sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A lista dos cúmplices da tragédia da Venezuela também inclui o Bloco, Sócrates e Portas


VENEZUELA


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Nestes dias em que só o PCP e Boaventura Sousa Santos dão o peito às balas pela deriva autoritária na Venezuela é bom lembrar a adesão entusiasmada do Bloco e de Sócrates ao regime do "amigo" Chávez.
A Venezuela tem possivelmente as maiores reservas de petróleo do mundo. Porventura maiores do que as da Arábia Saudita. E tem apenas 30 milhões de habitantes. Como podem faltar bens essenciais nas prateleiras dos mercados? Como pode haver tanta pobreza e exclusão?
A Venezuela é, na América Latina, um dos países com uma das mais antigas e ininterruptas experiências de vivência democrática, tendo chegado a contar com um sistema político pluralista onde os principais partidos se reivindicavam da democracia cristã e da social democracia. Como foi possível chegar à actual deriva autoritária, quase ditatorial? Como é possível tantos dias de protestos gigantescos e de enormes greves e, ao mesmo tempo, o poder não dar qualquer sinal de ceder à vontade popular?
Estas interrogações seriam suficientes para duvidarmos da bondade do governo de Nicolás Maduro. Mais: deveriam levar-nos a questionar toda a herança do “chavismo”, que dura desde 1999. Não deveria ter sido necessário o espectáculo grotesco da farsa eleitoral do passado fim-de-semana – manipulação da representação proporcional, voto sob coacção, fraude descarada na contabilização dos votos, criação de um sistema que, à partida, garantia quase um terço dos lugares na Assembleia Constituinte a grupos controlados pelo regime – para finalmente separar águas e se pensar em sanções. Mas foi isso que aconteceu.
Quem esteve atento à forma como em Portugal quase todos se relacionaram com a Venezuela de Chávez e Maduro sabe que o actual isolamento do PCP, a única força política que insiste em defender o regime, é que é a novidade. A verdade, a triste verdade, é que ao longo de quase duas décadas Hugo Chávez foi recebido em Portugal como “um amigo” e, à esquerda, o chavismo era visto por quase todos como um exemplo a seguir. Hoje quase só o PCP considera que as denúncias da imprensa e das organizações de direitos civis não passam de “uma das mais miseráveis campanhas de patranhas da comunicação social ao serviço do grande capital e do imperialismo” ou que os manifestantes mortos são produto da “violência fascista” desses mesmos manifestantes. Mas eu recordo-me bem de, há uma dúzia de anos, ter sido quase linchado num debate sobre o chavismo em que participei na Associação 25 de Abril (foi Vasco Lourenço que se impôs à assembleia e permitiu que eu falasse). E quem lá estava não era o PCP (que até desconfiava do populismo de Hugo Chávez, pouco ortodoxo e pouco marxista para o gosto dos comunistas) ou Boaventura Sousa Santos – era sobretudo a nossa “esquerda festiva” e muito pouco tolerante.
Por isso devo dizer que aprecio mais a frontalidade do sociólogo de Coimbra quando este sai em defesa do regime de Nicolás Maduro do que da hipocrisia do Bloco de Esquerda, que agora se apressa a gritar “vade retro satanás”. Já Joana Mortágua, ao escrever que “a esquerda de que faço parte nunca foi ambígua sobre a condenação de regimes que oprimem o povo e sufocam a democracia”, nem repara na contradição em que cai, pois algumas linhas antes garantira que a sua actual revolta resultava de o chavismo ter passado “de projeto do povo a ditadura de caudilho” quando, na verdade, o que o chavismo perdeu foi o seu caudilho pois há muito que deixara de ser uma democracia respeitadora dos direitos civis.
Mas antes de irmos a essa discussão vale a pena ocuparmo-nos um pouco da grande mistificação alimentada por gente como o “cientista social” Boaventura. Tomemos esta passagem do seu quase manifesto em defesa do chavismo e do “madurismo”: “As conquistas sociais das últimas duas décadas são indiscutíveis. Para o provar basta consultar o relatório da ONU de 2016 sobre a evolução do índice de desenvolvimento humano. (…) De 1990 a 2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0.634 para 0.767, um aumento de 20.9%”.
O que me chamou a atenção nesta passagem foi a escolha do ano de referência: porquê 1990 se Hugo Chávez só chegou ao poder em 1999? Uma parte da resposta está na frequência com que esses relatórios da ONU eram produzidos nessa época: há um para 1990 e outro para 2000. Ou seja, não temos nenhum para 1999, o “ano Chávez”. Mas é uma explicação insuficiente, pois há outra bem melhor: se tomarmos o IDH de 2000 verificamos que ele foi de 0.775 e que a Venezuela estava então no lugar 69 do ranking. Ou seja, um ano depois de chegar ao poder e numa altura em que dificilmente se poderia considerar o efeito da sua governação num índice que integra, por exemplo, a literacia de toda a população, algo que não se muda de um ano para o outro, o IDH registado foi superior ao contabilizado depois de 15 anos de chavismo, 0.775 contra 0.767. Mais: a Venezuela caiu do lugar 69 para o lugar 71.
Todos sabemos que os números podem ser “torturados”, arte em que os políticos são mestres, mas aqui estamos a falar de um texto de um “cientista social” que, para mais, já se encontra também reproduzido no site de uma instituição científica do Estado, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
Mesmo desmontando esta tosca falácia de Boaventura Sousa Santos não cairei na armadilha de defender que não houve evolução social na Venezuela nestas últimas duas décadas. Houve, mas é necessário saber a que custo e com que consequências para o futuro do país e, sobretudo, para o futuro daqueles que estão mais desprotegidos.
Primeiro que tudo: a Venezuela não é nem nunca foi o “regime do povo” que nos venderam anos a fio. Tomemos, por exemplo, um indicador sempre muito apreciado pela esquerda que venerou e ainda venera Hugo Chávez: o coeficiente de Gini, uma das melhores formas de medir o grau de desigualdade existente numa sociedade. Em 2013 esse coeficiente era de 44,8, o que significa que era bem mais elevado do que o medido em Portugal (34,5) nesse tempo em que estávamos no auge da crise e, na linguagem da mesma esquerda, sofríamos as consequência de um desalmado neoliberalismo. Qual era o coeficiente de Gini em 2000 na Venezuela? 42,0. Ou seja, ao fim de 15 anos de chavismo o país está mais desigual.
Contudo, por uma questão de honestidade intelectual, é necessário reconhecer que neste intervalo de tempo o coeficiente de Gini diminuiu, registando um mínimo de 39,0 em 2011. Porque é que se começou a agravar depois dessa altura? A resposta é simples: o “milagre social” do chavismo, a “distribuição de renda” promovida pelo bolivarianismo, só foi possível enquanto o rendimento do petróleo gerou receitas suficientes para pagar tudo e mais alguma coisa. Faltavam médicos? Oferecia-se petróleo a preço de amigo a uma Cuba esfomeada e recebiam-se em troca legiões de médicos. Era preciso erguer bairros sociais? Telefonava-se ao amigo Sócrates e este despachava o Grupo Lena.
O método foi sempre o mesmo: em vez de aproveitar o rendimento de um petróleo com preços inflaccionados para construir uma economia sustentável, distribuíram-se esses milhões e milhões por aquela parte da população que acabaria por reeleger e reeleger um Hugo Chávez que, entretanto, retirara da Constituição o princípio da limitação de mandatos. Muitas pessoas saíram da pobreza? Sim, saíram. Mas mal os preços do petróleo começaram a cair, a pobreza e a desigualdade regressaram em força. Afinal de contas Chávez morreu em 2013 – e é precisamente de 2013 o coeficiente de Gini que referi atrás. Os males não chegaram com Nicolás Maduro, já lá estavam com Chávez. O problema não foi, ao contrário do que escreveu Boaventura, “liderança carismática de Chávez” não ter sucessor – o problema foi o modelo de Chávez não ter saída quando se acabou a ilusão dos petrodólares.
Pior: o chavismo não falhou apenas por não ter criado uma economia menos dependente da renda do petróleo, falhou porque destruiu a economia que existia, combateu como pode os “capitalistas” e fez da Venezuela, de acordo com a The Heritage Foundation e Wall Street Journal, o país tem o pior regime do mundo no que respeita à protecção dos direitos de propriedade (um registo de 5,0 numa escala de 100). Ora quando os direitos de propriedade não estão protegidos ninguém investe, os capitais fogem e só fica quem, como muitos comerciantes portugueses, não tem mesmo para onde ir, mesmo assim correndo o risco de ser preso por especulação apenas por ir ajustando os seus preços à hiperinflacção (que chegou aos 700%).
Mais: se considerarmos o chamado “índice de miséria”, verificamos que a Venuzuela ocupa o último lugar entre 89 países (dados de 2013). Este não é um índice de pobreza ou riqueza, antes um indicador que integra variáveis como a inflação, as taxas de juro, o desemprego e o crescimento económico, reflectindo por isso sobretudo a percepção de ter pela frente um futuro difícil – e ninguém duvida como isso foi verdade de 2013 para cá, neste tempo de Nicolás Maduro onde até a comida está racionada
Não é por isso pois chegar ao que é obsceno, como os excessos parisienses da família de Maduro (já aqui recordados por Maria João Marques), ou o nascimento de uma nova e próspera oligarquia chavista no mundo dos negócios (excelente a reportagem do Financial Times sobre esta nova “burguesia bolivariana”), ou ainda às ligações perigosas do “amigo Chávez” com José Sócrates e Ricardo Salgado, pois há pistas do dinheiro ainda por revelar – basta ficar no que toda a gente sabe para perceber que só um supremo desprezo pela democracia justifica as dores do PCP e os amores de Boaventura.
Mas então e o Bloco? E aqueles sectores do PS que andaram de braço dado com o comandante? E até de Paulo Portas, que não desdenhou negócios venezuelanos? E então a posição do governo português, mais renitente à aplicação de sanções, mesmo depois de alinhar com a União Europeia no não reconhecimento da eleição fraudulenta para a Assembleia Constituinte?
Deixemos de lado as razões de Estado – que são atendíveis e, no nosso caso, não podem ignorar o destino de centenas de milhar de portugueses que vivem na Venezuela – para irmos apenas ao que há muito era visível mas muitos não quiseram ver: a deriva autoritária do chavismo.
É curioso ouvir Catarina Martins dizer que “o BE nunca confundiu a democracia com o acto formal de voto” não interessa apenas recordar como o partido elogiava Chávez e a sua “luta contra o imperialismo e o FMI”, interessa sublinhar que ela, como muitos socialistas portugueses, ou não sabem o que é uma democracia, ou fizeram de conta que não perceberam o que há muitos, muitos anos se estava a passar na Venezuela.
E o que se estava a passar na Venezuela era a transição de uma democracia plena, onde eleições justas coexistem com limitações ao poder executivo, protecção da liberdade e do pluralismo e ainda mecanismos de pesos e contrapesas, para aquilo que os estudiosos designam como regimes híbridos, onde continuam a realizar-se eleições mas tudo o resto vai desaparecendo, sendo substituído por práticas autoritárias. É nesses regimes que deixa de ser possível cumprir o critério primeiro para saber se uma democracia é mesmo uma democracia, que não é haver eleições livres e justas, é sabermos que os governos podem ser substituídos de forma pacífica, na célebre definição de Karl Popper. Ora aquilo que Chávez fez e Maduro prosseguiu foi criar um regime que permitisse a sua eternização no poder – enquanto houve dinheiro do petróleo comprando com ele a popularidade, quando deixou de haver dinheiro do petróleo, recorrendo à repressão pura e dura. Esse processo de “legalismo autocrático” está muito bem descrito por um estudioso da realidade venezuelana, Javier Corrales, que nos mostra como tudo começou logo em 1999, com uma nova Constituição desenhada à medida de Chávez e que aumentava os seus poderes. Ou como tudo prosseguiu com a mudança de natureza do poder judicial através da nomeação de juízes favoráveis ao regime: basta pensar que das 45.474 decisões tomadas pelo Supremo Tribunal entre 2005 e 2015 nenhuma foi desfavorável ao regime. Se a isto acrescentarmos os ataques à liberdade de informação, incluindo as “conversas” de horas de Chávez a ocupar todos os canais de televisões, ou as dúvidas sobre a ocorrência de fraudes nalgumas disputas eleitorais mais apertadas, temos uma pequena ideia do que foi a deriva de um regime que Sócrates bajulava, o Bloco aplaudia e a quem até Portas pedia uns tostões.
Não tenhamos pois dúvidas ou hesitações, como o nosso governo parece continuar a ter. Neste momento o caminho a seguir é aplicar sanções aos líderes do chavismo, como Maduro à cabeça, congelando as suas contas. Como já disse o insuspeito Felipe Gonzalez, que depois de comparar a actual situação à da “democracia orgânica de Franco”, acrescentou que os dirigentes chavistas desviaram milhões para o estrangeiro não passando de “revolucionários de pacotilha que traíram o seu país e levaram para o exterior o seu dinheiro à custa da fome dos venezuelanos”.
Chega, não acham?

ç
João Cardoso
6 m
Paulo Portas andou aos abraços a maduro e chaves? Em que governo participou ele? Já sei, num governo de maioria de esquerda PCP+BE. As coisas que se aprendem por aqui.
Francis FerrerJoão Cardoso
1 m
Este JMF tem uma memória e uma visão selectiva...é por causa disso que eu só leio os títulos dos seus artigos. Começa a estar ao nível das bancadas da oposicção ...
Nucha Neves
7 m
Parabéns pelo excelente artigo,a esquerda não tem vergonha,escravizam o povo mas eles enriquecem
Joaquim Sousa AlvesNucha Neves
1 m
uma escravatura lixada para o povo... antes do chvez é que era um país maravilhoso...

http://www.theguardian.com/news/datablog/2012/oct/04/venezuela-hugo-chavez-election-data
Luis Ilheu
8 m
PSD/CDS são mais Mohameds...
Joaquim Sousa Alves
12 m
desafio todos os que aqui vierem a comentar moldados pela imprensa ocidental conspurcada a comentar este link...

http://www.theguardian.com/news/datablog/2012/oct/04/venezuela-hugo-chavez-election-data
guardian!!!??? fala sobre as comunidades portuguesas...
Joaquim Sousa AlvesJoaquim Sousa Alves
9 m
e já agora este link...

https://www.rt.com/news/golinger-documents-venezuela-destabilization-299/

reparem na data de publicação do artigo!
Luis Ilheu
13 m
O Jornalismo Português e o desprezo pela comunidades portuguesas...
Manuel FernandesLuis Ilheu
11 m
Vai trabalhar, malandro !!!
Luis IlheuLuis Ilheu
11 m
nunca pensei que a comunidade portuguesas na Venezuela podessem ser tão desprezadas apenas pelo facto de serem apoliticas...
Jorge TomasLuis Ilheu
9 m
Voçê está tão preocupado com a comunidade lusa na Venezuela como eu estou interessado nas suas diarreias mentais.Mas de um "demente" vermelho que mais esperar?? Deixe-me dizer-lhe que quem gostava muito de negócios com as "ditaduras Mohameds" era o cidadão 44. Sobretudo com o ex-líder da Libia (esse bastião da democracia) Muammar Kaddafi.O que vos falta? O mesmo que falta a Maduro. Honestidade, e vergonha!!Vergam-se a tudo e a qualquer coisa, engolem tudo e algo mais..Vá, mas é ajudar a montar as barraquinhas na festa do Avante e deixe-se de conversa da treta. 
José Caretas
13 m
Totalitarismo é violência. 
Não há violência "boa" por ser de esquerda, ou de direita, ou religiosa, ou clubística, etc.
O totalitarismo e a violência  são um atentado aos Direitos Humanos e não é possível defender a Democracia e ao mesmo tempo elogiar ditadores, violentos e gente que não tem respeito nenhum pelos outros seres.
Há dirigentes políticos, académicos e outras pessoas que, enquanto cidadãos, não suportariam viver nos regimes violentos que propõem. Essas pessoas apenas propõem ditaduras (a que chamam nomes lindos) porque sonham vir a exercer o poder sobre os que os apoiam e a violência sobre todos os outros. 
Luis IlheuJosé Caretas
12 m
sim...Mohameds estão a tomar conta da Europa financeiramente e ninguem pia...
Jose Melo
18 m
É claro que Maduro é um bacoco. Mas que ninguém pense que tudo o que ele diz vem da cabeça dele; ele não tem inteligência para isso, mesmo que só diga perigosas asneiras. O mais perigoso daquela seita é Deusdado, provavelmente sucessor de Maduro e muitas vezes pior. De resto as derivas nacionais são habituais; com a Venezuela e com muitas outras coisas. Depende dos interesses e do poder. Nada de novo. Até a coerência do PCP em apoiar ditadores assassinos, não é de agora. Naturalmente que muitos comunistas, não todos, pois nem todos são dementes, apoiam esse tipo de regimes.
Luis IlheuJose Melo
14 m
o PSD/CDS tambem apoiam ditadores assassinos...Arabia Saudita, Qatar...mas estes são mais capitalistas...
Zé Marques
18 m
Porque é que o cronista malha tanto no PCP e esquece o anterior governo.
Dá jeito mas tira toda a credibilidade à croniqueta.

Paulo Portas disse que teve "a sorte de trabalhar muito de perto" com o então ministro das Relações Exteriores e agora presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
"Quis fazer aqui uma visita porque, como é sabido em todo o mundo, seja qual for a perspetiva doutrinária, o Presidente Chávez teve muita relevância na política da América Latina e como eu disse no dia da sua morte, foi amigo de Portugal. Este é um gesto que tem esse significado"

Luis Ilheu
19 m
se o jornalismo português ( só por benevolencia é que se chama português pois a maior parte já está nas mãos da estrangeirada ) despreza as comunidades portuguesas na Venezuela ( deixemos de lado...) então os politicos...
Luis Ilheu
22 m
falam do PCP/BE mas defendem com unhas e dentes a transferencia da soberania portuguesa para o comité central da UE...
Carlos MadeiraLuis Ilheu
20 m
Estaríamos bem melhor, sem "desvios" oportunos e dívida galopante.
Luis IlheuCarlos Madeira
19 m
quando transferem mais soberania portuguesa para os comité central da UE...
Luis Ilheu
24 m
Venezuela é uma ditadura má...as ditaduras dos Mohameds são acarinhadas na Europa!! compram clubes de futebol...comprar orgãos de comunicação social...comprar aeroportos...dão vida à industria do armamento ocidental...e todos caladinhos!!!! 
Francisco José
25 m
O Maduro está "Podre" e estes Boaventuras, PCP's e BE's só o defendem porque não fazem parte dos que sofrem a sua tirania! Os portugueses que têm de lá sair não são o facto evidente até onde chegou o Maduro? Está "Podre"!... Quem defendo o Maduro está contra os portugueses que estão na Venuzuela!
o PSD/CDS defendem as ditaduras do Mohameds...
Luis Ilheu
27 m
"Deixemos de lado as razões de Estado – que são atendíveis e, no nosso caso, não podem ignorar o destino de centenas de milhar de portugueses que vivem na Venezuela – para irmos apenas ao que há muito era visível mas muitos não quiseram ver: a deriva autoritária do chavismo."
.
escrever sobre a Venezuela e deixar de lado um milhão de nacionais...para se ir discutir o k?????
Francisco José
28 m
Este Boaventura Sousa Santos, pago com os nossos impostos,  é mais um que defendem a ditadura na nossa democracia. Este Senhor, se se apanhsse no poder com os seus camaradas tiranos do BE e do PCP mataria quem com eles não concordasse...
os psd/cds são mais mohameds e fundos...não sei quais é que são os piores!!! uma coisa é certa o que é português é para ser destruido...
Luis Ilheu
29 m
é urgente retirar os portugueses da Venezuela!!! os Jornalistas já querem trazer a Venezuela politica para o centro da vida politica portuguesa...deixando a comunidade portuguesa para segundo plano!!! mas tambem quem destroi o sistema financeiro português só se pode estar borrifando para as comunidades portuguesas...as ideologias primeiro a comunidade portuguesas que se fod... 
Luis Ilheu
32 m
um jornalista em Portugal que escreve sobre a Venezuela e sem uma palavrinha sobre a grande comunidade portuguesa...inacreditavel!! colocam à frente da comunidade portuguesa as ideologias...até já defendem que Portugal aplique sanções...ai meu Deus...

Vitor Reis
34 m
Sejamos claros, Maduro ou Verde, já se viu que o herdeiro chavista não presta. Como não prestou o anterior idílico comandante. A exemplo de outros “rapazes” que proliferam nas “democracias avançadas”, o venezuelano do fatinho de treino colorido não é mais do que um personagem político que abomina ideias contrárias e que detesta que outros tenham opiniões diferentes. Afinal, todas as ditaduras e os ditadores são assim. Para os de fora, os discursos inflamados do senhor de bigode são preocupantes, mas para os de dentro são terríveis. E o problema maior, para além da escassez de tudo, são as suas ideias e a permanente obsessão de castrar quem não pense da mesma maneira. 

São estes políticos abomináveis, como são abomináveis quem os defende. O tal sociólogo e aqueles militantes de esquerda sempre prontos a defender os inimigos das liberdades e do pluralismo são só a imagem de uma esquerda desprezível. Pregam a democracia quando estão fora do poder e depois revelam-se nas mais nefastas atitudes de ditadores quando o alcançam. Por mais “textos avançados” que escrevam, por mais bajulices e aplausos para os ditadores não conseguem deixar de ser delirantes e, acima de tudo, dementes. A vontade popular não é um conceito absoluto ou relativo, é nulo. Em vez de eleições livres preferem eleições controladas e dominadas e, já agora, mentirosas. E ao mesmo tempo usam a repressão sob a imagem de defesa do seu povo perante o “imperialismo estrangeiro”. 

A Coreia do Norte é uma “democracia avançada” em que também há eleições, pois então. E nem são precisas sondagens. O Grande Líder ganha sempre e o povo anda feliz e contente, porque o país é próspero, pois claro. O próprio PC de cá adora a vida de lá. Um exemplo vindo de tão longe. E tem uma paixão assolapada pela Venezuela, não por causa do petróleo, mas porque a sua matriz é totalitária. Já agora, só um exercício para entreter a mente: pensem só os leitores o que seria de um país como o nosso se algum dia o PC e alguns outros “aprendizes em bloco” (com mais ou menos sociologia linguística) estivessem no poder sozinhos. A democracia deles seria tanto venezuelana como coreana. Ou há dúvidas democráticas?
Joaquim Sousa AlvesVitor Reis
14 m
os factos demonstram a sua imensa ignorância!

http://www.theguardian.com/news/datablog/2012/oct/04/venezuela-hugo-chavez-election-data

dados da imprensa neoliberal... na realidade os números ainda o devem favorecer mais!
Luis Ilheu
35 m
e de Paulo Portas...
chico fininho
38 m
gostava de acrescentar o nosso PR que correu a visitar fidel castro e com rasgados elogios ... eo fiquei envergonhado como português 
Paulo Correia
38 m
E nem assim gostam do carantonhas. Pobre povo que não dá valor a um velho pessimista.
victor guerra
40 m
Mas "isso" é a "esquerda"e o PCP tem uma posição diferente ,porque nem é "esquerda" e quer ser diferente do Bloco e da ala folclórica do PS.Foi ,assim,com o Syriza ,Tsipras e o "genial Varou,foi com o Podemos  e até com o Hollande,de quem diziam ir mudar a Europa e "amansar" a Merkel( na altura,ainda com bigode à Hitrler).Este "esquerdalho" tem de viver com e à custa do capitalismo,que sabem todos bem gerir,mas encontram nos eleitorados ignorantes e atrasados ,o seu mercado para a conversa fiada.
Anti-intelectualismo sem fronteiras
O artigo de opinião que reproduzo mais abaixo inspirou-me a fazer a reflexão que se segue. Tem algo de familiar. Toda a sua plausibilidade assenta sobre uma crítica à caricatura que o autor faz do sociólogo português, Boaventura de Sousa Santos. Este último está enganado porque (1) os círculos da direita portuguesa o consideram um idiota, (2) ele defende regimes não-democráticos, (3) ele é contra a democracia, (4) o regime que ele defende é corrupto e violento e, como o próprio título já diz (5) Boaventura rima com ditadura.
O texto parece reagir a um artigo de opinião do visado e que é referenciado. O problema, contudo, é que nesse texto Boaventura de Sousa Santos produz uma reflexão baseada em dados concretos sobre o que ele considera serem as conquistas da “revolução bolivariana” e usa isso como base para exigir mais cuidado e maior discernimento na abordagem da situação na Venezuela. Para ser uma reacção a este texto, portanto, o artigo de opinião de João Miguel Tavares tinha de discutir os méritos das questões colocadas no texto em questão. O apelo à maneira como ele vê Boaventura de Sousa Santos como intelectual (idiota) não é, a rigor, relevante para a discussão que a esfera pública portuguesa poderia ter sobre a Venezuela.
E só para pôr as cartas na mesa. Tenho muitas reticências em relação ao Chavismo e tem sido penoso para mim ver algumas defesas que se fazem desse regime por parte de intelectuais que se reclamam de “esquerda”. Incomoda-me muito a forma como a defesa dos excessos de regimes de esquerda é sempre feita com recurso à crítica de outros regimes piores tolerados pelos EUA ou com recurso aos seus feitos sociais. Acho que a crítica, para ser coerente, tem de ter como ponto de partida algum princípio – digamos, justiça social – cuja morfologia em resultado da nossa própria reflexão deve guiar a avaliação do que em seu nome se faz. Defender Fidel Castro, Moamar Gadafi ou, já agora, o nosso próprio barbudo só porque satisfizeram parte dos critérios desse princípio, apesar de violarem outros, não me parece coerente, nem necessário. A crítica intelectual só é útil quando se refere a princípios, não a pessoas, acho.
O texto de Boaventura de Sousa Santos em causa por acaso até nem faz nenhuma das coisas que acabo de considerar problemáticas no tipo de defesa que se faz ao autoritarismo de esquerda. E também por causa disso acho a reacção do articulista português do jornal “O Público” interessante. Ela manifesta uma postura que nega aquilo que lhe dá espaço de enunciação. É a ideia de que só tem direito à palavra quem pensa como eu. E quem pensa como eu é aquele que defende a democracia (como eu a defino). Quando o articulista, por exemplo, lamenta que a democracia permita que os inimigos da democracia sejam pagos pelos impostos da sociedade, ele revela um entendimento bastante problemático não só da democracia como também da actividade académica.
Com efeito, quando a democracia defende a liberdade de expressão não o faz apenas para proteger a liberdade individual. Fá-lo também para se inocular contra a sua própria complacência, pois a sua robustez vem da sua capacidade de resistir à, ou transformar-se de acordo com a crítica. Aqui entra aquele princípio Popperiano controverso do falsificacionismo, nomeadamente aquela ideia segundo a qual uma teoria só seria válida até prova em contrário. Nas suas incursões políticas Karl Popper criticou justamente esta postura naquilo que ele chamou de historicismo marxista. Chega a ser curioso que pessoas que se consideram de direita assumam uma postura intelectual que entra em choque com a defesa que um dos maiores críticos da esquerda fez aos inimigos da sociedade aberta!
Só que isso não me parece fortuito. Há alguma dificuldade em entender o que os académicos fazem. Numa perspectiva democrática a postura crítica académica é muito importante, pois ela mantém no centro da agenda a questão da falibilidade humana. Por mais desvairada que seja a opinião dum académico – e a capacidade de identificar o desvairo pressupõe um certo nível intelectual e académico – ela não pode ser tomada de ânimo leve, pois o que a justifica é esta possibilidade de nos termos enganado. Se fosse possível determinar o que é bom e mau duma vez por todas, os EUA, por exemplo, nunca teriam reagido às reivendicações dos negros em prol dos direitos cívicos. Teriam confiado nos João Miguel Tavares deste mundo para decidir quem deve falar e quem deve se calar em nome da democracia.
Este assunto interessa-me por estar também presente na nossa esfera pública. E o pior no nosso caso é que ela é promovida até por intelectuais ou mesmo por pessoas com credenciais académicas insuspeitas. É uma postura curiosamente hostil à actividade intelectual que constantemente promove a ideia de que a preferência política é o unico critério que precisamos para determinar se alguma decisão política é boa ou má, ou se a crítica ou apoio a essa decisão também é boa ou má. Quando não é assim promove-se a ideia de que (disfarçar) neutralidade destingue o intelectual genuino do intelectual politicamente motivado. Já houve jovens no Facebook que me pediram em privado para não dizer que sou fã de Guebuza ou simpatizante da Frelimo para que seja fácil transmitir o que tenho a dizer. A minha resposta pedagógica tem sido de insistir nisso desafiando-os a aprenderem a avaliar os méritos das questões que alguém coloca.
O anti-intelectualismo constitui um dos maiores perigos que a democracia enfrenta. E o pior nele é que pode ser promovido por pessoas totalmente convencidas de estarem a defender a democracia. Trump, sem o anti-intelectualismo da sociedade americana, provavelmente nunca teria acontecido. A nossa democracia hoje, em Moçambique, seria muito mais robusta se a nossa massa intelectual compreendesse melhor a democracia e fosse muito mais coerente na sua defesa. E deixasse de hostilizar quem a promove expondo a sua falibilidade.
Queria esclarecer que o professor Boaventura Sousa Santos não é um idiota, ao contrário do que pensam vários amigos meus de direita.
PUBLICO.PT
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Comentários
Ricardo Santos
Ricardo Santos O João Miguel Tavares faz parte um sector propagandístico de uma certa intelectualidade portuguesa que nos quer habituar a não discutir ideias. Deve ter sonhado com essa frase "Boaventura rima com ditadura", gostou da frase e escreveu um texto vazio no qual não debate nada. Como bem dizes não chega sequer a debater os argumentos do Boaventura Sousa Santos.
Mas essa é uma situação recorrente nos textos dele e de alguns outros. Tal como acontece na pérola do índico. O sublinhado é teu, no último parágrafo.
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