quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A diplomacia de Nyusi

PRESIDENTE da República, Filipe Jacinto Nyusi, foi recebido, no Palácio das Nações, Nova Iorque, Estados Unidos da América, como o quarto Chefe do Estado de Moçambique. Recorde-se que, as Nações Unidas têm 193 membros. Este facto levou a ONU e os seus membros a considerarem Moçambique como um país com democracia exemplar em África.
Trata-se de um país que cumpre com os princípios de escolha livre dos seus dirigentes, através do sufrágio universal, pessoal e directo, com uma periodicidade previsível e, para a sua felicidade, tais eleições acontecem na regularidade do tipo “relógio suíço” ou seja, de cinco em cinco anos e felizmente, até aqui, nenhum Presidente democraticamente eleito foi para além dos cinco anos previstos na legislação.
Na sua primeira intervenção, na sede da ONU, Filipe Nyusi teceu duras críticas às Nações Unidas por falharem naquilo que é o seu mandato, nomeadamente, no que diz respeito à cooperação em Direito Internacional, Segurança Internacional, Desenvolvimento Económico, Progresso Social, Direitos Humanos e sobretudo na manutenção da paz no mundo. Exigiu reformas urgentes do Conselho de Segurança e obviamente, quem assim se expressa não é “gago” como sói dizer-se; sabe do que fala e exige que a par das obrigações que as nações têm com a organização supra nacional, que ela, igualmente, cumpra o seu mandato que, muitas vezes é usado para interesses de carácter de um ou dois Estados;
A este propósito, a Presidente Dilma Rouself, do Brasil, no mesmo diapasão de Filipe Nyusi chamou a responsabilidade dos Estados para o êxodo dos imigrantes do norte de África e do Médio Oriente à Europa e a recente negação de recebê-los como cidadãos que procuram abrigo, recordando que, no geral, as actuais migrações para a Europa são consequência directa de não cumprimento cabal do papel das Nações Unidas que outorga esse direito a alguns países que controlam o Conselho de Segurança da organização.
Alguns exemplos de “usurpação” do papel das Nações Unidas por parte de países mais desenvolvidos observam-se agora, no caso da coligação norte-americana e da Rússia. Nos dois casos pretende-se acabar com os militantes do Estado Islâmico, organização que, um dia, teve o beneplácito de parte destes países, não querendo dizer que a coligação norte-americana seja melhor que a Rússia. O facto é que ambos agem à margem das Nações Unidas ou a seu coberto, mas nunca são as Nações Unidas em acção directa, traduzindo-se tal facto em fracasso da ONU como organização acima de todas as nações.
Na verdade, as Nações Unidas “demitiram-se” das suas responsabilidades quando, a todo custo, a aliança norte-americana quis aniquilar a Líbia, de Muammar Kadafi e o Iraque, de Sadam Hussein, a pretexto de busca de armas químicas de destruição maciça, o que não viria a comprovar-se. Tratava-se de um pretexto, sendo que, o alvo preferido era a figura do Presidente da República. A seguir vieram as “primaveras” árabes que destruíram o Egipto e outros países, alegadamente porque os seus dirigentes eram déspotas. Isto tudo ocorreu sob olhar sereno e impávido das Nações Unidas. Acabaram-se os déspotas e “sumiram” as nações, talvez a oportunidade de rejuvenescer a Europa, cuja população já não pode trabalhar!
A propósito, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Afeganistão, Zeid Raad Al Hussein classificou de “crime de guerra” ao comentar o ataque da aviação norte-americana que considerou indesculpável, ocorrido na madrugada de sábado, 3 de Outubro de 2015, em Kunduz, no norte do Afeganistão que atingiu o hospital da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), matando 19 pessoas entre as quais, funcionários da organização e doentes e 37 feridos entre graves e ligeiros. A organização MSF indica em nota que tanto os militares americanos quanto os soldados afegãos estão informados da localização das suas unidades no território, não fazendo sentido aquele ataque que, mesmo depois de receberem a notificação continuaram por 30 minutos, escreveu o “Jornal Notícias” de 5 de Outubro na sua última página na rubrica “Assim Vai o Mundo”. Este episódio, testemunha que é urgente a reforma do Conselho de Segurança da ONU de forma a cumprir o seu papel.
A presença de Filipe Nyusi em Nova Iorque não passou despercebida a uma das maiores e mais antiga universidade norte-americana, a Universidade de Colômbia onde, o Chefe do Estado moçambicano foi convidado a proferir uma palestra. Este dado, que parece insignificante, mas não o é, na verdade, aquela instituição de Ensino Superior não convida para palestrante a qualquer Chefe de Estado que por lá passa. Logo ela está atenta a evolução de indicadores de democracia, boa governação, entre outros indicadores. Filipe Nyusi e Moçambique mostraram que reuniam esses e outros indicadores e, por isso, convidados.
Outro dado interessante desta presença do Chefe do Estado em Nova Iorque foi marcado por encontros com as comunidades moçambicanas residentes. Nestes encontros, Filipe Nyusi fez uma “radiografia” sobre o Estado da Nação, a um grupo de pessoas exigentes e com informação variada e com muitas tendências. O facto é que, ainda aí, o Presidente mereceu consensos e colheu simpatias dos que foram ouvi-lo, caso para dizer que está de parabéns o Chefe do Estado moçambicano na forma como conduz a sua diplomacia, revelando-se autêntico diplomata!
Adelino Buque

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