sexta-feira, 23 de outubro de 2015

População mobiliza-se: queremos Dhlakama

Durante a operação a população gritava palavras de ordens: “vergonha” em repúdio à invasão policial à casa de Dhlakama e “queremos Dhlakama” em apoio e solidariedade ao líder da oposição. Um grupo de quase 300 pessoas começou a agrupar-se do lado do antigo condomínio da empresa Vale, que separa por estrada a casa de Afonso Dhlakama, com ameaças de ataque a Polícia, que por sua vez disparou três tiros e gás lacrimogénio contra o aglomerado, tendo atingido igualmente o grupo de jornalistas que estava daquele lado. Contudo, continuaram rumores de que um grupo de pessoas, com paus e machados, vinham dos bairros da Munhava e Manga, para enfrentar a Polícia, e forçar a dissolução do cerco da Polícia. Os membros das forças especiais começaram a retirar-se do local quase as 16h10 minutos, com raides barulhentos e buzinas, sugerindo que tinham ganho a “batalha”, ao mesmo tempo que centenas de pessoas aproximaram-se a casa de Dhlakama com cânticos solidários. Afonso Dhlakama saiu do interior da sua casa, pela primeira vez desde que tinha entrado no dia anterior, e fez uma saudação de agradecimento, ao mesmo tempo que apelou à população a não retaliar a atitude da polícia. No sábado pela manhã, quando o SAVANA voltou a casa do líder, encontrou um guarda que esteve preso e reconstituiu o martírio que viveram no blindado até as celas da Polícia. “Houve violência, muitos foram batidos com coronhas de armas por se recusarem a falar. Perguntavam se havia motoristas entre os presos, e quanto salário recebiam. Fizeram um inquérito completo sobre o tempo de ingresso na Renamo, a categoria militar, além da participação em combates. Insistiam sempre se o brigadeiro Nyongo está aqui? Estes gajos mataram- -nos muitos, quem vos ensina disparar assim”, contou o guarda. Polícia descarrila novamente No seu habitual briefing semanal esta terça-feira, a Polícia admitiu que não tinha autorização judicial para invadir a casa do líder da Renamo na sexta-feira na Beira, e justificou a acção como de proteção a eventual “aproveitamento maléfico” que pudesse atentar contra a segurança de Afonso Dhlakama. “Nós respeitamos os termos legais, mas, neste caso, foi uma acção para recolha de armas que estavam ilegalmente em mãos alheias e a criar situações de insegurança”, disse Inácio Dina, porta-voz do comando geral da PRM. De forma hipócrita, o porta-voz da PRM disse que a acção da polícia tinha a intenção de garantir a própria segurança de Dhlakama, evitando “um aproveitamento maléfico” que pudesse atentar contra o próprio líder da Renamo. “O que aconteceu foi apenas uma recolha de instrumentos que poderiam ser perigosos para o próprio Dhlakama. As armas de fogo devem ser detidas pelas forças de segurança”, salientou Inácio Dina, evocando a lei mo- çambicana, mesmo que, no entanto, admita que não houve um mandado judicial. “Agora [Afonso Dhlakama] está em condições bem seguras”, declarou o porta-voz da PRM, sublinhando que “a polícia sempre esteve atenta à sua protecção”. Rebatendo a versão da Renamo, segundo a qual a operação tinha como objectivo a recuperação de três armas de fogo esquecidas pelas forças policiais num suposto ataque à caravana de Dhlakama, Inácio Dina sublinhou que a intenção era desarmar um “grupo armado” que, contra o que anteriormente foi acordado, começava a colocar em causa a ordem pública, não se limitando à protecção do seu líder. “Nós estamos a falar de várias armas que estavam a ser detidas ilegalmente por indivíduos e serviam para hostilizar as populações, criando uma instabilidade”, afirmou Dina, enaltecendo a importância da “colaboração pacífica” do líder da Renamo. Questionado sobre a exigência da Renamo de criação de uma equipa conjunta para a protecção de Dhlakama, o porta-voz da PRM disse que a decisão virá das lideranças políticas, considerando que esta não é a primeira vez que se discute a integração na polícia e no exército dos militares do maior partido de oposição em Moçambique. “Nós estamos à espera de uma decisão”, declarou Dina, salientando que, dentro do quadro legal moçambicano, a polícia está pronta para cumprir, mantendo a ordem e segurança pública.

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