quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Era Samora Machel o puritano?

Era Samora Machel o puritano?

Celebrou-se esta quarta-fei­ra, com toda a pompa e circunstância possíveis, os trinta anos de passamento físico de Samora Machel e mais de trinta membros da sua comitiva, que de regresso de Mbala, na Zâmbia, onde estiveram numa missão ful­cral para a paz na região, não mais voltariam para a pátria com vida e para o recesso dos seus lares.
Ficaram se pelas Colinas de Mbuzine e por consequência disso o país perdeu o funda­dor da nação moçambicana, aquele que proclamou na noi­te chuvosa de 25 de Junho de 1975, a nossa independência.
Hoje a figura de Samora Ma­chel é resgatada com uma elevada dose de roman­tismo, exaltando-se o seu purismo, para referenciar a crise (eu prefiro chamar au­sência) de valores instalada pelo status quo do liberalis­mo e da corrupção desenfre­ada.
É lugar comum ouvir dizer, gente mais velha e cheia de nostalgia “se Samorá fosse vivo, isto e mais aquilo não estaria a acontecer”.
Jovens inspirados nesses relatos orais e em vídeos no YouTube , cantam e exaltam esse homem.
Mas quem foi Samorá Ma­chel?
1- Foi o Homem que ficou com a namorada de Filipe Samuel Magaia, a Josina Muthemba, quando aquele foi “assassinado”. Também ficou com o cargo dele na chefia do Departamento de Segurança lá na luta.
2- Foi o Homem que ficou com o lugar de Eduardo Mondlane, naquilo que se chamou de “golpe palacia­no”, orquestrado pelo ser “criador mor” Marcelino dos Santos. Pelos estatutos da FRELIMO o Vice presidente, em caso da morte do líder da Frente, ascendia à vacatura e Uria Simango, foi “mafia­do” por aqueles dois, a vista como se sói dizer.
3- À testa do regime, numa imitação aos amigos “co­munistas” criou campos de reeducação, onde foram co­metidas barbaridades sem paralelo. Chancelou os fuzilamentos públicos (alguns se lembrarão do Gulamo Nabi) como aquele ocorrido ali na lixeira do Hulene.
Como qualquer mortal, era um homem passível de er­ros.
Jorge Rebelo, na despedida do seu Marechal de eleição es­creveu qualquer coisa como: “ ...pareceu-me ouvir pela cala­da da noite, o suspiro de alivio de alguns camaradas”.
Com todos estes cenários e já que perguntar não ofen­de: Era Samora Machel o pu­ritano?
Luis Nachote
CORREIO DA MANHÃ – 20.10.2016

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