quinta-feira, 8 de outubro de 2015

G40, Cheiro nauseabundo e os malucos repetidores


No sonho que tive ontem:
Constou-me que, há coisa de dois ou três anos, passou pelas bandas do Centro Cultural da UEM, um maluco muito mal cheiroso, alto, meio forte, não necessariamente preto mas também não tão branco como se diz que ele pretendia se fazer passar, dizendo, de entre outras coisas, sobre a existência de um tal grupo, designado g40.
Normalmente, as coisas ditas por malucos, apaixonam outros semelhantes que não se importam em repetir a mensagem que ouviram de outro maluco, mesmo não sabendo o que necessariamente o maluco principal ou inspirador pretendeu dizer.
Com alguma criatividade, igualmente no quadro da loucura ou maluquice, uma coisa com páginas que se pretende jornal da praça, publicou um quadro, contendo nomes, a que se chamou lista. Dessa, consta o meu nome, de alguns ex colegas de Faculdade, outros quadros moçambicanos, incluindo meus antigos professores. Disse-se, nessa tal coisa, que se tratava de pessoas selecionadas a dedo pelo Partido no Poder, para, através dos órgãos públicos de comunicação, defenderem o regime, informação que também tem sido copiosamente repetida pelos malucos seguidores.
De entre os malucos seguidores há de tudo, desde camaleões estúpidos, baixinhos escuros, há estudantes e ex-estudantes de alguns dos alistados, há marginais, há até outro tipo de quadrúpedes, fazendo-se passar por pessoas normais.
Ha um, famoso, que, no limite da sua molwenisse, achou, no chao ou em outro lugar, um cartao meu de visita enquanto fui Director Executivo da Ordem dos Advogados, e porque me achou seu semelhante, duvidou que alguma vez eu tivesse sido ou ocupado tal posicao e la fez poste com o cartao, tornando-me conhecido em seus apaniguados, com muitos outros semelhantes seus fazendo dos demais preciativos comentarios a meu respeito, tudo porque, um maluco principal idolo deste, me tinha chamado de g40, junto com outros respeitados quadros do Estado Mocambicano, aliais, alguns, tao ilustres que ate preferidos e integrados no actual governo.
Não sei se levado nesta onda ou não, um antigo dirigente, tomado pelo mesmo espírito de inconsciência propositada, ter-se-á referido, em seus escritos, uma dessas vezes, ao tal g40 e, coitado, na ausência de elementos, chato tornar-se frequente ultimamente que se pronuncie sem elementos, ficou-se pelo dizem que…dizem que… dizem que... e se…
Hoje, vê-se gente aparentemente adulta, antes tida por consciente, adoptado tal expressão para designar tais pessoas alistadas, assim em tom misto, de ciúme e inveja, de raiva e cobiça, de estupidez e incapacidade, etc etc etc.
Tal grupo 40, terá criado tanta mas tanta ira em alguns círculos que de repente se viram sem voz ou com voz mas sem eco, o que, pelo menos na música, é bastante frustante, cantar num microfone que depois não repercute nas colunas e só o músico ou cantante é que se ouve a si mesmo e não os que lhe assistem actuando, dançando e se emocionando sozinho, sob o olhar impávido e surpreendido dos que lhe ouvem. Coisa típica de malucos.
Afinal, como se vem constatado muito ultimamente, a questão situa-se no facto de que durante muito tempo, os órgãos de comunicação públicos, porque nessa altura inicial nem havia os órgãos privados, eram dominados por aquele maluco principal e outros seus apaniguados. Eram eles cujas vozes se ouviam. Diziam o que lhes apetecia e ninguém lhes acusava de estarem a fazê-lo em nome de alguém ou de algum grupo. Falavam, criticavam o que queriam e elogiavam também o que queriam e todo o mundo acreditava que estavam emitindo suas opiniões. Até porque nessa altura, nada dava a entender que afinal eram uma versão anterior dos actuais malucos.
A maluquice de nos pensarmos únicos, incontornáveis, é, por vezes, uma doença muito perigosa. Leva líderes políticos a perpetuarem na liderança de seus partidos mais do que duas décadas por acreditarem serem os mais iluminados do universo, não acreditam na sobrevivência do todo sem eles. Maluquice total e completa. Leva velhos a dirigirem agremiações juvenis porque nem sequer ao espelho se revêem velhos e olham aos mais novos como suas coisas, que não as podem largar por nada.
É esse o tipo de loucura que o Maluco Principal terá com mestria transmitido aos outros, seus contemporâneos e outros maluquinhos mais novos, bem mais recentes, em idade de nascimento e de conhecimento, de marginalidade e de maturidade académica e política.
Felizmente, o tempo, coisa boa, não volta atrás. Podem dar os nomes que quiserem às novas vozes que se ouvem, aos autores dos novos textos que se escrevem, entretanto, vocês, todos malucos, individual e colectivamente tomados, nunca voltarão a ser os mesmos que foram ontem porque já novas pessoas nasceram, novos órgãos de comunicação social foram criados e serão criados, e mesmo a morte natural, é um remédio que serve para a subsituação de gerações nas lideranças de processos. Mesmos os aparentemente jovens que vos parecem seguir a loucura, cedo perceberão que tem ideias próprias, diferentes das vossas e que, é apenas por eles também terem cede de aparecer que vos tomam como boleia e não por estarem convencidos de vocês lhes serem ídolos de qualquer coisa que seja porque desprovidos dessa capacidade.
Ninguém é insubstituível e a velhice, a idade de arquivo, o tornar-se atrasado, dói fundo quando não nos preparamos para sermos substituídos, por novas vozes, novas ideias, diferentes das nossas.
Mais do que isso, parte dos malucos, quase não se lembram da importância que este mesmo poder a que chamam de regime, já lhes deu e lhes foi muito obediente sob ponto de vista de ideias, o que, afinal, em última análise, vale dizer que, o estágio em que o país se encontra, tem neles parte dos culpados porque eram afinal, os grande ideólogos, os pensadores-mor, os donos das boas ideias, os iluminados e, foi e é graças a esse seu iluminismo exacerbado que estamos como estamos e, pior, queriam continuar a ser eles a aconselhar aos nossos dirigentes, propondo-lhes soluções que nos afundassem, que significassem, de entre outras coisas, a venda da pátria, eventualmente a mudança dos nossos símbolos da bandeira, do hino nacional, da moeda, se calhar até mesmo queimar todo o povo moçambicano com agua quente para sermos brancos ou de outras cores intermédias.
Apesar de adultos, esqueceram-se de que, tal como em todo o mundo, mantendo-se os regimes, as vontades podem não se manter, as ideias e seus criadores podem mudar e nisso, os donos das antigas ideias devem saber recuar, abrir espaço para aqueles cujas ideias se entende serem mais ajustadas ao momento. Há, portanto, que saber comportar-se como aquele documento antigo que, sem poder chorar e nem lacrimejar, passa para o arquivo, é engavetado, fica empoeirado, e, com algum azar, mordido por ratos e, com menos azar, apenas lambido por baratas, e, com sorte longe, a gaveta em que estiver conservado aberta muito raras vezes, dificultando seu contacto com o ar puro.
Precisaremos, no Moçambique de amanhã que aqueles a quem se chama de assessores hoje, comentadores hoje, opinadores hoje, dirigentes hoje, jornalistas hoje, quando amanha já não forem nada disso por já não constituírem opção ideológica do momento, saibam estar no seu lugar sem rotular aos nossos filhos que nascem e crescem hoje, ouvindo o que nos dizemos e porque novos e sem espaço, não tem onde e como dizer que não concordam connosco e que amanha, quando tomarem o espaço e o tempo, dirão das suas ideias, das suas opções e estarão no seu direito e sem deverem ser rotulados por nós, nessa altura feitos os malucos do momento, como sendo g isto ou g aquilo porque isso, só vai ter um e único efeito útil, o de sermos tidos como Malucos de primeira, uns como principais e outros como nosso cegos seguidores.
O cheiro nausebundo, profundo e indigesto, foi desaparecendo, a medida que meu sonho se tornava mais leve e agora, so o sinto quando me lembro de algumas coisas que parecem coincidir muito com situações e pessoas que vivo e conheço.
Sonhos são sonhos, desejados ou indesejados, eles aparecem e por vezes, parecem ter tendência de nos elucidar sobre quem está a nossa volta ou mesmo longe, de entre malucos, principais e seguidores, processos, história, políticas, comentadores, o abecedário donde consta a letra G de g 40 mas também o F de Feses, feses em pessoas, pessoas com que cruzamos, a quem lemos e ouvimos, ate mesmos quando menos queremos.
Será assim que surgiu o tal g40? Até ao próximo sonho tudo se confirmará, por agora, um grande abraço ao sono e aos sonhos, aos excrementos feitos pessoas humanas e aos amigos todos.
Cheira mal aqui, muito mal.
Vakitheeeeeeeeeeeeee

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