Quinta, 08 Outubro 2015
CIDADÃOS residentes na cidade da Beira defendem o diálogo permanente para resolver qualquer desentendimento, colocando de fora o uso da força para resolver os diferendos que opõem a Renamo ao Governo.
Inquiridos pelo “Notícias” na Beira, cidadãos residentes nesta cidade reiteram a necessidade de se regressar urgentemente ao diálogo, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, por esta ser a melhor plataforma para resolver qualquer problema.
Os cidadãos condenam os últimos acontecimentos ocorridos em Manica, caracterizados por confrontos militares que se saldaram em mais de 20 mortos.
Solicitaram, neste contexto, que a Polícia da República de Moçambique faça tudo para neutralizar os responsáveis pelo sucedido.
A FALHA OCORREU EM ROMA – ZIANJA FERNANDO, LÍDER RELIGIOSO
de71 anos de idade, Zianja Fernando é líder religioso. Afirmou que a falha de tudo o que está a acontecer ocorreu em Roma, por nas negociações ali realizadas há 23 anos ter-se permitido ao líder da Renamo manter as suas tropas.
“O erro foi em Roma, quando se negociou a paz. Devia-se ter resolvido todas as preocupações da Renamo, pensando no futuro. Hoje estamos a sofrer porque deixámos a Renamo com as suas armas, e agora ameaça-nos e temos de aceitar tudo o que ela quer. Quando há compromisso deve-se cumprir integralmente”, referiu.
O prelado pediu ao Governo, na pessoa do Presidente da República, Filipe Nyusi, para que faça tudo o que estiver ao seu alcance para que o país não volte a mergulhar na guerra, pois prometeu ao povo moçambicano que a sua primeira agenda era pôr o país em paz.
NÃO HÁ SERIEDADE NA RENAMO – LUÍSA SIMBINE, VENDEDORA
vendedOra do Mercado Central de Chaimite, na Beira, Luísa Simbine, de 32 anos de idade, crê que a Renamo não tem uma agenda concreta para a manutenção da paz no país, “porque aparece com discursos de paz, mas no terreno quer montar quartéis-generais e a sua própria polícia partidária.
Do lado da Renamo, há falta de seriedade, porque dizem que querem negociar com o Governo, mas, por outro lado, estamos a ver imagens nas redes sociais de homens da Renamo a treinarem. Isso é para a paz ou para a guerra?”, questionou a fonte, para depois apelar a cada moçambicano para que faça a sua parte, de modo a convencer a Renamo a não pautar pela violência, mas sim pela paz.
“Reitero que o Governo e a Renamo voltem a sentar-se à mesma mesa para retomarem o diálogo, para que se encontre a solução para tudo. Digo mais: depois do incidente de Zimpinga, em Manica, o Governo tem a responsabilidade de trazer Dhlakama da dita parte incerta em que agora se esconde”, enfatizou.
POLÍTICOS DEVEM PARAR DE ENGANAR O POVO – JOAQUIM SAMBITE, ENGENHEIRO CIVIL
O engenheiro de construção civil Joaquim Sambite afirmou que os políticos devem parar de usar o povo, como seu instrumento de trabalho, pois a política é feita de acções concretas e não do uso do povo para acomodar interesses pessoais.
“Temos assistido políticos a aparecerem para dizer que querem a paz, mas na essência todos querem a guerra. A Renamo diz que vai criar quartéis-generais para defender o seu povo e o Governo tem posições em todas as zonas e diz também que quer defender o seu povo. Afinal de contas a que povo se refere?” – interrogou-se a fonte.
Sublinhou que todos têm a responsabilidade de pôr o povo moçambicano a viver em paz. Por isso, deve haver um diálogo sério, envolvendo, se possível, os países que ajudaram Moçambique a alcançar a paz a 4 de Outubro de 1992 em Roma.
“Neste momento estamos na dúvida. Não sabemos o que vai acontecer depois dos acontecimentos de Zimpinga, porque se diz que o líder da Renamo está em parte incerta. Oxalá que a sua ausência não nos traga aquelas surpresas que nos trouxe aquando do seu esconderijo em Satungira” – desejou.
DHLAKAMA DEVE DIALOGAR COM O PR – MANUEL FILIMONE, PRESIDENTE DO CPJ EM SOFALA
O PRESIDENTE do Conselho Provincial da Juventude (CPJ), em Sofala, Manuel Filimone, apela ao líder da Renamo para aceitar o convite que lhe foi formulado pelo Presidente da República, a fim de se pôr cobro à tensão que se vive no país.
Filimone disse entender que o Governo está preocupado em manter a paz no país, porque são notórios os esforços empreendidos nesse sentido, mas a Renamo tem declinado dar a sua contribuição para o efeito, querendo ver o derramamento de sangue dos moçambicanos.
“Não se justificam 145 rondas sem que haja um consenso. Tudo isso, é claro, é por causa da falsidade da Renamo, que a cada ronda traz sempre à mesa novas exigências. Todos nós somos chamados a dar o nosso contributo para que o país viva em paz. Aliás, Moçambique está em franco desenvolvimento, com as novas descobertas de recursos minerais e os jovens estão em prontidão para alavancar o crescimento do país”, defendeu o nosso entrevistado.



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