Já tem sido cíclico, já tem sido recorrente, um ataque aqui, uma escaramuça ali; uma "desautoridade" aqui, uma ameaça de abertura de quartel ali; os sinais são muitos, não interessa quem seja o seu autor. E já são antigos. O nosso Estado de Direito está cada vez mais fragilizado, está cada vez mais a precisar de um diálogo mais sério, mais inclusivo e mais abrangente. Sexta-feira foi mais um dia, foi mais um este a nossa solidez como país. Como foi possível chegarmos a este nível? Como foi possível deixarmos que a credibilidade de um país fosse posta em causa e, hoje, já não haja dúvidas sobre a classificação que se dá a Moçambique: um país com dois exércitos só pode ser um país à beira de uma guerra, por isso perigoso. Felizmente há quem, como eu, na ausência de uma direção certa, ainda acredita que com um pouco mais de bom senso, é possível resolver os nossos problemas da melhor maneira possível. A guerra não nos leva a lado nenhum. O respeito pelo primado da lei é a única forma de seremos um Estado sério, forte e respeitado. Com a crise do Metical - e com tudo que isso representa - só um país unido, comprometido é capaz de lutar e encontrar as melhores soluções. Este era o tempo em que os economistas deveriam nos ajudar a compreender para melhor enfrentar estes tempos (muito difíceis) que aí vem. E os sinais estão diante de nós todos os dias. Foi muito difícil o país chegar a este (bom) nível. Será muito difícil, em tempos de crise, recuperar até ao mesmo nível. Felizmente temos pessoas comprometidas com Moçambique e que, mesmo perante todas as adversidades, todas as dificuldades, nunca deixaram de acreditar num Moçambique melhor e em paz. Como gostava de ter muito mais pessoas como o Professor Lourenço do Rosário, Dom Dinis Sengulane. Acrediro que seríamos um país bem melhor.

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