sexta-feira, 15 de abril de 2016

ACNUR TRANSFERE REFUGIADOS MOÇAMBICANOS NO MALAWI

O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) anunciou, esta sexta-feira, o arranque do processo de transferência dos refugiados moçambicanos do distrito de Nsanje, para o campo de Luwani, que dista cerca de 320 quilómetros.

Um comunicado de imprensa do ACNUR, que a AIM teve acesso, refere que os primeiros 81 moçambicanos partiram do distrito de Nsanje para o campo de refugiados de Luwani, em dois autocarros, na manhã desta sexta-feira. 
Logo após a sua chegada, deverão ser alojados em um centro de trânsito por um período de dois dias, enquanto aguardam por um talhão, alimentos, materiais de abrigo e utensílios domésticos. O apoio logístico para esta movimentação está sendo providenciado pela Organização Internacional de Migração (OIM), afirma o ACNUR.
Segundo a fonte, cerca de 10.000 moçambicanos encontram-se actualmente refugiados no Malawi. 
A maioria são residentes da província de Tete, particularmente da região de Ncondezi, perto da fronteira do Malawi, onde têm sido reportados confrontos entre homens armados da Renamo, antigo movimento rebelde, e as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas (FDS).

Refira-se que existem notícias contraditórias em torno das causas do êxodo de moçambicanos para o vizinho Malawi. Por exemplo, a Human Rights Watch (HRW), uma organização não-governamental para a defesa dos direitos humanos, publicou recentemente um relatório no qual cita alguns refugiados como tendo acusado as FDS de terem cometido abusos, tais como execuções sumárias, incêndio de suas residências e celeiros.
Contudo, uma missão do governo de Moçambique que se deslocou a Nkondezi não encontrou nenhuma evidência sobre os alegados abusos e violações dos direitos humanos cometidos pelas FDS. Pelo contrário, os residentes locais que falaram com a referida missão governamental acusaram a Renamo de ser a principal responsável pela violência que se regista na região.
No passado, Luwani foi um grande campo de refugiados que acolheu moçambicanos que fugiram para Malawi durante a guerra de desestabilização travada pela Renamo e que terminou em 1992. O campo foi encerrado em 2007, mas o governo do Malawi autorizou recentemente a sua reabertura.
A justificação para a transferência dos refugiados é a superlotação do principal acampamento onde se encontram acomodados, na aldeia de Kapise. Porém, as fortes chuvas acabaram por deixar intransitáveis as vias de acesso. 
Por isso, o ACNUR disse ter acordado com o governo malawiano que 'a transferência para Luwani deveria começar primeiro com famílias residentes no distrito de Nsanje. Com o fim da chuva, prevê-se uma melhoria na transitabilidade da estrada para Kapise de modo que a transferência possa começar na próxima semana. Depois seguir-se-á a transferência de 800 refugiados que se encontram em Ckiwawa. 
O ACNUR afirma que tem vindo a realizar 'pesquisas de intenção' entre os refugiados, tendo apurado que a maioria está disposta a ir para Luwani. Todavia, existem algumas famílias em Kapise que preferem manter-se no local, embora aquela agência das Nações Unidas tenha garantido que em Luwani 'existem mais terras e melhor acesso a vários serviços'.
O ACNUR espera que a transferência para Kapise seja concluída entre seis a oito semanas. O influxo de moçambicanos no Malawi atingiu um pico de mais de 250 por dia no início de Março último. Desde então, os números reduziram consideravelmente. 
PF/SG
AIM – 15.04.2016

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