segunda-feira, 19 de outubro de 2015

CONCEITO SENGULANISTA SOBRE O INÍCIO PRÁTICO DO DIÁLOGO DHLAKAMA/NYUSI

O assalto e pilhagem a residência do Presidente da RENAMO cujo objectivo era matar Afonso Dhlakama na semana passada na cidade da Beira, província de Sofala, com a anuência do bispo emérito anglicano, Dinis Sengulane, o Sheik Abibo Hamade, dois conhecidos membros do Conselho de Estado nomeados pela Frelimo por serem apoiantes, o reverendo Anastácio Chembeze, outro defensor frelimista, veio trazer novos conceitos no panorama político moçambicano. O grande precursor do conceito de assalto a mão armada a residência do Presidente da RENAMO como sendo o “início prático do diálogo entre Afonso Dhlakama e Filipe Nyusi” foi ingenuamente o Dom Dinis Sengulane como muito bem escreveu o Frei Alfredo Manhiça. Entende o bom do Bispo Sengulane que o diálogo sério ao mais alto nível iniciou com o assalto a casa de Dhlakama e o consequente falhanço do plano do seu assassinato. Não poderíamos perante esta atitude de cinismo de lembrar os interesses que ligam Dinis Sengulane a Frelimo, a par do que acontece com muitas outras igrejas, incluindo a Católica Romana que também já foi invadida pela Frelimo e Filipe Nyusi que nos últimos dias conquistaram partes dos pastores. Basta ver que ultimamente, a isca do famoso diálogo político tem sido lançada a partir dos altares dessas igrejas onde Nyusi vem fazendo périplo. Ninguém conheceu Nyusi como sendo crente da Paróquia de Santo António da Polana, mas nos últimos meses já é e disso vem fazendo uso. Se bem que não causou surpresa esta interpretação de Dinis Sengulane, no mínimo causou indignação a ausência de alguma declaração por parte dos ditos mediadores, bem como o papel que exerceram ao serem eles próprios a vasculhar a casa do Presidente Dhlakama. Ficou claro que Dom Dinis Sengulane e companhia sabiam do plano que visava assassinar o líder da RENAMO. Pretenderam os senhores vigários e mediadores trazer a mesa de diálogo uma parte com as mãos atadas e sem poder de falar nem pensar e outra parte armada e com imposições. Ainda bem que tenha sido o povo a lhes descobrir e a denunciá-los como traidores da democracia e do pluralismo político que custou sacrifícios aos moçambicanos. Também ficou claro de que as soluções domésticas sempre invocadas por José Pacheco com apoio de Dinis Sengulane e Anastácio Chembeze na resolução do problema quando procuravam argumentos para expulsar a EMOCHM no país eram mesmo de assassinato. Sempre dissemos que o propalado diálogo político para a consolidação da Paz que o Governo vem cantando não passa de uma mera propaganda política da Frelimo para ganhar tempo de modo a ser esquecida a génese de toda esta crise. No fundo o Governo vai mobilizando recursos, claro militares, para dar o último golpe a oposição. A RENAMO e o seu líder já tornou claro que não tem nada a dialogar com a Frelimo e Nyusi devido a falta de uma agenda clara com objectivos sérios. Resta saber dos próprios mediadores se primeiro existem condições para o diálogo prosseguir e segundo se estão ainda com a moral suficiente para continuarem a mediar o processo. De resto o comportamento desses senhores deve ser vigiado inclusivamente nas suas igrejas, uma vez que para a RENAMO e o povo não merecem mais confiança.

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