quinta-feira, 23 de março de 2017

Ex-presidente da Argentina vai a julgamento acusada de fraude

ARGENTINA


Cristina Kirchner tem pela frente um julgamento no caso da venda de futuros do dólar abaixo do preço do mercado para embelezar as contas em tempo de eleição e que já custaram centenas de milhões.
DAVID FERNANDEZ/EPA
A ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, vai a julgamento por fraude contra o Estado argentino no caso do chamado ‘dólar futuro’, uma decisão para embelezar as contas públicas durante o período eleitoral e que vai acabar por custar cinco mil milhões de dólares a um já magro erário público.
Depois de gerir com mão de ferro os destinos da Argentina durante oito anos, Cristina Kirchner tem pela frente o que pode vir a ser um largo calvário legal.
O primeiro desses processos que irá a julgamento será o do caso do ‘dólar futuro’ uma decisão extremamente controversa tomada pelo banco central, por ordem da então presidente, de vender contratos que implicavam a compra abaixo do preço de mercado do dólar na Argentina a grandes investidores, mas com a obrigação do Estado de os comprar de volta aos mesmos investidores com um retorno de 50%.
O esquema permitia ao banco central aumentar de forma temporária as reservas de moeda estrangeira, que podiam ser usadas para tentar estabilizar o peso, mas em compensação, pouco tempo depois, o prejuízo acabaria por ser significativo. O banco central vendeu contratos de futuros por 10,6 pesos o dólar, numa altura em que a taxa de câmbio estava nos 14/15 pesos por dólar. O valor artificialmente baixo dos contratos acabaria por ter custos consideráveis para o Estado mais tarde, depois da planeada desvalorização do peso pelo novo presidente, tendo o banco central agora de pagar 15,6 pesos por dólar. O prejuízo pode chegar aos 5 mil milhões de dólares.
Este é apenas um dos casos que Cristina Kirchner está envolvida, podendo vir ainda a ser acusada de vários casos de corrupção, um deles envolvendo o desvio de milhões de dinheiro público que um governante foi apanhado a tentar esconder em várias malas no convento de Nossa Senhora de Fátima, na Argentina.

Quem era Khalid Masood, o autor do atentado terrorista em Londres?

LONDRES


3
Khalid Masood, autor do ataque em Londres, tinha 52 anos. Fora condenado por crimes violentos, mas não estava a ser investigado pelos serviços de informação. Vivia sob diferentes pseudónimos.
Masood chegou a ser referenciado pelos serviços de informação britânicos como uma figura "periférica" numa investigação sobre terrorismo
Lentamente, vão sendo conhecidos mais detalhes sobre Khalid Masood, o homem de 52 anos que as autoridades britânicas identificaram como o autor do ataque terrorista de Londres, que vitimou três pessoas e deixou 40 feridos.
O atacante nasceu em Kent, no sudeste da Inglaterra, mas, segundo a informação avançada pela polícia e citada por vários órgãos de comunicação britânicos, mudara-se para as Midlands Ocidentais, região que envolve as cidades de Birmingham, Wolverhampton e Coventry.
Masood terá nascido no dia de Natal em 1964 e atualmente vivia sob diferentes pseudónimos. Apesar de ter um passado violento, o suspeito não estava atualmente no radar dos investigadores. De resto, não existia qualquer pista sobre as verdadeiras intenções do homem de 52 anos. Nada fazia prever que Masood planeava levar a cabo o ataque de quarta-feira.
De acordo com a informação avançada pela primeira-ministra britânica, Theresa May, Masood chegou a ser referenciado pelos serviços de informação britânicos como uma figura “periférica” numa investigação sobre terrorismo. Até ao momento, não há mais nenhuma ligação identificada a organizações terroristas.
Ainda assim, Khalid Masood já estava referenciado pelas autoridades britânicas. Tinha cadastro depois de ter sido condenado algumas vezes por crimes como agressão, posse de armas e perturbação da ordem pública. A primeira condenação foi em novembro de 1983 e a última em dezembro de 2003.
Às 14h40 da tarde de quarta-feira, Masood, que seguia de carro, entrou pela ponte de Westminster, perto do Parlamento britânico e de outras atrações turísticas como o London Eye, com a intenção de atropelar o maior número de pessoas. Fez 40 feridos, dois dos quais não resistiram aos ferimentos graves causados pelo impacto.
De acordo com a BBC, Masood ter-se-à identificado como professor junto da empresa que de aluguer de automóveis, na região de Birmingham.
O atacante acabaria por se despistar e embater contra os portões laterais do Parlamento. Vestido de preto, na posse de uma arma branca, Masood passou as portas que dão acesso ao pátio à frente do Parlamento e atacou um polícia que o abordou. O agente de autoridade acabou por não resistir aos ferimentos. Quando tentava correr de novo para fora do recinto, outros dois membros da polícia terão disparado contra o atacante que ficou gravemente ferido, acabando por morrer. Foi baleado três vezes no peito pelas forças de segurança.
Mesmo no fundo da maca, onde o suspeito está deitado, vê-se um par de botas castanhas que poderão pertencer ao atacante, uma vez que ele surge na fotografia descalço e sem uma meia.
Durante a tarde de quarta-feira, começam a surgir imagens aproximadas da cena do crime. Junto ao atacante são visíveis duas facas. Uma delas parece ser uma faca grande de cozinha, com um cabo preto (está entre um homem com uma camisa branca e um agente da polícia à sua esquerda). A outra faca está à direta do pino laranja.
Nesta imagem, o atacante está de tronco nu, com o que parece ser uma compressa branca do lado esquerdo. Um dos indivíduos dos serviços de emergência tem a mão direita, com uma luva azul, em cima do peito do suspeito, que se acredita ser Khalid Masood.
O grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico reivindicou o ataque através da agência de propaganda Amaq, afirmando que o atacante era “um soldado do Estado Islâmico”.
Durante a tarde foram surgindo alguns rumores de que o atacante fosse Trevor Brooks, um cidadão britânico de 42 anos, nascido a 18 de abril de 1975 em Hackney (leste de Londres) que se terá convertido ao Islão assim que fez 18 anos. Conhecido pelas suas posições extremistas, descrito pelo Counter Extremism Project (CEP) — uma organização sem fins lucrativos que se dedica a combater ideologias extremistas –, como “propagandista islamita” e um “clérigo radical”, tudo indicava que Abu Izzadeen, nome que adotou depois de se converter, era o verdadeiro autor do atentado. No entanto, essa informação acabaria por se desmentida pelas autoridades britânicas, até porque Trevor Brooks continua preso.

Durante a madrugada, as autoridades britânicas levaram a cabo um raid policial na cidade de Birmingham, cerca de 200 quilómetros a noroeste de Londres. A ação policial estava relacionada com o ataque em Londres. Oito pessoas foram detidas até ao momento, numa altura em que as investigações ainda decorrem.Quem são as vítimas do ataque a Westminster?

Entre as três vítimas mortais do atentado em Londres, dois são cidadãos estrangeiros e o outro era um dos polícias que guardava o Parlamento.
Fotogaleria

Keith Palmer

Foi desarmado que Keith Palmer tentou travar o autor do ataque terrorista, mas não sobreviveu aos golpes de faca que lhe foram desferidos. Há 15 anos nas forças de segurança, Palmer, de 48 anos, fazia parte do comando de protecção do Parlamento britânico da Scotland Yard. Era casado e tinha dois filhos. O deputado Tobias Ellwood ainda tentou reanimá-lo, sem sucesso. “Era um herói, as suas acções nunca vão ser esquecidas”, declarou a primeira-ministra britânica, Theresa May. Em menos de 24 horas, foram doadas cem mil libras para apoiar a família de Palmer.

Kurt Cochran

O norte-americano originário do Utah estava em Londres com a mulher, Melissa, para celebrar o 25.º aniversário de casamento. Tinham o regresso programado para esta quinta-feira. A mulher partiu uma perna e uma costela e estava a ser tratada num hospital. O casal pertencia à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e os pais de Melissa são missionários mórmones em Londres.

Aysha Frade

Esta galega de 43 anos, casada com um português, estava a caminho da escola das filhas, segundo o jornal La Voz de Galicia. Filha de pai cipriota e mãe espanhola, Aysha vivia em Londres, onde os seus pais se terão conhecido, e estava a sair do emprego quando se deu o ataque em que foi atropelada. Trabalhava num colégio onde dava aulas de espanhol.

"Durante estes 42 anos fizemos tudo contra a agricultura", José Sulemane

"Durante estes 42 anos fizemos tudo contra a agricultura", José Sulemane

Sulemane entende que é necessário evitar ter um sector privado dentro do sector público
Não obstante ser a promessa dos últimos 42 anos, a agricultura é o tema de que mais se fala e escreve-se em Moçambique e, talvez por isso, o leitor queira desistir do texto. Mas há abordagens que vale a pena considerar, que tentam fugir à corrente fatalista e colocam à mesa propostas para debate.
José Sulemane, moçambicano, representante-residente do Fundo Monetário Internacional (FMI) na Guiné Conacri, foi orador, esta semana, de uma conferência internacional na Beira sobre os caminhos para o futuro.
O economista e professor apontou a agricultura como um elemento-chave enquadrado na Constituição da República, mas órfão em termos de medidas com impacto no aumento da produção e diminuição das importações de bens alimentares.
“O artigo 103 da Constituição da República diz que a base do desenvolvimento nacional é a agricultura. A pergunta que eu faço é: O que fizemos nestes 42 anos neste assunto? A teoria que eu tenho é que durante os 42 anos fizemos tudo contra a agricultura, explica.
A tese é baseada nos dados do relatório de inquérito agrícola de 2012, que mostram que o país não evoluiu nos vectores importantes da agricultura: o número de pequenas parcelas agrícolas manteve-se o mesmo, representando 99% do total de todas as parcelas; os serviços de expansão não se estenderam à altura das necessidades; a investigação não corresponde ao que se pretende.
A falta de prioridades na agricultura e a intenção de criação de uma indústria, baseada nos centros urbanos, tem contribuído para a quebra da produção alimentar. É um fenómeno a que José Sulemane chama de armadilha de Ricardo.
O que é a armadilha de Ricardo? Se nós pensamos num processo de desenvolvimento industrial, há uma transferência de mão-de-obra do sector rural para o sector urbano e isso faz aumentar a procura pelos bens alimentares, por exemplo. Esses bens vem da agricultura para alimentar os trabalhadores do sector urbano. Se a produtividade na agricultura não aumenta, a ponto de fazer face a essa demanda de produtos alimentares de pessoas que migram para o sector urbano, então, não vai haver um processo de industrialização no país.
A armadilha Ricardo impede a criação de uma indústria nacional virada para a produção interna e com uma cadeia de valor que funciona dentro de Moçambique. O actual cenário propicia o surgimento de investimentos de vulto, do tipo mega-projectos, sem ligação à raiz da economia nacional.
  
Estratégia de crescimento
Definir uma estratégia de crescimento clara e fácil de avaliar será crucial para o desenvolvimento. E todo o resto passa por aí, desde o papel de cada uma das partes, financiamento e resultados.
“Para mim, a estratégia de crescimento tem que ser uma visão de médio prazo, no mínimo, e que orienta toda a administração pública nas suas actividades diárias. Eu sei que num país como o nosso, temos mais de 25 ministérios e cada um faz o que quer. Isso não deve ser a forma de lidar com uma estratégia de crescimento, alerta.
Moçambique é apontado como um país com várias estratégias, planos e políticas nos mais variados sectores. Esta situação conduz à falta de foco e não permite a tomada de decisões estruturais. “Geralmente, quando um país é pobre, há tendência de ter muitas prioridades, mas devo chamar atenção que isso não funciona. A expressão que gosto de usar é que quando um país é pobre gosta de distribuir amendoins a todos sem impacto nenhum. A ideia é decidir algo que vai transformar a estrutura da economia, diz.
E para não ficar apenas no diagnóstico, o economista, com passagem pelo Ministério das Finanças onde ocupou a pasta de director Nacional do Orçamento, propõe uma estratégia de cinco anos com quatro principais linhas. Vamos por partes:
Água e saneamento
No entender do economista, uma aposta na melhoria do acesso à água potável e saneamento teria um triplo efeito: satisfação das necessidades da população, melhoria das condições de saúde com diminuição de doenças como cólera e construção de infra-estruturas.
Energia
Nos próximos anos, Moçambique deverá ser um país industrializado, o que passa necessariamente pelo uso da energia eléctrica. José Sulemane diz que se pudesse decidir indicava a energia como uma das prioridades, realizando investimentos de qualidade. Nós até agora importamos energia eléctrica com tanto potencial que temos, critica.
Agricultura e pesca
A agricultura e pesca são sectores de maior criação de empresa e não exigem formação elevada. O economista do FMI diz mais: a agricultura e pesca resolvem-nos o problema do emprego, rendimento, exportações e, possivelmente, alguma diminuição de importações. 

Despesa pública
Se eu pego, por exemplo, o orçamento de Moçambique, na componente da despesa de investimento, é mais ou menos dois biliões de dólares norte-americanos por ano. Se eu pego a despesa de bens e serviços é mais ou menos um bilião de dólares. A soma das duas componentes dá mais ou menos três biliões de dólares. Quando eu digo qualidade da despesa, significa que se estes três biliões de dólares por ano seguissem as regras de concurso público e se fosse dado o devido suporte ao sector privado, seria um motor para o desenvolvimento, argumenta o professor.
José Sulemane tem a convicção de que um bom sistema de concurso público é um motor para o desenvolvimento do país, pois pode permitir que as empresas locais do sector privado sejam usadas para fornecer bens e serviços a administração pública. Temos que evitar ter um sector privado dentro do sector público, que é contra o sector privado real, desabafa.
José Sulemane vai mais longe e propõe uma auditoria aos contratos públicos em Moçambique para avaliar se seguem as regras de procurment. Ao fazer a proposta, o economista lembrou os resultados de uma auditoria na Guiné Conacri, que concluiu que 87% dos contratos públicos tinham irregularidades.
Sobre as PME, diz que é preciso dar mais atenção, através da política fiscal. Considera que tudo é feito para assegurar o funcionamento dos grandes investimentos, ao invés de apostar nas PME. Por que não fazer para as PME, o que é feito para o investimento directo estrangeiro por via dos grandes projectos? Parece que para esse tipo de projectos tudo é facilitado, mas para as PME que empregam maior parte das pessoas e são parte resiliente da economia local - não há apoio.

Windows Live Messenger + Facebook