domingo, 6 de março de 2016

Ajudou o Irão a vender petróleo no tempo das sanções e foi condenado à morte

Babak Zanjani, que começou a actividade de empresário a vender ovelhas e enriqueceu no tempo de Ahmadinejad, diz estar inocente e vai recorrer da sentença.
A Justiça iraniano condenou à morte Babak Zanjani, que era um dos homens mais ricos do país e que foi considerado culpado de um dos crimes mais graves, "espalhar a corrupção na terra". Por outras palavras, cometeu fraude e vários crimes económicos, o maior deles o roubo de quase três mil milhões de dólares do Estado iraniano, segundo o Governo de Teerão.
A ascenção e queda do multimilionário de 42 anos estão ligadas a negócios ilícitos com o petróleo, nos anos em que o Irão estave proibido de vender crude devido às sanções aplicadas devido ao seu programa nuclear - as sanções foram entretanto levantadas e o primeiro navio com petróleo iraniano comercializado legalmente já chegou à refinaria espanhola de São Roque.
O empresário que nasceu em Teerão há 42 anos e começou a sua actividade como comerciante de ovelhas, negou as acusações, mas reconheceu que, desde 2010, usava uma rede de empresas na Turquia, Malásia e Emirados Árabes Unidos para vender milhões de barris de petróleo em nome do Governo, que era na época chefiado pelo Presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Quando Ahmadinejad, que representava uma facção que defendia que o Irão devia manter um braço de ferro com o resto do mundo, saiu do cargo, sendo substituído pelo moderado Hassan Rouhani, Babak Zanjani foi preso, em Dezembro de 2013.
Rouhani alterou radicalmente a política externa do Irão, assim como a abordagem à negociação sobre o nuclear, chegando a acordo com o Ocidente e voltando a pôr o país no mapa das relações internacionais políticas e comerciais. Internamente, abriu uma guerra à “corrupção financeira” e às "figuras privilegiadas” que “tiraram partido das sanções económicas”, explica a BBC.
Ostensivo na sua riqueza, Zanjani chegou a dizer que valia 13,5 mil milhões de dólares e, antes de ser detido, tinha admitido publicamente que as sanções internacionais estavam a impedi-lo de devolver ao Governo mais de 1,2 milhões de dólares provenientes da venda de petróleo. O seu nome foi inscrito na lista negra de empresários e empresas que viram as contas bancárias e bens serem congelados, por decisão dos Estados Unidos e da União Europeia.
Durante o julgamento, a acusação disse que o empresário não devolveu ao Governo 2,7 mil milhões de dólares e fez saber que os 13,5 mil milhões de que Zanjani falava dizem respeito à sua dívida, não à sua fortuna.
A defesa negou as acusações e anunciou que o multimilionário que ajudou Ahmadinejad a escoar o petróleo que o Irão não podia vender vai recorrer da sentença.

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