domingo, 1 de janeiro de 2017

O que está a acontecer na Turquia?

RECEP TAYYIP ERDOGAN


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A Turquia afastou-se rapidamente dos ideais democráticos nos quais o país foi fundado e parece cada vez mais um regime autocrático assolado pelo medo, a paranoia e a opressão.
Sou uma cidadã turca que está a viver no estrangeiro desde 2008. Enquanto expatriada, as conversas com estrangeiros à cerca do meu país são maioritariamente positivas, incidindo nas memórias agradáveis que uns têm quando o visitaram ou no desejo que outros têm de visitá-lo. No entanto, a frase que mais ouço recentemente nessas interações é: “Mas afinal o que é que lá está a acontecer?”
Esta confusão é compreensível. A Turquia foi durante muito tempo aclamada como país modelo da sua região, com a sua incomparável geografia que abrange a Europa e a Ásia, traduzindo-se numa cultura que engloba o Oriente e o Ocidente. Um país predominantemente muçulmano mas liberal com igualdade de direitos para as mulheres onde os cidadãos e os visitantes desfrutam de um estilo de vida idêntico ao de qualquer país europeu. Como resultado desta combinação, a Turquia conseguiu atrair milhões de turistas por ano, culminando com o facto de ser o sexto destino mais popular do mundo em 2014.
E não era apenas o turismo o ponto atrativo da Turquia. A sua economia tem vindo a crescer ano após ano na última década depois de ter sofrido a pior crise económica da sua história em 2001. Então, o que aconteceu com este país promissor?
É, naturalmente, impossível negar os efeitos da guerra travada na fronteiriça Síria assim como a imensa crise humanitária associada. A desestabilização da região teve um impacto profundo na Turquia não só devido ao ataque terrorista do ISIS (Estado Islâmico do Iraque e da Síria [do inglês Islamic State of Iraq and Syria]) no país mas também devido ao fluxo migratório de três milhões de refugiados a escapar à violência. Dito isto, esta desestabilização criou mais caos na Turquia do que em qualquer outro país da região, tal como a Jordânia, que também teve de lidar com efeitos idênticos e teve de receber um milhão de refugiados. Mas porquê?
Vou argumentar que o motivo deverá estar na dinâmica interna do país, sobretudo com um regime caracterizado como sendo cada vez mais autoritário. O Partido da Justiça e Desenvolvimento a governar, que está no poder desde 2001, tem vindo a fazer repressão aos dissidentes desde os famosos protestos de Gezi Park em 2013. Esta manifestação pacífica para proteger um parque urbano, evoluiu rapidamente para um confronto entre o governo e os que protestavam, sobretudo pessoas que progressivamente sentiram a sua liberdade pessoal sob ameaça. O governo respondeu com um aumento da força policial, detenções e prisões.
É seguro dizer que os acontecimentos de 2013 marcaram o início da atual dinâmica interna da Turquia, ou seja, uma nação fortemente dividida com uma hostilidade profunda entre os cidadãos que apoiam e os que se opõem ao partido no poder e um governo que atribui a culpa dos problemas internos em conspirações vindas do estrangeiro.
Esta dinâmica interna atingiu o ponto máximo no verão passado, quando uma tentativa de golpe de estado atribuído a um clérigo islâmico a viver em auto-exílio nos Estados Unidos, agitou o coração da nação. Embora a nação estivesse unida na oposição ao golpe de estado, o que veio no seu seguimento apenas aumentou a separação das facções no país. O golpe de estado serviu apenas para justificar uma caça às bruxas que levou ao despedimento de mais de 125,000 trabalhadores estatais suspeitos de estarem envolvidos no golpe. Além disso, foram fechados 169 organismos de comunicação e centenas de jornalistas foram detidos sob a falsa acusação de terrorismo.
Como se pode concluir com todos estes acontecimentos, a Turquia afastou-se rapidamente dos ideais democráticos nos quais o país foi fundado e parece cada vez mais um regime autocrático assolado pelo medo, a paranoia e a opressão. O meu receio é que a queda da Turquia para este buraco negro traga mais instabilidade e insegurança a uma região já caótica e a todo o mundo em geral.
Assistant Professor at Católica Lisbon School of Business and Economics
Da Silva
33 m
Como outro comentador já anteriormente referiu, o ponto em comum é sempre o mesmo, e inegável por ser um facto evidente a todos: ISLAMISMO.

Agora, claro, se quisermos negar a realidade, poderemos sempre continuar a viver na ilusão - doce até nos atingir, a nós ou a quem nos é mais próximo..
Nuno Granja
36 m
Excelente "retrato" da realidade turca.
Victor Batista
45 m
Cara Nazli, se reparar com atencao, em Portugal tambem ja nao è o que era. Tivemos um conjunto de partidos politicos, todos eles os menos votados que fizeram um pacto, e assaltaram o poder! 
Nao deram a conhecer ao eleitorado ao que iam, Pois se tem jogado o jogo democratico,teriam perdido. 
Veja o que aconteceu com Trump, legitimamente eleito pelos Americanos, a sua eleicao foi posta em causa por aqueles que se julgam os donos do"lugar "!
Em Portugal, na America ou na Turquia, a situacao no è diferente na forma, mas sim no conteudo. So a diferenca cultural e politica  entre estes tres paises, de resto è tudo igual.
Na Turquia ,Erdogan tenta ser o novo califa, em Portugal kosta tenta ser o cabeca da casta dominante, e na America Obama è um individuo muito perigoso ja em Fim de mandato. 
Os tempos sao dificeis, e os votos dos cidadaos nao estao a ser respeitados, em lado nenhum. 



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Mosava Ickx
2 h
Essa "evolução" da Turquia tem um nome: islamismo.
O Erdogan não vai para até ser o novo Califa, "protector" dos crentes e exterminador dos infiéis...
victor guerra
2 h
Ou seja,Edorgan tem inimigos sem conta,mas a ditadura  não é assim tão dura,pois continua a haver atentados e incompetência policial.Há anos atrás,considerava que a Turquia mereceria ser membro da UE ,como prémio por ser o único estado islâmico em democracia(podiam todos  ter aprendido com Israel).Mas ,têm mostrado que são sempre os turcos.Fujam!

Turquia: autópsia de um golpe falhado

Opinião

As únicas notícias positivas desta aventura lamentável é a ausência de uma guerra civil no País e a quase impossibilidade da Turquia aderir à União Europeia.
O tema da técnica do golpe de Estado é “politicamente incorreto” na Europa e excluído deliberadamente do debate público. Ressalva-se, entre nós, a excelente resenha histórica e sociológica de Luís Salgado de Matos “Como Evitar Golpes Militares” (Ed. 2008, do ICS). Já no universo anglo-saxónico, num círculo restrito de especialistas da Ciência Política e Militar, foram publicados diversos estudos, dos quais se destacam dois: o clássico do politólogo Edward Lutwak “ Coup D`etat, a Pratical Handbook” (editado em 1968 e em que Portugal era um “case study”, havendo uma edição de 2016); e o livro de Naunihal Singh “Seizing Power” (2014), valiosa obra de pesquisa de cunho sociológico.
As imagens surreais televisionadas no dia 17 de julho, envolvendo confrontos de rua com carros de combate e caças-bombardeiros em duas cidades turcas fizeram-nos antever, já pelas 11h.30m em Lisboa, que os golpistas tinham violado os principais cânones técnicos para um “putsch” vitorioso e que o seu golpe iria provavelmente falhar ou mergulhar o País na guerra civil.
Erros ostensivos. Foram cinco, os “erros de manual” cometidos pelos conspiradores. O primeiro consistiu na incapacidade de neutralizar os chefes do Executivo, de forma a “decapitar o poder”. O Primeiro-Ministro logrou assegurar ao País que estaria a conter o Golpe e Erdogan não só apelou à resistência dos seus partidários, como acedeu a uma proposta do General Dundar (comandante do 1º Exercito em Istambul) para aterrar na cidade e aí assumir a liderança. Ora, os rebeldes, não só chegaram ao hotel onde o Presidente passava férias com uma hora de atraso, mas também não neutralizaram o avião onde viajava porque o confundiram com um voo comercial. A segunda falta consistiu na ineptidão para controlar as comunicações televisivas e eletrónicas (mormente o satélite Turksat). Os rebeldes ocuparam o principal canal de televisão (TRT) mas deixaram outros a funcionar, tendo sido através da CNN Turk que Erdogan apelou ao povo via “Facetime”. Por seu turno, o Skype, o Whats Up e o Viber funcionaram e permitiram uma mobilização contra o Golpe. Já o terceiro erro consistiu no fracasso dos golpistas em criarem a perceção geral do seu sucesso e controlo da situação: a sua proclamação foi pobre, os líderes do Governo e da oposição puderam dirigir-se ao País contra a revolta e nenhuma junta militar com rostos definidos assumiu funções como novo poder.
O quarto erro foi o da dessintonia com o povo. Os velhos golpes militares na Turquia tinham êxito porque eram desferidos por um alto comando unido contra governos impopulares. Ora, Erdogan obteve uma larga maioria de votos desde 2002 e logrou, não só mobilizar os seus partidários (com ajuda dos muezzin nas mesquitas) como obter apoio nos próprios partidos e jornais de oposição laica. Quando confrontados com o povo nas ruas, os militares não tiveram nem comando nem estômago para dispersar violentamente os manifestantes e evitar que pulassem para cima de tanques isolados e sem cobertura de infantaria. A quinta falha foi a incapacidade de garantir a neutralidade de unidades militares móveis e a submissão das forças policiais. O alto comando foi preso pelos golpistas mas os chefes dos corpos de exército lealistas e as forças de elite da polícia (os QG da polícia e serviços de segurança foram atingidos mas não ocupados) reagiram duramente, passando os militares a lutar consigo próprios.
O Golpe confrontou-se, ainda, com outras insuficiências: poucas forças rebeldes envolvidas e compostas por recrutas enganados; operações lançadas não de madrugada, mas ao cair da noite com elevado tráfego e gente na rua; e falta de planeamento e coordenação.
Onze de março à turca? Um golpe tão deficiente só pode ter uma explicação: foi espicaçado pelo próprio Governo para poder lançar uma “caça às bruxas”. Contrariamente a certas teorias da conspiração, não foi um pronunciamento “coreografado” mas sim estimulado por Erdogan quando fez saber junto do Supremo Conselho Militar (o qual se ocuparia do tema em agosto), que iriam ser emitidos mandatos de detenção de oficiais supostamente conotados com o movimento oposicionista do exilado Gülen. Pressentindo uma purga iminente algumas centenas de oficiais (“gulenistas” e laicos,) ter-se-ão precipitado num golpe apressado e caído uma ratoeira: Erdogan não sabia o momento do golpe, mas preparara-se para ele. O facto de haver detenções e demissões nas forças armadas, polícia, juízes, escolas e administração envolvendo 60.000 pessoas demonstra que as “listas negras” já estavam preparadas. No fundo, uma situação que lembra o 11 de março de 1975, em Portugal, onde uma operação de inteligência marxista lançou o pânico nos oficiais afetos a Spínola, com a iminência de uma suposta “matança da Páscoa”, levando-os a um golpe irrefletido, que foi o pretexto para purgas de oficiais e civis, muitos dos quais nada tinham a ver com o putsch falhado.
As únicas notícias positivas desta aventura lamentável é a ausência de uma guerra civil no País e a quase impossibilidade da Turquia aderir à União Europeia. De resto, Ancara não só se quedou com um exército enfraquecido em face dos curdos e o Daesh, mas ficou também mais isolada (com relações tensas com a Rússia, Irão, EUA e a possibilidade de ser expulsa do Conselho da Europa se punir retroativamente os golpistas com pena de morte). Ficou, ainda, agrilhoada a um “sultanismo eletivo” e conflitual dentro da NATO que só pode augurar o pior.
Professor Catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa

Uma nova ordem internacional?

Opinião


Todos os dirigentes contemporâneos, de Bush a Merkel e a Obama, figurarão na História como a mais medíocre e desacreditada geração de líderes desde o pós-guerra.
A globalização será retardada com o fim antecipado dos acordos de comércio Transatlântico e Transpacífico e a criação de barreiras às imigrações. Em termos regionais reforçar-se-á um bloco de Estados anglo-saxónicos e a União Europeia enfraquecerá como pólo de poder, debilitada pelo “Brexit” e pelas convulsões migratórias e identitárias. Fillon, o provável novo Presidente francês, procurará fazer uma ponte com Trump e Putin e Merkel ficará mais isolada, como último bastião da velha ordem. Finalmente, a ONU será condicionada por uma parceria entre grandes potências e a China constituirá a maior incógnita nesta equação.
Se bem que a violência continue a assolar o Médio Oriente e os EUA e UE experimentem tempos de tensão política e securitária, já o risco bem mais grave de guerras entre grandes potências e alianças militares esmaecerá.
Professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa e coordenador do Centro de Investigação de Direito Público

Trump deseja bom ano a todos, mesmo aos seus "inúmeros inimigos"

O Presidente russo Vladimir Putin enviou também votos de bom ano a Trump.
Donald Trump e Vladimir Putin
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Donald Trump e Vladimir Putin AFP/DON EMMERT;NATALIA KOLESNIKOVA
O Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, usou o Twitter, como é seu hábito, para enviar votos de bom ano "a todos", incluindo os seus "inúmeros inimigos", que se absteve de enumerar. "Bom ano para todos, mesmo para os meus inúmeros inimigos e os que combaterem contra mim e perderam em tão larga escala que não sabem mais o que fazer. Amor!", escreveu Trump na rede social que tem sido a sua forma preferida de comunicar com o mundo desde que venceu as eleições. A tomada de posse de Trump como Presidente está marcada para o 20 de Janeiro.
Num dia marcado por mensagens de Ano Novo, também o Presidente russo Vladimir Putin apresentou os seus votos de bom ano aos líderes internacionais, tendo optado por dirigir-se a Trump e não ao ainda Presidente norte-americano Barack Obama, manifestando o desejo de que os dois países possam "agir de forma construtiva e pragmática, dando passos reais para restaurar os mecanismos de cooperação bilateral em várias áreas".
No entanto, na sexta-feira, numa mensagem separada, Putin enviou saudações a Obama e família e a todo o povo americano, ao mesmo tempo que respondia às recentes sanções dos EUA contra a Rússia.
  1. Zé Solto
    Desejo que todo o bem que Putin está a fazer ao Mundo (Geórgia, Chechénia, Ucrânia, as regiões independentistas da Sibéria, Bielorrússia, Síria, aos partidos de extrema-direita da Europa etc) seja-lhe retribuído em dobro.
  2. vinha2100
    Que o que Putin nos deseja a todos lhe seja retribuído a multiplicar por cem. LOL!
  3. Roberto Óscar
    E eu também quero desejar a Hussein Obama e seus apiantes, um Ano Novo, exatamente igual ao que eles desejam a judeus, cristãos e outros não islâmicos.
  4. Boris Vian
    Pois, quando a consciência teima em latejar, depois cai-se no ridículo.
  5. Boris Vian
    Pois, quando a consciência teima em latejar, depois cai-se no ridículo.
  6. Luis Simões
    "Putin enviou saudações a Obama e família e a todo o povo americano" Será que desta vez Obama retribui? É que não me lembro de lhe ter enviado condolências quando da morte do embaixador na Turquia...

"A paz depende de nós", diz Guterres

"A paz depende de nós", diz Guterres

O ex-primeiro-ministro português começa neste domingo o mandato como secretário-geral da ONU.

António Guterres pretende que 2017 seja “um ano de paz”. Na primeira mensagem oficial como secretário-geral das Nações Unidas – este domingo será o seu primeiro dia em funções – Guterres diz que “há, sobretudo, uma pergunta” que o assalta: “Como ajudar os milhões de seres humanos vítimas de conflitos e que sofrem enormemente em guerras que parecem não ter fim?”
O antigo primeiro-ministro português foi eleito a 5 de Outubro para “a tarefa mais impossível do mundo”, como descreveu há décadas o primeiro a ocupar o cargo, o norueguês Trygve Lie (secretário-geral entre 1946 e 1952). A 12 de Dezembro, Guterres prestava juramento e discursava perante a Assembleia Geral da ONU a favor do progresso de medidas contra o aquecimento global e das reformas na instituição (seja em matéria de orçamento ou de tolerância zero para crimes sexuais das tropas de manutenção de paz).
Agora, na sua mensagem de arranque de um mandato de cinco anos, Guterres chama a atenção para a “mais letal violência” de que são vítimas as “populações civis em vários pontos do globo”. “Mulheres, crianças e homens são mortos ou feridos, vendo-se forçados a abandonar os seus lares, tudo perdendo. Até mesmo hospitais e comboios humanitários são atingidos sem contemplação.” E continua: “Nestas guerras não há vencedores; todos perdem. Gastam-se biliões de dólares na destruição de sociedades e economias, alimentando ciclos de desconfiança e medo que podem perpetuar-se por gerações. Vastas regiões do planeta estão inteiramente desestabilizadas e um novo fenómeno de terrorismo global ameaça-nos a todos.”
O ano que se agora inicia deve ser “o ano em que todos – cidadãos, governos, dirigentes – procurem superar as suas diferenças”, através do “diálogo e do respeito independentemente das divergências políticas”, “por via de um cessar-fogo num campo de batalha ou mediante entendimentos conseguidos à mesa de negociações para obter soluções políticas”, defende. E termina: “A dignidade e a esperança, o progresso e a prosperidade – enfim tudo o que valorizamos como família humana – depende da paz. Mas a paz depende de nós.”
Em Abril, no início da sua candidatura à liderança da ONU, Guterres teve de escrever um documento delineando a sua “visão” para o futuro, uma espécie de programa de governo (o processo de eleição, que terminou com 13 votos favoráveis e duas abstenções dos membros do Conselho de Segurança, foi descrito como o mais transparente de sempre). Nesse documento, a “prevenção” e a “diplomacia da paz” eram já um dos pontos fundamentais. Este trabalho irá exigir “uma diplomacia mais poderosa, mais activa, mais agressiva e mais presente”, como resumiu ao PÚBLICO um diplomata em Nova Iorque, no início de Dezembro.
Quando em 2007 tomou posse, o seu antecessor, Ban Ki-moon, tinha pela frente “os demónios nucleares do Irão e da Coreia do Norte, uma ferida sangrenta no Darfur, uma violência interminável no Médio Oriente, o prisma de desastres ambientais, a escalada do terrorismo, a proliferação de armas de destruição maciça, a epidemia da sida”, enumerava então a revista Economist. Agora, António Guterres não terá a vida mais facilitada e junta-se à lista uma realidade que acompanhou bem de perto enquanto Alto Comissário da ONU para os Refugiados: a maior crise de deslocados desde a II Guerra Mundial, provocada pela guerra na Síria.
Aos desafios vem juntar-se a eleição de Donald Trump para Presidente dos EUA, o país que isoladamente mais contribui para o financiamento da ONU. Crítico das Nações Unidas, não seria surpreendente se Trump reduzisse as verbas, e minimizasse o quanto possível a instituição. Caberá a Guterres – um homem “com carisma” e “sem medo de nomear os adversários nos seus discursos, mesmo que eles estejam em Washington ou em Moscovo”, escreveu o Washington Post depois da eleição – convencer Trump de que tem mais a ganhar se trabalhar com as Nações Unidas.

Trump elogia resposta de Putin às sanções americanas


“Grande jogada” ao adiar decisão, escreveu o Presidente eleito dos EUA no Twitter. “Sempre soube que ele era muito inteligente.”
Reuters/JONATHAN ERNST
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Reuters/JONATHAN ERNST
O Presidente eleito dos EUA elogiou a “grande jogada” por parte de Moscovo em relação às sanções aplicadas por Washington devido à alegada interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas deste ano.
A administração Obama anunciou que vai aplicar sanções contra dirigentes russos e expulsar espiões. O Presidente russo, Vladimir Putin, classificou esta sexta-feira a decisão norte-americana de “diplomacia irresponsável de trazer por casa”, mas optou por não ripostar, deixando a iniciativa do lado do próximo ocupante da Casa Branca, Donald Trump.
Esta opção de Putin é agora elogiada, no Twitter, pelo futuro Presidente dos EUA: “Grande jogada ao adiar (por V. Putin) – Sempre soube que ele era muito inteligente”.
Nesta quinta-feira, no dia em que se conheceram as represálias americanas, Trump tinha já afirmado que “é tempo de o nosso país seguir em frente para coisas maiores e mais importantes”. Apesar disso, o Presidente eleito revelava que iria inteirar-se da situação: "No interesse do nosso grande país e do seu grande povo, vou encontrar-me com os líderes da comunidade de informação na próxima semana para ser actualizado com os factos desta situação".
No mesmo dia, e em declarações à porta de sua casa na Florida, onde vai permanecer na Passagem de Ano, Trump disse ainda: "Acho que devemos continuar com as nossas vidas. Penso que os computadores complicaram muito a vida. A era do computador no seu todo fez com que ninguém saiba exactamente o que se passa".
O republicano toma posse como Presidente dos EUA no próximo dia 20 de Janeiro, cabendo-lhe a ele, por isso, a manutenção ou a reversão destas sanções impostas pela administração Obama. Segundo o que afirmou esta sexta-feira Vladimir Putin, a resposta do Kremlin dependerá do caminho escolhido por Trump.
  1. Luis Simões
    "A administração Obama anunciou que vai aplicar sanções contra dirigentes russos e expulsar espiões" Com base num relatório da CIA alega que as operações de Moscovo tinham como objectivo eleger Trump. O mais curioso é que o relatório não menciona o Wikileaks, nem uma única vez. Por outras palavras, o relatório não alega que os russos deram ao Wikileaks nenhum email do Podesta ou do Partido Democrata!...
    1. Beep Beep
      E precisavam? Qualquer coisa que dissessem sobre ela vcs acreditavam. Enquanto que os comentários sobre molestar mulheres do Trump eram fait-divers.
  2. jmbmarte
    Ribbentrop/Molotov? Pre-cold war déjà vu...
  3. vinha2100
    O Trump anda a afundar-se. Já Le chamam o Presidente siberiano. Vai ser interessante... eh eh eh...
  4. Beep Beep
    A Sociedade de Admiracao Mútua que o mundo precisava....
  5. Zé Solto
    Mas estavam a espera do que? Se foi Trump, em pela campanha eleitoral, a convidar a Rússia a espionar o partido Democrata. Esta fossa em céu aberto propagada por Putin já era um ato concertado com Trump. Trump será a maior vergonha de sempre do americanos. Um empresário da classe alta com a ajuda do pápá, um corrompido, corrupto, incompetente e, acima de tudo, um vendido.
  6. Zé Solto
    Mas estavam a espera do que? Se foi Trump, em pela campanha eleitoral, a convidar a Rússia a espionar o partido Democrata. Esta fossa em céu aberto propagada por Putin já era um ato concertado com Trump. Trump será a maior vergonha de sempre do americanos. Um empresário da classe alta com a ajuda do pápá, um corrompido, corrupto, incompetente e, acima de tudo, um vendido.
  7. sempre a patinar Obama! e este é que aproveita...
    1. Luis Simões
      O politicamente correcto está morto e enterrado. E ainda bem...
    2. "O politicamente correcto está morto e enterrado. E ainda bem..." exacto, venham as ditaduras!
    3. Margarida Paredes
      Luis Simões, viva o incorreto politicamente, a liberdade de expressão sem limites mesmo que vá contra os Direitos Humanos e o bom senso, o que está a dar é ser racista, xenófobo, misógino, fascista e fundamentalista religioso. O terrorismo chegou às palavras, ao discurso e não nos faltam exemplos como o Trump e você.

Código de hackers russos detectado em instalações eléctricas americanas


Responsáveis da Administração dos EUA dizem não saber quais são as intenções dos atacantes e se eles entraram noutros sistemas.
A Administração norte-americana receia falhar na ciber-segurança do país
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A Administração norte-americana receia falhar na ciber-segurança do país Reuters/Kacper Pempel
Um código associado a uma operação de hacking com origem russa, que a Administração norte-americana baptizou como Grizzly Steppe, foi detectado no sistema de uma instalação eléctrica no Vermont, noticiou o Washington Post.
Os responsáveis que falaram ao jornal sob anonimato explicaram que, embora os russos não usem o código para de forma activa boicotar o funcionamento de um sistema, esta descoberta é reveladora das vulnerabilidades da rede eléctrica do país. E, por outro lado, alimenta os receios dos Estados Unidos de que hackers russos estejam a tentar entrar na rede para realizar eventuais ataques.
Trata-se, explica o jornal, de uma rede computorizada e, por isso, é constantemente monitorizada para detectar eventuais falhas que, a existir, podem ter consequências desastrosas sobretudo para serviços como as emergências médicas. A empresa Burlington Electric anunciou num comunicado que tinha detectado o código usado na operação Grizzly Steppe num computador que não estava ligado à rede informática da organização e que foram imediatamente tomadas medidas para isolar o computador e alertar as autoridades.
O governador do Vermont, Peter Shumlin, lançou na sexta-feira à noite um apelo às autoridades federais para “façam uma investigação completa e aprofundada ao incidente e tomem medidas para que não volte a suceder”. Numa linguagem muito dura em relação à Rússia, Shumlin disse ainda que “o episódio deve mostrar a necessidade urgente de o Governo federal pôr um fim a este tipo de interferência russa”.
Responsáveis norte-americanos, incluindo um alto representante da Administração, disseram não ter ainda certeza de quais serão as intenções dos russos e se estes estariam a tentar boicotar o fornecimento de energia ou simplesmente a testar a sua capacidade de entrar no sistema. “A pergunta mantém-se: estarão eles noutros sistemas e quais são as suas intenções?”, disse um dos responsáveis ouvidos pelo jornal.
Esta semana, o Departamento de Segurança Nacional e o FBI divulgaram informações sobre o código Grizzly Steppe como parte de um relatório conjunto no qual dizem que a actividade dos serviços civis e militares russos “faz parte de uma campanha de ciber-operações dirigidas contra o Governo norte-americano e os seus cidadãos”. Segundo o relatório, os hackers usam emails fraudulentos para conseguirem obter passwords e assim acederem ao sistema.
  1. Zé Solto
    Apesar de Trump ter-se vendido a Putin de forma a salvar-se da sua falência, por causa do seu alto grau de incompetência, não significa que Trump conseguirá boicotar e sabotar os serviços de seguranças norte-americanos. As instituições americanas estão livres das vontades e, neste caso, da traição do seu próprio presidente. Nos próximos meses, já com Trump como presidente, terão a noção disto.
  2. Zé Solto
    Apesar de Trump ter-se vendido a Putin de forma a salvar-se da sua falência, por causa do seu alto grau de incompetência, não significa que Trump conseguirá boicotar e sabotar os serviços de seguranças norte-americanos. As instituições americanas estão livres das vontades e, neste caso, da traição do seu próprio presidente. Nos próximos meses, já com Trump como presidente, terão a noção disto.
  3. Luis Simões
    “A empresa Burlington Electric anunciou num comunicado que tinha detectado o código usado na operação Grizzly Steppe num computador que não estava ligado à rede informática” ??? O mais curioso é que a empresa só encontrou o computador não ligado depois do Washington Post ter publicado a história. As únicas pessoas que podiam ter sabido que o código estava lá foram as pessoas que lá o plantaram. E elas têm obviamente ligações às autoridades dos EUA que plantaram a história no jornal. Qual o propósito desta operação false flag ? Justificar cyber ou outros ataques contra a Rússia?
    1. Luis Simões
      Esta pista é elucidativa: Russia Hysteria Infects WashPost Again: False Story About Hacking U.S. Electric Grid
    2. Beep Beep
      Pista ou artigo de um site chamado The Intercept?
  4. Beep Beep
    Parece que qualquer site que critique o relatório do FBI tornou-se, de repente, o supra-sumo.
  5. Credo, o “Relatório” do FBI está sob fogo dos especialistas! Eu que nada percebo já tinha referido que aquilo era mais umas recomendações de cuidados a ter com vírus (como encontramos em qualquer site de anti-virus) do que algo que apontasse o dedo ou incriminasse alguém. A net está cheia de críticas, por exemplo Robertmlee 30/12/2016 “Critiques of the DHS/FBI’s GRIZZLY STEPPE Report”, mas salient a que o Luis mais abaixo apontou: Wordfence 30/12/2016 “US Govt Data Shows Russia Used Outdated Ukrainian PHP Malware”. Então não é que os dois vírus(?), um que atacou o partido democrata e outro que atacou o partido republicano, são de origem bem determinada: ucraniana? E que o site ucraniano está activo e a funcionar fornecendo vírus(?) a quem os quiser?
    1. Quanto à origem dos ataques parece que é mesmo “indeterminada”…. Aliás, o FBI anexou um excel (que só hoje encontrei) com os IP e a localização…. Lá estão, entre mais de 200 “origens”, lá estão 2 “origens” russas…. Repito, 2 russas entre mais de 200…. Parece que as “origens” vão desde os USA, à China, passando pela Espanha e creio que todos os países do mundo … Todos? Não! Portugal não consta… é verdade, Portugal deve ser dos únicos países, senão o único, que não foi utilizado nos ataques de vírus(?)… Não sei se é bom ou se é mau… Talvez tenha sido mesmo deste jardim que foram lançados os ataques para roubar mails aos partidos democrata e republicano.
    2. Portanto ficamos com o aviso inicial do “Relatório”, aviso bem claro e explicito, só quem não lê não percebe: “AVISO: Este relatório é fornecido "como está" apenas para fins informativos. O Departamento da Pátria Segurança (DHS) não fornece quaisquer garantias de qualquer tipo sobre qualquer informação contida dentro. DHS Não endossa nenhum produto comercial ou serviço referenciado neste aviso ou de outra forma…”, ou seja, quem gosta, engole, quem não gosta não pode reclamar nem esperar melhorias.
    3. Só espantará este “Relatório” e a sua vacuidade a quem não se lembra dos outros crimes, por exemplo do Powell na ONU a mostrar uns desenhos em Photoshop e a dizer que eram armas terríveis que o Saddam tinha, e ver a audiência a baixar os olhos envergonhada mas cúmplice, a ver o Blair a afirmar que “em 45 minutos” estarão mísseis no ar com as tais armas terríveis, a ver o Cherne a dizer “eu vi”, e ver os demais sebentos na sua cumplicidade criminosa que levou a mais de um milhão de mortos e sofrimento sem fim. Também aqui as “provas” podem ser patéticas e vazias mas para quem é bacalhau basta pois os servis subordinados engolem e aplaudem.
    4. Luis Simões
      O mais engraçado é que de repente esta mesma "notícia" apareceu quase à mesma hora em media de vários países ocidentais, e depois dizem que não há campanha anti-russa...
    5. Beep Beep
      "Eu que nada percebo" - Parei aqui, e qualquer pessoa que leia o relatório sem "Credos", pode comprovar que é verdade.
  6. holandes_voador
    Mais propaganda. Os EUA ainda não apresentaram provas dos outros "ataques" (apenas phishing, nada mais) terem sido feitos pelos russos, mas já andam a espalhar a narrativa com outras parvoíces destas
    1. Luis Simões
      Deixo-lhe uma pista engraçada, voador: ‘Russian hackers’ penetrate US power grid with ‘outdated Ukrainian malware’
  7. holandes_voador
    Mais propaganda. Os EUA ainda não apresentaram provas dos outros "ataques" (apenas phishing, nada mais) terem sido feitos pelos russos, mas já andam a espalhar a narrativa com outras parvoíces destas
  8. holandes_voador
    Mais propaganda. Os EUA ainda não apresentaram provas dos outros "ataques" (apenas phishing, nada mais) terem sido feitos pelos russos, mas já andam a espalhar a narrativa com outras parvoíces destas
  9. Luis Simões
    "Um código associado a uma operação de hacking com origem russa, que a Administração norte-americana baptizou como Grizzly Steppe" ??? Afinal foi a administração Obama que baptizou o Grizzly Steppe...
    1. Luis Simões
      Já leram o relatório da Wordfence, uma empresa de cybersegurança especializada na protecção de websites da WordPress? Pois leiam, está online e refere-se ao Grizzly Steppe e ao tal código...