MEUS amigos fiquem sempre ligados à Rádio Moçambique. Moçambique fica em paz. Caros ouvintes, fiquem bem…
Estas foram as últimas palavras do conceituado jornalista Emílio Manhique aos microfones da rádio mãe moçambicana, antes de deixar o mundo dos vivos.
Morreu Emílio Manhique. A marca do “Jornal da Manhã” da Rádio Moçambique. Com a sua voz, a partir das 6.00 horas, de segunda a sexta-feira, quase todos sintonizavam a Antena Nacional para ouvir as primeiras notícias do dia através deste jornalista. Ao mesmo tempo, que preparavam-se para se dirigirem aos seus locais de trabalho, bem como escolas ou outros lugares.
Ensinou-nos a tomar o “Café da Manhã”, uma rubrica do “Jornal da Manhã”, que vai das 7.30 até às 8.00 horas. Neste espaço desfilam várias personalidades até cidadãos de pouca expressão para deixar seus pontos de vista sobre diversas matérias.
Recordo-me desde já algumas expressões que ele gostava de manusear durante as suas entrevistas no espaço “Café da Manhã”: “diga da sua justiça”, “diga o seu nome, de onde fala e já está a participar”, “estamos juntos”… só para citar algumas marcas deste embondeiro do quarto poder.
Da maneira como se despediu na última sexta-feira, pareceu ter já recebido a chamada, pois ao longo das edições do “Jornal da Manhã”, quando se despedisse dos ouvintes dizia: “meus amigos fiquem ligados a restante programação da Rádio Moçambique” e desta vez disse “fiquem sempre ligados à Rádio Moçambique”, como que dissesse mesmo que sem ouvirem a minha voz continuem ligados a esta rádio. Acrescentando ainda este pormenor: “Moçambique fica em paz” e para todos os moçambicanos “fiquem bem”…e, como se pode depreender, foi uma verdadeira despedida.
Algo lhe dizia que aquela era a última edição do “Jornal da Manhã” ainda em vida.
De facto, um dia depois, logo pela manhã de domingo, 4 de Outubro, “Dia da Paz”, ele deixou-nos. Eu e minha esposa ficamos chocados. Ela pior, pois todas as manhãs controlava a hora para se levantar através da voz dele quando dava início ao “Jornal da Manhã”. Como ela diz “basta ouvir a voz do Emílio Manhique já sei que são 6.00 horas” e assim acordava para se preparar para a sua jornada laboral.
Foi uma voz que também acompanhou-me nos tempos da minha faculdade e que hoje tornou-se referência na minha família, que aprendeu a gostar do noticiário graças a este jornalista. Calou-se uma voz radiofónica. Entretanto mais Emílios devem continuar a obra do Emílio finado deliciando-nos com o “Jornal da Manhã” e com o “Café da Manhã”. Até sempre Emílio Manhique.
ALCIDES BAZIMA
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