terça-feira, 19 de março de 2019

EMERGÊNCIA NACIONAL

A imagem pode conter: ar livreNenhuma descrição de foto disponível.A imagem pode conter: ar livreA imagem pode conter: ar livreNenhuma descrição de foto disponível.Nenhuma descrição de foto disponível. TV Miramar
10 h
EMERGÊNCIA NACIONAL
Mais de duzentos mortos, trinta unidades sanitárias destruídas e quinhentas e sete salas de aula destruídas. Este é o quadro recente da passagem do ciclone Idai pelas Províncias da Zambézia, Manica, Inhambane e Sofala, esta última que depois de assolada pelo ciclone está agora com cheias nos distritos de Buzi e Nhamatanda.
Quadro de devastação que esta terça-feira, levou o Governo a reunir em sessão de Conselho de Ministros na cidade da Beira. Foram longas horas de um encontro de avaliação da real situação, bem como das necessidades para o salvamento e resgate das vítimas. O balanço apresentado é desolador. Estradas cortadas, casas submersas, culturas perdidas, pessoas sitiadas, esperando pelo socorro que, a esta altura, revela-se pequeno para grandeza do problema.
E perante este cenário, o Conselho de Ministros decretou, esta noite, situação de emergência nacional. Trata-se de um decreto que entre outras vai permitir ao Governo requisitar bens móveis e imóveis, bem como serviços a instituições públicas e privadas.
A medida visa ainda limitar ou racionalizar a utilização de serviços públicos de transporte, comunicações, abastecimento de água, energia, combustíveis e lubrificantes, bem como o consumo de bens e serviços de primeira necessidade.
Na componente de aquisição de bens, esta medida vai abrir espaço para que o governo possa adquirir bens e serviços usando regras excepcionais aprovadas para o efeito.
Por outro lado, o Governo decretou luto nacional de três dias, com início às zero horas desta quarta-feira. O luto que deverá ser observado em todo país e nas missões diplomáticas e consulares de Moçambique.
O Presidente da República orientou igualmente aos ministros e governadores presentes na sessão para confortarem as famílias eluntadas.
Medidas tomadas numa altura em que a situação actual é de elevação dos níveis dos rios na zona centro do país. Neste momento as bacias do Zambeze, Púngoè, Buzi e Save estão em alerta. A persistência de chuvas fortes de mais de 250 milímetros em 24 horas está a levar a acumulação de águas. A transitabilidade na EN 6 entre Beira e Nhamatanda está interrompida.
No que aos meios de busca e salvamento diz respeito, actualmente as equipas contam com dez helicópteros e trinta embarcações.
Saúde, neste momento com mais de trinta unidades hospitalares afectadas adoptou, mormente na cidade da Beira algumas medidas pontuais. Cancelamento de cirurgias electivas e consultas externas. A ministra da saúde assegurou que não há roputura de medicamentos.
Sessão aconteceu no quinto dia de apagão na cidade da Beira. As soluções ainda estão longe. Postes de alta, média e baixa tensão continuam no chão. As subestações que também foram reviradas pelo ciclone ainda não estão operacionais.
O Ministro da Energia afirmou que a prioridade é a reparação da rede e fornecimento de corrente às unidades sanitárias. Paralelamente há um trabalho de reposição da rede, cenário que só deverá acontecer depois de reconstruída. Há também preocupação com os consumidores, dado que com a violência do ciclone muitas instalações domésticas ficaram destruídas e uma eventual energização da rede neste momento, explica o ministro, pode criar choques elétricos e consequentes mortes.
Na componente de educação, a rede escolar foi severamente afectada. As poucas escolas, mesmo com parte do telhado destruído dão abrigo a varias famílias afectadas, situação que paralisou o processo de ensino e aprendizagem. Para a recuperação do ano lectivo, uma das propostas avançadas pela ministra da educação é o cancelamento da interrupção trimestral das aulas nas zonas afectadas.
Amanhã, quarta-feira, o Presidente da República vai trabalhar na Província de Manica onde há também uma situação calamitosa.

Sem comentários: