quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Doutoramento retirado à ministra alemã da Educação por plágio

 


Annette Schavan perde grau académico por decisão da universidade de Düsseldorf, que vai investigar suspeitas levantadas por um blogger anónimo em 2012.
Annette Schavan defendeu a sua tese em 1980
 

A Universidade de Düsseldorf, na Alemanha, decidiu retirar o doutoramento da actual ministra da Educação, Annette Schavan, 57 anos, depois de confirmar que as suspeitas de plágio levantadas por um blogue anónimo, em 2012, tinham razão de ser. A ministra defende a legitimidade da sua tese, defendida em 1980, e promete recorrer. Porém, o seu lugar no governo alemão da conservadora Angela Merkel (CDU) passou a estar em perigo.
É o pior desfecho possível para a titular da pasta da formação e educação na Alemanha. Segundo a descrição da edição online da revista Spiegel, pouco passava das 20h15 de terça-feira quando Bruno Bleckmann, professor de história daquela universidade, anunciou aos jornalistas e ao país a decisão: segundo o conselho científico da faculdade de Filosofia, a tese foi considerada "inválida" e o "título de doutor foi revogado".
A medida foi aprovada por 12 votos a favor, dois contra e uma abstenção. A votação foi secreta e a reunião durou cerca de seis horas, relata a mesma fonte.
No trabalho em causa, de 351 páginas, Schavan abordava a formação de carácter e de consciência. No entanto, os peritos que analisaram a tese, depois de a universidade ter decidido investigar a fundo as alegações anónimas publicadas na Internet, consideraram que a autora incluiu "contributos teóricos" na tese "de forma sistemática e deliberada" mas que "não eram da sua autoria". A conclusão é a de que há "significativas quantidades" de texto que não foram identificadas como citações nem a fonte foi identificada. Por isso, e por ser necessário "proteger a integridade do sistema de qualificações académicas", o doutoramento da ministra voi "revogado". A governante tem agora um mês para recorrer desta decisão.
Este é o segundo caso de plágio académico a afectar figuras do Governo federal de Angela Merkel. Em 2011, o então ministro da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, perdeu o doutoramento pela Universidade de Bayreuth, depois de se ter comprovado que partes da sua dissertação tinham sido copiadas. Foi o fim da carreira política deste governante, que se viu forçado a demitir-se do executivo, apesar de ser na altura um dos membros de Governo mais populares entre os eleitores.
Ironia das ironias, Schavan foi uma das personalidades que se mostraram muito críticas com o caso que envolveu Guttenberg. Graças à sua história familiar e académica, Guttenberg ficou conhecido como o "Barão do copy-paste".
Ministra diz que fica
A decisão da universidade de Düsseldorf apanhou a ministra numa deslocação oficial à África do Sul. Schavan defendeu-se sempre das suspeitas, garantindo que não tinha cometido quaisquer irregularidades.
Foi em Joanesburgo que, segundo o jornal Süddeutsche Zeitung, de Munique, a ministra reagiu ao anúncio da faculdade com a promessa de que iria recorrer, acrescentando que não tenciona abandonar o Governo. Mas o problema académico talvez seja agora a menor das preocupações de Schavan e de Merkel, ambas sob pressão política para que a ministra da educação se demita.
A acontecer, seria um golpe no planeamento eleitoral do partido de Angela Merkel, que perderia uma das suas figuras de proa, no plano nacional, a sete meses das eleições legislativas que estão marcadas para 22 de Setembro.
A secretária-geral do SPD e número dois do principal partido da oposição, Andrea Nahles, disse ao jornal Welt, de Berlim, que a governante deixou de ter credibilidade para ser ministra. E aludindo ao desfecho do caso de Guttenberg, salientou que Schavan "deve assumir as consequências". "As regras devem ser aplicadas a todos – independentemente de quem está envolvido", insistiu.
A líder parlamentar dos Verdes, alega, por seu lado, que não é sustentável manter naquela pasta uma pessoa que tenha violado normas académicas. "Suponho que a ministra não queira prolongar este caso, salvaguardar-se a si e à Ciência e demitir-se."
O único apoio político, até agora, veio do interior do próprio partido da ministra, a CDU. Ao programa matinal do segundo canal alemão, ZDF, o líder da bancada da CDU no parlamento, o Bundestag, Michael Kretschmer, declarou nesta quarta-feira que está "firmemente convencido" de que a tese "respeita as normas que estavam em vigor há 32 anos".

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