STAE quer encurtar o período de escrutínio
Quarta, 21 Outubro 2015
O SECRETARIADO Técnico de Administração Eleitoral (STAE) tem como principal desafio a redução dos tempos de contagem dos votos, assim como da divulgação dos resultados finais atinentes às eleições presidenciais, legislativas, das assembleias provinciais, assim como referentes às autarquias locais.
O compromisso foi assumido ontem, em Maputo, pelo Director-geral desta instituição eleitoral, Felisberto Naife, durante a cerimónia de lançamento do programa de comemoração do vigésimo aniversário do órgão, que se assinalou no passado 21 de Abril, mas que se decidiu assinalar neste mês de Outubro para coincidir com a passagem do 20.º aniversário da realização das primeiras eleições gerais multipartidárias, cuja votação aconteceu entre os dias 27 e 29 de Outubro de 1994.
De acordo com Felisberto Naife, desde a sua criação, o STAE sofreu grandes transformações e conheceu muitas melhorias nas suas actividades e que é dentro deste quadro que o órgão tem como principais desafios, para os próximos anos, a redução dos tempos de votação, por cada eleitor; a redução do tempo de contagem de votos, em cada sufrágio; assim como a redução do tempo destinado à divulgação dos resultados finais de cada votação.
Segundo o director-geral do STAE também é desafio do órgão dar cada vez maior credibilidade aos actos eleitorais de modo a que os resultados oficiais divulgados não sejam frequentemente questionados, sobretudo pela oposição, tal como tem vindo a acontecer.
“Contudo, não é um desafio somente do STAE. É um desafio que para ser ultrapassado precisa-se de criar confiança entre os concorrentes e o órgão. Essa confiança deve, igualmente, ser reflectida no seio da sociedade, dos partidos políticos e dos eleitores”, referiu em resposta a uma pergunta dos jornalistas sobre as medidas que devem ser tomadas para acabar com as contestações frequentes dos resultados pela oposição, sobretudo a Renamo.
Solicitado a fazer um breve balanço dos vinte anos de existência do STAE, Felisberto Naife afirmou não haver dúvidas que o órgão conheceu evolução, quer em termos técnicos e materiais, quer em termos de recursos humanos.
“Nas primeiras eleições gerais, o STAE organizou-as e realizou-as com o apoio de técnicos das Nações Unidas, peritos esses que, gradualmente, foram diminuindo em termos de números nas eleições de 1999 e de 2004. A partir das eleições de 2008/2009 as operações eleitorais foram realizadas com recursos humanos totalmente nacionais. Isso foi uma evolução muito positiva”, afirmou Naife.
Referiu que o quadro legislativo também acompanhou essa evolução, à medida que se iam introduzindo regras que facilitavam o trabalho técnico no terreno e que iam permitindo maior profissionalização do órgão.
As comemorações
Subordinado ao lema “STAE – 20 anos por uma Administração Eleitoral Profissional”, o programa comemorativo dos 20 anos de criação do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) prevê a realização de diversas actividades socio-recreativas, com destaque para palestras, exposição fotográfica, feira de saúde e homenagem aos trabalhadores e antigos directores do órgão.
Neste contexto, o director-geral fez saber que entre os dias 23 e 30 do corrente, a sede, em Maputo, da Associação Moçambicana de Fotografia vai ser palco de uma exposição de fotografia e de diverso material e equipamento que retratam os diferentes estágios de evolução da instituição e dos processos eleitorais.
Com vista a uma maior socialização dos funcionários das instituições com outros intervenientes no processo eleitoral, o STAE propõe-se a realizar palestras sobre saúde e bem-estar, evento que terá lugar durante uma feira de saúde que também contemplará actividades desportivas envolvendo diversas modalidades.
Assim, a nível central, vai ter lugar sexta-feira um colóquio sobre a matéria, e no sábado terá lugar a feira de saúde que vai consistir numa caminhada desde a sede do STAE até ao Circuito de Manutenção Física António Repinga, onde terão lugar actividades de ginástica aeróbica, testagem voluntária de HIV/SIDA e outras doenças e aconselhamentos.
Uma série de palestras subordinadas ao tema “A criação do STAE – Mecanismos de funcionamento e os desafios da administração dos processos eleitorais em Moçambique” vão ter lugar, em todo o país, entre os dias 26 e 31 de Outubro corrente.
GABINETE DA MULHER PARLAMENTAR DEFENDE: Urge resgatar valores culturais e morais
Quarta, 21 Outubro 2015
A PRESIDENTE do Gabinete da Mulher Parlamentar, na Assembleia da República, Francisca Domingos, defende ser urgente que se empreendam acções concretas tendentes a resgatar os valores culturais e morais na sociedade moçambicana.
Segundo a deputada, a prostituição infantil, os casamentos prematuros, as gravidezes precoces, os raptos e os maus-tratos infligidos às pessoas da terceira idade são práticas que revelam uma crescente degradação moral no seio dos moçambicanos e apelou ao envolvimento de todos os segmentos da sociedade nesta campanha moralista.
Falando recentemente na província de Inhambane, durante as jornadas parlamentares que tinham como objectivo principal fiscalizar e monitorar a implementação da lei sobre a violência praticada contra a mulher, no âmbito das relações domésticas e familiares, Francisca Domingos reconheceu que “estas práticas nocivas não são de combate imediato, pois a sua resolução passa pela mudança de mentalidade”.
“Não podemos permitir que uma criança contraia matrimónio com outra criança”, disse a presidente do Gabinete da Mulher Parlamentar, em referência aos casamentos prematuros, muitas vezes incentivados pelos progenitores, alegadamente para disso tirar proveitos de natureza económica, perigando a saúde dos infantes e comprometendo o seu progresso.
A parlamentar entende que esta e outras práticas devem ser combatidas pela sociedade moçambicana. Ela apelou aos activistas das organizações da sociedade civil e das ligas femininas dos partidos políticos para que desenvolvam junto das comunidades actividades tendentes à divulgação de diversa legislação aprovada pelo Parlamento de modo que esta seja compreendida e melhor interpretada.
De acordo com Francisca Domingos, actividades idênticas serão realizadas pelos deputados nos respectivos círculos eleitorais, priorizando os aspectos essenciais de cada dispositivo legal e a recolha de sensibilidades sobre a percepção popular em relação ao papel do Parlamento no processo democrático moçambicano.
LEI COM LACUNAS
Na província de Inhambane e não só, os líderes comunitários e tradicionais, os conselhos de escola e as organizações de praticantes da medicina tradicional pouco ou nada conhecem sobre o conteúdo das diversas leis aprovadas pelo Parlamento, sobretudo as que defendem a promoção e valorização da mulher e criança, no contexto da promoção da harmonia social na família.
O Fórum Provincial das Organizações Não-Governamentais entende que a lei sobre a violência praticada contra a mulher, no âmbito das relações domésticas e familiares, apresenta lacunas que dificultam a sua implementação no seio das comunidades, a par do seu fraco conhecimento.
Segundo esta agremiação, que congrega cerca de 140 organizações da sociedade civil, esta lei e outras não têm concordância com as práticas costumeiras e os hábitos das várias comunidades, facto que contribui para a persistência de condutas que não dignificam a sociedade.
De acordo com o presidente deste fórum, Leopoldo Vasques, este dispositivo legal incentiva a mulher a comportar-se mal no seio da família, alegadamente porque quando repreendida pelo seu cônjuge ela recorre às autoridades da administração da justiça.
Vasques acrescentou que a Lei n.º 29/2009 não contribui para a harmonia social nas famílias moçambicanas dado que, segundo ele, prioriza o combate da violência praticada contra a mulher, no âmbito das relações domésticas e familiares. Ele apontou o aumento de casos de suicídio como resultado da má compreensão e interpretação desta lei, tendo sugerido a sua revisão para defender todos os segmentos e penalizar o adultério, como crime público.
Durante a sua permanência naquele ponto do país, os membros de direcção do GMP mantiveram encontros de avaliação do impacto de aplicação deste dispositivo legal e de outra legislação com os membros do Governo provincial, responsáveis pelas áreas da mulher, acção social, crianças e educação, e os gabinetes de atendimento à mulher e criança vítimas de violência doméstica, bem como das organizações da sociedade civil que actuam na área da promoção e defesa dos direitos da mulher e da criança.
Ainda na província de Inhambane, a comitiva parlamentar auscultou as autoridades locais, líderes religiosos e grupos de opinião sobre a implementação da Lei n.º 29/2009, inteirar-se sobre os casamentos prematuros e gravidezes precoces e colher sensibilidades sobre a percepção popular em relação ao papel do Parlamento no processo democrático moçambicano.
Com a realização destas jornadas parlamentares, a direcção do GMP tinha em vista a recolha de subsídios para a produção de uma reflexão em torno da implementação das Leis n.ºs 29/2009 e 6/99, de 2 de Fevereiro, que regulam o acesso de menores a lugares públicos onde se realizam actividades de recreação e de entretenimento nocturno, a compra e consumo de bebidas alcoólicas e tabaco e a exposição, venda e aluguer ou projecção de filmes em vídeo-cassete interditos a menores de 18 anos de idade, bem como colectar informações sobre os casamentos prematuros e gravidezes precoces que servirão de base para a formulação de acções futuras.
Recomendadas pelo FMI aos países ricos: Índia pede fim de políticas de estímulo monetário
Quarta, 21 Outubro 2015
O GOVERNADOR do Banco Central da Índia pediu, segunda-feira, ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que deixe de indicar as políticas de estímulos monetários de muitos países industrializados, por causa das suas contrapartidas negativas para os emergentes.
"O FMI deveria estar a analisar esse tipo de tema, em vez de aplaudir essas políticas, mantendo-se à margem", declarou Raghuram Rajan.
Estados Unidos, Japão e a Zona do Euro aplicaram ou aplicam políticas de flexibilização monetária, com juros em quase zero e compram de activos de seus próprios Estados, para impulsionar a actividade económica em períodos de crescimento fraco.
Rajan considera que se trata de políticas "extremas" que complicam os países emergentes, obrigados a lidar primeiro com os grandes fluxos de capitais atraídos por melhores rendimentos e depois, quando os juros sobem nos países industrializados, com a súbita fuga dos investimentos.
"Estamos num terreno perigoso", advertiu Rajan, ao sair de uma reunião preparatória da cúpula do G20 que será celebrada no mês que vem na Turquia.
Para Rajan, que foi economista-chefe do FMI, as políticas de flexibilização monetária criam uma situação parecida com uma "dança das cadeiras", que alguém sempre fica de fora.
No mês passado, Rajan afirmou que as actuais dificuldades enfrentadas pelo Brasil devem-se à aposta do Governo brasileiro num crescimento rápido "muito baseado em antigos e ineficazes métodos de estímulo da demanda".
OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO EM ÁFRICA: Moçambique entre países com melhores perspectivas
Quarta, 21 Outubro 2015
MOÇAMBIQUE faz parte da lista de países africanos com melhores perspectivas de crescimento económico e oportunidades de negócio, de acordo com um estudo realizado pela consultora Nielsen junto de executivos no continente.
Na primeira edição do estudo “Africa´s Prospects”, sobre o ambiente macroeconómico, de negócios e indicadores de consumo e retalho, referente ao primeiro trimestre de 2015, Moçambique é classificado em 3º lugar como o país com melhores perspectivas de crescimento e oportunidades para as empresas, atrás de Etiópia e Costa do Marfim.
No estudo de 26 países africanos, Angola surge em 5º lugar, com uma pontuação de 6,3 (igual à do Quénia) com a capacidade de crescimento a ser contrabalançada por “vários desafios operacionais a serem ultrapassados pelas empresas.”
Enquanto o crescimento económico para Moçambique está estimado em 7 por cento, o estudo incorpora no caso de Angola uma estimativa de 4,4 por cento, acima de algumas das últimas revisões em baixa para a economia angolana, devido ao prolongar do baixo nível dos preços de petróleo.
O estudo da Nielsen adianta que os consumidores angolanos estão entre os que têm de se debater com taxas de inflação mais elevadas, à semelhança do que ocorre com os ganeses e os nigerianos.
O cabaz de bens de consumo utilizado pela Nielsen coloca Angola como o país mais caro, de forma destacada com 31,97 dólares, à frente de Costa do Marfim e Gana, enquanto a lista dos países mais baratos é liderada por Uganda, Lesotho, Botswana e Suazilândia.
O estudo salienta a crescente importância das economias africanas, em particular as da África Austral, que estão a crescer mais rápido do que as dos países desenvolvidos, e destes países enquanto mercados de consumo, com um aumento de população acima da média global.
Apesar de o ambiente de negócios ser muitas vezes difícil para as empresas, estes países têm vindo a fazer reformas, com reflexos na subida de posição de muitos deles no índice de facilidade de negócios elaborado pelo Banco Mundial.
Moçambique e Angola têm vindo a atrair grandes cadeias de retalho internacionais, com um estudo da A.T. Kearney a colocá-los entre os 15 países africanos mais atractivos para este género de investimentos.
A consultora, citada pela Macauhub, dá a Angola o 3º lugar entre os países africanos mais atractivos para cadeias de retalho internacionais e Moçambique surge como o 15º mais atractivo, tendo em conta factores como a dimensão da população urbana, eficiência a nível empresarial e risco para os investidores.
No caso moçambicano, destaca-se o recente hipermercado gerido pela empresa “Number One Supermarket, Lda”, com produtos alimentares, bebidas, electrodomésticos e outros, um investimento de 2 milhões de dólares na cidade de Quelimane, capital da província da Zambézia.
A comunidade chinesa está fortemente representada no comércio a retalho em Moçambique e Angola e tem vindo a investir em grandes superfícies.
Devido à expansão acentuada da população e do rendimento médio, Angola tem vindo a atrair cadeias como a sul-africana Spar, seguindo o exemplo da compatriota Shoprite, depois de a brasileira Odebrecht ter sido chamada pelo Governo para uma parceria na gestão logística da cadeia estatal Nosso Super.
CONFERÊNCIA DE INVESTIDORES: Nampula espera receber 1.4 mil milhões de dólares
Quarta, 21 Outubro 2015
A PROVÍNCIA de Nampula espera receber, nos próximos tempos, 1.4 mil milhões de dólares de investimento em vários projectos desenhados pelo Executivo de Victor Borges e que foram apresentados na primeira conferência de investidores realizada em Setembro.
Segundo António Zacarias, porta-voz do Governo Provincial de Nampula, as expectativas foram de certa forma superadas, ao conseguir mobilizar 40 por cento dos 3.4 mil milhões de dólares que constituem as necessidades de investimento da província.
Segundo a fonte, para a utilização dos 1.4 mil milhões de dólares garantidos, o Governo Provincial criou já uma equipa de trabalho e elaborou um plano de acção para diferentes áreas a serem contempladas com o financiamento.
“É uma matriz na qual constam as actividades a serem desenvolvidas até que consigamos os investimentos operacionais. Devido à natureza do trabalho, a operacionalização da matriz conta com o envolvimento dos directores provinciais de sectores abrangidos pelo financiamento”, explicou António Zacarias.
O porta-voz do Governo de Nampula referiu que o montante será aplicado em áreas como abastecimento de água, educação e estradas. Em termos de rodovias, serão priorizadas as que foram danificadas pelas intensas chuvas que fustigaram a província entre Fevereiro e Março.
De lembrar que o Governo de Nampula realizou no dia 18 de Setembro, a primeira conferência de investidores para divulgar e promover o potencial existente e, por via disso, atrair homens de negócios nacionais e estrangeiros interessados em investir na província.
Tendo em conta a diversidade do potencial da província de Nampula, a conferência pretendia direccionar igualmente os investimentos para seis áreas consideradas prioritárias, nomeadamente abastecimento de água, estradas e pontes, energia, segurança alimentar e ordenamento territorial, sectores considerados deficitários.
Por exemplo, para a construção de 10 novos sistemas de abastecimento de água nas cidades de Nampula, Nacala-Porto, Ilha de Moçambique, Angoche e vilas de Moma, Malema, Mogovolas, Ribauè e Eráti, são necessários 20 milhões de dólares.
Para a reabilitação e asfaltagem da Estrada R Cruz N12/Matibane/Crussi Jamal, uma zona com grandes potencialidades turísticas, reabilitação e asfaltagem da estrada Naguema/Chocas-Mar, são necessários 37 milhões de dólares.
BANCO DE SOFALA: Produção de camarão com índices animadores
Quarta, 21 Outubro 2015
A produção de camarão está a regista índices satisfatórios no banco de Sofala, onde as operações de captura foram reatadas após cerca de três anos de medidas rigorosas de gestão, que incluíram a redução da frota de embarcações envolvidas na pesca semi-industrial.
O director provincial das Pescas em Sofala, João Saíze, considera que os resultados são encorajadores e há um empenho dos operadores, que se reflecte directamente no crescimento da produção.
Segundo projecções da fonte, a captura de camarão no banco de Sofala vai atingir uma média anual de entre duas mil e 2.5 mil toneladas, o que se vai reflectir como ganhos para a economia, uma vez que o camarão é um tradicional produto de exportação.
Preferencialmente o camarão de Sofala é colocado nos mercados europeu e asiático, com destaque para a Espanha e China, respectivamente, sendo que no ano passado a captura da espécie atingiu 1681 toneladas na pesca artesanal e 1447 na semi-industrial.
Estes resultados com tendência de crescer são, segundo a nossa fonte, consequência dos esforços de todos actores envolvidos, nomeadamente o Governo e os operadores da pesca industrial, semi-industrial e artesanal.
“Como sabemos, o pescado, em geral, e o camarão, em particular, geram divisas e postos de emprego para a população, no quadro do combate à pobreza, contribuindo para o desenvolvimento socioeconómico e cultural da província de Sofala e do país em geral”, disse Saíze.
Infelizmente, conforme referiu, existem pescadores desonestos que protagonizam a pesca ilegal, ou seja, usam redes e artes proibidas por lei, como é o caso de redes mosquiteiras, ameaçando o desenvolvimento das várias espécies de pescado.
Para o efeito, apelou a todos intervenientes no sentido de exercerem uma maior vigilância para a neutralização dos que enveredam por esta prática, que considerou como “nociva e egoística”.
Com uma extensão de linha da costa de 330 quilómetros que se estendem desde a foz do rio Save, passando pela cidade da Beira, até à foz do rio Zambeze, a província de Sofala dispõe de uma riqueza marítima, gozando, por isso, de um potencial pesqueiro, no qual pontifica o camarão.
CRÓNICA: Um VIP em Massingir
Quarta, 21 Outubro 2015
A condição de jornalista obriga o profissional a assumir a responsabilidade de identificar factos noticiosos em todos os lugares por onde passa. No entanto, por vezes fica difícil identificar a novidade quando o assunto envolve o próprio jornalista ou alguém das suas relações, o que até se compreende, devido ao conflito de interesses que geralmente se gera.
Já imaginaram, por exemplo, um jornalista escrever sobre o seu cônjuge, filho ou irmão, mesmo que este seja um exemplo de superação na vida? Até pode ser verdade e legítimo, mas quando o articulista é parte interessada no assunto a estória deixa de ter a conveniência de ser contada. São daquelas situações em que se diz que não se pode ser juiz em causa própria… mas permitam-me que abra uma excepção.
Num desses dias, em conversa com colegas, dei comigo a contar um episódio ocorrido no dia 4 de Outubro lá para as bandas de Massingir, em Gaza, para onde habitualmente me desloco por conta de alguns interesses pessoais.
A estória começa em Abril, quando Mankinki, ele que é o chefe da aldeia de Muine, na localidade de Zulo, me propôs que aderisse a uma contribuição para preparar a festa do 4 de Outubro. Porque se estava a erguer um monumento da paz na povoação, fazia todo o sentido preparar ambiente de festa para o dia da sua inauguração, com comes e bebes…
O monumento foi erguido no recinto da escola local e o dinheiro da contribuição serviu para comprar uma cabeça de vaca e preparar “ngovo”, uma bebida tradicional, para animar a malta. Foi convidado o ancião Mulhovo, chefe tradicional de Mapulanguene, em Magude, província de Maputo, por fazer fronteira com aquela povoação.
Não consegui chegar na véspera por conta de uma avaria do meu velho Canter nas bandas de Xinavane, onde acabei pernoitando em casa de uma família amiga, para retomar a viagem no dia seguinte, depois de reparar o carro, claro. Na bagagem levava, entre outras coisas, uma garrafa de champanhe e três frangos que Mankinki me encomendara, produtos que não foram a tempo de ser usados na cerimónia porque só cheguei por volta das 14.00 horas.
Quando cheguei os chefes idos da localidade já se tinham se retirado, mas a festa continuava, porque Mulhovo, que fora na sua Toyota Hilux, estava a alegrar os convivas com a música “ximatsatsa”, muito apreciada na zona. Só se retirou ao fim da tarde, levando consigo a animação.
A festa foi transferida para casa do chefe Mankinki, que tem um gerador de corrente. Ligou o seu DVD, os clipes começaram a destilar música e dança. E a festa continuou. Mandei o Thaula, meu colaborador, trazer o inversor de corrente para conectar na bateria do carro e liguei uma lâmpada de baixo consumo para iluminar a escuridão para que ninguém desejasse abandonar a festa.
Como um dos poucos agentes económicos da povoação, estava acomodado num lugar destacado, a partir de onde me deleitava com a animação da malta, activada pelo “ngovo” e tabaco enrolado em papel de jornal velho que costumo levar.
Amiúde, os dançarinos, já sob o efeito do álcool, aproximavam-se da “mesa de honra” procurando meter alguma conversa. Mas como já pronunciavam palavras inaudíveis e do tabaco que fumavam expeliam fumo negro de incomodar, eram rapidamente convidados a afastar-se pelo zeloso Thaula ou pelo próprio Mankinki, que tudo faziam para manter o respeito em níveis aceitáveis, sobretudo para com visitantes como eu.
No meio da bebedeira houve até quem viesse pedir emprego, mas como sabia que no dia seguinte não se recordaria do que pedira remeti-o ao Thaula. Muitos talentos despontavam e revelavam muita garra na execução de coreografias diversas. Mulophosa e o Mbanguine disputavam o palco com Machava, mas o Fernando é que fazia a diferença. Nwalangana também não ficava para trás com as suas execuções que mereciam observação atenta de mamana Nwaximusse que, penosamente, não podia dançar devido a uma lesão contraída quando preparava forno de carvão. Mas aquilo era festa a sério! Com recursos disponíveis localmente, incluindo a alegria que aquela gente tem para dar e vender. E foi isto que mais me impressionou.
Esta é a estória que quis partilhar convosco e dizer que por alguns instantes me senti um verdadeiro VIP, e que valeu a pena toda aquela convivência, por sinal num dia muito especial, o Dia da Paz, num povoado onde tudo o que as comunidades precisam é chuva e tranquilidade para trabalhar a terra.
Foi uma experiência ímpar que me ajudou a perceber que a verdadeira paz reside em cada um de nós. Só precisamos libertá-la.
Isaías Muthimba
MAHUNGU: Ainda sobre Emílio Manhique
Quarta, 21 Outubro 2015
“CUNHADO, onde andaste nas duas últimas semanas? Procurei muito por ti. Não fazes ideia o quão fiquei muito mais frustrado quando ingloriamente tentei falar contigo via telefone celular”.
Foi assim como meu cunhado Xavier Filipe, mais conhecido por Herekane, marido da mana Rozi, reagiu quando sábado passado encontrou-se comigo num convívio familiar na casa do meu pai Dazane, localizada na região de Matumbelene, distrito de Morrumbene.
Herekane é esposo da nossa irmã mais velha, a primeira filha do meu pai, quando fazia a pergunta do meu alegado desaparecimento das zonas acessíveis à rede móvel, já que do seu telefone sempre que tentasse ligar para os meus tinha a recomendação para ligar mais tarde. Ele veio ao meu encontro de braços abertos para me abraçar.
Quando dois cunhados se encontram há sempre gargalhadas e brincadeirinhas normais antes de saudação. Aliás, Herekane, antes de se tornar cunhado foi grande amigo do meu pai com quem partilhava o quarto na cidade de Cartonivell, na África do Sul, quando juntos trabalhavam na companhia de Blayvoor. Ambos eram maquinistas do comboio eléctrico. Aos fins-de-semana Herekane acompanhava Dazane aos campos de futebol onde jogava em torneios recreativos envolvendo equipas de várias companhias mineiras. Fazia relato em português, destacando sempre a intervenção do seu amigo, que como futebolista, tinha o nome de Pandhane. Dazane era um daqueles defesas centrais viris. Ou passa a bola e fica o homem ou fica a bola e passa o homem. Dazane era assim ovacionado pelos apoiantes da sua equipa. Era um líbero temível.
Depois de um forte abraço que eu considerei normal e até de saudação, Herekane, insiste perguntando porque andei desaparecido naquele período que meu o telefone não chamava, porque segundo dizia, começou a argumentar a razão das suas chamadas, pois tinha algo importante a falar sobre o meu colega.
“Meu colega! Quem, e o que aconteceu com esse colega”? Perguntei ao Herekane quando puxávamos a cadeira para nos sentarmos.
“Sim, o teu colega. Sabes, eu gostava muito daquele homem. Só escutei no noticiário, mas eu queria aprofundar um pouco mais as razões da morte dele. Emílio Manhique, eu era grande fã daquele homem. Sabes, bons homens passam cedo. Mas conta o que foi que aconteceu - questionou o meu cunhado.
Olhei para meu cunhado e descobri no seu rosto uma indignação de quem ainda não acredita de que do seu aparelho não ouvirá aquela voz que lhe acordava para pegar na sua enxada de cabo comprido, o “hemula,” e se dirigir para suas hortas, lá nas margens de Tondrine, o rio onde com a sua família faz hortas e produz muito arroz.
Confortei meu cunhado, explicando que as lágrimas que naqueles instantes embaciaram seus olhos eram de milhões de moçambicanos que terão naquela lenda da comunicação social, um amigo para sempre, um moçambicano que fazendo a sua parte, lutou pela pacificação do país.
“É verdade, era homem de paz, lembro-me que teria sido ameaçado de morte por algumas pessoas. Ouvi isso no seu e sempre apetecível “Café da Manhã”. Mas eu queria através de si garantir, tal como recomendou no seu último dia, continuarei sempre ligado à Rádio Moçambique. Por favor escreva isso para Manhique”, pediu o meu cunhado Herekane.
VICTORINO XAVIER
O saber ser e o saber estar
Quarta, 21 Outubro 2015
MAIS um ano está prestes a terminar. Bom para uns e mau para outros. Sempre foi assim e sempre assim será. Da análise que venho fazendo há já bastante tempo, concluo e contrario alguns velhos ditados populares como: “diz-me com quem andas dir-te-ei quem és”, “se num saco uma laranja está podre, logo, todas outras estão”, “a maioria é que vence”, e muitos outros ditados nos quais as pessoas se apegam irracionalmente para “defender” suas posições.
Ora, para mim, já não é a maioria que vence, mas sim é a capacidade inteligível das pessoas encararem determinadas situações e quando é dominada pela “minoria” dotada de princípios racionais, claro que provoca ira da maioria.
Cada ser humano tem a sua identidade. Embora muitos a tenham, mas preferem viver na sombra da dos outros, ou seja, se importam mais com a identidade dos outros em detrimento da sua. É possível se relacionar com alguém que pensa diferente, de hábitos e costumes diferentes e a nossa identidade continuar sem mácula. Por isso, o ditado “diz-me com quem andas dir-te-ei quem és” não cola.
O saber ser e o saber estar tem fugido muito do nosso quotidiano. Sabemos tentar ser como o outro, sabemos tentar estar no lugar do outro, muito longe de tentar equiparar-se à empatia, mas sim a uma fuga constante da nossa identidade.
Um psiquiatra já falecido dizia que “a maior causa de aborrecimentos do ser humano é outro ser humano”, mas também dizia que “a maior causa de alívio desses aborrecimentos é outro ser humano”.
Ele referia-se a má influência do nosso próximo sobre o nosso estado de espírito. Para o bem-estar emocional, devemos aperfeiçoar a nossa capacidade de convivência com o nosso semelhante.
O ser humano adaptou-se e adapta-se à natureza. Há já longínquos anos enfrenta terramotos, calamidades, animais ferozes e muitos outros perigos, mas por incrível que pareça ser, o aparente menor dos perigos ao seu semelhante continua hoje a ser o maior perigo.
Uma das maiores dificuldades de convivência entre as pessoas é o facto do ser humano ser sociável por natureza e também um ser egocêntrico. Sendo sociável, o ser humano é incapaz de viver sozinho e, por ser egocêntrico, incapaz de conceder aos seus semelhantes as mesmas regalias que lhe são concedidas. Portanto, sozinho não se consegue viver e, paradoxalmente, com o outro também é difícil.
As nossas frustrações, mágoas e irritabilidade são proporcionais àquilo que esperamos dos outros; quanto mais esperamos, mais sofremos. Assim, para prevenir frustrações futuras, é bom fazer tudo o que fazemos sem esperar nada em troca, fazemos por uma questão de arbítrio, de vontade e consciência. Se algo de bom vier dos nossos semelhantes, será agradável e se não vier nada, será normal.
Como diz um grande padre brasileiro: “a vida é feita de escolhas”. Acredito que nesta frase está resumido tudo o que temos e o que fazemos. Mesmo que alguém critique algo, faça a sua escolha e deixe que os outros falem de si. Os moralistas são a pior espécie humana, escondem-se na “etiqueta sagrada” e vivem preocupados com o comportamento e a vida do outrem; acovardam-se no seu puritanismo falso e pecam todo o santo dia, atirando “pedras” aos verdadeiros corajosos que fazem suas escolhas.
O saber ser e o saber estar está intimamente ligado à identidade de alguém e esta deve ser escrupulosamente respeitada.
ENTRE ASPAS: Comunicação social “independente” e o actual momento político (1)
Quarta, 21 Outubro 2015
QUANDO o presidente da Renamo anunciou, há alguns meses, a criação do que chamou quartel-general do seu movimento em Morrumbala, Zambézia, alguns jornais, estações de rádio e estações de televisão, bateram palmas como que a regozijarem-se pelo feito, não sei bem porquê!
Em parangonas, em títulos de abertura de telejornais e de abertura de noticiários radiofónicos, esses jornais, e essas estações de televisão e estações de rádio, não se limitaram a noticiar o facto em si. As abordagens, em forma de reportagem, enunciavam uma satisfação indisfarçável, como quem diz “já não era sem tempo”.
Algumas dessas abordagens chegaram, em certos casos, ao ponto de, socorrendo-se dos discursos vários do chefe da Renamo, chamarem a atenção do público para aquilo que consideram a robustez das forças da Renamo, em contraponto com os integrantes das Forças de Defesa e Segurança (FDS), que, por estarem a ser mal treinados e serem ainda “miúdos”, não seriam capazes de fazer frente aos “comandos” daquele movimento.
No campo de opinião, em espaços nas televisões, nas rádios e nos jornais, o anúncio do “General Afonso”, indicava, segundo os colunistas e outros opinadores que, finalmente, tinha chegado o momento para acabar de vez com a arrogância do Governo da Frelimo. As mesmas opiniões ressaltavam a ideia de que a Renamo viu-se obrigada a tomar a medida da criação do quartel-general e de treinar os seus homens, pois a “ala dura” da Frelimo impedia por todos os meios, o Presidente da República, Filipe Nyusi, de implementar na plenitude a sua ideia de governação e da procura de paz, preferindo e promovendo a solução de matar Afonso Dhlakama.
Veio o ataque que ficou conhecido por dois nomes: ataque das FDS à coluna da Renamo, e/ou, auto-ataque da Renamo, para se vitimizar, justificando-se assim uma acção de retaliação que se saldaria no desencadear da guerra; e, por outro lado, a partir daí, (a Renamo) colher simpatias da chamada comunidade internacional, e, como não poderia deixar de acontecer, colher simpatia dos seus apoiantes internos.
Este ataque (ataque? auto-ataque?), como muitos estarão recordados, é o tal que produziu muitos feridos, segundo os renamistas e outras “fontes seguras”. Feridos que nunca foram vistos e nunca foram assistidos em qualquer dos hospitais situados num raio de 5 quilómetros. É o tal ataque que foi “testemunhado” por “vários” jornalistas, alguns dos quais juraram a pés juntos – entenda-se, através de textos que foram largamente publicitados em determinados jornais nacionais e em estações de rádio e de televisão em Portugal. Nas entrelinhas desses textos, sobressaía a necessidade de uma resposta contundentepor parte dos “comandos” da Renamo, para dar lição aos “miúdos” das FDS.
Veio a confrontação entre as FDS e os homens armados da Renamo, na zona de Gondola, com as consequências que todos conhecemos e referidas através de jornais, rádios e estações de televisão. Reagindo aos acontecimentos, a tal Imprensa que se auto-intitula de independente (independente de quê? independente de quem?), veio em força gritar aos quatro ventos, “lembrando-nos” do “perigo” em que tinha caído a “democracia”, por causa da intransigência e a arrogância da Frelimo.
A tal Imprensa “lembrou-nos” também o quanto estava errada aquilo que apelida de solução do conflito moçambicano ao estilo da de Angola. Para essa Imprensa, a correlação de forças (que está a favor da Renamo) aconselha o Governo a continuar o diálogo – o mesmo é dizer, que o Governo deve continuar a ceder em tudo o que a Renamo exige, porque só assim estará garantida a paz e a democracia.
Um colunista de uma das publicações “independentes” chega ao desplante, num recente artigo seu, de dizer isto, quando aborda a questão da desmilitarização da Renamo: “um partido armado desarmando outro é caricato, patético e demasiado perigoso para o país”. O escriba é tão vesgo, tão “independente”, tão “democrata”, que para ele as FDS não são forças do Estado moçambicano. Quer dizer, os centros de recrutamento para o serviço militar, que seleccionam os mancebos que uma vez treinados se tornam militares (das FDS), não são instituições do Estado de Moçambique. Como se os centros de recrutamento admitissem apenas recrutas que sejam membros da Frelimo. Por favor! Haja o mínimo de pudor. A campanha pela descredibilização da instituição Forças Armadas de Defesa de Moçambique é de tão baixo nível que, para sua auto-satisfação o articulista vê bois onde os outros vêm galinhas…
MARCELINO SILVA - marcelinosilva57@gmail.com



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