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| Escrito por Redação em 14 Janeiro 2016 |
“O filho de um tio meu foi assassinado à tiro a poucos metros de onde eu estava” relatou Flora Emberson à rádio Voz da América, que acredita que os militares que protagonizaram o acto pertencem às forças governamentais pois disseram suspeitar que a vítima estaria a ajudar os guerrilheiros do partido Renamo.
Outros cidadãos haviam relatado à agência de notícias Lusa que no dia 31 de Dezembro militares das forças de defesa e segurança tentaram transpor um cordão de segurança criado pelos homens armados da “perdiz” - que estão reagrupados na região de em Nkondezi, no distrito de Moatize, desde meados do ano passado – o que resultou num tiroteio. Filipa Cadeado, uma comerciante da região, disse que pelo menos seis casas foram queimadas quando as forças especiais da polícia moçambicana avançou sobre a sua posição.
Em Julho, após os militares da Renamo terem realizado dois ataques na província de Tete, os moçambicanos começaram a procurar refúgio no Malawi, particularmente nos distritos fronteiriços de Mwanza e Chikwaea, que distam cerca de meio quilómetro de Moçambique.
"Os militares chegaram em viaturas do Governo e queimaram casas e machambas e acusaram-nos de dar apoio aos homens armados do partido Renamo" contou à agência France Press Omali Ibrahim, um camponês de 47 anos de idade que está refugiado no campo de Kapise, no distrito de Mwanza, com a mulher e cinco filhos.
Também refugiado neste campo, onde existiam na semana finda 1.580 refugiados, está Luciano Laitoni e a sua família. "Teríamos sido mortos pelas forças governamentais se não nos tivéssemos escondido no mato durante dois dias" disse à agência France Press o camponês de 60 anos de idade que chegou ao Malawi cansado e com poucos haveres, "a nossa casa e o celeiro com milho foram incendiados" acrescentou.
"Nós somos apenas camponeses e nunca vimos os homens armados do partido Renamo, nós não somos da Renamo" declarou Charles Luka que não estava em casa quando esta foi queimada e não encontrou a sua mulher e dois filhos depois de mais esta acção atribuída às Forças de Defesa e Segurança de Moçambique.
“Neste momento ainda não fizemos o registo de todos mas temos indicações que ultrapassam as duas mil pessoas, e mais continuam a chegar” afirmou, na passada sexta-feira(08), Gift Rapozo, uma autoridade governamental do distrito de Mwanza, que disse ainda que a cada vez maior presença de militares das Forças de Defesa e Segurança na província de Tete é que tem estado a causar o pânico das populações moçambicanas.
Raposo afirmou também ao diário malawiano que os refugiados relataram ter sido alertados pelas autoridades em Tete para deixarem a região onde estão agrupados os homens do partido Renamo para sua própria segurança pois “tudo pode acontecer”.
Paz adiada sine die
A tensão política e militar não tem fim à vista, embora o Chefe de Estado, Filipe Nyusi, continue a afirmar publicamente o seu compromisso com a paz e em encontrar uma solução negociada a verdade é que as propostas apresentadas pelo maior partido da oposição têm sido sumariamente rejeitadas pelo partido no poder.
Afonso Dhlakama, o presidente do partido Renamo, que entende já não há nada para negociar e avisou que vai começar a governar “a partir de Março as províncias do Niassa, Nampula, Zambézia, Tete, Sofala e Manica”, onde reclama vitória nas Eleições Gerais de 2014.
As acções armadas das Forças de Defesa e Segurança intensificaram-se em vários pontos do país desde Outubro com uma alegada operação de recolha de armas que estão ilegalmente na posse dos homens da “perdiz”, e culminaram com um cerca a uma residência onde Dhlakama estava na cidade da Beira.
Sobre as armas na posse dos seus homens, e mulheres, o líder da Renamo já afirmou que “não somos um partido armado, temos apenas seguranças” cuja existência está prevista no protocolo do Acordo Geral de Paz, o qual para o partido no poder há 40 anos está caduco, pelo que já não regula nada no presente. “A Renamo não será desarmada, ninguém tente (…)”.
Refugiados não vão regressar a Moçambique brevemente
Entretanto a representante do ACNUR no Malawi, Monique Ekoko, que visitou os campos mostrou-se preocupada com a chegada de cada vez mais refugiados devido as limitações de espaço e falta de condições para os acolher.
“Os refugiados ainda temem pelas suas vidas pois afirmam que estão a ser perseguidos, alguns foram atacados, outros tiveram as suas casas queimadas e muitos dormiram em cavernas durante a fuga com medo dos tiros. Por isso precisamos de lhes dar muita assistência e por um período longo pois eles não irão regressar a Moçambique agora” afirmou Ekoko ao “The Daily Times” que acrescentou que o Governo do Malawi é responsável por cuidar dos refugiados como país de acolhimento.
O Malawi albergou milhares de refugiados moçambicanos durante a guerra civil envolvendo o Governo de Moçambique o a Resistência Nacional de Moçambique(RENAMO), entre 1977 e 1992.
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Mais de dois mil moçambicanos refugiados no Malawi, muitos fogem das forças governamentais
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