sábado, 16 de março de 2019

Semanário Savana nº 1314 de 15.03.2019

0DSXWR GH0DUoRGH ‡$12;;9,‡1o ‡3UHoR 0W‡0RoDPELTXH Moçambique na rota do tráfico de drogas 7UDÀFDQWHVWrPOLJDo}HV FRPDHOLWHSROtWLFD Pág. 2 facebook.com/sgjsm e Whatsapp 848189934,SMS 82/84/861010 ! SOJOGO ESTÁ DAR. *124# LOTARIA ~ TOTOLOTO ~JOKER APOSTE NO SEU TELEMÓVEL, TOTOBOLA EXTRA DISPONIVEL SÓ NO www.sojogo.co.mz e drogas e drogas 5HFROKHXÇQJHOD/HmR DVKRZILVWDGRVGyODUHVGRQHJyFLRVHFXULWiULR Pág. 3 TEMA DA SEMANA 2 Savana 15-03-2019 Q uando começou a circular muito dinheiro proveniente das dívidas ocultas, ela tornou-se uma mulher de ostentação. Comprava carros e imóveis luxuosos. Dos Estados Unidos, trouxe o célebre rapper 50 Cent. Mas, na semana passada, foi detida em conexão com a fraude que empurrou o país à sarjeta. Essa é Ângela Leão, a esposa do ex-director do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), Gregório Leão, também ele nos calabouços em conexão com o caso. Descrita em meios restritos como uma das principais beneficiárias do dinheiro das dívidas ocultas, Ângela Leão não se coibia de fazer o show off a olhos vistos. Mostrava a tudo e todos que tratava os dólares por tu. Talvez pensasse que o país estivesse aos seus pés, ela que tinha o marido na direcção máxima dos temidos serviços secretos. Ângela, uma mulher na casa dos 40 anos, casou-se com Gregório em segundas núpcias. Têm um filho de 11 anos, mas Gregório tem outros do seu primeiro casamento. Ângela Leão é uma antiga estudante do Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI) e terá sido nesta instituição de ensino superior, com ligações ao SISE, onde conheceu o marido Gregório, um antigo embaixador de Moçambique em Portugal. Leão ascendeu à direcção do SISE com a morte, em 2005, em circunstâncias até agora não esclarecidas, de José Castiano Zumbire na direcção do SISE. Zumbire foi levado de emergência ao Hospital Central de Maputo, após ter ingerido um copo de sumo e morreu pouco tempo depois. Decorria uma sessão do Comité Central da Frelimo, onde Armando Guebuza iria tomar a direcção do partido, depois de ter ganho as eleições gerais de 2004, contra o falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama. Naquele que é descrito como o auge da distribuição dos dinheiros das dívidas, Ângela, de dia para noite, começou a comprar casas de luxo e viaturas de alta cilindrada. Era a mulher do momento. Uma das viaturas citadas é uma Nissan Patrol. Trata-se de uma série que, no continente africano, só há registo de duas. A outra viatura igual a de Ângela está no Quénia. Pela “máquina”, a esposa de Gregório terá pago USD 600 mil, claramente, “quantias irrisórias” para quem movimentava milhões. Em Novembro de 2013, chegou a trazer à Moçambique, através da Mozceleb, uma revista de celebridades, o músico 50 Cent, um célebre rapper norte-americano, que terá recebido um milhão de dólares de cachê. Ângela Leão deixou o luxo e seguiu o marido na cadeia Recolheu a dama do show off Por Armando Nhantumbo Coincidentemente, foi precisamente em 2013 que se avolumaram indicações, em círculos reservados, da circulação de “muito dinheiro” proveniente “de um negócio de barcos”. Era, claramente, o momento que começou a distribuição dos 50 milhões de galinhas para um grupo ligado à elite política frelimista e seus filhotes. Na manhã da quinta-feira da semana passada, entretanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) deteve a toda-poderosa esposa do ex-director da secreta moçambicana, num dos últimos episódios de relevo da operação dívidas ocultas. Em 2015 circulou um abaixo assinado da autoria de agentes do SISE, mostrando-se revoltados com suposta ingerência de Ângela Leão na gestão da Secreta. Os queixosos acusavam a esposa do então director do SISE de fazer e desfazer na instituição. Com a detenção de Ângela, subiu para 10 o número de detidos em território nacional em conexão com o caso. O décimo primeiro é Manuel Chang, o ministro das Finanças de Armando Guebuza, detido a 29 de Dezembro na África do Sul. Ângela Leão recolheu aos calabouços após uma acareação promovida pela PGR com Fabião Mabunda, um outro arguido no processo, que havia sido detido na tarde do dia anterior, quarta-feira, após circularem informações de que estava em parte incerta. Mabunda, um jovem empresário ligado à construção civil, é visto pela investigação como testa-de-ferro de Ângela Leão. Boletins da República consultados pelo SAVANA indicam que Mabunda, um técnico médio em construção de edifícios, é dono da M Moçambique Construção Sociedade Unipessoal, Limitada, registado em 2010; Ngoma Agribusiness, Limitada, de 2018 e Mabunda Moçambique Transportes Equipamentos - Sociedade Unipessoal, criada em 2015. Na Ngoma Agribusiness é sócio com o cidadão Etelvino Egas Adérito. A PGR suspeita que Mabunda tenha intermediado, através das suas empresas, transacções financeiras suspeitas a favor Ângela Leão. Ao que apurámos, a PGR diz ter evidências de que Mabunda recebeu dinheiro directamente da Privinvest, a empresa do libanês Iskandar Safa, visto como o autor intelectual externo das dívidas ocultas que terão empurrado Moçambique para a sarjeta nos mercados financeiros internacionais. A PGR acha que a verdadeira beneficiária das operações de Mabunda seria Ângela Leão, que terá aplicado parte dos valores no negócio imobiliário. A pressão dos EUA Quem continua de olhos ao caso das dívidas ocultas são os Estados Unidos da América (EUA) que, desde a semana passada, estão a exercer uma forte pressão tanto a Maputo como a Pretória. Na última terça-feira, os EUA disseram contar com a extradição de Chang para o seu território, num claro recado para as autoridades sul-africanas. “Nós assinamos um tratado de extradição com a África do Sul, e contamos muito com isso”, disse o secretário-adjunto dos Estados Unidos para os Assuntos Africanos, Tibor Nagy. Numa declaração telefónica à imprensa, Nagy vincou que “os Estados Unidos esperam que a África do Sul extradite Chang”. Mas, na semana passada, as autoridades judiciais norte-americanas já tinham avisado que usariam todos os meios legais possíveis para levar a Tribunal, nos EUA, os responsáveis pelas dívidas ocultas, uma clara mensagem de que a estratégia de extraditar Manuel Chang para Moçambique pode ser infrutífera. “O Departamento da Justiça e os nossos parceiros estão empenhados em usar todos os meios à nossa disposição para levar a Tribunal aqueles que se envolvem em lavagem de dinheiro, fraude financeira e corrupção a custos de investidores dos Estados Unidos, onde quer que esses indivíduos estejam”, disse o procurador-geral adjunto da Divisão Criminal da Secção da Justiça, Brian Benezkowski. Considerou as chamadas dívidas ocultas como “um descarado esquema criminoso internacional em que funcionários moçambicanos corruptos, directores de companhias e de bancos de investimentos roubaram 200 milhões de dólares de empréstimos que deveriam beneficiar o povo moçambicano”. A semana passada foi ainda marcada pela revelação, pelo Departamento da Justiça Americano, dos restantes co-acusados de Manuel Chang. Trata-se de Teófilo Ngangumele e Carlos Agostinho do Rosário, duas peças-chave no esquema das dívidas ocultas, que também se encontram detidos em conexão com o caso. Outro co-acusado é Najub Allam, um alto funcionário da Privinvest. Do outro lado da fronteira, o antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, 63 anos, detido na África do Sul desde 29 de Dezembro do ano passado, submeteu, esta segunda-feira, através da sua defesa, um requerimento para que seja o ministro sul-africano da Justiça a decidir sobre qual dos dois pedidos de extradição (EUA e Moçambique) deve ser analisado primeiro. Na quinta-feira da semana passada, o Tribunal de Kempton Park tinha decidido que os dois pedidos de extradição seriam discutidos em separado, com direito de preferência ao pedido dos EUA como o primeiro a ser analisado. Manuel Chang, através dos seus advogados, declarou que aceita ser extraditado para Moçambique e não para EUA, um país, para ele, “estranho”. Com o pedido de Chang, a decisão do juiz ficou adiada para 18 de Março, quando o ministro sul- -africano da Justiça tiver já decidido sobre o primeiro pedido a ser analisado. Tal como Manuel Chang, os três ex-banqueiros do Credit Suisse, no Reino Unido, nomeadamente, Andrew Pearse, Detelina Subeva e Sugran Singh, também recusam extradição para os EUA. Na passada segunda-feira, os advogados dos três compareceram na Corte de Magistrados de Westminster, em Londres, a prometerem contestar o pedido dos EUA. É uma Nissan Patrol como esta que Ângela Leão comprou no auge do regabofe das dívidas ocultas. Viatura igual, no continente africano, só está no Quénia. A dama das dívidas ocultas já vê o sol aos quadradinhos TEMA DA SEMANA Savana 15-03-2019 3 Moçambique continua a ser um dos importantes corredores de tráfico de drogas em África. Não é para menos. Aqui, os traficantes consolidaram o seu domínio sobre o mercado, através de uma relação de “toma lá dá cá”, notavelmente resiliente e duradoura com a elite política. A revelação está contida no mais recente relatório sobre o tráfico da heroína na costa oriental de África apresentado, esta semana, em Maputo. Datado de Junho de 2018, o estudo foi promovido, no âmbito do ENACT, um projecto internacional de combate ao crime organizado transnacional. O ENACT é implementado pelo Instituto para Estudos de Segurança e pela Organização Internacional da Polícia Criminal (INTERPOL), em associação com a Iniciativa Global contra o Crime Organizado Internacional. Assinado pelos pesquisadores Simone Haysom, Peter Gastrow e Mark Shaw, o estudo faz notar que o mercado de heroína ao longo da costa oriental deve ser entendido como parte integrante de uma economia ilícita regional ligada às elites políticas. Tendo o Afeganistão como o ponto de partida, muita da heroína começa a ser enviada para a África em veleiros de madeira marítimos motorizados, construídos nos Emirados Árabes Unidos e concebidos para a pesca, refere a pesquisa. Assinala que as embarcações são carregadas com remessas de contrabando de 100 a 1000 kg provenientes da costa do Macrão, no sul do Paquistão. Acrescenta que os veleiros de madeira ancoram ao largo da costa de África, em águas internacionais, e pequenos barcos recolhem a heroína, transportando-a para várias praias, baías, ilhas ou descarregando-a em pequenos portos comerciais. “Dúzias de tais locais são utilizadas para o desembarque de remessas ao longo de toda a costa oriental – do norte de Kismayo, na Somália, até Angoche, em Moçambique”, lê-se. A investigação sugere ainda que, além dos veleiros de madeira, os traficantes também utilizaram contentores em vários portos de águas profundas ao longo da costa. Financiamento político-partidário Enfatizando a ligação com as elites políticas, os pesquisadocrime nas entradas das elites políticas. No capítulo das recomendações, começam por lembrar que a sabedoria convencional sustenta que a resposta imediata ao comércio de heroína deveria vir na forma de acção decisiva dos líderes políticos nacionais e de repressão pela lei. “No entanto, é preciso estar ciente da dificuldade inerente em trabalhar com instituições governamentais que estão fortemente implicadas em actividades de crime organizado, a menos que haja uma facção interna motivadora para a mudança”, consideram. Da mesma forma, avançam, o fortalecimento da capacidade entre as forças policiais, onde há profunda corrupção sistémica, é muitas vezes fútil – e as vezes muito contraproducente. Sublinham que tais compromissos, para serem bem-sucedidos, dependem, geralmente, da calendarização relacionada com as aberturas políticas. Por isso, os autores propõem uma abordagem regional, bem como um enfrentamento às ligações entre a economia paralela e a política e construir coligações para a mudança em torno de efeitos locais. 0RoDPELTXHQDURWDGRWUiÀFRGHGURJDV 7UDÀFDQWHVWrPOLJDo}HVFRPDHOLWHSROtWLFD RQHJyFLRWHPVLGRXPDIRQWHGHÀQDQFLDPHQWRSDUWLGiULR Por Armando Nhantumbo D e acordo com o estudo, o comércio de heroína está ligado a uma sucessão de desenvolvimentos sérios na região da África Oriental e Austral, incluindo a sustentação de figuras e partidos políticos antidemocráticos ou hotéis vazios e terras não ordenadas que servem como frentes para a lavagem de dinheiro das drogas. “Este comércio também depende de uma protecção política a alto nível, para que as partes envolvidas possam beneficiar do acesso às infra- -estruturas, como os portos ao longo da costa, que são supostamente importantes para a segurança nacional e deveriam, portanto, ser bem guardados e controlados pelos governos”, destaca o estudo. Inicialmente, prossegue, a protecção política assegurada para este comércio parece ter emergido de simples transacções entre traficantes de drogas e políticos que exercem o controlo sobre os portos, as alfândegas e as autoridades policiais. “Os traficantes de heroína que utilizam esta rota de tráfico necessitam de assegurar a permeabilidade destes portos e certificar-se que os seus bens ilícitos não são apreendidos ou ligados a casos criminais contra eles”, constata. No entanto, anota, com o passar do tempo, estas transacções evoluíram de diversas formas ao longo da costa. Citam o caso do Quénia, onde os traficantes de drogas decidiram fazer campanha para cargos políticos. “Em Moçambique, os traficantes de drogas consolidaram o seu domínio sobre o mercado através de uma relação ‘quid pro quo’ notavelmente resiliente e duradoura com a elite política. Para os investigadores, tanto no Quénia, como em Moçambique, os lucros da heroína tem um papel discreto mas identificável no financiamento de campanhas e patrocínio de figuras políticas. Em Moçambique, uma das placas giratórias de entrada da droga, é o eixo económico Nacala- -Nampula-Pemba, local onde o dinheiro é lavado no ramo imobiliário, sobretudo, na construção de hotéis. Aliás, o estudo aponta Moçambique como um dos centros cruciais nesta economia ilegal. “Os centros cruciais nesta economia ilícita regional são Mombassa (Quénia), Nacala e Nampula (norte de Moçambique), City Deep (uma área de Joanesburgo) e o porto da cidade do Cabo”, refere a pesquisa. Ainda assim, uma das conclusões do estudo é a vulnerabilidade do norte de Moçambique, onde se desenvolveu o que considera como economia local de tráfico de drogas. “Aqui, e em grande parte fora do radar, desenvolveu-se uma significativa economia local de tráfico de drogas, facilitada pela corrupção e pela indiferença do Governo”, refere. Para os estudiosos, o norte de Moçambique, com o seu potencial de crescimento económico derivado das reservas de petróleo e gás, está a tornar-se cada vez mais um grande centro de actividade ilícita. “É necessário tomar medidas preventivas para que a área não se torne uma fonte mais ampla de instabilidade e uma plataforma regional para actividades criminosas. O problema ainda é administrável, mas é necessária uma acção antecipada. No nível mais básico, o primeiro passo seria aumentar o envolvimento com as comunidades locais e construir redes da sociedade civil mais fortes na região”, recomenda a pesquisa. Esta quarta-feira, o estudo esteve em debate em Maputo. O moderador foi o jurista Abdul Carimo, que lembrou que a lei 3/97, que criminaliza o fenómeno, não foi do agrado do poder instituído. Mas a grande decepção de Abdul Carimo, um antigo juiz, é não se lembrar de alguém que tenha sido chamado a Tribunal para responder por crimes de tráfico de drogas pesadas, continuando a lei a ser aplicada apenas ao vendedor e consumidor da soruma. Carimo, um antigo deputado da Frelimo na Assembleia da República, precisou ainda que o tráfico mina as instituições democráticas. Peter Gastrow, um dos autores que apresentou o estudo em Maputo, anotou que o mercado do crime parece “estar bem” com a elite política nacional, que permite a entrada da droga em Moçambique. Simone Haysom, que também fez a apresentação de Maputo, disse que, por enquanto, não existe uma ligação sistemática entre o tráfico de drogas e a insurgência no norte de Cabo Delgado. 8PQHJyFLRTXHSDWURFLQDDHOLWHSROtWLFDPRoDPELFDQD res afirmam que o crescimento da economia ilícita em África, e particularmente ao longo da sua costa oriental, coincidiu com o estabelecimento de uma série de democracias frágeis. Mas talvez uma das conclusões mais surpreendentes seja o grau em que as economias ilícitas e cinzentas têm sido uma fonte de financiamento político-partidário nos vários países envolvidos na economia ilícita costeira. “Tal financiamento é usado não apenas para campanhas eleitorais interpartidárias, mas também para posicionamento em movimentos políticos intrapartidários”, denuncia o estudo, indicando que os fundos ilícitos ou fundos cinzentos têm sido uma fonte de “dinheiro fácil” em vários lugares. Anota que um resultado directo tem sido o alinhamento de interesses políticos (e de interesses da elite política) com a economia, incluindo o tráfico de drogas. O estudo revelou ainda o grau em que, em muitos lugares, a economia ilícita cooptou líderes eleitos, em parte devido à necessidade de angariação de dinheiro para financiar seus partidos políticos. Por isso, os autores reconhecem a dificuldade de combater um TEMA DA SEMANA 4 Savana 15-03-2019 “ Estou a correr sérios riscos de vida. Aliás, sou constantemente ameaçado e até há ordens para fuzilarem-me. Dizem que as ordens de acabar com a minha vida vêm do próprio presidente. Até há esquadrões montados para o efeito. Essas pessoas são lideradas por Geraldo Carvalho. Por duas vezes, tive ameaças directas de Geraldo Carvalho. Já apresentei queixa crime à polícia, na pessoa do comandante provincial, e os meus advogados estão a trabalhar no assunto”, desabafou Sandura Ambrósio em entrevista ao SAVANA. Sandura Ambrósio, que decidiu ignorar as orientações da direcção da Renamo e ocupou à força a delegação da Renamo em Sofala, diz que está a cumprir o que está preceituado nos estatutos do partido que estão a ser violados pelo elenco de Ossufo Momade. Nas linhas abaixo, segue a entrevista. Na província de Sofala, a Renamo tem dois delegados. Um indicado pela direção do partido e outro supostamente eleito. O mesmo cenário também se verifica na cidade da Beira. Explique- -nos o que está acontecer de facto. Deixe-me corrigir uma coisa. A Renamo tem um delegado provincial eleito que se chama Sandura Ambrósio e o outro na cidade da Beira de nome Luís Chitato. Esses é que representam as bases da Renamo na província. Os outros são fantoches. O senhor Ricardo Gerente e João Morata não representam nenhum membro da Renamo a nível da província. Voltando à sua questão, tenho a dizer que o que está acontecer é que os membros da Renamo estão a reivindicar o cumprimento dos estatutos do partido. Não estão contra a liderança, porque ela é legítima e representa todos membros da Renamo a nível nacional. O general Ossufo Momade é o nosso presidente. A eleição do nosso presidente foi em cumprimento dos estatutos da nossa organização. São esses estatutos que garantem e regulam o funcionamento do partido e ninguém está acima deles, nem mesmo o presidente. Portanto, em nenhum momento os estatutos da Renamo atribuem competências ao presidente da Renamo para exonerar e nomear delegados provinciais. A exoneração e indicação dos delegados de Gaza, Manica, Sofala, Tete e Cabo Delgado viola grosseiramente os estatutos do partido, porque o documento defende que esses órgãos devem ser eleitos. Isso fere com o princípio democrático que o partido tanto defende. Atingido este nível de ilegalidades, os conselheiros do partido a nível da província de Sofala disseram basta! As exonerações e nomeações de delegados também ocorreram noutras províncias. Porque é que a contestação se verifica apenas em Sofala? Isso não será força de alguma mão externa, visando fragilizar a oposição no seu bastião? É preciso revisitar o passado. Sofala foi sempre a génese da democracia no país. Se a democracia é falada a nível internacional, Sofala aparece como epicentro das operações. Foi neste ponto do país onde surgiram grandes revoluções que mudaram o rumo da história do país. Portanto, apesar de respeitar a disciplina partidária, não podíamos ficar indiferentes a graves violações. A nossa liderança não pode pensar que a Renamo de 1977 é a mesma de hoje. Houve muitas transformações e os chefes também devem compreender essas dinâmicas. Portanto, não há nenhuma força externa. A força que Sandura tem é injectada pelas bases. Nasci na família Renamo, cresci na família Renamo, sou filho de militantes da Renamo, que faleceram lutando pelas causas da Renamo. Portanto, não tenho nenhuma ligação com a Frelimo nem com pessoas próximas a ela. Sandura Ambrósio não é uma figura passível de ser teleguiada. ...ou são pessoas pró Elias Dhlakama que querem sabotar Ossufo Momade? Nunca falei com o general Elias Dhlakama, aliás, nós estamos a reivindicar uma coisa concreta que é o respeito pelos estatutos. Onde é que entra o general Elias? O porta-voz da Renamo, José Manteigas, classificou as vossas atitudes como verdadeira afronta aos princípios do partido e que roçam o vandalismo... Não estamos a ser vândalos e muito menos rebeldes. Identificámos uma falha e pelo bem do partido achamos que há necessidade de se corrigir esse erro. O descontentamento não é só de Sofala, as outras províncias, onde os delegados foram exonerados e nomeados sem respeitar a vontade das bases, também há focos de frustração. Sou o legítimo delegado político da Renamo em Sofala. Não estou lá por vontade de alguém. Fui eleito pelos membros do partido. Portanto, o presidente Ossufo se está para servir o partido deve respeitar a vontade dos membros. Se o presidente não reconhece a minha legitimidade, então significa que ele não reconhece que em Sofala há bases da Renamo. Na verdade, há pessoas que querem chegar à zona do conforto através do lambebotismo e fanatismo à figura do presidente. São essas pessoas, que se dizem doutores, que estão a arrastar o nosso presidente para um caminho lamacento. Quem são essas pessoas? São as pessoas que integram o Conselho Jurisdicional e outras próximas do presidente. Falo de Saimone Macuiane, Ezequiel Gusse, Gerónimo Malagueta e tantos outros. Alguns catalogam-se juristas, mas que de Direito não entendem nada. Se fossem juristas competentes não iriam aconselhar o presidente a violar estatutos. Os membros do Conselho Jurisdicional estão aconselhar mal o nosso presidente. É muito triste quando somos incumbidos a tarefa de ajudar a nossa liderança a dirigir o partido e desviamo-lo para ilegalidades. É lamentável. Que fique claro, na Renamo todos somos importantes. Ossufo Momade, Saimone Macuiane, Ezequiel Gusse e outros não são mais importantes que qualquer outro membro da Renamo. O topo deve estar ciente de que quem o suporta é a base. Não há nenhuma estrutura que tem um topo firme sem uma base forte. Por isso, Sandura não recua, não vamos parar. A Renamo é de todos nós e todos devemos cumprir os estatutos. Diz que é o legítimo delegado, mas a direcção do partido não o reconhece. Como é que faz a interacção com a estrutura máxima da Renamo? Estamos à procura de soluções para ultrapassar este diferendo. Já pedimos a intermediação do Arcebispo da Beira, Dom Cláudio Dalla Zuanna. Contudo, que fique claro, as bases do partido são representadas pelos delegados distritais e esses votaram em mim. Os delegados distritais interagem comigo. Logo, se a direcção do partido quer trabalhar, deve ser comigo. Esse senhor que o presidente colocou na delegação não tem nenhuma legitimidade, ninguém o reconhece e não tem como trabalhar, porque nenhum delegado distrital vai lhe receber. Sei por exemplo que, semana passada, o delegado indigitado, Ricardo Gerente, quis se deslocar a alguns distritos, mas não conseguiu porque os delegados distritais recusaram recebe-lo. Com Afonso Dhlakama, os delegados provinciais nunca foram eleitos. Sempre foram indicados e não se reclamava. Ao reivindicar, após a morte do líder, não será desprezo à direcção actual? Ninguém está a desprezar a nossa liderança. Agora, o presidente Dhlakama não era qualquer figura, era mestre dos mestres. Em Moçambique e no mundo jamais vamos encontrar um homem como aquele. Contudo, por Sofala ser o verdadeiro berço da democracia e por ser um ponto onde as injustiças não são aceites, veja o que aconteceu quando o presidente Dhlakama decidiu excluir Daviz Simango da corrida autárquica em 2008, o povo de Sofala disse logo, isso não senhor presidente, você está errado, está equivocado. Como ele não quis ouvir as bases, a Renamo dividiu- -se. Depois disso, o presidente Dhlakama corrigiu-se. Antes de nomear qualquer delegado provincial ou tomar uma decisão que mexe com o partido, fazia trabalho de base que até podia durar seis meses. Nos últimos anos, o presidente Dhlakama já não nomeava delegados políticos provinciais. Quem fazia esse trabalho eram as conferências provinciais. Ele podia propor nomes, mas o trabalho era entregue aos conselhos provinciais, porque assim exigiam os estatutos do partido aprovados em 2009. Desde essa altura, a Renamo tem membros dos conselhos provinciais em número de 50 por cada província. Essas pessoas chegavam ao órgão provincial por via de votação e não por indicação. Está a dizer-nos que há violação dos princípios democráticos na Renamo.... Sim, mas porque alguns colegas ambiciosos pelas frescuras não estão ajudar o nosso chefe. Há forças internas que querem colocar em causa a imagem do presidente Ossufo. São pessoas que estão mais preocupadas com ganhos pessoais e para tal preferem colocar o presidente em maus lençóis e prejudicar o partido. O artigo 6 dos estatutos do partido defende a liberdade de expressão, de discussão e reconhecimento do pluralismo de opinião nos órgãos próprios do partido, a eleição, por voto secreto, dos titulares dos órgãos do partido e o respeito de todos pelas decisões da maioria. Os nossos juristas estão a olhar para interesses de lambebostimo e fanatismo. Eu, Sandura Ambrósio, não sou fanático do presidente, sou fanático do partido. O espírito de união, que tanto se falou no congresso, está a ser desfeito. Em Manica, por exemplo, para além de ter sido escorraçado, o delegado Sofrimento Matequenha foi espancado. Na última sexta-feira, um grupo de membros da Renamo, supostamente vindos dos distritos, assaltou a sede provincial exigindo a sua recondução. Quem pagou as despesas dessas pessoas ? Deixe-me explicar o seguinte: Na última sexta-feira, 8 de Março, cerca de 350 membros da Renamo, de todos distritos, foram à sede provincial com o intuito de expulsar o grupo de invasores e recolocar o legítimo delegado. Queriam repor a legalidade. Como viram nos dísticos, esses membros queriam repor a justiça. Contudo, como o nosso lema é o diálogo, pedimos calma. Não queríamos o derramamento de sangue, porque também sabíamos que a direcção do partido movimentou pessoas de Nampula e de Alto Molócuè para espancar nossos membros. Quem suportou as despesas de transporte, alimentação e alojamento desses membros? O Sandura não tirou nenhum tostão. Cada um dos membros suportou as suas despesas. Venderam milho, galinhas, cabritos, mexoeira, mapira e vieram para Beira. Quando as pessoas têm a causa no coração, não olham para os custos. Neste momento quem está na sede do partido? Tivemos um entendimento com as autoridades policiais de que nenhuma das alas devia ocupar as instalações antes de resolvermos o imbróglio. Só que, infelizmente, como a polícia também gosta de confusão, entregaram a delegação ao grupo dos indigitados, mas os membros estão bastante furiosos e querem voltar novamente. Caso não cheguem a entendimento e seja expulso da Renamo. Avança com a possibilidade de criar outro partido? Tudo dependerá da vontade das bases. Mas, neste momento, o nosso único plano é defender os estatutos. Não estamos preocupados na formação de um novo partido. O que queremos é uma Renamo forte. Queremos levar o presidente Ossufo Momade e a Renamo ao poder nas eleições de Outubro. Desde que começou a crise já se comunicou com Ossufo Momade? Sim, uma vez. Ele pediu que haja bom senso e que respeitemos as orientações superiores. Nós nos mostramos abertos e prontos para cumprir com as ordens desde que se respeitem os estatutos. Mas, agora que estou aqui em Maputo, acredito que nos vamos encontrar. Queremos sair desta situação que pouco contribui para a boa imagem do partido. Tem apoio da ala militar? Não tenho apoio de nenhuma ala militar, aliás, os militares são coordenados directamente pelo presidente. Aqui, estou a tratar de questões políticas. Enquanto a crise continuar, a Renamo estará completamente paralisada em Sofala e estamos a escassos meses das eleições... O partido não está parado. O delegado eleito está a trabalhar com os delegados distritais. Estamos a preparar o censo eleitoral. Todos os distritos já estão a trabalhar. Perante este ambiente tenso que se vive em Sofala, a sua vida não está em risco? Estou a correr sérios riscos de vida. Aliás, sou constantemente ameaçado e até há ordens para fuzilarem-me. Dizem que as ordens de acabar com a minha vida vêm do próprio presidente. Até há esquadrões montados para o efeito. Essas pessoas são lideradas por Geraldo Carvalho. Por duas vezes, tive ameaças directas de Geraldo Carvalho. No dia 18 de Fevereiro, apontou-me com uma arma de fogo no distrito de Nhamatanda. Também soube que, na última sexta-feira, tinha preparado pessoas para me atacarem. Só que, para o azar dele, eu não estava na sede quando essas pessoas chegaram. Já apresentei queixa crime à polícia, na pessoa do comandante provincial, e os meus advogados estão a trabalhar no assunto. Sandura Ambrósio diz que Ossufo Momade e Geraldo Carvalho pretendem silenciá-lo ´4XHUHPPHPDWDUµ Por Raul Senda Sandura Ambrósio é deputado da Renamo, eleito pelo circulo eleitoral de Sofala. Ingressou na Renamo aos 15 anos em 1994. Diz que fez parte da liga juvenil da Renamo e nessa qualidade fez trabalhos de mobilização das bases em todos os distritos da província de Sofala. Tem 40 anos de idade e nunca ocupou um cargo de direcção a nível partidário e justifica-se referindo que a importância dos membros da Renamo se nota no trabalho e não nos cargos. Tem dois filhos e diz que nasceu dentro da família da Renamo. Os seus pais, em vida, foram militantes da Renamo na clandestinidade. O SAVANA interpelou esta quarta-feira, Geraldo de Carvalho, que disse de imediato desconhecer as acusações feitas por Sandura Ambrósio e exige provas sob pena de processa-lo judicialmente. Aponta que Ambrósio está num desespero e a todo custo procura um bode expiratório para se salvar da situação em que ele próprio se mergulhou. Segundo Carvalho, até ao momento ainda não foi notificado pela polícia para prestar quaisquer declarações sobre a possível queixa-crime submetida por Ambrósio e seus aliados de tentativa de assassinato. *HUDOGR&DUYDOKRUHDJHjDFXVDomR 4XHPp6DQGXUD$PEUyVLR “Exigimos a reposição da legalidade”, Sandura Ambrósio TEMA DA SEMANA Savana 15-03-2019 5 7(0$'$6(0$1$ 38%/,&,'$'( 38%/,&,'$'( SOCIEDADE 6 Savana 15-03-2019 E nquanto os moçambicanos lutam pela declaração da inconstitucionalidade das dívidas ocultas, contidas na conta geral do Estado, bem como o seu não pagamento por não ter lhes beneficiado em nada, o primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, diz que este assunto não deve desviar o foco do executivo que é a manutenção da paz e implementaçãodo Plano Quinquenal do Governo, apesar de reconhecer que o caso preocupa os moçambicanos. Carlos Agostinho do Rosário, que falava nesta quarta e quinta-feira, na Assembleia da República, em sessão de informação do governo, assinalou que o executivo não está a pagar as dívidas da EMATUM, MAM e ProÍndicus. Com o assunto das dívidas ocultas e a detenção do deputado e ex-ministro das Finanças Manuel Chang, na África do Sul, em voga, a sessão desta quarta-feira arrancou com a bancada da Renamo exigindo esclarecimento da presidente da Assembleia da República (AR), Verónica Macamo, em torno da lei que norteou parecer favorável ao Tribunal Supremo (TS) para aplicação da medida de coação gravosa (prisão preventiva) ao antigo dirigente. Em causa está a deliberação da Comissão Permanente da AR que em Fevereiro último anuiu o pedido do TS para o consentimento da AR com vista a detenção de Manuel Chang, que gerou discórdia entre as três bancadas representadas na CP, Frelimo, Renamo e MDM. Segundo António Muchanga, deputado daquela formação política, que interpelou a mesa do plenário, a Constituição da República prevê somente a prisão do deputado em caso de flagrante delito. Visto que não se estava perante o caso, a AR tinha que debater a quebra de imunidade do deputado. Inconformado com a resposta de Macamo, que o remeteu a requerer um debate urgente da matéria naquele órgão, Muchanga prometeu dar continuidade a sua luta até que lhe sejam apresentados os fundamentos legais que nortearam a decisão da CP. No prosseguimento da sessão, o primeiro-ministro respondeu a questão colocada pela bancada do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), que pretendia saber se o governo continua ou não com a restruturação das dívidas ilegais contraídas no governo de Guebuza ao arrepio da legislação. Carlos Agostinho do Rosário referiu que o governo não tem estado a pagar as dívidas relativas à EMATUM, MAM e ProÍndicus, sendo que as únicas dívidas externas que tem vindo a pagar são as que contraiu junto de instituições como Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento, Banco Islâmico de Desenvolvimento, entre outros. Paralelamente a isto, avançou que o executivo está a interagir com os credores das dívidas ocultas com vista a encontrar soluções que melhor salvaguardarem o interesse nacional, sem referir qual. Apontou o desenvolvimento deste assunto nas instâncias judicias nacionais e internacionais como sendo Defende primeiro-ministro “Não percamos o foco da paz por causa das dívidas” Por Argunaldo Nhampossa crucial pois vai trazer elementos que devem ser tomados em consideração no diálogo com os credores. Destacou o pedido da Procuradoria Geral da República para o cancelamento da garantia soberana da dívida da ProÍndicus junto do Tribunal de Londres. O dirigente diz reconhecer que a questão da dívida preocupa os moçambicanos, e apela para que os mesmos não desviem o foco do executivo que é a manutenção da paz e implementação do Plano Quinquenal do Governo com vista a contínua melhoria das condições de vida dos nacionais. Carlos Agostinho do Rosário se esquece que foi devido a estas dívidas que o país foi precipitado a uma crise sem precedentes, que levou milhares de moçambicanos ao sofrimento causado pelo alto custo de vida, falência de empresas e o consequente aumento de classe de desempregados, falta de medicamentos nos hospitais e inclusive a incapacidade do executivo de fazer investimentos para o desenvolvimento do país. Fiscais agiram dentro da lei A bancada parlamentar da Renamo quis saber das causas que levaram a guarda florestal do Parque Nacional de Gorongosa a alvejar atiro seis cidadãos nacionais naquele ponto. O ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, Higino Marrule explicou que não se tratou de uso excessivo de força para gente indefesa, porque se estava numa situação em que indivíduos, em número estimado de 150, munidos de paus, catanas e pedras, ameaçaram de morte quatro fiscais do Parque que tinham apenas uma arma de fogo. Marrule, que falava em representação do ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, explicou que os populares tem vindo ciclicamente a invadir o Parque para a prática de agricultura, caça furtiva e pesca, actos proibidos por lei naquele espaço dedicado a conservação da biodiversidade. Preocupados com o avanço dos populares perante ordens de paragem e tiros ao ar, explica o ministro, os fiscais viram-se na contingência de se defender e feriram um indivíduo com tiro de arma de fogo, sendo que os restantes contraíram ferimentos após a queda durante a fuga do local do incidente. Foi nesta perspectiva, de acordo com Marrule, que a PRM seguiu os instigadores e deteve oito deles. Realçou que o Parque Nacional da Gorongonsa é um verdadeiro tesouro em matéria de valor de biodiversidade e constitui um destino para muitos amantes da natureza pelo que urge a sua protecção. Citou casos de Bostswana, Tanzânia, Zâmbia e Quénia em que o turismo baseado na natureza constitui uma indústria bilionária e nada deve impedir o nosso país de seguir o exemplo. Quanto ao pedido de informação da bancada da Frelimo em torno das cheias que assolam o país, a ministra de Administração Estatal e Função Pública, Carmelita Namashulua, informou que até esta segunda-feira tinham sido afectadas 101.245 pessoas, 32 feridos, 327 salas de aulas e 17.361 casas destruídas parcial e completamente. O executivo tem planos de contingências aprovados para fazer face a esta situação. Mas uma boa nova, no que diz respeito ao sector de estradas, foi anunciada pelo ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, João Machatine, segundo o qual os contratos de construção de estradas passam a ter uma componente de manutenção pós obras, que poderá ir até 5 anos, permitindo deste modo que os empreiteiros construam as estradas com a qualidade desejada, sob pena deste mesmo empreiteiro ter de investir, em caso de anomalias que possam ocorrer ao longo da vigência do período, dinheiro próprio para a manutenção. Sublinhou Machatine que os contratos de manutenção passarão a obedecer um ciclo diferente do ano económico, por forma a que os empreiteiros estejam disponíveis e com recursos para monitoria, preparação e resposta imediata em caso de ocorrência de precipitações prejudiciais às vias de acesso. TEMA DA SEMANA Savana 15-03-2019 7 PUBLICIDADE SOCIEDADE 8 Savana 15-03-2019 O s presidentes das Assembleias Municipais da Ilha de Moçambique e de Angoche, na província de Nampula, solicitaram, última segunda-feira, a intervenção da ministra da Administração Estatal e Função Pública, Carmelita Namashulua, para reverter a seu favor as receitas turísticas das respectivas edilidades que a Administração Marítima pretende cobrar a partir deste ano. Este é o primeiro braço-de-ferro conhecido publicamente na governação autárquica desde a tomada de posse e instalação dos referidos órgãos, em Fevereiro último. Os municípios da Ilha de Moçambique e Angoche são agora governados pela Renamo, na sequência da vitória nas eleições de 10 de Outubro passado. Evocando a necessidade do cumprimento do diploma ministerial nr. 218/2013 de 30 de Dezembro, os serviços de Administração Marítima emitiram uma circular na qual comunicam as instâncias turísticas, barracas e outras actividades lucrativas localizadas num raio de 100 metros da linha costeira que devem passar a efectuar o pagamento das taxas referentes ao exercício de actividade naquela instituição. Datada de 10 de Janeiro de 2019, a circular foi dirigida a todos estabelecimentos comercias com conhecimento dos governos distritais e nada foi comunicado as autoridades municipais. Esta situação não está sendo bem Municípios de Angoche e Ilha de Moçambique reivindicam receitas Por Argunaldo Nhampossa vista pelas duas edilidades que já evocam questões de perseguições partidárias, alegando que enquanto o poder esteve com a Frelimo não se verificava esta situação. Ismail Chacufa, presidente da Assembleia Municipal da Ilha de Moçambique, levantou esta questão no decurso da X reunião nacional das autarquias locais que juntou, na capital do país, os dirigentes e/ou representantes dos 53 municípios, bem como governadores provinciais. Diz estranhar, Chacufa, o facto da Administração Marítima pretender implementar este dispositivo somente agora que o município está nas mãos da Renamo. Explicou que as demonstrações financeiras da anterior governação revelam que a edilidade era responsável pela colecta de receitas nos locais reivindicados pela Administração Marítima. Deste modo, solicitou a intervenção da ministra da Administração Estatal e Função Pública (MAEFP), Carmelita Namashulua, para que, no espírito de diálogo e busca de receitas para garantir a auto- -sustentabilidade, anunciadas pelo Chefe de Estado na abertura da reunião, seja encontrada uma solução. Ao SAVANA, Chacufa explicou que, dadas as suas especificidades, o município da Ilha de Moçambique, tem naquelas taxas a sua espinha dorsal para garantir a auto-sustentabilidade. Esta questão foi também levantada pelo presidente da Assembleia Municipal de Angoche, Alberto Assane, ironizando, disse que não irá tardar que a Administração Marítima passe a lhes cobrar uma taxa de ocupação de espaço por estarem localizados dentro do referido perímetro. Frisou igualmente que enquanto o partido Frelimo dirigia os destinos do Município não se falava deste assunto, mas agora que é a vez da Renamo há muito barulho. Prosseguindo, Assane pediu a clarificação do mandato e atribuições dos secretários de bairros. Isto porque a nível da sua autarquia, os secretários dos bairros cobram valores monetários na tramitação de documentos que em contrapartida os referidos valores nunca chegam aos cofres do Município. Ademais, Assane disse desconhecer o mandato dos secretários dos bairros ou como são nomeados pelo que de forma preliminar o Município de Angoche aprovou uma directiva solicitando a devolução de carimbos e bandeiras municipais que estão na alçada dos secretários até que a situação seja devidamente esclarecida. Intervindo na ocasião, o presidente da Autarquia de Boane, Jacinto Loureiro, apelou a aprovação de um instrumento legal que defina as atribuições do secretário de bairro. O município de Boane, província de Maputo, é governado pela Frelimo. Por exemplo, prosseguiu Loureiro, se o secretário do bairro é eleito ou nomeado, a quem deve prestar contas uma vez que toma decisões que impactam directamente no funcionamento das autarquias que em algum momento podem não estar alinhadas ao plano de governação municipal. Namashulua disse ter tomado nota dos dois pontos levantados e prometeu analisá-los ao pormenor para posterior tomada de decisão. Resolvam problemas do povo Num evento marcado pela ausência dos edis da Beira, Daviz Simango; de Quelimane, Manuel de Araújo e da autarquia de Nampula, Paulo Vahanle, no dia da abertura, o presidente da República, Filipe Nyusi, apelou aos recém-empossados presidentes das autarquias para focarem a governação autárquica na resolução dos problemas das populações locais. Ao que o SAVANA apurou, Manuel de Araújo e Paulo Vahanle estão em missão de trabalho em Portugal. Quem esteve em representação do Município da Beira, foi o respectivo presidente da Assembleia Municipal, Ricardo Lang. Falando na última segunda-feira na abertura da X reunião nacional das autarquias locais, que hoje termina, Nyusi apelou a concertação no trabalho, alegando que os edis foram eleitos para servirem e não para se servirem. Considerou que o lema do evento “por uma governação autárquica integra, participativa e inclusiva” sublinha a necessidade de uma governação baseada na transparência e prestação de contas, acima de tudo, aos munícipes que confiou o mandato. Numa altura em que a imagem do país está chamuscada devido ao escândalo das dívidas ocultas e, por consequência, perdido confiança dos parceiros, Nyusi destacou que a reunião decorre num momento político em que o governo reitera o seu compromisso no combate à corrupção como o mais urgente de todos os desafios para edificação de uma administração pública íntegra e de busca de resultados positivos na sua actuação. “Há muita corrupção nas autarquias, os processos são muitos e nós não temos espaço para recolher as pessoas que fazem isso. Não foram eleitos para abusar o poder e nem sequer usar o bem público para favor próprio”, disse. Tendo frisado que tem apelado aos gestores públicos e privados para pautarem por uma cultura de responsabilização e prestação de contas, bem como na observância de valores de humanismo, humildade e honestidade e integridade na actuação. Nyusi chamou atenção para se evitar a disputa do poder entre o presidente do Conselho Municipal, administrador e governador provincial, alegando que há clareza naquilo que cada um deve fazer, dando a entender que no quadro da descentralização, a partir do próximo ano, passarão a conviver com a figura do Secretário de Estado (SE), indicado centralmente. Desafiou aos edis para focarem o trabalho na resolução de problemas como a pobreza, desemprego, ordenamento territorial, combate aos assentamentos informais e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, pois só com um território planificado é possível promover o desenvolvimento sustentável. “Através de acções conjugadas entre o governo e as autarquias locais encontrem tempo para pensar como é que podemos resolver os problemas, cada um no seu posto de trabalho. Não pensem que virá uma máquina do Estado que vai fabricar emprego e comida”, disse. Para a solução destas questões, Nyusi apontou para a necessidade do reforço da captação de receitas para melhorar os níveis de investimentos, sendo que não se pode continuar a proclamar mais municípios enquanto a sua capacidade de existência ainda é menor. Serviços de administração marítima de Angoche Savana 15-03-2019 9 PUBLICIDADE PUBLICIDADE 10 Savana 15-03-2019 PUBLICIDADE SOCIEDADE I nterromper a atribuição de licenças para a exploração de recursos florestais, reduzir o número de operadores e concessões florestais, estender o período de defeso especial de madeiras de espécies preciosas por um período de 15 anos, são parte das várias recomendações de especialistas responsáveis pelo último Inventário Florestal Nacional (IFN). O documento, ora na posse do Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural (MITADER) através da Direcção Nacional de Florestas (DINAF), refere que os níveis de desmatamento estão a crescer de forma preocupante no país e que, nos últimos 10 anos, Moçambique perdeu cerca de 21% da sua área florestal estimada em 34 milhões de hectares, o equivalente a 41% do território nacional. Em média, o país perde cerca de 219 mil hectares por ano. Sob auspício do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), organizações da sociedade civil, membros do governo e parceiros de cooperação reuniram-se, há dias, na cidade da Beira, capital provincial de Sofala, para analisar a sustentabilidade da exploração dos recursos naturais e planificar actividades para o presente ano no capítulo referente a governação florestal. Foi nesse encontro que Renato Timana, técnico da DINAF, fez apresentação do último relatório do inventário florestal no qual descreveu um cenário sombrio nas florestas moçambicanas. Segundo o documento, de 2007 a esta parte, Moçambique perdeu 21% da área florestal total e 36% da área florestal activa. Isto é, dos cerca de 40 milhões de hectares reporS ó vão continuar a beneficiar dos pagamentos por serviços ambientais as comunidades que apresentarem provas concretas do seu comprometimento com a conservação da biodiversidade. A garantia foi dada, semana finda, por Maurício Xirinda, representante da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), à margem da visita que o grupo de cientistas da Comissão de Gestão de Ecossistemas desta organização efectuou à Reserva Especial de Maputo (REM). O pagamento por serviços ambientais, explicou Xirinda, consiste, basicamente, no pagamento de projectos/actividades das comunidades que prestarem um bom serviço ao ambiente. Xirinda detalhou que as comunidades, uma vez apresentadas as provas de conservação da biodiversidade, apresentam o projecto/actividade e a IUCN procede com o devido financiamento. Às comunidades, detalhou o responsável, não serão entregues qualquer valor em espécie.  A IUCN está, actualmente, a implementar em Moçambique, desde Dezembro de 2017, o projecto de resiliência costeira face às mudanças climáticas nos distritos de Inhassoro, Dondo e Memba, nas províncias da Inhambane, Sofala e Nampula, respectivamente. O projecto, que vai até 2021, está orçado em USD 7,8 milhões e é financiado pela embaixada da Suécia. A IUCN está coordenar o projecto em parceria com o Ministério de Mar, Águas Interiores e Pescas e a RADE. Numa avaliação preliminar do primeiro ano de implementação do projecto de resiliência costeira nos distritos de Inhassoro, Dondo e Mamba, Maurício Xirinda disse que subsistem ainda alguns desafios, sobretudo, no que a gestão sustentável dos recursos marinhos diz respeito. No rol das más práticas, anotou o representante da IUCN, algumas comunidades continuam a apregoar a pesca insustentável, caracterizada, essencialmente, pela captura dos recursos aquíferos até no período de veda. Esta atitude, segundo disse, tem contribuído para a degradação precoce dos recursos. E porque não é apenas de maus exemplos que é composto o balanço preliminar do primeiro ano de implementação do projecto, Maurício Xirinda, isto no campo das boas práticas, disse que o distrito de Memba parte na pole position. Anotou que as comunidades deste distrito têm gerido de forma exemplar o mangal, de tal forma que se apresenta, segundo disse, praticamente intacto.                   Mathieu Ducroq, especialista em gestão de ecossistemas costeiros da IUCN, que visitou a Reserva Especial de Maputo, chamou atenção ao facto de a população que vive ao longo do litoral e que depende literalmente dos recursos marinhos para a sobrevivência estar a crescer a um ritmo acelerado. Para fazer face a esta realidade, Ducroq disse ser imperioso que se invista em medidas de preservação, dentre várias, indica a criação de áreas protegidas e a manutenção da vegetação ao longo da costa para conter a erosão. tados em 2007, o volume caiu para cerca de 26 milhões. Segundo o técnico da DINAF, o decréscimo acentuado verificou-se nas províncias de Maputo, Nampula, Niassa e Manica, com 64, 64, 53 e 52%, respectivamente. Para contornar a situação, o grupo responsável pelo inventário recomendou a extensão do período de defeso especial de cinco anos para 15 anos nas espécies preciosas, sobretudo o pau-ferro, manter a proibição de entrada de novos operadores florestais por um período de 10 anos, reduzir o número actual de operadores florestais para além de requalificação das concessões florestais que se encontram parcialmente dentro das áreas de protecção. Actualmente, o corte anual admissível de madeira de classe preciosa e da primeira classe em todo país está estimado em 446.728 metros cúbicos ano, mas que a realidade está muito acima desses números. O abate indiscriminado de árvores para a produção de madeira e combustíveis (lenha e carvão), as queimadas descontroladas para a prática de agricultura e caça de animais de pequena espécie, são parte das razões por detrás do intenso desmatamento. Perante esta triste realidade, as organizações da sociedade civil, presentes no encontro, apresentaram um conjunto de acções que estão a ser desenvolvidas para minimizar a situação. António Serra, coordenador do Programa Governação Florestal – a Urgência do Momento, uma iniciativa implementada pelo WWF, que tem por objectivo promover o uso sustentável dos recursos florestais através da melhoria da governação dos recursos florestais, referiu que os problemas relacionados com o corte ilegal de madeira continua preocu5HVXOWDGRVGRLQYHQWiULRÁRUHVWDO Especialistas recomendam interrupção GHFRQFHVV}HVÁRUHVWDLV Acesso ao fundo ambiental pante, sobretudo na província de Tete. Contudo, através do seu programa, há mudanças notáveis. Destacou a maior conscientização da sociedade civil sobre seus direitos, responsabilidades e papel na promoção de uma melhor governação florestal para além de aumento da sua participação nos processos decisórios. Segundo Serra, as comunidades estão mais conscientes das questões de governação florestal e seus direitos e a defesa comunitária parece estar a aumentar com a frequência de pagamento dos 20%. “As comunidades foram alertadas para denunciar práticas florestais ilegais e estão cada vez mais fazendo isso. Guardas da comunidade estão participando do controlo e gestão dos recursos naturais. As comunidades estão agora mais vigilantes no controlo de seus recursos florestais. Os líderes comunitários estão mais envolvidos na conservação das florestas do que quando o projeto começou”, vangloriou-se. Sublinhou que o projecto aumentou a vontade política dos principais actores florestais do governo para proteger e conservar os recursos florestais. (Raúl Senda) Mais de quatro milhões e meio de dólares norte- -americanos estão a ser investidos nas províncias da Zambézia e Cabo Delgado, em dez projectos de gestão integrada de recursos, na perspectiva de reduzir a pressão sobre as florestas, com envolvimento das comunidades. Ligado à operacionalização da iniciativa, realizou-se, há dias, na cidade de Nampula, a reunião do Comité Nacional de Gestão do Projecto Mecanismo de Doação para o Desenvolvimento das Comunidades Locais (MozDGM), uma plataforma nacional de advocacia na área de gestão sustentável dos recursos naturais. O presidente desta organização, Daniel Maúla, explicou que, com o projecto, pretende-se prestar assistência técnica e financeira às comunidades para uma gestão integrada de recurComunidades emponderadas Apenas para comunidades que preservarem a biodiversidade sos, nomeadamente maneio comunitário, biomassa, estabelecimento do quadro legal e adopção de uma política neste domínio. Daniel Maúla referiu que as actividades alternativas as florestas incluem produtos não florestais, agricultura, criação de gado bovino, produção de mel, entre outras. O projecto será desenvolvido em cinco anos, prevendo-se que, até ao fim deste período, mais de cinco mil pessoas estejam sensibilizadas e capacitadas para tomar decisões sobre a gestão integrada de recursos naturais na Zambézia e Cabo Delgado. A iniciativa - que iniciou formalmente as suas actividades em Fevereiro 2018, depois de um longo período de gestação - funciona, neste momento, com fundos de parceiros, canalizados através do Banco Mundial. Cada associação comunitária pode concorrer para o acesso a valores que variam de 150 mil a 200 mil dólares. No entanto, a província de Sofala também acolheu o intercâmbio regional entre os membros dos Comités Locais de Gestão de Recursos Naturais provenientes de Moçambique, República Democrática do Congo, República do Congo, Costa de Marfim, Gana, Quénia e Burquina Faso. O encontro tinha por objectivo aprofundar o conhecimento sobre os mecanismos de partilha de benefícios provenientes das receitas resultantes do maneio e utilização de recursos naturais. 7pFQLFRVGR0,7$'(5GXUDQWHRVWUDEDOKRVGRLQYHQWiULRÁRUHVWDOQDFLRQDO Daniel Maúla Savana 15-03-2019 11 PUBLICIDADE Seminário Internacional de Reflexão sobre o Endividamento Público CENTRO DE INTEGRIDADE PÚBLICA Anticorrupção - Transparência - Integridade ‹ Matthias Goldmann (keynote speaker) ‹;PYP]HUNHUP4\[Ha\ :LUPVY7VSPJ`(UHS`Z[YLZWVUZPISLMVY+LI[4HUHNLTLU[7VY[MVSPV (-96+(+ ‹7YVM 9VILY[V;PIHUH ,JVUVTPZ[H ‹7YVJ\YHKVYPH.LYHSKH9LW‚ISPJH ;)* "(ZZLTISLPHKH9LW‚ISPJH ;)* " 4PUPZ[tYPVKL,JVUVTPHL-PUHUsHZ ;)* Como evitar a repetição das dívidas odiosas? 15 de Março de 2019 8h30 HOTEL VIP MAPUTO Matthias Goldmann Matthias Goldmann UHZJPKVLT LZ[\KV\KPYLP[VLT>\LYaI\YN (SLTHUOH -YPIV\YN :\xsH LUH5L^@VYR Serviços Administrativos e de Assistência Social (SS11AF) -> SS04BE11 - Formação: Pesquisa e Desenvolvimento). 8PDFySLDGDOLFHQoDYiOLGDGDHPSUHVD HPLWLGDSHODDXWRULGDGHUHOHvante; 8PD FySLD GD FHUWLGmR FRPHUFLDO QRPH GD HQWLGDGHOHJDO H SHVVRD GH FRQWDFWRSDUDUHFHEHUDVLQIRUPDo}HVVREUHDTXDOLÀFDomRHFRPHUFLDLV 8PDFySLDGRV~OWLPRVWUrVDQRVGDVGHPRQVWUDo}HVÀQDQFHLUDVGDHPSUHVD 5HODWyULR $QXDO FRPSURYDQGR D FDSDFLGDGH ÀQDQFHLUD PtQLPD para a realização do âmbito do trabalho; (VWUXWXUDGDHPSUHVDHGRJUXSRFRPDOLVWDGRVSULQFLSDLVVyFLRVHEHQHÀFLiULRVÀQDLV VHQmRHVWLYHUHPSUHVHQWHVQDEROVDGHYDORUHV &HUWLÀFDo}HVGR6LVWHPDGH*HVWmRGD4XDOLGDGHH RX6LVWHPDGH*HVWmR GD4XDOLGDGHHPFRQIRUPLGDGHFRPDV1RUPDV,QWHUQDFLRQDLVGH4XDlidade; &HUWLÀFDomRGR6LVWHPDGH*HVWmRGH6D~GHH6HJXUDQoDH RXGRFXPHQtos que demostrem a conformidade com os padrões internacionais; ,QIRUPDo}HVJHUDLVVREUHRSHUÀOGDHPSUHVD ([SHULrQFLD DQWHULRU QRGHVHQYROYLPHQWR H JHVWmRGH XP(VFULWyULRGH Informações de Projecto ou similar; ([SHULrQFLDSUpYLDGHWUDEDOKRHP0RoDPELTXH 3URSRVWDGHFRQWH~GRORFDOHSODQRVGHGHVHQYROYLPHQWRGRVIRUQHFHdores; 'HPRQVWUDomRGHERQVVLVWHPDVGHVD~GH SURWHFomR VHJXUDQoDHHVWDWtVWLFDVGHGHVHPSHQKRGHVHJXUDQoD (YLGrQFLDVGHTXHDHPSUHVDSRVVXLVLVWHPDVHPFRQIRUPLGDGHFRPD /HLVREUHDV3ROtWLFDV$QWLFRUUXSomRQR([WHULRUHD/HL&RQWUDR6XERUQR GR5HLQR8QLGR /RFDOL]DomRSURSRVWDSDUDR&HQWURGH,QIRUPDomRGH3URMHFWRQDFLGDGH de Palma. $ÀQDOLGDGHGDVLQIRUPDo}HVHGRVGRFXPHQWRVpLGHQWLÀFDUDVHPSUHVDV TXDOLÀFDGDV TXH WHQKDP FDSDFLGDGH FRPSURYDGD H H[SHULrQFLD UHOHYDQWH UHFHQWHSDUDVHUHPFRQVLGHUDGDVHPFDVRGHXPSRVVtYHOFRQFXUVRSDUDR desenvolvimento e a operação do Centro de Informações de Projecto. 6RPHQWHDVVRFLHGDGHV FRQVyUFLRVRX-9TXHWHQKDPFDSDFLGDGHFRPSURYDGDHH[SHULrQFLDUHFHQWHQRIRUQHFLPHQWRGRVVHUYLoRVDFLPDPHQFLRQDGRV serão considerados para o potencial concurso no âmbito do serviço descrito acima. Este anúncio não deve ser considerado como um convite ao concurso e não representa ou constitui uma promessa, oferta, obrigação ou compromisso de qualquer natureza por parte da MRV em celebrar qualquer acordo ou FRQYpQLRFRQYRVFRRXFRPTXDOTXHUVRFLHGDGHTXHUHVSRQGDDHVWHDQ~Qcio. 7RGRV RVGDGRVH DVLQIRUPDo}HV IRUQHFLGRV QR DSOLFDWLYR QmR VHUmR FRQsiderados como um compromisso por parte da MRV de celebrar qualquer acordo ou contrato convosco, nem autorizarão a sua empresa a reivindicar qualquer indemnização da MRV. 2VGDGRVHLQIRUPDo}HVFODUDPHQWHPDUFDGRVFRPR´FRQÀGHQFLDLVµ IRUQHFLGRVQRkPELWRGHVWHSHGLGR VHUmRWUDWDGRVFRPRFRQÀGHQFLDLVSHOD059 ([[RQ0RELO0RoDPELTXH (QL5RYXPD%DVLQ6 S $HSHODVVXDVDÀOLDGDVH não serão divulgados a pessoas ou empresas não autorizadas. 2SUD]ROLPLWHSDUDRHQYLRGD0DQLIHVWDomRGH,QWHUHVVHpGLD GH0DUoR GH 4XDLVTXHUFXVWRVLQFRUULGRVSHODVHPSUHVDVLQWHUHVVDGDVQDHODERUDomRGD Manifestação de Interesse serão da inteira responsabilidade das empresas, as quais não terão direito a qualquer reembolso por parte da MRV e não terão direito de recurso contra a MRV. Savana 15-03-2019 23 PUBLICIDADE DESPORTO ExxonMobil Mocambique, Limitada ´(00/µ for and on behalf of Mozambique Rovuma Venture S.p.A. (“MRV”) invites interesWHGFRPSDQLHV WRVXEPLW WKHLUH[SUHVVLRQVRILQWHUHVW ´([SUHVVLRQ RI,QWHUHVWµ WRHVWDEOLVKDQGRSHUDWHD3URMHFW,QIRUPDWLRQ&HQWHULQ support of MRV’s operations in the Republic of Mozambique. SCOPE OF WORK 7KHVFRSHRIZRUNLQFOXGHVWKHIROORZLQJ ‡'HYHORSDQGRSHUDWH ZKLFKFRXOGEHXSWRD \HDUOHDVH D3URject Information Center in Palma to serve as a central location for VWDNHKROGHUHQJDJHPHQWV FRPPXQLW\ 1*2V FLYLOVRFLHWLHV DQG ORFDO*RYHUQPHQWV DVZHOODVWKHSULPDU\ZRUNORFDWLRQIRUWKH 3URMHFW·V&RPPXQLW\5HODWLRQVWHDP ‡3URYLGH DQ DUHD WRGLVSOD\LQIRUPDWLRQ DERXW WKH5RYXPD/1* Project, business opportunities, jobs, and training; and to educate WKHFRPPXQLW\RQ/1*DQGWKHEURDGHUGHYHORSPHQW ‡3URYLGHZRUNVSDFHVIRUa SHRSOH H J PL[RIRIÀFHV RSHQDUHD ZRUNVWDWLRQV DQG FRQIHUHQFH PHHWLQJ VSDFHV DQG DODUJH UHception area to receive and address concerns, queries, and grievances from communities; ‡6HUYHDVDFHQWHUWRPDQDJHFRPPXQLW\LQYHVWPHQWSURMHFWV ‡3URYLGHDQDUHDIRUORFDOVXSSOLHUUHJLVWUDWLRQ H J FRPSXWHUNLRVN IRUDFFHVVWR(00/6XSSOLHU5HJLVWUDWLRQ3RUWDO ‡6WDIÀQJIRUEDVLFRIÀFHPDQDJHPHQW GDLO\FOHDQLQJ PDLQWHQDQFH DQGVHFXULW\VHUYLFHV LQFOXGLQJWUDQVSRUWDWLRQWR IURPFHQWHU ‡$LUFRQGLWLRQLQJWKURXJKRXW ‡7ZRSULYDWHVHWVRIPDOH IHPDOHWRLOHWV RQHSXEOLFVHWRIWRLOHWV ‡&RIIHH WHDDUHDZLWKSURSHUKDQGZDVKLQJIDFLOLWLHV NLWFKHQHWWH H J PLFURZDYH UHIULJHUDWRU ‡%DFN XSSRZHUJHQHUDWLRQWRSURYLGHXQLQWHUUXSWHGSRZHU ‡)LUHLQVXUDQFH ÀUHSUHYHQWLRQ FRQWUROHTXLSPHQWLQFOXGLQJDODUPV VPRNH GHWHFWRUV VSULQNOHU V\VWHPV ÀUHKRVH DQG H[WLQJXLshers; ‡&RQWLQXRXVÀOWHUHG SXULÀHGZDWHUVXSSO\ZLWKEDFN XSZDWHU WDQNDQGPRQWKO\FRQWURORIWKHZDWHUTXDOLW\ ‡5HJXODUYHFWRUFRQWURODQGIXPLJDWLRQ ‡/DQGVFDSLQJDQGJDUGHQPDLQWHQDQFH ‡6LJQDJHLQ3DOPDWRZQLQGLFDWLQJORFDWLRQRI,QIRUPDWLRQ&HQWHU ‡3URYLVLRQRIVHUYLFHVIRUSKRQH LQWHUQHW FRPSXWHUDQGWHFKQLFDO ,7 ‡6HSDUDWHHQWUDQFHDQGFDUSDUNIRU3URMHFWVWDII DQG ‡6HFXUH EDOOLVWLF KDUGHQHGRIÀFHVDQGVDIHKDYHQ DLUORFNVEHWZHHQ RIÀFHVDQGFDUSDUN &&79 HWF WKDWPHHWV(00/·VVHFXULW\UHTXLrements. 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PUBLIC ANNOUNCEMENT FOR EXPRESSIONS OF INTEREST PROJECT INFORMATION CENTER IN CONNECTION WITH THE ROVUMA LNG PROJECT OF AREA 4 IN THE REPUBLIC OF MOZAMBIQUE trative and Welfare Services (SS11AF) -> SS04BE11 - Training: Research and Development.) $FRS\RI&RPSDQ\·VYDOLGOLFHQVHLVVXHGE\WKHUHOHYDQWDXWKRULW\ $FRS\RIWKHWUDGHUHJLVWHU OHJDOHQWLW\QDPHDQGFRQWDFWSHUVRQIRUUHFHLYLQJTXDOLÀFDWLRQDQGFRPPHUFLDOLQIRUPDWLRQ $FRS\RI&RPSDQ\·VODVWWKUHH\HDUVRIÀQDQFLDOVWDWHPHQWV $QQXDO 5HSRUW SURYLQJ PLQLPXP ÀQDQFLDO FDSDFLW\ IRU WKH UHDOL]DWLRQRIWKHVFRSHRIZRUN &RPSDQ\DQGJURXSVWUXFWXUHZLWKWKHOLVWRIPDMRUVKDUHKROGHUV DQG XOWLPDWH EHQHÀFLDULHV LI QRW OLVWHG LQ WKH VWRFN H[- change); 4XDOLW\ 0DQDJHPHQW 6\VWHP FHUWLÀFDWLRQV DQG RU 4XDOLW\ 0DQDJHPHQW 6\VWHP FRPSOLDQW ZLWK LQWHUQDWLRQDO 4XDOLW\ 6WDQGDUGV +HDOWK 6DIHW\0DQDJHPHQW6\VWHPFHUWLÀFDWLRQDQG RUGRFXPHQWVSURYLGLQJ WKHFRPSDQ\FRPSOLDQFHZLWKLQWHUQDWLRnal standards; *HQHUDOLQIRUPDWLRQDERXWWKH&RPSDQ\SURÀOH 3ULRUH[SHULHQFHLQGHYHORSLQJDQGPDQDJLQJD3URMHFW,QIRUPDWLRQ2IÀFH RUVLPLODU 3ULRUH[SHULHQFHZRUNLQJLQ0R]DPELTXH 3URSRVHGORFDOFRQWHQWDQGVXSSOLHUGHYHORSPHQWSODQV 'HPRQVWUDWLRQRIJRRGKHDOWK VDIHW\ VHFXULW\V\VWHPVDQG VDIHW\SHUIRUPDQFHVWDWLVWLFV (YLGHQFH WKH FRPSDQ\KDV )RUHLJQ&RUUXSW3ROLF\$FW DQG 8.%ULEHU\$FWFRPSOLDQFHV\VWHPV DQG 3URSRVHGORFDWLRQIRUWKH3URMHFW,QIRUPDWLRQ&HQWHULQ3DOPD 7RZQ 7KH SXUSRVH RI WKH LQIRUPDWLRQ DQG GRFXPHQWV LV WR LGHQWLI\ TXDOLÀHGFRPSDQLHV WKDWKDYH WKHSURYHQFDSDELOLW\DQGUHFHQW UHOHYDQW H[SHULHQFH WR EH FRQVLGHUHG IRU SRWHQWLDOLQYLWDWLRQ WR tender for the development and operation of the Project Information Center. 2QO\FRPSDQLHV FRQVRUWLDRU-9WKDWKDYHSURYHQFDSDELOLW\DQG UHFHQWH[SHULHQFHRIVXSSO\LQJ WKHDERYHUHTXLUHGVHUYLFHVZLOO be considered for potential tender for the scope of service described above. 7KLVHQTXLU\VKDOOQRWEHFRQVLGHUHGDVDQLQYLWDWLRQWRELGDQG GRHVQRWUHSUHVHQWRUFRQVWLWXWHDQ\SURPLVH RIIHUREOLJDWLRQ RU FRPPLWPHQWRI DQ\NLQGRQ WKHSDUWRI059 WRHQWHULQWR DQ\ DJUHHPHQWRUDUUDQJHPHQWZLWK\RXRUZLWKDQ\RWKHUFRPSDQ\ SDUWLFLSDWLQJLQWKLVHQTXLU\ $OOGDWD DQGLQIRUPDWLRQSURYLGHGZLWKLQ WKH DSSOLFDWLRQVKDOO not be considered as a commitment on the part of MRV to enter LQWRDQ\DJUHHPHQWRUDUUDQJHPHQWZLWK\RX QRUVKDOOLWHQWLWOH \RXUFRPSDQ\WRFODLPDQ\LQGHPQLW\IURP059 'DWD DQG LQIRUPDWLRQ FOHDUO\ PDUNHG DV ´FRQÀGHQWLDOµ SURYLGHGSXUVXDQW WR WKLVHQTXLU\ZLOO EH WUHDWHG DV FRQÀGHQWLDO E\ 059 ([[RQ0RELO0RFDPELTXH /LPLWDGDDQG(QL5RYXPD%DVLQ 6 S $ DQG WKHLU DIÀOLDWHV DQGZLOO QRW EH GLVFORVHG WR QRQ- -authorized persons or companies. 7KHGHDGOLQHIRUVXEPLVVLRQRIWKLV([SUHVVLRQRI,QWHUHVWLVVHW IRU 0DUFK $Q\FRVWVLQFXUUHGE\WKHLQWHUHVWHGFRPSDQLHVLQSUHSDULQJWKH ([SUHVVLRQRI,QWHUHVWVKDOOEHVROHO\WKHHQWLUHUHVSRQVLELOLW\RI WKHFRPSDQLHV DQGVKDOOEHIXOO\ERUQE\VXFKFRPSDQLHVZKLFK ZLOOQRWEHHQWLWOHGWRDQ\UHLPEXUVHPHQWE\059DQGVXFKFRPpanies shall have no recourse to MRV. 24 Savana 15-03-2019 CULTURA N a semana passada, celebrou-se o 08 de Março, dia Internacional da Mulher, que foi marcado, um pouco por todo país, por actividades artísticas e de protesto que congregaram mulheres e activistas da sociedade civil. Tal como passamos a resumir na página cultural desta semana. A luta pela afirmação da mulher na esfera sociopolítica, bem como na arte, continua a ser um dos grandes desafios do nosso milénio. Principalmente em países como o nosso, onde a taxa de mulheres ou raparigas que são privadas do acesso à escola, assim como a outros direitos fundamentais, continua alarmante. E o alarme tocou, mais frenético do que nunca, na semana passada, quando o Conselho Municipal da Cidade de Maputo proibiu a marcha promovida pela Fórum Mulher, uma organização não-governamental baseada em ideais feministas, pela passagem do dia Internacional da Mulher, celebrado em todo mundo a 08 de Março. E só foi à braço-de- -ferro que as ruas da cidade foram autorizadas a albergar centenas de gritos, que povoaram a manhã daquele dia e içaram protestos contra às injustiças sociais e culturais que as mulheres são sujeitas diariamente. O que nos faz destacar este evento da sociedade civil é o seu carácter abrangente e criativo. A marcha reuniu mulheres de quase todas esferas sociais e gerações; fora os dísticos que denunciavam a opressão de que a mulher é víSemana da Mulher: Arte e protesto Por Venâncio Calisto tima, também houve os que não deixaram que passasse despercebida outras formas de injustiça social como é o caso da “exorbitante” subida do preço da energia eléctrica. E a arte, como sempre, foi a forma escolhida para expressar o manifesto. Em representação das mulheres vítimas da violência doméstica, algumas vestiram-se de hematomas e gessos. Era o teatro a denunciar o crime, que infelizmente permanece encoberto pelo breu da tradição ou do medo. Quantas mulheres, por conta desses “silenciadores” sociais, sofrem caladas? Quem disse que as mulheres não podem fazer uma serenata? E foi para que se quebrasse, duma vez por todas, o silêncio, essa forma subtil de opressão, que na noite daquele 08 de Março, a banda Kakana, na companhia de mais dez artistas, provou que as mulheres também são capazes de entoar a mais bela serenata. O show foi no jardim do Centro Cultural Franco Moçambicano e o público rendeu-se a extasiante combinação de vozes de cantoras como Xixel, Rhodália, Onésia e a anfitriã do concerto, Yolanda Kakana, só para citar algumas, que dentre vários temas, entoaram canções de exaltação e homenagem à mulher, perfume e sustentáculo do mundo. O espectáculo, feito exclusivamente por mulheres, mais do que celebrar o dia Internacional da Mulher, manifestou a urgência da emancipação e seu emponderamento, para que possamos ter uma sociedade mais justa e mais equilibrada. A inda sobre a mulher. “Sorrisos de uma noite de verão”, uma trama de amor protagonizada por mulheres foi o filme exibido no dia 05 de Março, a contar para a terceira sessão do Ciclo de Cinema de Bergaman, que acontece no Teatro Avenida desde finais de Fevereiro. Podemos dizer que o realizador sueco, Ingmar Bergman, um dos mais importantes cineastas do século XX, está de visita ao Teatro Avenida, em Maputo, e – no mesmo palco em que o seu genro, o grande romancista, dramaturgo e encenador Henning Mankel, trabalhou com o Mutumbela Gogo durante décadas – exibe o melhor dos seus filmes. Trata-se dum ciclo de cinema com duração de oito semanas, organizado pelo Teatro Avenida e o escritor e crítico de cinema António Cabrita com apoio da União Europeia. Acontece às terças-feiras, a partir das 18 horas, e no fim de cada sessão há um espaço de debate ou de comentário sobre o filme assistido. Desde a primeira sessão, o público não pára de aumentar, mas há ainda muitas cadeiras por preencher. Há que se incutir nas pessoas o hábito de ir ao cinema. Na semana finda, o filme foi “Sorrisos de uma noite de verão”, uma comédia cujo enredo nos remete a Shakespeare, concretamente ao enredo de “Sonhos de uma noite de verão”, mas o seu roteiro é tão consistente e autêntico que assume a sua própria identidade. Este filme, que se passa em 1901, conta a história do advogado Egerman, viúvo e pai de Henrik, um jovem estudante de Teologia, perturbado pelo encanto provocatório de Petra, criada e confidente da esposa de seu pai. Egerman está casado em segundas núpcias com a bela e jovem Anne, que, apesar da sedução e paciência do seu velho marido, não consegue se entregar por inteiro, por isso, permanece virgem desde que se casou. Na verdade, ama o seu filho, o Henrik. Entretanto, Egerman decide procurar sua antiga amante, a famosa actriz Désirée, mas o seu actual amante, o conde Malcolm, impede que se consuma o reatamento do casal. Este nó amoroso, que provoca lágrimas e conflitos morais entre as personagens e as suas próprias consciências, só encontra o seu desfecho, por sinal feliz, durante a festa organizada por Désirée na casa de campo da sua mãe, na qual é servido um jantar afrodisíaco que faz libertar as paixões. Os apaixonados, livres de quaisquer tipo de amaras sociais ou morais decidem viver, com liberdade, o seu amor: Henrik foge com Anne, esposa de seu pai; Diésirée reata com Egerman e até os criados se rendem aos caprichos do amor. Esta narrativa cinematográfica é considerada um dos mais importantes filmes de Bergman por ter sido o filme que lhe permitiu conquistar um grande prestígio a nível mundial. É graças a este estatuto que este grande homem do cinema mundial ganha a liberdade para escrever e filmar os filmes mais ousados e brilhantes da sua carreira, como o são “Sétimo Selo” e “Morangos Silvestres”. “Sorrisos de uma noite de verão” fala da juventude e da volúpia do amor nesta fase da vida e nos lembra o tema principal de “A Mónica e os Desejos”, um outro filme de Bergman, exibido na sessão anterior a esta, que nos faz reflectir sobre como a paixão guia a lógica da “ilógica” vida da juventude. Ingmar Bergman é tido como um dos grandes génios do cinema e do teatro tanto pela quantidade e qualidade da sua obra. E é indubitavelmente um grande exemplo de cultura e disciplina, aspectos determinantes e indispensáveis para todo o artista. Nascido em Julho de 1918 e falecido em Julho de 2007, Bergman dedicou a sua vida totalmente a arte, e é com ela que nos brinda nesta especial visita ao Teatro Avenida, no ciclo de cinema que todos são convidados a assistir, todas as terças-feiras. Conhecer este grande génio do cinema mundial é de borla. Ciclo de Cinema no Teatro Avenida Mulheres marcham pelas artérias da capital exigindo respeito pelos seus direitos Protestos contra violência doméstica Savana 15-03-2019 25 PUBLICIDADE Dobra por aqui SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 1314‡15 DE MARÇO DE 2019 0DVVDJHQV7HRÀOR Kempton Park, 15-3-2023. Sentença adiada para a próxima semana. Savana 15-03-2019 27 OPINIÃO Venâncio Calisto (Texto) Naita Ussene (Fotos) J á dizia o poeta brasileiro Vinícius de Moraes que “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro”. Por isso, festa é o que não falta, quando nos cruzamos com um velho amigo ou companheiro de batalha. A amizade quando é verdadeira tornase numa luz enorme, a transbordar-nos pelo corpo todo. E nós, seres incandescentes sorrindo para a vida como se a felicidade fosse eterna. Enfim, é melhor não me alongar nesta tentativa falhada de poetizar a magia do encontro, deixemos essa nobre missão ao poeta, que por sinal aqui está, mais metafórico do que nunca. Deixemos que Armando Artur, vencedor do prémio BCI de Literatura para o ano 2018, poeta e ex-ministro da Cultura nesta foto com Carlos Paradona, novo secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) nos diga com que palavras se tece um poema sobre a amizade. No passado dia 08 de Março, encerrou a exposição de fotografia “AeroClube de Moçambique – 90 anos, 90 imagens”, que esteve patente no edifício sede do BCI, um evento que veio nos lembrar a história e a evolução da aviação no país. A festa está em pause. E talvez seja sobre o enguiço da memória que o Dr. Achirafo, jurista e membro do ACM priva, ao abrigo duma atmosfera séria, tal como denuncia a imagem, com o banqueiro Miguel Ribeiro. Voltando a festa, aos encontros e a amizade. Francisco Mucanheia fez anos e os camaradas não se fizeram de rogados, e com sorrisos e apertos de mãos felicitaram o militante da Frelimo e deputado. Aí está Roque Silva, secretário-geral do partido a dar o exemplo de que a vida deve ser celebrada. Na mesma ocasião Eduardo Nihia e Mateus Kathupa, deputado da assembleia da República, de mãos dadas ajudaram a entoar a canção: “parabéns a você”. Que a saúde e a felicidade nunca faltem ao nosso aniversariante. E agora o momento mais comovente. Quando o futuro nos abraça e nos pede certezas. Eis os alunos da Escola Internacional de Maputo abraçadas ao seu director Florentino Dick. Há uma criança que chora, talvez pelas traquinices, próprias da idade, mas na totalidade todas elas estão radiantes e como flores saudando a primavera, espalham por todos os lados, o perfume da esperança. Afinal ainda é possível ser feliz! Afinal ainda é possível ser feliz À HORA DO FECHO www.savana.co.mz EF .BSÎP EF t "/0 997* t /o 1314 Diz-se... Diz-se IMAGEM DA SEMANA Foto: Naita Ussene t $PN P BQSPYJNBS EB SFVOJÍP NBHOB EP QBSUJEÍP SFJOB HSBOEF FYQFDUBUJWB RVBOUP BP GVUVSP EF VN EPT SFCFOUPT EP GVOEBEPS EB OBÎÍP "NCPT PT MBEPT FTUÍP JODPOGPSNBEPT DPN B TBHB RVF MFWPV P PVUSP B mMJBS TF OVNB PSHBOJ- [BÎÍP DÓWJDB DPNP BMUFSOBUJWB Ë TBCPUBHFN EF RVF GPJ WÓUJNB DPN TFRVFTUSPT BJOEB QFMP NFJP 4F NFEJEB FYUSFNB GPS UPNBEB QPEFSÈ TFS BJOEB NBJT JOUFSFTTBOUF P FTDSVUÓOJP EF 0VUVCSP QSØYJNP t .BJT JOUFSFTTBOUF FTUÈ UBNCÏN P NFEJÈUJDP QSPDFTTP EBT EÓWJEBT PDVMUBT DPN B QPTTJCJMJEBEF EP EFTDFOEFOUF DIJOÐT WJS B TFS FYUSBEJUBEP QBSB PT &TUBEPT 6OJEPT FTUFT RVF EJ[FN RVF GBSÍP UVEP QBSB MFWBS PT FOWPMWJEPT Ë CBSSB EP USJCVOBM 0 OFSWPTJTNP RVF SFJOB Ï RVF TF UBM WJFS B BDPOUFDFS P RVF EJSÈ P BOUJHP NJOJTUSP BPT HSJOHPT 0 NFMIPS Ï NFTNP FMF WPMUBS Ë UFSSB OBUBM POEF UPEB B JOGPSNBÎÍP QPEFSÈ TFS NBJT DPOUSPMBEB t $PN B EFDJTÍP EB BVUPSJEBEF JOUFSOBDJPOBM EP GVUFCPM EF TVTQFOEFS VN EPT RVBESPT EB '.' 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O novo empreendimento inaugurado nesta quarta-feira pelo Presidente Heineken quebra recorde africano da República, Filipe Nyusi, conta com um investimento de cerca de 100 milhões de dólares. Localizado em Bobole, entre os distritos de Marracuene e Manhiça, a fábrica terá uma capacidade de produção de 0.8 milhões de hectolitros, tendo inicialmente começado a produzir a cerveja “Txilar”, uma marca de cerveja especialmente feita “por moçambicanos para consumidores moçambicanos”. A fábrica está dotada de uma das mais recentes tecnologias da área e vai usar matéria-prima nacional, com destaque para milho produzido por mais de mil agricultores da Vila de Catandica (Barué), província de Manica. Perante cerca de 500 convidados, entre membros do Governo e dirigentes de empresas públicas e privadas, o director do Conselho Executivo da Heineken, Jean- -François Boxmeer, afirmou que acredita que a construção da fábrica constitui um grande passo no quadro da presença da empresa no país. Com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a rondar em 3.5% no ano passado, a nova fábrica em Moçambique continuará a importar marcas de cerveja como Heineken, Amstel, Sagres e Strongbow, sendo que o consumo de cerveja actualmente encontra-se nos 10.5 litros per capita. Portanto, Boxmeer informou que a mesma quer se posicionar como parceiro económico no crescimento de Moçambique, sendo que a fábrica já emprega 200 pessoas das quais 96% são moçambicanas que nas últimas 23 mil horas receberam formação de 12 meses em diferentes países para saber lidar com as novas técnicas de tecnologia que a compõem. Por seu turno, Filipe Nyusi felicitou os responsáveis pelo empreendimento, fazendo notar que a implantação da fábrica em Moçambique representa mais que um sinal de confiança que os outros países depositam no nosso país, estando aberto para mais empreendimentos. A subsidiária Heineken Mozambique iniciou a actividade em 2016 com um escritório de promoção e vendas e a importação de cervejas como Heineken, Amstel, Amstel Lite e Sagres a fim de alargar a quantidade de produtos à disposição dos consumidores moçambicanos. O governo, através da empresa CFM-Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, vai adquirir, ainda este ano, um total de 90 carruagens e cinco locomotivas adicionais, para o reforço do transporte de passageiros e mercadorias, nos sistemas ferroviários Sul e Centro. Esta informação foi revelada, nesta segunda-feira, em Maputo, pelo ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, à margem da 10ª Reunião Nacional das Mesquita anuncia reforço nos transportes Autarquias Locais. Abordado por jornalistas, após dissertar sob o tema “mobilidade e acessibilidade urbanas”, Carlos Mesquita disse que a perspectiva é de que os referidos equipamentos estejam disponíveis e em circulação já no terceiro trimestre do ano em curso. “Há três anos, fizemos um investimento nos sistemas ferroviários Sul e Centro, nomeadamente, nas linhas férreas de Goba, Ressano Garcia, Chicualacuala, Sena e Marromeu, mas temos estado a notar que a procura ainda é muito elevada, o que é bom, pois reduz a pressão sobre as estradas, diminuindo, deste modo, o nível de acidentes rodoviários, para além de permitir que a população transporte maior quantidade de mercadorias a preços extremamente acessíveis”, referiu o governante. Tendo em consideração estes factores, conforme indicou o ministro, o Governo decidiu avançar na aquisição de 90 carruagens e cinco locomotivas, para os sistemas Sul e Centro, num projecto executado em colaboração com o governo da Índia e enquadrado no âmbito do Programa Quinquenal e o Plano Económico Social (PES) de 2019. Muito recentemente foi feita a definição das especificações das referidas carruagens, que serão maioritariamente de terceira classe, com um número considerável de segunda e primeira classes, para conferir mais conforto e comodidade aos utentes. A propósito, Carlos Mesquita explicou que, do lote de 90 carruagens, constam algumas carruagens- -restaurantes. A ideia é que cada comboio de passageiros passe a contar com uma carruagem-restaurante. “Isso vai fazer com que todos os passageiros a bordo possam ter facilidades na aquisição de alimentos devidamente confeccionados, assim como a criação de condições para o aquecimento da água para a preparação do leite para os bebés, entre outras necessidades logísticas, uma vez que algumas viagens são longas e chegam a durar, nalguns casos, acima de seis horas”, concluiu. Savana 08-03-2019 EVENTOS 2 Um total de 70 jovens moçambicanos beneficiou de uma capacitação em matérias de tecnologias de informação, através de um workshop denominado Cloud Study Jams promovido, no sábado, 9 de Março, em Maputo, pela Google Developers Group (GDG) em parceria com a Incubadora de Negócios do Standard Bank. Para o efeito, a associação juntou no evento de estudo sobre computação em nuvem (Cloud), leccionado 70 jovens formados em computação em 4 sessões e por igual número de formadores, jovens interessados em adquirir conhecimentos através da plataforma Google Cloud, fornecida pelo Google. Rosário Fernandes, organizador do evento, disse que o principal objectivo do workshop era dar experiência prática aos jovens interessados em tecnologias de informação e aumentar o proficiente técnico dos participantes na área de computação em nuvem. Segundo o organizador, GDG é formado por um grupo de voluntários patrocinados pela própria Google, e o critério de selecção para o ingresso na formação ou capacitação é terem conhecimentos básicos sobre tecnologias de informação. A segunda edição do Cloud Study Jams focalizou-se na interacção entre os participantes sobre inteligência artificial dentro da nuvem. Para o treinamento personalizado dos formandos, Rosário Fernandes disse que foi necessário fazer-se o uso de uma plataforma chamada Qwiklabs, que oferece várias ferramentas de fácil adequação. “Geralmente, cada exercício dentro da plataforma tem um custo, mas durante o workshop e depois da formação, eles vão beneficiar do uso grátis, por um período de um mês”, frisou Rosário Fernandes. Cada ciclo de formação (exercícios) foi leccionado por um formador, por causa da diversificação dos temas e o prosseguimento será à conquista de medalhas electrónicas que servem igualmente como elemento catalisador dentro do curriculum vitae dos participantes. Vânia Matável, participante do evento, disse que aprendeu a operar com a base de dados e a manusear os dados, que, se forem grandes, podem ser guardados na nuvem. “Creio eu que trabalhar com nuvem, pela minha experiência, no caso de perda de um ficheiro ou documento, a mesma guarda para nós sem ser necessário o uso de um dispositivo ou pen drive para armazenar”, disse Vânia Matável. Vânia Matável congratulou a iniciativa promovida pelo GDG e o Standard Bank pelo facto de unir jovens para estudos sobre tecnologias de borla, isto é, sem pagar nada. Almeida João de Almeida, estudante finalista do curso de tecnologias de informação, disse que aprendeu uma tecnologia nova para o armazenamento de dados: “Achei interessante aprender algo que ainda não foi introduzido no meu curso, vou aplicar este conhecimento durante o meu percurso”, concluiu Almeida. Importa realçar que a Incubadora de Negócios do Standard Bank é um empreendimento concebido no âmbito da visão e estratégia do banco, cuja materialização passa pela implementação de iniciativas que fomentam a inovação e o empreendedorismo, que são os mentores do crescimento económico do País. Para além do espaço físico, a incubadora oferece desde a formação até à interacção com outras empresas e órgãos ou entidades governamentais, tendo em vista a criação de condições para o surgimento e estabelecimento de empreendimentos sustentáveis, que terão um impacto positivo na economia e na sua cadeia de valores, gerando riqueza e inclusão financeira para os cidadãos. A Embaixada do Reino dos Países Baixos em 0DSXWR SUHWHQGHFRQWUDWDUXP2ÀFLDOGH3URJUDPDSDUD$VVXQWRV3ROtWLFRV 2 FDQGLGDWR GHYHUi SRVVXLU R QtYHO VXSHULRU DQRV GH H[SHULrQFLD UHOHYDQWH H[FHOHQWH GRPtQLRGDVOtQJXDVSRUWXJXHVDHLQJOHVDHVFULWD H IDODGD H[FHOHQWH FDSDFLGDGH DQDOtWLFD XPDH[FHOHQWH UHGHGHFRQWDFWRV $SRVLomRp GH KRUDVGHWUDEDOKRSRUVHPDQD 2V LQWHUHVVDGRV GHYHUmR HQYLDU R FXUUtFXOR H XPD FDUWD GHPDQLIHVWDomR GHLQWHUHVVH HP LQJOrV SDUD R H PDLO 0$3#PLQEX]D QO DWp 2V WHUPRV GH UHIHUrQFLD VHUmR HQYLDGRV DRV FDQGLGDWRVTXHUH~QDPRVUHTXLVLWRVH[LJLGRV ANÚNCIO DE VAGA 2ÀFLDOGH3URJUDPDSDUD $VVXQWRV3ROtWLFRV A União Europeia e o Governo moçambicano assinaram em Maputo, semana passada, quatro convenções de financiamento. Com um valor total de 217 milhões de Euros, estes acordos fazem parte do Programa Promove, e cobrem quatro áreas chave: a facilitação ao comércio, a gestão sustentável dos recursos naturais, a promoção da agricultura sustentável e do agro- -negócio e a reabilitação de estradas nas zonas rurais. Para o alcance destes objectivos, 12 milhões de euros serão destinados ao domínio do comércio para apoiar nos meios que irão facilitar a implementação de comércio e melhorar o ambiente de negócios. Treze milhões de euros estão alocados à Biodiversidade de modo a protegê-la e melhorar a subsistências das comunidades rurais, cobrindo as ilhas primeira e segunda e zonas costeiras adjacentes, reserva nacional de Gelé e o Inselbergue de Mabu nas províncias de Nampula e Zambézia. O Agro-negócios com 68 milhões de Euros visa apoiar o desenvolvimento da agricultura comercial sustentável de pequena escala, apoiar na melhoria União Europeia assina convenção de 217 milhões de Euros de produtividade dos pequenos produtores através do serviço de apoio, extensão financeira e disponibilidade de serviços ao longo das cadeias de valores. O quarto programa, o Promove Transporte com um total de 124 milhões de Euros, vai centrar-se na reabilitação de estradas rurais nas províncias de Zambézia e Nampula tornando possível a integração regional e internacional (Malawi e Zâmbia), com o objectivo de contribuir para o crescimento económico sustentável, inclusivo no que se refere a criação de emprego e redução de pobreza. Este financiamento é parte das doações dos recursos financeiros disponibilizados no quadro do Programa Indicativo Nacional do 11º Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED), referente ao período 2014 – 2020, para um crescimento mais inclusivo e sustentável no país. O programa Promove e as quatro componentes estarão centradas nas províncias da Zambézia e Nampula por estas apresentarem 60% na sua população dependente de uma agricultura sustentável com baixa produtividade e baixo retorno. O Banco Único lançou, semana finda, em parceria com a South African Airways, o cartão de crédito denominado por Único Voyage. Os cartões estão disponíveis na série Classic e Gold. Com este cartão, os clientes do Banco Único podem acumular milhas sempre que viajarem naquela companhia área sul-africana ou em qualquer um dos parceiros do programa SAA Voyage, bem como, em compras do dia-a-dia. António Correia, Presidente da Comissão Executiva do Banco Único, avançou que o cartão Único Voyage, Banco Único lança cartão “Único Voyager” para além de ser único no mercado moçambicano, tem por objectivo oferecer soluções baseadas na excelência e inovação, capazes de dar resposta às necessidades específicas de cada pessoa. Com o cartão, o Banco Único pretende alargar e diversificar cada vez mais a sua oferta de cartões, oferecendo soluções e benefícios dirigido a cada seguimento, desígnio abraçados pela instituição desde a sua génese. Como oferta especial de lançamento do cartão, durante os meses de Março e Abril, o cliente que aderir e usar no mínimo 5 vezes o cartão Único Voyage fica, automaticamente, elegível a um bónus de 50 mil milhas. Savana 08-03-2019 EVENTOS 3 PUBLICIDADE A petrolífera Total premiou, semana finda, em Maputo, os vencedores do concurso «Startupper» do ano, uma iniciativa que teve por objectivo identificar e premiar os melhores projectos de criação e desenvolvimento de empresas. O primeiro lugar ficou com a Eco Planet Mozambique Lda, um projecto de Sebastião Coana, que actua na protecção do meio ambiente, promovendo o desenvolvimento sustentável da nossa economia, através da criação de produtos Total premeia melhores Startuppers de Moçambique ecológicos (com base em matéria prima local), promoção do emprego, e equilíbrio de género na força de trabalho. O projecto Água Potável para Todos de Emelito Changadeia ocupou a segunda posicao no concurso. Este projecto veio para solucionar o problema da falta de água potável na maioria das vilas municipais. Já o terceiro lugar ficou com a Vegetais protegidos-Casa Verde, de Edson António, que disponibiliza hortícolas frescas e de qualidade durante todo ano, no mercado nacional. Neste evento foi também premiado o projecto Minimal LivingBox de Marta Uetela. Este é o prémio para “A Grande Empreendedora”, como forma de incentivar as mulheres a participarem deste tipo de iniciativas. O Minimal LivingBox é o projecto de um estúdio que se vai dedicar ao design e construção modular, com base em contentores e perfis metálicos, de habitações, escritórios e instalações minimalistas. O desafio Startupper do ano da Total, 2018-2019, realizou-se em simultâneo em 55 países. (Redacção) A multinacional sul-coreana LG, que opera no ramo dos electrodomésticos, lançou, recentemente, na capital moçambicana, Maputo, a sua nova gama de electrodomésticos, dotados de recursos tecnológicos de última geração. Dentre as inovações trazidas para o mercado moçambicano, destaque vai para as TV Smarts, que, para além de terem processadores inteligentes a7,4K Cinema HDR, 4K Cinema HDR (Dolby Vision™/ Advanced HDR by Technicolor/ HDR 10 Pro/ HLG Pro), comportam a tecnologia artificial, que compreende comando voz para realizar pesquisas, acessar aplicações e navegar na internet. E também pela positiva pontifica a geleira inteligente, o LG Smart Instaview Refrigerator, em que para além do baixo consumo de energia eléctrica e espaço considerável para guardar todos os mantimentos, leva um ecrã de 29 polegadas Full HD, sensível ao toque, e que oferece uma gama infinita de aplicativos. Com a tela, e uma vez activados os recursos digitais, o utilizador pode criar a lista de compras, conferir o que está dentro do frigorífico sem abrir a porta (leva uma câmara panorâmica de 2 megapixéis). Ainda, uma vez conectada ao smartphone, é também possível ser notificado sobre os alimentos que estão prestes a atingir a data de validade. Dário Vaz, Country Manager da LG em Moçambique, disse os novos equipamentos vêem para responder as dinâmicas actuais, num mercado repleto de clientes cada vez mais exigentes. A par das inovações tecnológicas, Vaz anotou que um dos pontos fortes que a marca tem estado a apostar é mesmo o consumo mínimo de energia dos aparelhos, sendo que os produtos apresentados não fogem à regra. Os equipamentos encontram-se disponíveis na recém-inaugurada loja da multinacional sul-coreana, em funcionamento num dos centros comerciais, arredores na cidade de Maputo. LG introduz electrodomésticos inteligentes em Moçambique Savana 08-03-2019 EVENTOS 4 A Vivo Energy concluiu, na semana passada, a transação com a Engen Holdings (EHL), que acrescenta oito novos países e 230 estações de serviço da marca Engen à rede da Vivo Energy, expandindo o seu serviço para cerca de 2 mil estações em 23 mercados africanos, onde se destacam o Gabão, Malawi, Moçambique, Ruanda, Tanzânia, Zâmbia, Zimbabwe, Quénia, entre outros. Segundo uma nota recebida na nossa Redacção, a contraprestação para a transação inclui uma emissão de 63,2 milhões de novas acções e 62,1 milhões de dólares em numerário por parte da Vivo Energy. O elemento em numerário da contraprestação foi financiado por uma redução do mecanismo de multidivisas da Vivo Energy. Após a emissão das acções, a Engen irá controlar uma participação de cerca de 5,0 % na Vivo Energy. Comentando sobre a tranVivo Energy conclui transação com EHL sação, o Director Executivo da Vivo Energy, Christian Chammas, disse que com a presente transação se inicia um capítulo importante para a empresa, recebendo cerca de 300 novos colaboradores, acrescentando oito novos países à rede e aumentando o mercado-alvo que estava em cerca de 160 milhões para cerca de 36% do continente africano. Chammas espera que o aumento dos volumes de combustível, seja impulsionado pelo segmento comercial. Por seu turno, o Director Geral da Engen, Yusa Hassan sente-se animado em estar nesta jornada de crescimento com a Vivo e de adicionar outra marca forte e respeitada ao Grupo. Entretanto, Christian Chammas concluiu que, nos primeiros sete anos da Vivo Energy, investiram no crescimento da empresa, aumentou a rede de estações de serviço e acrescentou ofertas renovadas de retalho de conveniência e restaurantes de serviço rápido. A Eni e a Qatar Petroleum assinaram, nesta semana, um acordo de Concessão que irá permitir a Qatar Petroleum adquirir um interesse participativo de 25.5% no Bloco A5-A, offshore em Moçambique. O acordo está sujeito a aprovação das autoridades moçambicanas. O bloco A5-A, localizado nas águas profundas da Bacia de Zambeze no norte do País, a aproximadamente 1,500 km a nordeste da Cidade Capital Maputo, foi adjudicado a Eni aquando do 5º Concurso de Concessão lançado pela República de Moçambique, enquanto que o Contrato de Concessão para Pesquisa e Produção foi assinado em Outubro de 2018. O Bloco cobre uma área de 5,133 km2 em profundidades de água que variam entre 300 e 1,800 metros, numa área Eni e Qatar Petroleum assinam acordo de concessão inexplorada em frente a Cidade de Angoche. A Eni é a operadora do Consórcio do Bloco A5-A, com um interesse participativo de 59,5% detido pela sua subsidiária Eni Mozambico, que irá reduzir para 34% após a aprovação da concessão. Os outros parceiros são Sasol, com 25.5%, e a empresa estatal moçambicana Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), com 15%. “A transação de hoje representa outro marco no percurso estratégico adoptado pela Eni e a QP para o fortalecimento da sua parceria a nível mundial”, disse o Administrador Delegado da Eni, Claudio Descalzi. A Eni está presente em Moçambique desde 2006, após a aquisição do contrato para a Área 4, na Bacia do Rovuma Offshore, no norte do país, onde se estima que a quantidade total de gás exceda os 85 TCF, no seguimento da campanha de pesquisa bem sucedida, com as descobertas de Coral, Mamba e Agulha. O desenvolvimento inicial de Coral inclui a construção de uma fábrica flutuante para o tratamento, liquefação, armazenamento e descarregamento de GNL. A mesma terá a capacidade de liquefação de 3.4 milhões de toneladas por ano. O programa de desenvolvimento inclui também a construção de uma fábrica em terra composta por 2 módulos para o tratamento e liquefação do gás natural, com uma capacidade total de 15.2 milhões de toneladas por ano, que corresponde a primeira fase do projecto Rovuma LNG. Espera-se que este projecto seja aprovado em 2019 e o seu inicio de produção está previsto para 2024. A província de Gaza ganhou mais 147 quilómetros de estrada asfaltada com a inauguração, na passada sexta-feira, dos troços que ligam os distritos de Limpopo, Chibuto, Guijá e Chokwè. Trata-se de estradas que haviam sido danificadas pelas cheias de 2012 e 2013 que assolaram aquele província, tendo colocado aquelas vias intransitáveis, o que dificultava o desenvolvimento da província. Orçadas em USD 102 milhões e financiadas pelo Banco Mundial, as obras contemplaram ainda a construção de pontes e aquedutos de modo conferir uma maior resiliência caso sejam galgadas pelas águas pluviais. Falando num comício que marcou a inauguração das obras, que teve lugar no posto Administrativo de Chaimite, distrito de Chibuto, o presidente da República Filipe disse que com a entrega da estrada renasce uma esperança para um povo que outrora se deparava com problemas de vias Nyusi inaugura estradas em Gaza de acesso, principalmente no período chuvoso. Assim considerou aquele acto como uma resposta do executivo moçambicano ao clamor das populações de Gaza que tinham de percorrer vias alertavas para tratar assuntos de variados interesses. Sublinhou que a construção de infraestruturas de desenvolvimento é uma das postas do seu governo que para tal tem contado com forte apoio do Banco Mundial. Apelou para uma condução responsável evitando acidentes que ceifam vidas humanas, bem como exortou as populações a serem vigilantes de modo que a via Chissano- Macarretane não alimente o roubo de gado. Na ocasião, o director regional do banco Mundial Mark Lundel congratulou o modelo de contratos firmados com os empreiteiros baseado em resultados. Segundo Lundel este modelo aumentou a eficiência e garante a longevidade do trabalho, pelo que espera que seja replicado noutras intervenções. 

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