terça-feira, 4 de outubro de 2016

Sobre a paz tão almejada desde 1992

Sobre a paz tão almejada desde 1992

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CARTA A MUITOS AMIGOS
A 4 de Outubro a que chamamos Dia da Paz deveríamos celebrar a tranquilidade e poder trabalhar à vontade. Passaram-se 24 anos desde que em Roma se assinou o Acordo Geral de Paz e o cessar-fogo.
Em Maputo criaram-se as melhores condições para o alojamento em vivendas muito condignas os diferentes dirigentes da RENAMO, desde o seu eterno presidente até aos então dirigentes do topo, lembro-me dos casos de Vicente Ululu, Raul Domingos, etc.
Diga-se de passagem que o chefe muda de direcção com talvez a mesma frequência quem manda lavar as camisasHigiene Política!
Os factos mais que provaram:
1.  Que contrariamente ao acordado e assinado diante de numerosas testemunhas estrangeiras e nacionais, a comunicação social de todos os quadrantes do mundo, JAMAIS a RENAMO entregou as armas e os seus bandoleiros.
2.  O Governo integrou os homens recebidos, um e até hoje Vice-Chefe do Estado-Maior General, outro no comando da marinha de guerra, outro na chefia das forças blindadas. Para nossa infelicidade nenhum possuía a mínima competência científico-técnica para o desempenho da tarefa. Tudo se destruiu!
3.  O super-chefe só se interessa por uma coisa: dinheiro e em notas. Não quer ouvir falar de contas bancárias. Tudo nas suas maletas ou por baixo do colchão, tal um camponês ignorante e analfabeto.
4.  Persiste no discurso de que ganha sempre as eleições perdendo depois pelas fraudes.
5.  Um Tribunal Internacional com magistrados de reputação mundial, sem que nele participassem quaisquer juristas ou juízes moçambicanos, fez a supervisão das eleições de 1994, jamais recebeu qualquer queixa minimamente plausível. Fraude? Pois é esse homem quem não passa de uma fraude e armada.
6.  Agora e sempre quer governar. Muito bem, algumas perguntas deveriam ser respondidas previamente:
a.   Alguma vez perante os órgãos do seu partido apresentou um relatório e contas com os respectivos justificativos?
b.   A quem vai apresentar os dados sobre a execução do orçamento da província?
c.   A quem se subordina o Governador?
d.   Quais as tarefas do Governador? Levar a cabo o Programa do Governo aprovado pela Assembleia da República ou um outro programa qualquer que não sabemos quem deve aprovar?
e.   Mesmo nas províncias em que obteve a maioria dos votos, obteve maioria em cada distrito ou município dessa província?
Com facilidade falam alguns em federalisar o país. Interroguemo-nos sobre onde e quando e porque razão surgiram países federais.
1.   Na Europa:
a.   A mais antiga federação a Espanha, criada no final do século XV quando Fernando de Aragão e Isabel de Castela fundiram os seus reinos após a conquista de Granada. Havia numerosos reinos e até hoje bascos, catalães falam em separar-se da Espanha.
b.   No Reino Unido que se chama Reino Unido da Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte reflectindo o modo como se foi formando e até hoje com contestações quer na Escócia quer na Irlanda que recusam as políticas de Londres, nomeadamente sobre a Europa.
c.   Na Alemanha nos finais do século XIX sob a égide militar do Rei da Prússia, depois Imperador da Alemanha, se fundiram de algum modo os diversos reinos sob as mãos férreas de Guilherme I e Otto von Bismarck, na sequência das guerras franco-prussianas.
d.   A Itália também se criou no século XIX, a luta de Garibaldi, Cavour e do Rei Victor Emanuel por razões óbvias do processo optou pela federação.
e.   A Rússia e a URSS com as mais diversas nacionalidades e estendendo-se do Báltico ao Pacífico também optou pela federação, iniciada sob o punho de ferro de Ivan o Terrível e Catarina a Grande.
f.    A Bélgica pouco conta uma criação de um estado tampão com várias nacionalidades e prevenindo o choque entre a França e a Alemanha, o que não resultou quer na I quer na II Guerra mundiais.
2.  Os Estados Unidos e numerosos países do continente americano, tal como a Austrália, foram-se formando exterminando os povos nativos e criando-se a partir dos emigrantes europeus e nas Américas dos escravos vindos da África. Os Estados Unidos conheceram diversas guerras internas e pode-se dizer que se formaram aos poucos.
Quando falamos de federalismo em Moçambique a partir de que experiências e realidades buscamos a inspiração?
Porventura a conquista da África pelas potências coloniais não resultou das numerosas lutas internas entre os diferentes chefes tribais?
Não se aliavam os ingleses, alemães, belgas, franceses, portugueses com este e aquele leader para derrubarem o vizinho e na sequência com mais este e aquele, aplicando o princípio do corvo de comer dois gafanhotos ao mesmo tempo quando lutam entre si!
Não conquistamos a nossa independência e não derrotamos o ocupante porque nos unimos do Rovuma ao Maputo?
A nossa independência e liberdade estão devidamente consolidadas face aos apetites e manobras das transnacionais do petróleo, gás, carvão, madeiras, ouro, pedras preciosas e semi-preciosas, terras férteis? Não se fomentam guerras em várias partes do mundo para se atingirem esses objectivos sórdidos?
Devemos acreditar cegamente nas ditas elites nacionais políticas, económicas? Não se vendem elas frequentemente como vemos no mundo, na África e mesmo aqui por um punhado de dinheiros como Judas Iscariotes?
 Desejamos o melhor mas o combate mostra-se longo e difícil e como afirmou Mondlane no enterro de Mateus Sansão Muthemba a LUTA CONTINUA!
Para o seu sucesso o meu abraço e dedicação.
P.S. De 1 a 3 de Outubro na Matola decorreu a Conferência de Quadros da FRELIMO.
Nada se mostrou passivo e a vontade de purificação das fileiras, por termo aos corruptos, nepotistas e quejandas afirmou-se e reafirmou-se, tal como o apoio ao esforço de Nyusi limpar a casa. Veremos!
SV

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