OPINIÃO
As trevas
Cai sobre a terra uma névoa fuliginosa e suja. Fustiga tudo: a Europa das utopias de liberdade; a outra Europa dos muros que desabaram podres e agora voltam a erguer-se; as Américas – ambas – a dos pobres e a dos ricos; em todos os locais nasce uma noite insidiosa, peganhenta, com sinais que vem para se demorar.
É a noite da intolerância, de medos reais, dos inventados como novos medos, dos proteccionismos falsos, da opressão pérfida, mascarada de amiguinha.
Ouvem-se de novo as botas pretas em sons ritmados que calcam o solo, que espezinham a vida, que assustam ainda mais.
São indícios dos tempos de fechar entre portas o pensamento livre, emudecer a palavra, de assistirmos impotentes - mas fomos facilitadores – ao instalar dessa noite horrenda, de maus presságios, que faz lembrar longas noites em branco já vividas, em que os homens não acreditando ser possível acontecer uma catástrofe do juízo humano - porque presumiam ter atingido progressos sublimes – deixaram que o caos se acomodasse nas suas vidas, ao ponto de ceifar tantas.
Fomos adormecidos pelos burocratas que nos ofereceram luxos em troca da aceitação. Estamos quase a ser controlados pelos populistas, os demagogos bem dizentes e louros (ou de outra tez) de cara carregada e intenções ainda piores, anunciando a catástrofe do mundo, com receitas milagrosas para o curar.
Cura através da força, da imposição da sua verdade – tão ridícula e perigosa que salta à vista, mas ninguém vê, ou quer -, prometendo segurança, quando nos querem encarcerar em fortalezas, controlando os nossos movimentos, espiando as nossas cabeças, oferecendo para sua glória a miséria da aceitação forçada de ideais com bolor e mofos.
A noite põe-se gélida, feiíssíma, perigosíssima.
Mas temos sempre a opção de despertar e a rejeitar.
Luís Robalo, Lisboa
Um novo petisco
Como sabem, o restaurante da Assembleia da República, apesar da crise, continua a oferecer aos senhores deputados um cardápio de luxo a preços low-cost sendo a diferença paga pelo Zé. Como se não bastasse, após as últimas eleições, um punhado de 122 deputados, embora muito contrariados, mas a conselho do dietista, foram forçados a alterar os seus hábitos alimentares, passando a degustar um novo petisco, engolir sapos vivos, tendo sido de imediato seguidos pelos seus cerca de três milhões de eleitores e, vejam bem, os alarmes já estão soar pois a moda ultrapassou fronteiras e segundo as últimas noticias, a preparar-se para se instalar em França. As consequências desta nova moda estão à vista pois originaram um enorme devaste na população destes anfíbios, com a subsequente assustadora praga de insectos. que eram o seu principal alimento. A comunidade científica, a OMS e a FAO, já estão a estudar a solução para acabar com esta praga perturbadora dos ecossistemas e que provocam doenças epidémicas no homem e nos animais. O aviso aqui fica. Usem repelentes e façam como eu, já fiz um razoável stock de insecticidas.
Jorge Morais, Porto
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