Polícia invade casa de Afonso Dhlakama
11.10.2015 às 19h00
Cadáver no local da emboscada à caravana do líder da Renamo
ANDRE CATUEIRA / EPA
Receou-se pela vida do chefe oposicionista e a tensão não abrandou
Na manhã de sábado, quando o líder da Renamo Afonso Dhlakama se preparava para dar uma conferência de imprensa, a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da polícia cercou e invadiu a sua residência na cidade da Beira.
A ação policial ocorreu um dia depois de Dhlakama ter regressado das matas da Gorongosa, onde se tinha escondido há duas semanas depois de a sua coluna de viaturas ter sofrido uma emboscada.
Na véspera, uma equipa que incluía Alice Mabota (Liga dos Direitos Humanos), Dom Dinis Sengulane (bispo-emérito da Anglicana) e Lourenço de Rosário (reitor da Politécnica), fora buscá-lo ao esconderijo e trouxera-o para a Beira.
Afonso Dhlakama reagiu à invasão da sua casa, afirmando não querer ser protegido pela UIR nem pela Polícia de Proteção. “No passado já o tentaram e só houve problemas. Quero que saiam da minha casa porque já levaram três armas e 16 dos nossos guardas”.
Depois de apreender armas e revistar a casa de Dhlakama, a UIR abandonou a residência do líder da oposição. Na mesma altura, segundo escreve o “Canal de Moçambique”, a população da Beira saiu à rua para protestar contra a ação da polícia. A província de Sofala (cuja capital é Beira) é um bastião da oposição, tal como Zambézia e Nampula.
A PURGA DA OPOSIÇÃO
Para já, a situação teve uma ligeira acalmia, mas a tensão permanece. Para compreender o que agora ocorreu, há que recuar uma década nas relações entre Governo e oposição.
Quando, em 2005, Armando Guebuza tomou posse como Presidente da República, uma das suas primeiras grandes decisões foi convocar, para 2006, de forma antecipada, o 9º Congresso da Frelimo. O seu objetivo era acelerar a reforma interna no partido.
Essa reforma visava recuperar o domínio da Frelimo sobre o Estado, retomando os métodos usados no período do partido único: instalação de células partidárias aos vários níveis da máquina estatal para controlar os membros da oposição e afastá-los das posições de chefia.
Nessa altura, tinha começado a ser anunciada a descoberta de grandes recursos minerais, onde avultavam gás natural e carvão, além de rubis e ouro. Perante este cenário, a prioridade governamental era garantir o controlo destas riquezas para que não caíssem nas mãos de “quem não libertou o país” ou dos “bandidos”, como chamavam à Renamo.
CONTROLO PARTIDÁRIO DA MÁQUINA DO ESTADO
Como afirma Víctor Igreja, académico moçambicano e docente nas universidades australianas de Queensland e Southern Queensland, após a sua vitória, o Presidente Guebuza iniciou “um ciclo de reformas políticas radicais com pouca ou nenhuma consideração pelas vozes das forças políticas na oposição.”
O retorno das células do partido no Estado foi responsável pela exclusão política, social e económica da oposição, a que se assistiu em Moçambique, sobretudo após 2006.
Víctor Igreja rejeita a tese de que as origens da segunda guerra civil (2013-2014) tenham tido a ver com a descoberta de recursos naturais. Defende que um estudo das origens da guerra requer uma análise de longo prazo das relações hostis entre a Frelimo e a Renamo, particularmente de como recordações de conflitos ainda por resolver da primeira guerra civil (1977/92) dificultaram as tentativas destes antigos inimigos de se tornarem intervenientes políticos legítimos, coisa que não se restringe ao cumprimento dos meros formalismos da lei.
Deve destacar-se que alguns setores importantes do partido Frelimo interpretaram o Acordo Geral de Paz como representando uma perda e uma humilhação, uma vez que estipulava uma partilha do poder com a Renamo por via do controlo equitativo das forças de defesa e segurança, particularmente das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
Para esses sectores radicais da Frelimo, a partilha foi interpretada como uma perda de soberania, que contradiz a perceção de que “a Frelimo é que fez, a Frelimo é que faz”.
1 h ·
Beira, 9.10.2015
Ainda o Assalto à Residência do Líder da Oposição
Na opinião de observadores, "o tipo de equipamento militar exibido pela força militarizada de assalto e o facto dos moradores das redondezas terem sido forçados a abandonar as suas residências logo nas primeiras horas da manhã, são indícios claros de que o objectivo era o de provocar um incidente que justificasse um ataque concertado com flagelação por meio de armas pesadas, alcançando assim o objectivo não logrado nos dias 12 e 25 de Setembro – a liquidação de Dhlakama".
Os observadores, falando na condição de anonimato, foram unânimes em afirmar que "se não fosse a mera casualidade da presença dos mediadores na Beira como meio de contenção e dissuasão para se atenuar a tensão, aliada à posição firme adoptada no devido momento pela missão da União Europeia em Maputo, teria havido um banho de sangue com sérias repercussões para a estabilidade de todo o país, quaisquer que fossem as explicações que posteriormente viessem a ser dadas, como por exemplo a protecção dos residentes, a salvaguarda da paz e outra retórica típica em casos destes".
Imagem: Metralhadora de grande calibre montada em veículo de caixa aberta.
Comments
Micheque Trucida Mas Assim Onde K Xta O Cota Nesse Momento?
Aziza Throne ó Joao.... Nem parece teu... mera presenca de que mediadores? Quem o tirou de lá sem garantias? A nao ser que achas que o Dinis e o Rosário sejam mediadores de verdade e a cabeça do bissopo (vi na foto) é para por um chapeu e a cabeça da ivone serve para um lacito. Faça me o favor. Me parece um jogo ... Mto mau e com oracoes de bençao ao Nyussi proferidas pelo tal bispo que no fim saiu um unanime Amen,,,,
Joao Cabrita Aziza Throne: apenas reproduzi a opinião de pessoas com quem falei, e que contam com vasta experiência na área da resolução de conflitos.
Jr Chauque faz sentido sim o objectivo era provocar para matar
Marco O Guardiao Aurelio Pessoas com vasta experiência em resolução de conflitos? Enumere pelo menos 5 conflitos que essas pessoas iluminadas resolveram? Coloque a sua opinião, o seu "Eu" na primeira pessoa do singulares e não fale pelos "outros".
Joao Cabrita Marco O Guardiao Aurelio, como deve ter reparado, as pessoas com que conversei falaram na condição de anonimato. Não sei se você alguma vez trabalhou como jornalista. Eu já, e um dos princípios elementares que me ensinaram foi o do «off the record». Que continuo a respeitar.
Marco O Guardiao Aurelio Esquivo-se, a natureza humana sempre pronta para justificar-se ou contra-argumentar, nunca assume seus pontos de vista....
Joao Cabrita E mais, Marco O Guardiao Aurelio: acho que os observadores não erraram no que respeita à liquidação de Dhlakama. Há pessoas que defendem essa via; você uma delas -- pelo menos, 4 dias antes do assalto, você foi bem explícito no seguinte comentário que extraí do seu Facebook: «Dlhakama deve ser administrado a "solução final", não tem cura...». Há outras pessoas, como Sérgio Vieira, que em vez de «soluçãoo final», prefere a «savimbização».
Aziza Throne Bonito Cabrita ... Experiencia de conflitos tbem tenho ... aqui no meu xitolo tbem..... Mas nao trago a vizinha puta ou a amante do meu afilhado para resolver um probema conjugal. Foge com a seringa.... eu só coloquei questoes pa..
José de Matos Eses obsevadores estao correctos, eu acredito que a intencao era mesmo provocar o conflito e causar grandes danos ! Nao é normal os militares usarem bazukas e metralhadora de grande calibre montada no veiculo!
Aziza Throne Granda observaçao..3 incidentes em nmenos de 1.5 mes e com experiencia do passado em Nampula e muxungue. Come on....
Marco O Guardiao Aurelio Eu assumo a minha opiniao Grande Joao Cabrita.
Américo Matavele Bonito anonimato dos observadores mano Joao Cabrita. Kikikikikikikiki... A propósito, quem são os observadores? Rendi com esse anonimato.
Joaquim Joao Correia valeu a calma da RENAMO ,,,
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Joao Cabrita Mano Américo Matavele, porque é que vocês, os da Frelimo, em vez de se debruçarem sobre os pontos centrais de um tema, optam por contorná-los com questões de lana caprina? Será para desviar as atenções? Fiquei com essa impressão aquando da primeira emboscada. Pessoas da mesma esfera da Frelimo não pouparam esforços para tentar destruir a credibilidade de André Catueira, o correspondente da LUSA que deu a notícia mesmo em cima do acontecimento, em vez de se concentrarem no atentado à vida do líder da oposição - acto que até hoje nunca condenaram.
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Américo Matavele Coagido pelo comentário acima, vou dizer que o Estado tem a legalidade de posse e uso da força. E essa força para se sentir e atingir os seus objectivos deve ser desproporcional em crescendo com o objecto a dominar. A Polícia não ia ali conversar com um vendedor, mas com homens que tinham cerca de 20 armas e sei lá que mais. E sendo eles pessoas que usam armas e aparentemente tem o seu arsenal, nada normal que o Estado procurar superar essa força. A minha lógica é esta.
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Joao Cabrita Não gosto de métodos de coação, Mano Américo Matavele, mas o assunto que discuti com as minhas fontes e que neste local reproduzi, relacionam-se com o plano de se liquidar o líder da oposição. Concorda com essa tese? Caso não concorde, gostaria de saber as razões.
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José de Matos Américo Matavele, em Estado de direito um Partido nao pod usar ilegalmente essa forç do Estado e aqui estamos a falar de varias ilegalidades e abusos que ainda nao foram esclarecidos, começando pelas criminosas emboscadas protagonizadfas pela Frelimo, legalmente isso nunca pode ser justificado!
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Gito Katawala A PRM ja tem o equivalente a SWAT?
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Américo Matavele Mano José de Matos, é este tipo de ambiguidades que não gosto bde discutir. Se a força que ontem foi a casa do mano Djakas é do Partido, pode me dizer qual é a força que protege o Estado moçambicano? Mano Joao Cabrita, eu não caio nessa. Liquidar ou assassinar alguém não precisa de muita gente. Uma pessoa chega. Basta ter material, como uma rma de amira, e o trabalho será feito. Se se quisesse assassinar quem quer que seja, a operação da polícia ontem teria tido sucesso. Mas a questão não é essa. Eu acho que o Governo está a usar a estratégia da Renamo de fazer uma pressão de fogo. E pelos vistos deu resultado, pois o próprio líder da Renamo, no video carregado no Youtube, diz claramente que aquela situação desencadeou a integração dos homens da Renamo (vide aos 7:45 minutos do video em referência). A tese de eliminação não pode proceder por isso.
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José de Matos O Estado moçambicano é a Frelimo, mano, nao ha separaçao, portanto a Freliimo protege a Frelimo! Parece-me que estas a dar uma interpretaçao errda sobre o que Dhlakama disse! de qualquer modo, o episodio de ontem foi vergonhoso para a Frelimo e as emboscadas foram crimes que devem ser investigados e os autores punidos!
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Américo Matavele Obrigado pelo esclarecimento, mano José de Matos. Eu andava equivocado. Hoje sei que o Estado moçambicano não tem força que o defenda. Anda por aí a ser defendido por uma força da FRELIMO. Sobre o que disse Dhlakama, só se o video que tem não chegar aos 7:45 minutos é que não ouviu, mano.
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Joao Cabrita Concordo consigo, Mano Américo Matavele, quando diz - condicionalmente - que a operação teria sido um sucesso se se quisesse eliminar Dhlakama. Mas também concordo com a opinião dos observadores aqui citados que caso não houvesse a intervenção dos mediadores no momento crucial, o desfecho poderia muito bem ter sido outro. Não acha?
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Américo Matavele Penso que sim. Porque acho que os manos deo mano Djaka quereriam ripostar (como bem disse o líder), e aí haveria problemas maiores. Graças a ponderação do próprio líder que entendeu que não valia a pena resistir, não houve nada de mal. Os mediadores chegaram mais tarde, depois de as forças policiais terem tomado posições. Para mim a ponderação do mano Djakas foi essencial para se evitar o pior. Até ele disse que houve um tipo que saltou muro sozinho e tentou tomar posição, mas ele disse que não, que o mano devia comportar-se.
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Joao Cabrita Mano Américo Matavele, porque é que vocês, os da Frelimo, em vez de se debruçarem sobre os pontos centrais de um tema, optam por contorná-los com questões de lana caprina? Será para desviar as atenções? Fiquei com essa impressão aquando da primeira emboscada. Pessoas da mesma esfera da Frelimo não pouparam esforços para tentar destruir a credibilidade de André Catueira, o correspondente da LUSA que deu a notícia mesmo em cima do acontecimento, em vez de se concentrarem no atentado à vida do líder da oposição - acto que até hoje nunca condenaram.
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Américo Matavele Coagido pelo comentário acima, vou dizer que o Estado tem a legalidade de posse e uso da força. E essa força para se sentir e atingir os seus objectivos deve ser desproporcional em crescendo com o objecto a dominar. A Polícia não ia ali conversar com um vendedor, mas com homens que tinham cerca de 20 armas e sei lá que mais. E sendo eles pessoas que usam armas e aparentemente tem o seu arsenal, nada normal que o Estado procurar superar essa força. A minha lógica é esta.
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Joao Cabrita Não gosto de métodos de coação, Mano Américo Matavele, mas o assunto que discuti com as minhas fontes e que neste local reproduzi, relacionam-se com o plano de se liquidar o líder da oposição. Concorda com essa tese? Caso não concorde, gostaria de saber as razões.
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José de Matos Américo Matavele, em Estado de direito um Partido nao pod usar ilegalmente essa forç do Estado e aqui estamos a falar de varias ilegalidades e abusos que ainda nao foram esclarecidos, começando pelas criminosas emboscadas protagonizadfas pela Frelimo, legalmente isso nunca pode ser justificado!
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Gito Katawala A PRM ja tem o equivalente a SWAT?
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Américo Matavele Mano José de Matos, é este tipo de ambiguidades que não gosto bde discutir. Se a força que ontem foi a casa do mano Djakas é do Partido, pode me dizer qual é a força que protege o Estado moçambicano? Mano Joao Cabrita, eu não caio nessa. Liquidar ou assassinar alguém não precisa de muita gente. Uma pessoa chega. Basta ter material, como uma rma de amira, e o trabalho será feito. Se se quisesse assassinar quem quer que seja, a operação da polícia ontem teria tido sucesso. Mas a questão não é essa. Eu acho que o Governo está a usar a estratégia da Renamo de fazer uma pressão de fogo. E pelos vistos deu resultado, pois o próprio líder da Renamo, no video carregado no Youtube, diz claramente que aquela situação desencadeou a integração dos homens da Renamo (vide aos 7:45 minutos do video em referência). A tese de eliminação não pode proceder por isso.
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José de Matos O Estado moçambicano é a Frelimo, mano, nao ha separaçao, portanto a Freliimo protege a Frelimo! Parece-me que estas a dar uma interpretaçao errda sobre o que Dhlakama disse! de qualquer modo, o episodio de ontem foi vergonhoso para a Frelimo e as emboscadas foram crimes que devem ser investigados e os autores punidos!
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Américo Matavele Obrigado pelo esclarecimento, mano José de Matos. Eu andava equivocado. Hoje sei que o Estado moçambicano não tem força que o defenda. Anda por aí a ser defendido por uma força da FRELIMO. Sobre o que disse Dhlakama, só se o video que tem não chegar aos 7:45 minutos é que não ouviu, mano.
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Joao Cabrita Concordo consigo, Mano Américo Matavele, quando diz - condicionalmente - que a operação teria sido um sucesso se se quisesse eliminar Dhlakama. Mas também concordo com a opinião dos observadores aqui citados que caso não houvesse a intervenção dos mediadores no momento crucial, o desfecho poderia muito bem ter sido outro. Não acha?
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Américo Matavele Penso que sim. Porque acho que os manos deo mano Djaka quereriam ripostar (como bem disse o líder), e aí haveria problemas maiores. Graças a ponderação do próprio líder que entendeu que não valia a pena resistir, não houve nada de mal. Os mediadores chegaram mais tarde, depois de as forças policiais terem tomado posições. Para mim a ponderação do mano Djakas foi essencial para se evitar o pior. Até ele disse que houve um tipo que saltou muro sozinho e tentou tomar posição, mas ele disse que não, que o mano devia comportar-se.
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Guarda do líder da RENAMO foi desarmada
A calma regressou ao bairro onde mora o líder da RENAMO, na cidade da Beira. A casa de Afonso Dhlakama foi cercada esta sexta-feira de manhã pelas forças armadas governamentais.
A calma regressou ao bairro das Palmeiras, na Beira, após um cerco de nove horas à residência de Afonso Dhlakama pelas forças armadas governamentais. O objetivo seria recuperar armas de fogo na posse dos guardas do presidente da RENAMO, o principal partido da oposição moçambicana.
Dhlakama entregou esta sexta-feira (09.10) as armas da sua guarda pessoal e as forças especiais que invadiram a sua residência retiraram-se do local.
No fim desta operação policial, Manuel de Araújo, autarca do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), a terceira maior força política, referiu que o material (16 armas Ak-47, uma pistola Tokarev, munições, um punhal e três carregadores) foi entregue pessoalmente por Afonso Dhlakama aos mediadores do processo de diálogo entre o Governo e RENAMO. Estes, por sua vez, deixaram-no à responsabilidade dos representantes da polícia moçambicana.
Negociações
Em declarações à imprensa, Afonso Dhlakama disse que "os militares não esconderam nada".
"Um deles disse-me que estavam à procura das suas armas - três armas apenas que perderam no dia 25 de setembro durante o ataque [em Gondola, província de Manica]. Então pensei: Afinal foi o exército que nos atacou? Ainda bem, porque pensávamos que tinham sido bandidos. Ordenei para que essas três armas fossem entregues, solucionando assim o problema".
No entanto, segundo Afonso Dhlakama, surgiu outro problema:
"Os militares tinham instrução para recolher as armas que estão em casa do presidente da RENAMO e também para que me informassem que, a partir de agora, o presidente da RENAMO já não pode ser protegido pela sua segurança, mas, sim, por elementos do Ministério moçambicano do Interior. Quando me deram esta informação, fiquei zangado. Mas depois eu e os mediadores começámos a conversar".
Afonso Dhlakama acabou por entregar as armas da sua guarda pessoal, mas recusou que ela fosse substituída por militares disponibilizados pelas autoridades moçambicanas:
"Entrego as armas mas não preciso da proteção da polícia. No dia em que me sentir mal, posso dizer ao comandante provincial da polícia para me escoltar. Mas na minha casa não quero polícia. Não preciso".
Retoma do diálogo
Entretanto, os mediadores Dom Dinis Sengulane, Lourenço do Rosário e Anastácio Chembeze anunciaram que as duas partes retomarão o diálogo interrompido há mais de um mês.
Recorde-se que o cerco à casa de Afonso Dhlakama, na Beira, ocorreu um dia depois do líder da RENAMO ter reaparecido na serra da Gorongosa, ao fim de quase duas semanas em lugar desconhecido, após ter desaparecido no dia 25 de setembro em Gondola, província de Manica, na sequência de confrontos entre os homens armados da oposição e as forças de defesa e segurança.
Recorde-se que o cerco à casa de Afonso Dhlakama, na Beira, ocorreu um dia depois do líder da RENAMO ter reaparecido na serra da Gorongosa, ao fim de quase duas semanas em lugar desconhecido, após ter desaparecido no dia 25 de setembro em Gondola, província de Manica, na sequência de confrontos entre os homens armados da oposição e as forças de defesa e segurança.
Três incidentes em três semanas com a RENAMO
Antes dos acontecimentos desta sexta-feira na Beira, registaram-se três incidentes em três semanas com a RENAMO, dois dos quais envolvendo a comitiva do presidente do partido.
A 12 de setembro, a caravana de Dhlakama foi emboscada perto do Chimoio, província de Manica, num episódio testemunhado por jornalistas e que permanece por esclarecer.
A 25 do mesmo mês, em Gondola, também na província de Manica, a guarda da RENAMO e forças de defesa e segurança protagonizaram uma troca de tiros, que levou ao desaparecimento do líder da oposição para lugar desconhecido.
A RENAMO disse que foi emboscada, enquanto a polícia acusou Dhlakama e os seus homens de terem iniciado o incidente ao abrirem fogo sobre uma viatura civil, matando o motorista, e disse que terão de responder criminalmente por homicídio.
Uma semana mais tarde, forças de defesa e segurança e a RENAMO confrontaram-se novamente em Gondola, com as duas partes a responsabilizarem-se mutuamente pelo começo do tiroteio.
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- Data 09.10.2015
- Autoria Arcénio Sebastião (Beira) / LUSA
- Palavras-chave Renamo, Dhlakama, guarda, desarmada, armas, cerco, residência, Gondola
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