sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

HERÓIS NACIONAIS

 Damiao Cumbane


Já é tempo de se reabilitar algumas figuras emblemáticas da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e admitir-se que a narrativa que foi usada ontem para expurgar e cortar pescoços de uns, resultou de erros políticos e históricos, de análise de ocasião.
As justificações que levaram à expurga de Lázaro Kavandame, hoje, o politico-empresário Raimundo Pachinuapa as faz com maior agressividade (empresarial), exactamente na mesma província, a de Cabo Delgado, onde os problemas relacionados com a pertença e exercício de propósitos privados e de apropriação começaram.
Se hoje pudéssemos recuar no tempo, todos os actuais empresários da Frelimo seriam levados aos campos de reeducação de onde muitos não regressariam.
Confesso que, por exemplo, ainda não ouvi ninguém a justificar com propriedade as causas que levaram Celina Simango aos campos de reeducação de Niassa, de onde não mais regressou.
Os actuais pronunciamentos de Jorge Rebelo, Graça Machel, Óscar Monteiro, Tomás Salomão e tantos outros, se pudéssemos recuar no tempo e os voltassem a fazer, com a Frelimo de 1960, 70 e 80, seriam levados aos campos de reeducação ou seriam fuzilados.
Empresários como Armando Guebuza, Samora Machel Junior, Raimundo Pachinuapa e tantos outros, seriam considerados Xiconhocas, seriam objecto de escárnio público, seriam levados aos campos de reeducação se sentença pior não lhes coubesse.
Gulamo Nabi, era comerciante, foi julgado e condenado à pena de morte e fuzilado, publicamente, porque fazia o que hoje alimenta milhares de famílias e é fonte de trabalho de milhões de moçambicanos, o Mukero ou negócio informal transfronteiriço.
Gulamo Nabi foi fuzilado porque levava camarão de Moçambique para ir vender na então Suazilândia, somente isso. Foi o crime que lhe levou ao fuzilamento público, ali em Hulene.
Urias Simango foi ostracizado, rotulado com todos os epítetos que conhecemos, só porque ousou discordar com certas formas ou práticas de então.
Na nossa História temos vergonha ou preferimos esconder às actuais e futuras gerações que quem celebrou o casamento (religioso) entre Samora Machel e Josina Machel, foi Urias Simango. Escondemos aos nossos filhos que quem dirigiu a cerimónia do funeral de Eduardo Mondlane foi Urias Simango, reduzimos à pequenez a figura de Urias Simango procurando apagar que ele foi Vice-Presidente da Frente de Libertação de Moçambique, escondemos aos nossos filhos e mentimos para não dizer que Celina Simango foi a primeira mulher moçambicana a representar a ala feminina da Frelimo em conferências internacionais.
Joana Simeão simplesmente foi vítima da negação do multipartidarismo que hoje é moda em todas as sociedades que almejam ser Estados de Direito Democrático.
Muitos dos que tomaram a dianteira na negação da pretensão da Joana Simeão, em 1974, em ela criar um partido político com o qual rivalizasse com a Frelimo, foram os primeiros a criar partidos políticos aquando da aprovação do Multipartidarismo, com a aprovação da Constituição de 1990. Que o diga Yaqub Sibindy e outros antigos combatentes, se quiserem ser honestos e não morrerem mentirosos.
Como tal, julgo ter chegado o tempo de reabilitar muitas figuras que, caíram na desgraça dos outros tempos. Não podemos continuar a alimentar Heróis Nacionais de conveniência, em detrimento dos outros.
Em vida, do saudoso General Bonifácio Gruveta, num desses encontros ou reuniões dos antigos combatentes vi-o a repreender, de forma áspera, um combatente que, usando de palavra, aludiu a Urias Simango como reaccionário.
Bonifácio Gruveta não gostou, cortou o interlocutor, mandando-o calar, questionando-o sobre se ele sabia do que estava a falar e se conheceu a figura de quem se estava a referir. Bonifácio Gruveta não era gago.
Creio que o Presidente da República, Daniel Chapo, tem uma soberana oportunidade de tomar a iniciativa de recolocar algumas figuras da nossa história no lugar que elas merecem.
Não devemos perder de vista que quase todos, senão todos os reaccionários da Frelimo foram pessoas das regiões Centro e Norte de Moçambique, facto que, quanto a mim, configurava a luta pelo poder entre as pessoas saídas do Sul e as oriundas do Centro e Norte e, não era para menos:
O Sul contava com pesos pesados como Eduardo Mondlane, Samora Machel, Mariano Matsinhe, Josina Machel e tantos outros que, na luta pelo poder, usando a mesma língua, podem ter urdido uma purga interna, para afastar uns, e assenhorarem-se de tudo.
Pessoas como Edson Macuácua, Ericino de Salema, Beatriz Buchil e outras que rodeiam o Presidente da República e mesmo as figuras de outros tempos, como Graça Machel Jorge Rebelo, Raimundo Pachinuapa, Mariano Matsinhe, António Hama Thay, ainda lhes sobra o senso de verdade e honestidade para recolocarem a história de algumas das figuras da nossa história, no lugar que elas merecem.
Pelas mesmas acções dos actuais tempos, se fosse nos anos 60, 70 e 80, muitos não existiriam.
NB. Não consultei nenhuma fonte para redigir este texto. Não me crussifiquem pelos erros de história e conhecimentos que possa conter. Apenas recorri à Cultura Geral para juntar as palavras até compor o texto.
Hermenegildo Jafar Marrengula
Nem Portugal que é a tua referência ainda não fala bem de Salazar nem reconhece o fim da ditadura como um erro📌
Mas ainda bem que no final dizes sozinho que o texto contém vários erros, portanto mereces perdão!
Marlene Germano
Só não percebi pk axa k a Sra. Buchili, o sobrevivente e "co optado" Salema podem assumir papeld e tamanho significancia? Não estara a superestima-los?
Melcido Nicapeia-The Wisher
Bom texto, aprendi muito, mas duvido que o presidente Chapo tenha poder suficiente para mudar as narrativas historicas, julgo que é o papel do partido Frelimo no seu todo, abrir espaço para novas narrativas.
Prince Bonzo
Dr Cumbane, um gênio na disciplina de História. Fez 7ª Classe, 10ª, 12ª Classe e até Universidade. Tirou boas notas graças ao conhecimento da história de Moçambique que tanto possui.
Agora está a ensinar os filhos que verdadeiros heróis são malta Venâncio.
Podem reclamar como quiserem e todos sabemos segundo a ciência: só vale o que está escrito em obras que as Universidades vão usar para avaliar vossos filhos. Ensinem a verdade.
Tony Domingos Bulacho Bulacho
A Frelimo de Daniel Chapo pode se redimir de muitos pecados, somente por esse acto simples e simbólico de reconsiderar figuras esquecidas na história, consideradas como vilãs, porque na época pensaram diferente ou porque foram derrubadas numa disputa por uma namorada. Isto poderá abrir no campo da ciência e educação, questionamentos, e demanda de de esclarecimentos de quem foi Joana Simeão, Samuel Felipe Magaia, Mateus Sansão Mutemba, Kavandame, Urias e Celina Simango...
José Pinhão
Não só os erros passados como os erros actuais servem o mesmo propósito de se manterem injustamente no poder.
Jaime Nicky Navaia
Agora entendi o porquê desses que estão vivos têm cabelo branco e alguns defeitos físicos... Estão a suportar tanta mentira, mas tanto pecado mesmo, que acredito que alguns deles não têm sonolência natural 🙌🙌
Francisco Retxua
Falou tudo dr
Jack Chan
Dr., tem advogado?
Sérgio Matica
Falou e bem falado, Dr, tem colete?
Carlos Honwana
Tufa. Nem mais Dr Cumbas
Mucupe Mapato
interessante que mesmo a pessoa que dormia debaixo dos mesmos lençois que o saudoso, se fosse o que é, no tempo dele, seria também conotada como reaccionária. Por isso, política........
Pedro Nhassengo
Angola já reconhece e fez uma estátua para Jonas Savimbi. Até porque seria uma forma de Reconciliação Nacional entre e com todos os moçambicanos
Oksanio DelMoza
As minhas venias, Dr. Damiao Cumbane
Porquê homens como o senhor nao estao no leme deste país !!!???
Oksanio DelMoza
O Sr. Chapo nao vai mudar NADA porque a sua fraca legitimidade nao lhe dá autoridade suficiente dentro da Frelimo para tal
Jesuel Ordem Cassimo
Disse tudo e estou completamente de acordo, mesmo sabendo que minha opiniao nao conta.
Reginaldo Ernesto Massango
Este texto é só uma costura de frases soltas. Devia muito bem ter consulado fontes históricas para evitar escrever um monte de tolices. Já que nem todos são obrigados a ter que estudar história, pesquise sobre o conceito de Anacronismo histórico.
Paulo Mate
O Dr. Damião Cumbane escreveu um texto que, apesar de não constituir uma investigação histórica, pode ser atestada pela memória colectiva. Ademais, a própria história deve ser reescrita, tendo em conta a influência daqueles que demonizaram uns e endeuzaram outros deliberadamente. Por conseguinte, a História escrita nem sempre corresponde à verdade dos factos. No entanto, é possível corrigir as incongruências da História através da tradição oral.

Sem comentários: