sábado, 9 de abril de 2016

Depois de renunciar, presidente da Guatemala vai para a cadeia por roubar o país


E o povo da Guatemala dobrou a meta>>>
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO EM 04/09 - AFP: Novo presidente discursa na Guatemala
A Justiça da Guatemala determinou a prisão provisória do ex-presidente Otto Perez Molina durante o processo que investiga seu suposto envolvimento em um esquema de milionário de corrupção.
Molina está respondendo por envolvimento no desvio de milhares de dólares do serviço alfandegário nacional. O ex-presidente negou ter cometido qualquer crime. Ele renunciou ao cargo após sofrer grande pressão das ruas.
As denúncias de corrupção deram início a uma onda de protestos nos últimos meses. O vice-presidente Alejandro Maldonado foi empossado interinamente como chefe de Estado.
A renúncia de Molina acontece alguns dias antes da eleição presidencial, marcada para domingo. O ex-mandatário foi impedido de participar do pleito devido a uma norma constitucional.
Molina também foi proibido de deixar o país. Seus advogados afirmaram que sua prisão provisória seria “uma violação ao princípio de legalidade e de livre locomoção”.
Eles disseram que não há motivos para se desconfiar que Molina queira fugir, pois apesar de ter recursos para isso decidiu se apresentar à Justiça.
O processo todo está sendo encarado como o início de um novo capítulo na história do país.
(Com informações de BBC)

Entenda escândalo que causou renúncia do presidente da Guatemala

  • 3 setembro 2015
Image copyrightReuters
Image captionOtto Pérez Molina teve a prisão decretada e vai responder acusações de corrupção
O presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, renunciou nesta quinta-feira em meio a um escândalo de corrupção após a revelação de um esquema conhecido como La Línea (A Linha).
A renúncia ocorre depois de o Congresso guatemalteco ter retirado a imunidade do presidente, para que Pérez Molina pudesse ser julgado como um cidadão comum. Na quarta-feira, a Justiça do país emitiu uma ordem de prisão contra o presidente. A vice-presidente, Roxana Baldetti, foi presa.
Pérez Molina justificou a renúncia como sendo necessária "para que pudesse enfrentar pessoalmente as acusações de corrupção". Ele disse ainda que a decisão levava em conta o interesse do Estado".
Molina e Baldetti, vinham sendo alvo de protestos pedindo a renúncia de ambos desde abril, quando foi divulgado um relatório com detalhes de um esquema de corrupção envolvendo vários membros do alto escalão do governo.
Os detalhes foram revelados após investigação da Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (Cicig), órgão ligado à ONU e à Justiça guatemalteca; eles se concentraram em 40 casos de pagamento de suborno às autoridades para garantir a entrada no país de mercadorias com isenção fraudulenta do correspondente imposto aduaneiros.
Segundo os investigadores, a "La Línea" cobrava suborno aos empresários em troca da isenção parcial ou total de impostos aduaneiros.
"O contrabando fraudava um país tão necessitado da receita de impostos", disse Iván Velásquez, chefe da comissão da ONU.
Apesar de não ter sido divulgado o total da fraude, as investigações revelaram que em apenas duas semanas o grupo teria recebido 2,5 milhões de quetzales (cerca de US$ 330.000).
A Justiça expediu mandado para a prisão de Juan Carlos Monzón, ex-secretário da vice-presidente e suposto líder da organização criminosa.

'Grupo mafioso'

Baldetti negou envolvimento com a rede de corrupção. "Gostaria de dizer a vocês que nenhuma outra alta autoridade do governo está envolvida nesta estrutura", disse ela numa entrevista coletiva.
Image copyrightAFP
Image captionGuatemaltecos ocuparam a praça principal da Cidade da Guatemala para pedir a saída de Otto Pérez Molina
Porém, suas declarações não foram suficientes para acalmar a população e, ao final de abril, cerca de 15 mil pessoas ocuparam uma praça no centro da capital para pedir a renúncia de Baldetti e do presidente Pérez Molina.
Em entrevista à BBC Mundo, Arturo Matute, analista da organização International Crisis Group, disse que não esperava a prisão das autoridades.
"Aqui na Guatemala todos sabem que existe um nível altíssimo de corrupção. O povo tem sentido as consequências da ação deste grupo mafioso e achávamos que seria muito difícil fazer algo", disse Matute.
Otto Pérez Molina é acusado de associação ilícita, fraude aduaneira e corrupção passiva.
Pérez Molina se declara inocente e nega que tenha tido qualquer ligação com a rede criminosa.
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