhecimento, ou outra coisa qualquer, embalam nas mesmas asneiras.
Anda toda a gentalha convencida que ao mínimo gesto de Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama juntos, depressa está encontrada a via para uma pacificação duradoura. Nem se dá ao trabalho de olhar ao próprio umbigo, quanto mais aos acontecimentos de há uns anitos.
Somos tão distraídos que foi necessário Daviz Simango, pelos vistos o mais atento da malta, avivar a memória. Ao fazê-lo, o político pisou claramente nos ‘calos’ dos que deviam estar com os pés assentes na terra.
Em boa verdade, cenas como as de Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama, lado-a-lado, foram repetitivas desde a década 90.
A diferença está nos personagens. Nos fartámos de assistir, eufóricos, Joaquim Chissano e Afonso Dhlakama dizendo-se comprometidos com o bem-estar da gente, antevendo um processo eleitoral democrático e limpinho possível.
Antes de a contagem dos votos evoluir, lá estava um dos protagonistas a choramingar, denunciando batota.
Foi assim até as eleições que levaram Filipe Nyusi à Ponta Vermelha, sustentado por uma maioria parlamentar.
As queixas, essas, se calhar para não variar, estiveram patentes também nestas recentes eleições, entretanto bem avalizadas pela peritagem internacional, insuficiente para demover Dhlakama de impôr condições para não se rebeldar.
Daí que não é preciso ser expert para perceber que a pose dominical de Nyusi e Dhlakama, na Gorongosa, não passa disso mesmo. Pose igual a tantas outras protagonizadas por Chissano e Dhlakama; Guebuza e Dhlakama, que deram no torto.
Pois é, pau que nasce torto só se endireita com outro pau enfiado, preferencialmente na vertical, sentido sul-norte.
Enfiemos, pois, o pau aos órgãos que estiveram por detrás do sururu pós-eleitoral, enumerados por Daviz Simango.
Conselho Constitucional, Comissão Nacional de Eleições, Secretariado Técnico de Administração Eleitoral e Forças de Defesa e Segurança.
Estes órgãos que estiveram debaixo da polémica pós-eleitoral mas sem estarem sujeitos a nenhum reparo, dando ideia de que tudo esteve nos conformes e que o essencial é resgatar o entendimento entre governo e Renamo. Era crasso.
É apaixonante a lista das matérias em discussão, por um consenso a submeter à aprovação parlamentar. No entanto, tudo pode encalhar, se no role das negociatas não forem incluídos questões alistadas por Daviz Simango.
Urge, pois, desentortecer determinados órgãos.
EXPRESSO – 09.08.2017

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