sábado, 11 de julho de 2020

Como eles conseguem?


















Olá,

Há muitos anos, trabalho com jornalismo investigativo e com dados. Já investiguei máfia, redes criminosas internacionais, políticos e grandes empresas em muitas situações.

A equipe que procurei montar no Intercept também tem esse perfil. Por isso, quando vimos a rapidez com que o coronavírus se espalhou e a sua capacidade de gerar a mais grave crise do nosso tempo, soubemos imediatamente que corruptos e outros espertalhões usariam este momento enriquecer ilicitamente.

Foi por aí que buscamos orientar nossas investigações durante essa cobertura intensa que estamos fazendo desde março. E nosso faro estava certo. Você tem acompanhado no site e nas nossas newsletters muitas denúncias de pessoas que estão tirando proveito da pandemia.

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Escrevo agora porque quero falar um pouco sobre como fazemos isso. Nossos editores e repórteres não teriam como produzir nossas investigações sem as equipes de tecnologia, pesquisa, dados, vídeo e arte.

Vou dar dois rápidos exemplos de duas matérias que tiveram muitos acessos recentemente.

Publicamos com exclusividade o relatório da Abin que comprovou que Bolsonaro sabia da alta letalidade que o covid-19 causaria no Brasil. Recebemos um documento sigiloso de uma fonte anônima. Isso envolve um sistema que preserve nossa segurança digital e também a da fonte. Quando alguém fala com nossos jornalistas, sabe que pode confiar no nosso compromisso com o sigilo de quem tem coragem de denunciar abusos de poder.

Depois que o documento chega é preciso checar a veracidade. Só aí nossa equipe trata o que vamos divulgar para que os metadados não contenham nada que possa quebrar o sigilo de fonte. Qualquer deslize pode ser fatal. Depois, claro, repórteres e editores preparam o texto, os áudios e vídeos; nossos advogados avaliam o risco de publicação; e, enquanto isso, nosso pessoal de arte trabalha para que os materiais sejam visualmente deslumbrantes.

Outro bom exemplo é o escândalo dos respiradores de R$ 33 milhões em Santa Catarina. Se eu for descrever todo o processo você nunca mais vai querer ler minhas mensagens (a vida real é muito chata às vezes hehe). Mas, resumidamente: entrevistas e mais entrevistas, consultas intermináveis a diários oficiais, conversas longas com fontes no governo do estado que não podem aparecer, investigação da empresa no Rio de Janeiro e de suspeitos (uma longa consulta a CPFs e dados de junta comercial). Aí vem redação, edição, consulta aos advogados (a gente até pode ser processado, mas quer ter confiança de que vai ganhar), checagem de fatos e dados (fazemos isso internamente antes de publicar reportagens sensíveis), revisão, arte e, UFA!, publicação no site.

Depois é preciso divulgar nas redes e criar materiais (vídeos, cartões) para facilitar a circulação do assunto. Não esqueçam: boa parte do nosso povo tem dificuldades com textos longos e raciocínios complexos. A imprensa, no geral, ignora essa pessoas. Nós queremos que elas tenham informação de qualidade. Posso afirmar com tranquilidade que pelo menos 12 pessoas trabalharam para que essa informação da fraude em SC chegasse até você e resultasse na suspensão do contrato ilícito, queda de dois secretários, uma CPI e pedidos de impeachment contra o governador Carlos Moisés, aliado de Bolsonaro.

Aí você deve se perguntar: como eles conseguem? Como é possível um site aparentemente pequeno ter acesso a documentos exclusivos e produzir investigações que derrubam grandes corruptos?

Os leitores do Intercept nos mostram todos os dias que essa redação não é feita só pelos jornalistas, designers, produtores de vídeo, administrativo, checadores e advogados. É feita por milhares de pessoas dispostas a mudar esse país através do jornalismo realmente independente. E é assim que conseguimos.

Para que o nosso trabalho mantenha essa consistência precisamos ainda mais do nosso público durante esse período crítico.

Em meio à crise, as emissoras de televisão e os grandes jornais não param de bater na porta de bancos, montadoras, marcas de margarina ou cervejarias, em busca de dinheiro em forma de anúncios. Essas relações causam óbvio conflito de interesse. Nós nunca fomos atrás dessa grana porque essas são as empresas que queremos investigar.

Você topa se tornar hoje um investidor do jornalismo que salva vidas e busca revelar a verdade? Topa juntar-se a nós para fazer o impossível?

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Um abraço,







Leandro Demori
Editor Executivo









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