quinta-feira, 23 de junho de 2016

Lula, ao CdB, afirma que Dilma se decidirá sobre novas eleições

Embora não tenha se declarado claramente favorável à consulta pública, para corroborar a permanência de Dilma no poder, Lula se mostrou disposto a integrar uma eventual campanha nesse sentido

Por Gilberto de Souza – do Rio de Janeiro
Ex-presidente da República e líder de grande parte da esquerda brasileira, Luiz Inácio Lula da Silva define que caberá à presidenta Dilma Rousseff — afastada por força de um golpe de Estado, em curso no país — decidir se convoca eleições gerais ou um plebiscito para definir seu futuro político. Em uma entrevista exclusiva à reportagem do Correio do Brasil, pouco antes de falar ao público de cerca de 5 mil pessoas que lotava o lançamento da pré-candidatura da deputada Jandira Feghali (PCdoB) à prefeitura do Rio, no Centro da cidade, noite passada, Lula afirmou que seguirá as orientações dos partidos que integram o esforço de resistência ao regime de exceção instalado no Brasil.
Lula e Jandira beijam a sambista Beth Carvalho, durante ato no Centro do Rio
Lula e Jandira beijam a sambista Beth Carvalho, durante ato no Centro do Rio
Embora não tenha se declarado claramente favorável à consulta pública, para corroborar a permanência de Dilma no poder, Lula se mostrou disposto a integrar uma eventual campanha nesse sentido. Caso a presidenta em queda resolva liderar um processo eleitoral, tenderá a oferecer uma nova alternativa aos eleitores, como sugeriu o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), em pronunciamento na tarde de segunda-feira.
— Flavio Dino é um grande aliado da Dilma. Eu, no entanto, estou numa linha de obediência à Frente Brasil Popular (FBP), aos partidos que apoiam a Dilma. (A convocação de novas eleições ou de um plebiscito) depende muito da decisão da Dilma — afirmou Lula, com exclusividade ao CdB.

Lula e as eleições

Ainda que o ex-presidente tenha deixado o protagonismo de uma eventual nova eleição no país, ainda não está claro para o Partido dos Trabalhadores se haverá, ou não, apoio à iniciativa. Presidente nacional da legenda, o jornalista Rui Falcão é francamente contrário à redução do mandato conquistado nas urnas, em 2014. Em uma rápida entrevista ao CdB, Falcão descarta o apoio do PT à iniciativa.
— Não concordo com a antecipação das eleições sem reforma política. Antecipar eleição é reduzir o mandato da presidenta. Primeiro é preciso vencer o golpe. Quem tem legitimidade para propor plebiscito é o Congresso. Os senadores podem fazer isso sem depender da presidenta, se querem — atalhou o presidente nacional do PT.
A opinião do comandante nacional do partido, porém, está longe de ser uma unanimidade junto aos demais filiados. Prefeito de Maricá e presidente regional do PT, no Estado do Rio, Washington Luiz Cardoso Siqueira, conhecido politicamente como Washington Quaquá, seria favorável ao sufrágio de um novo governo, desde que este significasse o retorno do país ao estado democrático e de direito. Ele acredita que Dilma pense também desta forma.
— Em primeiro lugar, é preciso restabelecer o mínimo de institucionalidade no Brasil, quebrada há muito tempo nessa associação da mídia das famílias ricas com uma parte grande, hegemônica, do Judiciário, passando por cima dos direitos e garantias individuais, desde o episódio do mensalão. Restabelecer a democracia significa a volta da Dilma e o fim do governo golpista, ilegítimo, do Temer. Qualquer solução que conseguir pactuar com a maioria do senado e do congresso para o restabelecimento da presidenta eleita é válido. Portanto, não descarto, e a própria Dilma não descarta a possibilidade de antecipar as eleições – disse.
Na véspera, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), passou a apoiar a realização de novas eleições presidenciais como solução de curto prazo para evitar a completa ruptura das instituições democráticas do país. Dino é um dos principais aliados da presidenta Dilma Rousseff, afastada do cargo após deflagrado o golpe contra o governo eleito.
— Quando há uma crise muito aguda como esta, somente a soberania popular pode garantir vitalidade para as instituições democráticas. Um pacto, entendimento e novas eleições, é o único cenário para rapidamente superarmos a crise política. Se não for isso, provavelmente vamos ficar caminhando nessa agenda policial e com o sistema político em destroço até 2018, o que é um preço muito alto para a população brasileira pagar — disse a jornalistas.
Outro líder do PCdoB, o ex-ministro Aldo Rebelo também integra a campanha por novas eleições no país. Rebelo reforçou a proposta de plebiscito lançada pelo PCdoB como alternativa para enfrentar a crise política do país.
— O plebiscito não é uma bandeira, é uma plataforma. A proposta do plebiscito tem o objetivo de resgatar os dois elementos decisivos para a governabilidade, que são a legalidade e legitimidade — afirmou Rebelo, a jornalistas.
Para o ex-ministro da Defesa, no governo deposto, “independentemente de quem tenha maior receptividade a esta proposta, não se deve excluir ninguém”.
— O Brasil só vai ter solução se recompuser a coesão em torno de seus desafios. O país dividido, misturado na desconfiança de seus setores médios da sociedade, não encontra energia para enfrentar seus desafios. O país não será capaz de encontrar essa energia no fosso que separa o povo e sua elite, uma elite que nos deu (José) Bonifácio e (Roberto) Simonsen. Ou o país busca uma unidade ou vai se exaurir em confrontos. Não tem solução para o Brasil sem englobar povo, classe média e elite. Qualquer solução excludente imobiliza — disse o dirigente comunista.

Campanha eleitoral

Lula, na Fundição Progresso, falou antes da pré-candidata â prefeitura do Rio assumir a palavara. Ele disse que em 2006 esteve no Rio de Janeiro fez um compromisso de que o Estado ia fazer uma parceria com governo federal como jamais havia acontecido. Para o ex-presidente “era preciso tirar o Rio das páginas policiais, mostrar sua beleza. Era preciso devolver ao Rio o direito de andar de cabeça erguida”.
— Duvido que nos últimos 50 anos tenha acontecido um governo que transferiu tanto dinheiro do governo federal para o Rio como nós transferimos. E não fizemos isso por compromisso partidário, mas porque entendíamos que era um direito”. Lula lançou um recado ao prefeito e ao governador: “durante a Olimpíada não escondam nenhum pobre. Mostrem a cara do povo como ela é — afirmou

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