sexta-feira, 11 de agosto de 2017

"Escorraçamos o colono e substituímo-lo por uma tirania mais ferrenha"


EUREKA por laurindos Macuácua
Cartas ao Presidente da República (64)
“Removei os pesados fardos…e deixais os oprimidos serem livres”, (Profeta Isaías)
Bom dia, Presidente. Não lhe escrevi antes porque, como sabe, a minha correspondência chega-lhe religiosamente às sextas-feiras. E hoje é o dia sagrado. Pode abrir a carta. É destinada a si. O encontro entre o Presidente e o líder da Renamo foi no domingo. O País está engalanado.
Esses dias são de festas para os moçambicanos. Os seus aduladores, os beija-mão, é que lideram os festejos.
Vão em cada emissora televisiva romantizar o “histórico” encontro da Serra da Gorongosa. O Presidente Nyusi parece que conseguiu o que queria…
Ao povo foi administrado um sonífero. Ninguém, por estes dias, se recorda que há um grupelho, no seio da própria Frelimo que governa este País desde a independência nacional em 1975, que forçou Moçambique a virar mendigo. Os prevaricadores estão no seu conforto, a beber whiskies importados. Ninguém os ousa tocar. São impunes. A justiça dança a música que eles tocam. Pode ser de mau gosto. Tem que dançar. Eles é que mandam. Mandam em tudo. E o Governo do meu Presidente que hoje é ovacionado só por se ter deslocado às matas de Gorongosa, não fez nada, e continua sem palha mover, para entregar à justiça os lesa-pátria.
Até dificultou a Kroll a encontrar os bandidos!
A narrativa foi muito bem construída. Todo o povo está endiabrado. Todavia, há que questionar: será isto a celebração da liberdade? É que, ao que acho, Moçambique está independente desde 1975, mas o seu povo nunca conseguiu ser livre!
Espero, Presidente, que a sua ida à Gorongosa, não haja sido mais uma forma de entreter o povo.
Desconfio de qualquer atitude sua.
Mesmo das boas acções. Não sou culpado por isso. A Frelimo moldou-me assim. Os sucessivos Governos da Frelimo não fizeram mais do que disciplinar o povo numa dura e amarga pobreza. Os olhos dos moçambicanos sempre olharam para um único lado: para a ferida da pobreza a gangrenar.
Escorraçamos o colono e substituímo-lo por uma tirania mais ferrenha. E esquecemos, sempre, daquele velho adágio que diz: “Aqueles que totalmente buscaram o poder cavalgando no dorso do tigre, acabaram devorados”.
Presidente, repito: espero que a sua ida à Gorongosa seja, efectivamente, um sinal encorajador. Seja o lançamento de uma semente que vai germinar.
Ensina-me a mim e aos meus irmãos empobrecidos por essas lideranças ditas visionárias a não desconfiar que a sua atitude não passou de uma forma de criar um novo equilíbrio de poder. Mas um novo Moçambique onde os fortes sejam justos, os fracos seguros e a paz preservada.
DN – 11.08.2017

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