segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O rei dos reis


O rei dos reis

Foi imperador na Etiópia e divindade na Jamaica, o guerreiro que enfrentou o fascismo italiano e o diplomata que apoiou a descolonização africana. Mas para a história fica — a par com Nelson Mandela — como a grande figura africana 
do século XX. No domingo passado comemoraram-se 
125 anos do seu nascimento

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Nascer africano em finais do século XIX podia resultar em dois caminhos: o da segregação nas Américas, onde a escravatura tinha sido substituída por novas formas de exploração; ou o da colonização em África, onde se nascia condenado a servir como ser humano de segunda categoria. Em ambos os casos o resultado final era o mesmo, o da subjugação racial à qual poucos escapavam logo à nascença, sendo neste contexto que Haile Selassie nasceu a 23 de julho de 1892, para viver um destino que se iria revelar muito diferente dos milhões de africanos que viveram no seu tempo.
Haile Selassie nasceu em Ejersa Goro, pequena vila de uma região inóspita e periférica que pouco mudara ao longo dos séculos. Nos seus planaltos abundava a vegetação rasteira e escasseava a água, mas havia riqueza no café arábico que crescia de forma endémica e por ali passavam as lucrativas rotas comerciais que seguiam para o Mar Vermelho. Esta riqueza era a base do poder do Ras Mekonnen, o pai de Haile Selassie, que governava a província de Harar, à qual pertencia Ejersa Goro, e que formava parte do último grande Estado africano que não sucumbira à colonização nem aceitara transformar-se num protetorado, a antiga e orgulhosa Etiópia que durante largos séculos foi conhecida no Ocidente por Abissínia. Se nascer etíope significava nascer livre do jugo ocidental, nascer filho de um Ras somava estatuto social e uma alternativa bem diferente da pobreza que marcava a vida da maioria da população. Ras era um título nobiliárquico etíope equivalente ao duque europeu, e Mekonnen um dos mais poderosos de toda a Etiópia.
Haile Selassie foi o décimo filho do Ras, e o seu nome de Lij — título atribuído aos filhos da nobreza — era Tafari Mekonnen. O primeiro acontecimento marcante da sua longa vida ocorreu quando ainda não tinha completado quatro anos, em março de 1896, após a Itália invadir a Etiópia com o objetivo de colonizar aquele que durante séculos tinha sido um bastião cristão cercado de reinos islâmicos. O imperador Menelik II lançou um apelo às armas que mobilizou todo o país e o Ras Mekonnen respondeu ao pedido do seu primo marchando para norte à frente de 12 mil guerreiros. Em Roma contava-se com uma vitória fácil e um exército italiano com 14 mil homens marchou sobre a Etiópia com o apoio de milhares de askaris, eritreus e somalis muçulmanos que os etíopes viam como inimigos religiosos. Ao chegarem a Adowa, os italianos não hesitaram em avançar sobre o exército imperial que os aguardava, sendo então surpreendidos por uma massa de 100 mil guerreiros que só precisou de algumas horas para aniquilar o seu adversário. Milhares de italianos e askaris tornaram-se corpos espalhados pelo solo, e muitos italianos enfrentaram um cativeiro de fome e sede. Pior destino estava reservado aos 800 askaris que foram mutilados com o corte da mão direita e do pé esquerdo, além de muitas castrações realizadas de maneira artesanal.

A ASCENSÃO DO GUERREIRO

Após um acordo de tréguas entre a Itália e a Etiópia, a paz voltou à região e para o Lij Tafari Mekonnen seguiu-se uma infância passada em Harar, uma cidade exótica e antiga onde igrejas e mesquitas coexistiam de forma pacífica e à noite se ouvia o riso das hienas que desciam até à cidade para serem alimentadas pela população, um ritual místico que persiste até à atualidade. A sua educação era destinada a criar um guerreiro, mas não se limitava ao conhecimento bélico. A aprendizagem de línguas estrangeiras, religião, história e geografia formou parte fundamental do seu currículo, que incluiu formação dada por um monge capuchinho e sua nomeação a Dejazmach, “Comandante do Portão”, quando tinha apenas 13 anos.
Com a morte do pai em 1906, o governo de Harar passou para o seu irmão, mas quando este morreu em 1907 o imperador decidiu entregá-lo a um general da sua confiança. A monarquia etíope não seguia o modelo dinástico convencional, com o filho varão a suceder ao pai e os restantes irmãos a formar uma linha sucessória, sendo que a mesma lógica servia para o governo provincial como para a nomeação do imperador, cujo título oficial era Negus Negasti, rei dos reis. Foi durante a adolescência que nasceu a sua primeira filha, a futura princesa Romanework, e que teve uma rápida ascensão que lhe permitiu assumir o governo de Harar em 1910. Aos 17 anos casou com Menem Asfaw, sobrinha de Iyasu, um poderoso nobre que foi nomeado herdeiro de Menelik II e reinou como imperador não coroado entre 1913 e 1916, chegando assim aos corredores do poder imperial.
Com a Grande Guerra a alastrar por África, o imperador Iyasu V decidiu aproximar-se do islamismo e aliar-se a Ibn Abd Allah Hassan, o líder da resistência somali que desafiava a colonização italiana e era conhecido como o “califa louco”. Iyasu tinha decidido aliar a Etiópia ao Império Otomano e assim formar uma poderosa coligação para expulsar os italianos de África, mas a sua lógica não colheu o apoio da aristocracia etíope e originou um descontentamento generalizado. A Itália era aliada da França e do Reino Unido, as duas grandes po e esmagar os etíopes, o que por sua vez iria permitir aos italianos terminar o que tinha ficado suspenso em Adowa. Cientes do perigo, grande parte do governo e nobreza apoiou um golpe militar que em setembro de 1916 derrubou Iyasu V sob a acusação de se ter convertido ao islamismo.
O golpe revelou-se certeiro. Apesar de algum apoio dos turcos, não tardou muito para que uma força anglo-ítalo-francesa esmagasse as forças somalis do “califa louco” e deitasse por terra os planos otomanos para o corno de África, tendo a deposição de Iyasu aberto o caminho à irmã de Menelik II, que foi nomeada imperatriz Zewditu e formalmente coroada, ainda que com poderes limitados. Os golpistas também nomearam um regente imperial, escolhendo um guerreiro corajoso que se revelara um hábil diplomata: Tafari Mekonnen, o qual foi promovido a Ras e não perdeu tempo a demonstrar os seus atributos bélicos. A derrota somali surgiu como uma oportunidade para avançar sobre os eternos inimigos da Etiópia, levando o regente a liderar o seu exército pessoal num longo périplo militar que incluiu uma passagem pela província de Harar, de que era governador, e onde a sua reputação ficou manchada quando boa parte da população muçulmana foi massacrada.
Durante muito tempo a sua imagem foi apreciada nos salões do poder ocidental e admirada pelo povo africano, que via nele um raro exemplo de sucesso africano
Durante muito tempo a sua imagem foi apreciada nos salões do poder ocidental e admirada pelo povo africano, que via nele um raro exemplo de sucesso africano
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NEGUS NEGASTI

Terminada a Grande Guerra, a paz que se instalou nos campos de batalha tardou a chegar à Etiópia. O imperador deposto continuava a ter aliados e só foi capturado em 1921, sucedendo-se uma série de revoltas internas que o Ras Tafari Mekonnen foi esmagando para eliminar as resistências que a sua regência ia gerando. No plano externo conseguiu garantir a entrada da Etiópia na Liga das Nações, em 1923, e no ano seguinte iniciou uma extensa viagem pelo Médio Oriente e Europa que o levou a cidades como Jerusalém e Alexandria, e a capitais como Amesterdão, Bruxelas, Londres e Paris. Foi neste período que a sua imagem começou a tornar-se conhecida nos salões do poder ocidental, e admirada pelo povo africano que via no Ras etíope um raro exemplo de sucesso africano.
Enquanto pela Europa os loucos anos 20 davam lugar à Grande Depressão, na Etiópia prosseguia a lenta modernização do país. Tafari Mekonnen reforçava o seu poder ao ponto de já poucos se lhe poderem opor, e quando a 2 de novembro de 1930 a imperatriz Zewditu morreu sem conseguir afastar o Ras do poder, este tornou-se Negus Negasti e transformou a cerimónia de coroação numa demonstração de poder testemunhada por dignitários das grandes potências mundiais. Ao tornar-se imperador adotou o nome pelo qual ficaria a ser conhecido para a posteridade, Haile Selassie, o Leão de Judá, tendo uma das suas primeiras decisões passado por dotar a Etiópia da sua primeira Constituição escrita. Se por um lado instituía alguns princípios democráticos, por outro decretou que a sucessão ao trono passaria a ser limitada aos seus descendentes, o que originou uma onda de desagrado entre os príncipes e Ras que se declaravam descendentes do rei Salomão e da rainha Sheba, e como tal legítimos herdeiros do trono etíope.
Durante os primeiros anos do seu governo instituiu um sistema político baseado em duas câmaras legislativas e acelerou a modernização do país, porém, a ascensão do fascismo em Itália renovou os velhos planos colonialistas e Mussolini enviou poderosos contingentes militares para a Eritreia e Somália para preparar uma nova invasão da Etiópia. Na mente dos italianos ainda estava bem presente a vergonha sofrida com a derrota de Adowa, pelo que a invasão não só previa a anexação de território como também uma redenção para a imagem do exército italiano e uma afirmação da superioridade racial latina. Em outubro de 1935 começou a guerra, quando seis divisões de camisas negras e várias unidades do exército italiano invadiram a Etiópia a partir de várias direções. As notícias da brutal invasão geraram uma vaga de solidariedade a nível mundial, com grande parte da opinião pública a simpatizar com a causa etíope e uma onda de voluntários e mercenários a oferecerem-se para lutar no seu exército. Alguns eram veteranos com muitos conflitos no seu currículo, outros eram idealistas sem qualquer tipo de experiência militar. Dos Estados Unidos chegaram afro-americanos como Hubert Fauntleroy Julian, que se chamava a si mesmo a “Estrela Negra de Harlem” e despenhou um dos poucos aviões que ainda restavam aos etíopes, e da Europa vieram voluntários como o Conde Carl von Rosen, um aventureiro em busca de adrenalina.
Apesar da tenaz resistência etíope, a superioridade material italiana impôs-se no terreno. Os italianos contavam com uma aviação numerosa e moderna, que bombardeava alvos militares e civis com grande impunidade, não hesitando também em usar armas químicas de forma indiscriminada para espalhar a morte e quebrar a moral do seu adversário. A 2 de maio de 1936, Haile Selassie atravessou a fronteira com a sua família e uma semana mais tarde Mussolini declarou de forma pomposa o nascimento do novo império romano. Começava assim o exílio do imperador sem império, numa Europa onde os ventos da guerra começavam a fazer-se sentir. Apesar de derrotado, a sua imagem saiu reforçada e a resistência ao fascismo aumentou o seu prestígio entre as democracias ocidentais, convertendo-o também no líder africano mais influente em todo o mundo.
Haile Selassie serviu de inspiração a Bob Marley, expoente máximo do reggae, que utilizou um discurso de Selassie na Liga das Nações para redigir a letra da canção ‘War’
Haile Selassie serviu de inspiração a Bob Marley, expoente máximo do reggae, que utilizou um discurso de Selassie na Liga das Nações para redigir a letra da canção ‘War’
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MOVIMENTO RASTAFÁRI

Numa época em que grande parte dos africanos viviam sob o jugo do colonialismo ou da segregação racial, uma figura como a de Haile Selassie surgia como um raio de esperança para milhões. O advento da rádio e a massificação dos jornais tornou possível que africanos por todo o mundo seguissem as histórias sobre a corte imperial e a sua resistência contra o invasor branco, fazendo dele uma figura reverenciada nos bairros pobres da Jamaica onde estava prestes a nascer um movimento único.
Durante os anos 30, a identidade afro-americana ainda lutava contra os estereótipos raciais e a subalternização cultural, circunstâncias que moldaram um movimento jamaicano que não tardou a espalhar-se e a criar comunidades em vários países. Advogava um pensamento místico moldado por uma visão africana da religião e da sociedade, a que se somou o consumo de drogas enquanto elemento libertador. Haile Selassie foi adotado como figura messiânica e o seu antigo nome, Ras Tafari, serviu para batizar o movimento Rastafári. A decisão foi justificada com a sua alegada descendência do rei Salomão, uma linhagem que o ligava ao trono de David e estabelecia uma ligação bíblica que lhe conferia uma aura religiosa. A sua escolha também revestia um aspeto racial. Era opinião comum entre os rastafarianos que as igrejas ocidentais ignoraram a linhagem africana de David devido ao racismo e à necessidade de subjugar o africano, as mesmas razões que levaram à repressão de várias práticas religiosas que singraram durante a escravatura, como a Cumina, o Obeah, o Shango e o Voodoo, que passaram de geração em geração apesar dos duros castigos infligidos aos que fossem apanhados na sua prática. A amálgama de distintos elementos africanos gerou uma cultura plena de idiossincrasias. Os rastafáris desenvolveram uma imagem em que predominam os dreadlocks (cabelos com longas rastas entrelaçadas), com o consumo de drogas leves a ser apresentado enquanto expressão cultural com laivos religiosos, dando também origem a um género musical que alcançou fama mundial: o reggae.
Haile Selassie serviu de inspiração para inúmeros escritores e músicos rastafáris, como foi o caso de Bob Marley, expoente máximo do reggae que utilizou um discurso de Selassie na Liga das Nações para redigir a letra da canção ‘War’. Tal como ocorre com outras manifestações religioso-culturais, o movimento rastafári tem uma base ideológica que neste caso assenta na necessidade de emancipação do africano e absorve a tradição bíblica da “terra prometida”, que neste caso é localizada em África.
Durante a visita a Portugal, em julho de 1959, foi recebido por Salazar e Américo Tomás
Durante a visita a Portugal, em julho de 1959, foi recebido por Salazar e Américo Tomás
ARQUIVO DN

GLÓRIA E QUEDA

Apesar da fama no Ocidente e a glorificação rastafári, os anos de exílio de Haile Selassie no Reino Unido foram anos de tristeza e impotência face ao massacre do seu povo pelos fascistas latinos. Em 1936 foi a vez da Espanha também ser alvo da intervenção italiana e três anos mais tarde a Europa democrática decidiu finalmente reagir às agressões de nazis e fascistas e começava a II Guerra Mundial.
Em 1941, forças britânicas auxiliadas pela resistência etíope esmagaram a guarnição italiana na Etiópia e abriram caminho para o retorno de Haile Selassie, após cinco anos de afastamento. Com o fim do conflito, o país voltou a ser membro fundador de uma renovada Liga das Nações, a ONU, e Haile Selassie prosseguiu a sua política de modernização com uma diplomacia alinhada com o Ocidente, numa altura em que o comunismo começava a infiltrar-se em África e a ameaçar as monarquias tradicionais. Com os ventos da descolonização a começarem a fazer-se sentir por todo o continente, Portugal aproveitou o périplo que o imperador ia realizar pela Europa no verão de 1959 e convidou-o a visitar o país. A visita de Haile Selassie a Portugal seria um tremendo golpe de propaganda para o Estado Novo e a sua visita recebeu as mais altas honras de Estado e um planeamento cuidadoso.
Na manhã de 26 de julho de 1959, o navio “Nuno Tristão” entrou no rio Tejo a liderar uma pequena flotilha da armada. A bordo encontrava-se o imperador Haile Selassie e a princesa Aida e logo ali começou a receção, com a artilharia em São Julião da Barra e no Forte de Almada a dispararem várias salvas e 39 aviões a jato a sobrevoarem os navios. A viagem terminou junto ao Cais das Colunas, onde se deu o desembarque dos convidados etíopes, seguindo-se uma cerimónia numa tribuna montada no Terreiro do Paço com a presença de Salazar, Américo Tomás e as principais individualidades do Estado Novo. Todo o cenário foi montado para impressionar, com 4500 militares perfilados, seguindo-se uma viagem de Rolls-Royce pelas ruas de Lisboa onde milhares de civis saudavam o cortejo. O imperador e a sua família ficaram hospedados no Palácio de Queluz, e durante os cinco dias que se seguiram foram inúmeras as receções diplomáticas e empresariais, os bailes e as trocas de condecorações.
Na manhã de 31 de julho, tanto Salazar como Américo Tomás deslocaram-se ao aeroporto para se despedirem do Leão de Judá, que dali seguiria para a Alemanha. A sua visita tinha sido um sucesso e não houve dia em que não fosse manchete na imprensa portuguesa, mas a ansiada aliança luso-etíope acabou por ser tão efémera como o futuro de ambos os impérios. Em 1961 irrompeu a guerra colonial, colocando Selassie na difícil posição de fechar os olhos ao colonialismo português ou defender a sua posição anticolonialista. Optou pela segunda, e em 1963 enviou uma carta a Salazar a defender a independência para Angola e Moçambique.
Contrariando a política seguida pela generalidade das potências europeias, Portugal obstinou-se na ideia de manter a integridade total do “ultramar” e seguiu-se uma longa e trágica guerra colonial. Selassie também enfrentou um futuro insustentável e a crescente oposição que germinava no seu país. A 13 de dezembro de 1960, e aproveitando a ausência do imperador que se encontrava no Brasil em mais uma visita de Estado, a Guarda Imperial sublevou-se e anunciou a sua deposição, colocando no seu lugar o seu filho mais velho, Asfa Wossen. O imperador resistiu ao golpe, mas a sua popularidade foi descendo ao longo da década seguinte, marcada por um crescente alheamento da realidade, e ficando definitivamente minada por uma devastadora fome que entre 1972 e 74 terá custado a vida a pelo menos 80 mil etíopes. A crise petrolífera de 1973 e a inflação que se lhe seguiu deu a machadada final no apoio popular que lhe restava, e pelo exército começou a espalhar-se um ambiente de amotinação.
O ano seguinte revelou-se decisivo, tanto para Haile Selassie como para Portugal. A 25 de Abril, a Revolução dos Cravos devolvia a liberdade ao povo português e abria caminho para a descolonização, criando as condições para uma reaproximação entre Selassie e Portugal, porém, a 12 de setembro Adis Abeba acordou ao som dos disparos com mais um golpe de Estado militar em curso. Desta vez não houve aliados suficientes para salvar o império e Selassie foi deposto por um comité militar denominado Derg. O velho imperador ficou confinado ao seu palácio, em cujos jardins os seus inúmeros leões apenas bebiam Pepsi Cola enquanto pelo país prosseguia a chacina de alguns dos seus fiéis seguidores e membros da sua extensa família, morrendo a 27 de agosto de 1975 em condições suspeitas que deixaram no ar a possibilidade de ter sido assassinado. Nos anos que se seguiram, a Etiópia foi governada por uma ditadura comunista que tentou suprimir a memória de Haile Selassie e construir uma sociedade socialista que chocava com os valores tradicionais etíopes, acabando por tombar em 1991 após a dissolução da União Soviética. Com a queda do regime, o imperador voltou a ser comemorado como uma figura cimeira da longa história etíope, e em 2000 os seus restos mortais foram transladados para a Catedral da Santíssima Trindade, uma cerimónia que contou com a presença de destacados membros do movimento rastafári, para quem Haile Selassie nunca deixou de ser alvo de veneração.

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