quinta-feira, 16 de abril de 2015

As respostas de Costa e Passos ao Presidente



EDITORIAL



DIRECÇÃO EDITORIAL 

16/04/2015 - 06:39


O Presidente tenta ser protagonista até ao fim, mas não vai ser possível.


Há cerca de dois meses, numa entrevista ao Expresso, o primeiro-ministro mostrou abertura a um possível Governo do Bloco Central. Num raro gesto de humildade, Passos Coelho justificou essa disponibilidade sob o argumento de que quem “determina as condições de governabilidade são os eleitores”, recusando ir mais longe sobre hipotéticas “cenarizações”. Há dois dias, no conselho nacional do seu partido, o líder do PSD recuou em toda a linha, afastando-se desse cenário não só pelas críticas que fez ao “vazio de ideias” do partido rosa, como por considerações segundo as quais “é melhor para o país um futuro Governo não ficar dependente do PS”.

É importante recordar o assunto agora, a poucos dias do importante discurso presidencial do 25 de Abril, quando, como o PÚBLICO já revelou (edição de ontem), o chefe de Estado se prepara para voltar à grande obsessão do seu segundo mandato: um acordo entre PS e PSD, capaz de assegurar a estabilidade do país depois das eleições e garantir a realização de um conjunto de reformas, sobretudo devido ao enorme rácio da dívida, às previsões anémicas sobre o crescimento da economia e ao elevado valor do desemprego.

À luz dos dados agora conhecidos, é bem possível que Passos Coelho queira desde já marcar uma posição face a quaisquer tentativas de Cavaco Silva desenvolver iniciativas tendentes a aproximar os dois partidos. Se isso acontecer, é mais um dos protagonistas a dissuadir publicamente qualquer veleidade do actual inquilino de Belém nesse sentido, depois da frase cortante há dias pronunciada por António Costa: “Não podemos deixar aos jogos partidários, nem à vontade do Presidente da República a escolha do novo Governo”. Ou seja, a intenção de Cavaco fica reduzida a isso mesmo – uma intenção. Sem capacidade para intervir devido às limitações constitucionais, arrisca-se a sair de Belém sem ter cumprido a única bandeira capaz de lhe salvar o mandato.

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