segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Efeito “Dhlakama-Gorongosa” já se faz sentir…

Análise
Por: Noé Nhantumbo
De Harare já se levantam vozes apelando à intervenção da SADC
 
- E os intelectuais moçambicanos começam a ouvir-se diferentemente…
Beira (Canalmoz) - Até é bom que haja e surjam vizinhos e membros da SADC se preocupando com o potencial de violência que pode deflagrar em Moçambique após o líder da Renamo ter retornado para as matas da Gorongosa.
Não se pode tratar de ânimo leve de um assunto como este. Se alguém está calado ou opta pelo silêncio talvez faça isso como acto deliberadamente estratégico. E nisso de estratégia há muito que se pode dizer. Alguns passos de governos vizinhos face a conflitos em outros países como se viu na RDC, envolveram exércitos da Namíbia, Angola, Zimbabwe. Mesmo depois de tanta intervenção externa a situação na RDC é tudo menos estável. Isso significa em termos práticos que uma estratégia baseada em alianças entre líderes políticos regionais, remanescentes da defunta guerra-fria não tem hipóteses de triunfar no novo contexto geostratégico internacional.
Em Moçambique, durante todo o período da guerra civil, viu-se tropas do Zimbabwe, Tanzânia, especialistas de Cuba, RDA, URSS assistindo o governo da Frelimo no seu confronto contra a Renamo. Mas os resultados de tanta concentração de meios e inteligência militares tiveram resultados em tudo pouco significativos na correlação de forças no país e na região em que se situa Moçambique.
Alguns dos pronunciamentos provenientes de Harare e presentes numa das últimas edições do “Herald” são prenúncio de uma opinião que pode consubstanciar contactos que já devem estar acontecendo entre facções do governo zimbabweano e o governo de Maputo. Ninguém está proibido de fazer conjecturas ou de fazer suposições. O passado recente da zona austral de África está intimamente ligado as alianças estabelecidas pelos antes movimentos de libertação, agora quase todos eles suportes de governos no poder.
Muitas das posições que tomam os governos tem a ver com considerações estratégicas geralmente associadas a sua manutenção no poder e não propriamente a alguma projecção estratégica de outro tipo.
Não pode fugir da mente dos cidadãos que um novo conflito em Moçambique conheceria rapidamente a intervenção de vários governos em socorro do governo de Maputo. As aspirações hegemónicas regionais de Angola poderiam rapidamente servir de suporte a acções combinadas das Forças Armadas do Zimbabwe com apoio em armamento e financeiro do governo de Luanda. A África do Sul, potência regional indiscutível haveria de querer manter o seu status e procuraria empurrar Angola para fora do conflito. Isto são tudo considerações ou opiniões sobre futuros cenários na região. Se nada é definitivo nem concreto num momento como este isso não deve significar e muito menos convencer-nos de que vivemos numa paz e estabilidade duradoura. Por causa de algum excesso de uma das partes a situação poderá conhecer outros desenvolvimentos e desembocar em acções militares de vulto.
Mas uma guerra em Moçambique e algo a evitar a todo o custo porque teria efeitos no processo de democratização do Zimbabwe para além de travar todo o processo idêntico no nosso país.
Começam a surgir vozes alertando para a repetição do cenário angolano em que Jonas Savimbi foi fisicamente eliminado depois de processos eleitorais mal concluídos. Em Moçambique pode ser que alguém esteja convencido de que a manutenção no poder, num quadro em que não se realizem eleições, pode ser conseguida pela via de recusa a um diálogo com a liderança da Renamo. Nada pode ser descartado no actual panorama.
Será que o silêncio de Maputo é sinal de que está concertando com outras entidades de relevo, nacionais e internacionais, que lhe terão sossegado quanto a um desfecho em seu favor deste imbróglio?
Quando em Maputo um académico da craveira do Dr. Lourenço do Rosário, habitualmente tido como próximo do regime, confirma a legitimidade de algumas das revindicações do líder da Renamo, seria desejável que o governo de Maputo o escutasse. Já não são aquelas canções repetidas de que Dhlakama é um “incendiário, anti-democracia, deslocado no tempo”. Os porta-vozes do regime de Maputo já foram desmentidos por algumas vozes locais, mas com gente do calibre do L. Rosário juntando-se àqueles que discordam deles, o jogo discursivo ganha outra consistência e significado.
Neste momento “a bola está definitivamente do lado” do governo da Frelimo. Não há como negar de que Dhlakama tomou algumas decisões estratégicas importantes. A sua validade e importância só poderão ser avaliadas a posteriori. Não há dúvidas de que se assistiam a manobras dilatórias de uma parte em detrimento de posições antes tomadas e divulgadas. O que discutiram antes em Nampula que é tao difícil de implementar?
Numa atitude habitual de desprezo, silêncio, adiamento, estratégia de “facto consumado” um a parte está abertamente consolidando suas posições na esfera económico-financeira enquanto um dos signatários do histórico AGP tem seus membros na maioria agonizando na miséria mais atroz.
A situação moçambicana tanto pode ser vista como simples como complexa. A verdade indica que existem todos os ingredientes para confeccionarem-se todos os tipos de “sopa”.
Seria sabedoria que as partes iniciassem-se no mais curto espaço de tempo conversações secretas do estilo Israel-Palestina em país seguro. Ou que de maneira aberta sem subterfúgios e “cartas na manga” esclarecessem aos moçambicanos que estão falando e tratando dos fundamentos para a manutenção da paz e estabilidade em Moçambique.
Portugal, Itália, EUA, China, Rússia, Reino Unido, Alemanha, entanto países influentes em Moçambique e com linhas de contacto no governo de Maputo e na Renamo, deveriam estar abertamente mais preocupados com o desenrolar dos acontecimentos. Não se pode permitir que um conflito potencial não seja prevenido. Nos EUA há eleições e em Portugal registam-se complicações relacionadas com uma profunda crise financeira. As preocupações daqueles governos está em problemas domésticos mas uma potência de cariz internacional ou um país como Portugal profundamente ligado a Moçambique e a outras antigas colónias em África, não se pode dar ao luxo de não emitir sinais visíveis e claros de sua posição, face aos novos desenvolvimentos em Moçambique. Não se iludam os estrategas governamentais nem seus consultores porque a situação moçambicana, dada a precariedade institucional, dúvidas abertas quanto a capacidade dissuasora efectiva do exército governamental e da PRM, reservas militarizadas da Renamo e reconfiguração da sua cadeia de comando militar, podem rapidamente degenerar em guerra aberta.
Não se trata simplesmente de deixar as coisas ao cuidado dos interlocutores internos numa situação com o potencial de explodir e passar para países vizinhos. Malawi, Zimbabwe, África do Sul, Tanzânia, RDC, Angola serão inexoravelmente empurrados para qualquer conflito armado que seja desencadeado em Moçambique.
Este é um momento em que friamente se devem tomar todas decisões que dizem respeito a Moçambique e aos moçambicanos. Convém que os políticos moçambicanos se compenetrem da importância vital e estratégica do diálogo franco e aberto numa situação como a que se vive neste momento.
Muitos anos passaram-se em que o engano e o protelar foram as armas ou instrumentos políticos utilizados.
A herança que Armando Guebuza recebeu de Joaquim Chissano foi um dossier jamais finalizado do AGP. E se algumas questões fulcrais dos AGP não foram tratadas atempadamente, terá sido por concertação no seio da Frelimo de que AEG também faz parte?
Hoje poderão surgir vozes acusando AEG de “casmurrice política” mas convém que se diga que foi toda uma liderança da Frelimo quem escolheu o caminho dos atalhos e dos jogos encobertos como forma de lidar coma Renamo.
Do lado da Renamo terá havido falta de traquejo diplomático e negocial contrariando abertamente sua capacidade militar estabelecida e reconhecida.
Os moçambicanos não podem continuar reféns de intenções e de práticas de políticos com objectivos confinados aos seus interesses pessoais.
Não queiram interromper o jogo democrático numa altura que se mostra claro que a correlação de forças tende a favor de novas forças políticas.
É altura de apelar a todos os políticos moçambicanos para que não se desenterre o “machado de guerra”. Nenhum deles por mais mordomias, regalias, mansões, contas bancárias, património industrial e de outra natureza terá oportunidade de gozar e beneficiar-se disso uma vez abertas as comportas dantescas da violência.
Moçambique clama por tolerância, responsabilidade, dialogo sem pré-condições, sobre todo o tipo de questões apresentadas por qualquer que seja o partido político.
Neste cenário em que os partidos militarizados, Frelimo e Renamo, pretendem voltar a bipolarizar o poder em Moçambique, importa que os outros partidos entendam a situação na sua magnitude e definam o tipo de acção política e diplomática a encetar para contrariar esta situação lastimosa.
Só nós moçambicanos é que podemos tratar dos nossos assuntos.
Os outros querem simplesmente nossos recursos minerais e o mais barato possível… (Noé Nhantumbo)

1 comentário:

Anónimo disse...

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